IMMORTALITY
6 Loiro natural.
Notas iniciais
– Bom dia, queridinha. – disse uma voz acima de mim
– Agora não, Jesus. – falei – Eu estou dormindo, Não tenho tempo pra ouvir falar sobre sua vida.
– Eu não sou Jesus, sua idiota – falou a voz, e senti a luz tocando meu rosto – O que fizeram com você? Tiraram seu cérebro e substituíram por um de camarão?
Levantei apertando os olhos, por causa da luz que entrava pela janela e me cegava.
Eu achei que o sol não chegasse nas masmorras.
– O que você tá fazendo aqui, Catherynn? – falei tapando os olhos – Feche as cortinas!
– Eu estou te acordando, cérebro de camarão. – ela sorriu docemente contra a luz. – Bom dia.
– Você é assustadora.
Ela sorriu friamente, e se moveu até a cama.
– Eu sei. – Catherynn disse baixinho – Me dizem muito isso.
– Deuses, Catherynn! – me afastei – Quando se tornou tão medonha?
– Quando mataram meu peixinho de aquário. – ela deu de ombros, abrindo meu guarda-roupa e jogando as roupas na cama
– Isso foi há muito tempo. – revirei os olhos – O que está fazendo?
– Procurando a passagem pra Nárnia. – ela falou irônica – Estou pegando seu uniforme, tapada.
– Ah, está fazendo o papel de boa irmã? – sorri, me levantando
– Não. – ela respondeu – Vou te arrastar para as aulas. Uma boa irmã te ajudaria a faltar nelas.
– Vaca. – eu disse
– Vista. – ela jogou o uniforme pra mim
Enquanto eu me vestia, Cath passeava no meu quarto, e girava por todo canto.
– Catherynn – chamei – você não é um peão.
– A barbie me disse que eu podia ser o que eu quisesse. – ela sorriu docemente, e continuou girando
– Então, você escolheu ser namorada do Draco? – perguntei, tentando controlar o nojo.
Cath parou de girar e me olhou friamente.
– Quem te contou isso?
– Uh... Meus amigos.
– Seus amigos grifinórios? – ela perguntou
– Sim. – respondi confusa
– Você devia se relacionar com pessoas melhores. – ela voltou a girar.
Estava ai, nossa diferença. Uma de muitas, é claro.
Catherynn sempre achava que haviam pessoas melhores que as outras. Como ela era uma Sonserina perfeita, ela odiava grifinórios e se achava melhor que eles.
O mesmo aconteceu quando fomos ao acampamento, e ela se achava melhor que os filhos de todos os outros deuses.
– Você já está pronta? – ela perguntou, se sentando no chão
– Faz séculos. – respondi
– Então porque não me avisou?
– Acho engraçado te ver rodando igual uma retardada.
– Você é uma vaca. – ela me fuzilou com os olhos, enquanto eu abri a porta rindo.
Cath saiu primeiro, e eu acabei me lembrando de como minha irmã não tinha senso de comprimento.
– Catherynn, sua saia...
– O que tem a minha saia?
– Está curta.
– Ah, minha paciência também tá – ela se virou pra mim com um sorriso maníaco – Então ande logo, ou te derrubo da sala de astronomia.
Fiz uma careta e a segui até a nossa primeira aula juntas... Como gêmeas.
– Porque não me contou sobre a minha irmã? – sussurrei pra Draco, que estava sentado ao meu lado na aula de história da magia.
– Irmã? – ele me olhou confuso
– Sim, Draco! Minha gêmea!
– Ah – ele balançou a cabeça – Achei que você soubesse que tinha uma gêmea.
Dei com o livro na cara do Draco.
– Ai! – ele me olhou com dor – Okay, desculpa.
Revirei os olhos.
– O que eu tive com a sua irmã foi bem rápido – ele deu de ombros e sorriu – Você não está com ciúmes, né?
– É claro que não. Eu nem mesmo gosto de você.
– Oh, não? – ele continuou sorrindo – E porque está falando comigo?
Apontei para o professor.
– Porque o anão me odeia e quer que eu sofra.
– Boa resposta – Draco acenou com a cabeça.
– Ei, otária. – chamou uma voz conhecida – Pare de falar com o outro otário.
– Diminua o uso da mesma ofensa, Cath. – falou Draco, se levantando e pegando sua mochila
– E você diminua a intimidade – ela jogou os cabelos pra trás – Sou sua ex, não sou amiguinha. Vamos, Candice.
– Ela é definitivamente a gêmea má – sussurrou Draco, enquanto eu saia da sala atrás da Cath.
– Argh – disse Cath quando eu a alcancei – Você definitivamente precisava de amigos novos! Acho que... Vou te apresentar aos meus.
Era um fato conhecido por toda a terra, que os loiros eram a principal causa de desastres do mundo.
Em um dia fora de Hogwarts, Cath e eu já havíamos destruído pelo menos quatro casas e dois mercados.
Porque a Cath é uma futura terrorista e estava com fome.
Quando FINALMENTE chegamos em algum lugar, eu estava cansada, descabelada e no meu pior humor.
Aliás, havíamos sido perseguidas por 3 mendigos loucos.
– Eu... nunca mais... saio com você. – falei ofegante, por causa da corrida
Cath jogou os cabelos pro lado e respirou fundo.
– Abracadabra. – ela disse
– Que?
– ABRACADABRA!! – ela gritou olhando pro portão de uma igreja abandonada
– SENHA ERRADA! – gritou uma voz de dentro da igreja.
– Que? – repeti totalmente confusa
– VOCÊS MUDARAM A SENHA E NÃO ME AVISARAM? – Cath gritou estressada
– SIM! – gritou outra voz lá de dentro – SOMOS UNS GRANDES MALVADOS. SOMOS VILÕES! MUAHAHHAHA! DESCUBRA A SENHA OU MORRA.
Cath respirou fundo.
– A senha é “loiro natural”?
– Oh! Droga! – disse a voz, enquanto o portão se abria.
– Vem comigo. – Cath chamou
– Eu tenho outra opção? – murmurei enquanto a seguia
– Não realmente. – ela deu de ombros enquanto entrava em um elevador.
– Como... Tem um elevador em uma igreja velha em ruinas?
– Aham. – ela sorriu – E chamamos isso de instituto.
Quando as portas do elevador misterioso se abriram, me encontrei em um corredor aberto, com luzes e flores.
Nem mesmo parecia a igreja velha que devia ser.
– Ei. – disse um garoto loiro, que se aproximava junto com um grupo de estranhos – Eu tô vendo dobrado! Droga Alec, aquele tapa me deixou retardado.
– Seu grandessíssimo idiota. – disse Cath – Você já é retardado.
– Ow. – disse a garota morena que estava com o retardado – Duas grandes ofensas em uma frase. Acho que isso são 4 pontos.
– Yeah! – Cath fez um high-five com a morena
– Hã-hã. – murmurei confusa – Cath...
– Ah, desculpa. – Cath se virou pra mim. – Gente, essa é minha gêmea burra. Gêmea burra, esses são Jace, O grandíssimo idiota; Clary, a pesadelo ruivo; Alec, a bicha má; Magnus, a bicha boa, e minha querida Izzy.
– Eu não tenho apelido porque sou boa demais pra isso. – explicou Izzy
– E eu não sou um grandíssimo idiota. – disse Jace
– Ah, eu com toda certeza sou a bicha boa. – Magnus estalou os dedos, soltando faíscas
– Prefiro não me misturar. – Falou Alec, revirando os olhos
– Ei, Gêmea burra – disse Izzy educadamente – Você tem um nome?
– Candice. – sorri – É quase um prazer conhecer vocês. Seria um prazer, se eu não tivesse sido arrastada até aqui pelos cabelos.
– Oh – disse Clary, nem um pouco chocada – Cath, o que te dissemos sobre arrastar as pessoas pelos cabelos?
– Não é educado. – Acrescentou Izzy
– E dói. – Disse Jace – Meu cabelo loiro natural dói muito.
– Calado. – disse Cath – Candice não sentiu nada. Ela está muito bem.
– Se ela tá bem, a gente pode voltar a comer. – disse Izzy
– NÃO, SANTO RAZIEL! – gritou bicha boa – ME MATE ANTES QUE EU TENHA QUE COMER AQUELA COISA DE NOVO.
– AAAAAAAAAAAAAAH – gritou Izzy, parecendo irritada – NÃO SOU PAGA PRA ISSO!
– E lá vai ela. – falou Cath, que observava calmamente a garota morena correr para as escadas – Acho que... È, lá vou eu.
E Cath saiu atrás da garota. Me deixando sozinha com um bando de malucos de cabelo feio.
– Ér... – olhei confusa pra eles, que me encaravam como se eu fosse um animal exótico (como a cath)
– Vamos pedir pizza! – gritou Jace, correndo/saltitando até a cozinha
Clary me olhou como se pedisse desculpas.
– Eu juro que ele é hétero. – foi o que ela me disse.
– Então! – exclamou Magnus – Nos fale sobre você, pequena louca gêmea da outra pequena louca. – ele me deu um sorriso maníaco – Você também consegue voar?
Eu ri. Cath sempre odiou voar. Ela não gostava do ar e nem da água. Garota complicada.
– Sim – respondi – Voar e nadar.
– Oh meu Raziel! – disse Magnus, chocado – Não me diga que você é uma...
– Sereia.
– BORBOLETA D’ÁGUA! – gritou Jace ao mesmo tempo em que eu dizia “Sereia”
– Oi? – disse Alec – Borboleta d’água?
– Sim. – Jace sorriu inocentemente – É uma borboleta que pode nadar.
Clary bateu a mão na testa.
– Isso não existe, Jace. – ela disse calmamente – Para.
– Booooooom... – continuou Jace – Pelo menos você não é um pato.
– Que? – falei
– Não, Quack. – ele disse
Olhei-o confusa.
– Quack quack. – ele fez bicos com a mão – Quack quack quack.
– Cada vez isso aqui fica mais sem noção. – falou Alec, saindo da cozinha.
Magnus, que parecia entediado com o assunto que havia ido para patos, voltou a me olhar.
– Eu não sou vidente. – disse ele – Mas eu tenho TOTAL certeza que você tem tanto azar no amor quanto a Srta Catherynn.
Balancei a cabeça, surpresa e confusa.
– O que quer dizer com azar no amor? – perguntei – Sobre minha irmã...
– Oh! – ele exclamou, se sentando no banco e apoiando o queixo nas mãos cruzadas – Ela não te contou?!
– Magnus – chamou Clary.
– Calada ruiva! – disse Magnus sorridente – Sabe como eu amo essa história de amor trágica. – seus olhos de gato brilharam – Imagina comigo, fofa!
“Era uma vez, um jovem grupo de caçadores de sombras.
Composto por toda essa cambada que você já conheceu.
Jace e Clary, o belo casal.
Isabelle e Alec, os gêmeos perfeitos.
Catherynn, a loira sozinha e assassina.”
– Achei que eu fosse o loiro assassino! – Jace interrompeu, fazendo um bico.
– E você esqueceu do Simon... – acrescentou Clary.
– Ah, querida – Magnus balançou a mão, irritado – O Simon não importa nessa história.
E eu estava prestes a interromper também, mas Magnus acrescentou antes disso:
– SE ME INTERROMPEREM DE NOVO, EU VOU BOTAR FOGO NO CABELO DE VOCÊS.
Jace levou as mãos ao seu cabelo, com cara de chocado, enquanto Magnus revirava os olhos e continuava.
“O grupo de caçadores de sombras + eu, o feiticeiro fabuloso e + Simon, o vampiro inútil e desnecessário nessa história estávamos muito bem, depois de uma GUERRA GIGANTEEEE contra o pai dessa ai (ele apontou para Clary). Até que o loirinho decidiu brincar de esconde-esconde com o irmão da mesma. (Clary fez uma careta). E ele ainda diz que é hétero. (Jace deu de ombros).
Então, como guerra é uma coisa dessa família, o irmão dessa ai, que no caso se chamava Sebastian, começou uma guerra do caralho, e sequestrou os dois, porque ele era meio sozinho e tals.
Enfim. Sua irmãzinha assassina e problemática, se meteu no resgate da ruivinha, e acabou ferrando com a porra toda, e foi sequestrada no lugar do casal sem sal aqui. (Clary revirou os olhos).
Mas como eu já disse que sua irmã é problemática, ela deve ter desenvolvido uma doença séria no cérebro enquanto estava com o irmão problemático da ruiva.
E só pra constar, o Sebastian não era ruivo. Ele tinha o cabelo mais branco que o teu. Aliás, que lindo cabelo branco o seu. A gente podia ficar ricos vendendo!”
– Magnus! – chamou Clary – a história! Você saiu do Era uma vez.
– É que perdeu a graça... – ele admitiu – Me deixa continuar.
“Quando encontramos a loira assassina, ela não era mais uma loira assassina e sozinha. Ela era uma loira assassina, que namorava com um oxigenado assassino.
Sim! ELA PEGOU O VILÃO DA HISTÓRIA! WEEEEE!”
– Cara... – disse Jace, interrompendo – Eu adoro manga.
– Calado. – Magnus acenou com a mão.
A esse ponto, eu já havia percebido que:
1. Jace era mesmo retardado.
2. Clary tinha uma família problemática (e um namorado também).
3. Magnus adorava falar.
4. Minha irmã e Izzy haviam sumido a muito tempo.
– Continuando! – gritou Magnus, chamando minha atenção. – Foco!
– Oinc Oinc Oinc! – gritou Jace.
– Porque você imitou um porco? – Clary o olhou confusa
– Isso é uma foca. – ele lhe deu um olhar inteligente – Magnus disse “foca”...
– Ele disse foco... – explicou Clary
– Ah... – Jace pareceu surpreso – Achei que estávamos imitando animais.
– Não estamos. – disse Clary. – Estamos ouvindo a história da Cath, contada por Magnus.
– Oh! – Jace exclamou – Amo essa história! Continue!
Magnus revirou os olhos.
“ Então, Catherynn estava namorando o vilão, Sebastian. Estava do lado dele na guerra que estava começando, e estar do lado dele era algo muito errado. Porque ele queria matar as pessoinha, botar fogo no mundo, e governar a porra toda. Ele era um pouco esquizofrênico. E tinha uma vibe meio... “VOU MATAR VOCÊS TUDO MUAHAHAHAHAHA”.
– A irmã dela também – disse Jace – Pois é. Bem louca...
Magnus o fuzilou com os olhos, e Jace caiu da cadeira.
Dei de ombros.
“Como em toda história sem sal, o vilão perde, foi isso que aconteceu. O namorado da sua irmã foi morto, ela foi perdoada pela Clave por ficar do lado do esquizofrênico incendiário, e a gente voltou a ser feliz.”
– Exceto pela sua irmã, claro. – Jace reapareceu sentado e falando – Ela quebrou o coraçãozinho.
– Então... É essa a história dela? — falei
Eu estava chocada, por ela nunca ter me dito isso. E triste... Porque era quase como se eu pudesse entende-la.
– Aham. – disse Magnus. – A dela. O namoradinho do mau morreu. Fim! Agora, se quiser que eu conte a da Clary, é bem mais engraçada. Você acredita que ela botou fogo dentro do próprio namorado com uma espada que o “Santo Anjo do Senhor” lhe deu? Pois é! Romântica demais!
Clary engasgou.
– Era necessário! – Ela olhou-o chocada – Mas... Bem, Candice, sua irmã não está tão mal assim, sabe? – então ela parou de falar – Magnus... Eu deveria dizer?
Magnus revirou os olhos.
– Agora ela é lésbica. E ela está com a Izzy.
(Candice reactions: MAS OI? FAMILIA DE SAPATÃO NÉ
)
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