I will never forget you.
5 What 's happen?
Notas iniciais
Uma semana já se passou desde o dia que eu e Lucca nos entendemos, ele ainda possui um ótimo sendo de humor e está se saindo um ótimo amigo. Mas vejo em seus olhos, eles estão carregados de tristeza e eu não consegui achar razão para isso, concordo que todos temos segredos e que é nosso direito guarda-los só para nós, mas eu sinto que se não descobrir o que acontece com ele, irei explodir.
Chego no hospital e entre um paciente e outro uma súbita idéia se passa pela minha cabeça. Com tudo calmo em minha ala, decido dar uma saída e logo acho o que procuro: computador. Nele posso encontrar todas as fichas de todos os pacientes que já estiveram por aqui. Sem ninguém por perto começo a digitar: Lucca Corréa.
Logo acho, tenho certeza pela foto e ele está com um semblante triste, quase vejo lágrimas em seus olhos, o que me deixa ainda mais curiosa.
Abrindo o arquivo acho várias consultas com o Doutor Luís, que por sinal é o psiquiatra do hospital, será esse o motivo da sua "licença"? O que será que aconteceu de tão grave em sua vida para ele vir se consultar com um psiquiatra? É preocupante, se fosse um psicólogo, não seria tão tenso. Pelo o que vejo não são poucas consultas, elas acontecem há três anos todas as segundas feiras, isso é o máximo que consigo o fato de ele ainda não ter tido alta não ajuda pois poderia ter uma conclusão ou algo do tipo. Quando volto uma página leio: Maternidade.
Antes de poder abrir tal arquivo ouço passos em minha direção e logo fecho tudo voltando ao meu posto.
Maternidade? Não faz sentido! Ele teria me dito se tivesse algum filho. Não eu sejamos melhores amigos, mas quando lhe questionei sobre filhos ele fechou a cara e decidiu não falar sobre o assunto. E todas aquelas consultas psiquiátricas? Preciso descobrir tudo isso o mais rápido possível! Sim, curiosidade é um defeito meu.
Acordo de minhas suposições mentais com o chamado de minha supervisora, ela pede que eu vá para ala 26 urgentemente. Corro para lá e faço meu trabalho: curativos, medição de febre e pressão, medicamentos, soro, inalação, crianças chorando e tudo mais. Minha tarde se baseia nisso.
Na minha hora de descanso pego meu celular e passo a ler minhas mensagens, abro primeiro a de Clara que tenta marcar um encontro entre eu e nossas amigas, como hoje não tenho plantão acabo aceitando. Passo uma mensagem para Lara que fala que pode ficar com Lucca por mais umas horas e confirmo com minhas amigas.
Essa menina – Lara- caiu do céu, não foi fácil arranjar alguém para ficar com Lucca, uma que ele era muito apegado a mim não aceitava ninguém, e outra que não é fácil confiar à alguém a segurança de seu filho. Mas ele se apegou de tal maneira a Lara que me deixa enciumada certas vezes.
Com o fim do expediente corro para minha casa. Lá me arrumo num passe de mágica e antes de sair dou um beijo em meu filho que praticamente me ignora, esses malditos desenhos infantis!
Combinamos de ir à um barzinho no centro, graças a Deus não pego nenhum engarrafamento e logo chego. Há quanto tempo não saio para coisas assim? Já faz uns quatro anos! Meio assustador? Talvez. Não sei nem mais como me comportar nesses lugares e muito menos me vestir adequadamente, estou parecendo uma mulher de quarenta anos tentando voltar no tempo, mas com tentativa falha.
Entrando lá dou de cara com Manu, Clara e Luísa. Todas amigas da escola, elas são as melhores, estiveram comigo durante toda a gravidez, tudo que elas fizeram por mim não tem dinheiro que pague.
Cumprimento todas e logo me sento, pedimos umas bebidas e uns aperitivos. Evito beber ao máximo, mas é meio impossível, já nem me lembrava de certos sabores.
– Desacostumou? – Pergunta Manu olhando diretamente para mim.
– Parece que sim, não me lembro a última vez que bebi isso aqui. – Digo apontando para um drink.
– Você deveria sair mais. – Diz Luísa em tom acusatório.
– É, eu sei. Mas é difícil, não gosto de ficar longe do meu menino, meus plantões acabam comigo. – Digo cabisbaixa.
– Falando no baixinho, como que ele está? — Questiona Clara, madrinha dele .
– Está bem! — Digo sorrindo me lembrando do meu pequeno e também do outro.
– Preciso contar uma coisa para vocês — Digo encarando uma por uma.
– Desembucha — Pede Manu ansiosa
– Eu reencontrei uma pessoa...- Digo deixando as palavras no ar
– Não me diga que...- Fala Luísa deixando as palavras no ar
– Lucca? — Perguntam todas em uníssono e eu assinto surpresa.
– Quando isso? — Questiona Clara
– No fim de semana passado!
– E não conta nada para a gente? Beleza. – Clara fala tentando parecer triste.
– Me desculpem, é que aconteceu tudo de uma vez. – Falo tentando me explicar.
– E aí, se pegaram? — Questiona Manu claramente brincando e me deixando vermelha.
– NÃO, tá louca? — Falo e todas riem.
– Mas e aí, como foi? — Pergunta Luísa
Explico tudo, desde o primeiro momento no parque até nossas últimas conversas e todas me olham atentas.
Quando chego ao fim ela me bombardeiam de perguntas.
– Você sentiu algo quando falou com ele? — Pergunta Clara.
– De primeira sim, não esperava encontrar ele, e justo através do Lucca! Mas agora somos bons amigos.
– Pagava para ver essa sua cara — Fala Manu rindo.
– Bom saber que vocês riem da minha desgraça!
– Não é isso, é que você era tão apaixonada por ele que quase deve ter morrido quando viu ele brincando com o seu filho- Fala Manu se explicando
– Realmente, foi estranho, não sabia como agir! E outra que ele deve me achar uma louca de colocar o nome dele no meu filho! — Digo e todas assentem
– Mas você age normalmente com ele né? – Pergunta Luísa
– Sim, agora está tudo normal, converso com ele assim como com qualquer amigo. Não sinto mais atração por ele. – Digo dessa vez acreditando no que falo, ou não? Maldito coração!
– Duvido, ele sempre foi um pedaço de mau caminho! — Fala Manu e todas damos risada.
Conversa vai conversa vem e acabo esquecendo do horário de Lara, me despeço de todas rapidamente e logo estou em casa. Lucca ainda está acordado, se recusou a dormir sem que eu estivesse por perto. Ele logo se aconchega em meu colo com os olhos voltados para a televisão e dorme.
Hoje posso me dar ao luxo de acordar mais tarde, depois de quase três plantões seguidos, só volto ao trabalho amanhã. Lucca implora tanto que acabo sedento e levando ele para o parque. Queria descansar um pouco, mas o que não fazemos pelos filhos?
Quando chegamos lá, deixo Lucca com os amigos e quando me viro, sou surpreendida com Lucca sentado em um banco, ele está com a cabeça baixa, e quando a levanta um pouco, vejo que seu rosto está todo vermelho e inchado, ele está se debulhando em lágrimas, — o parque não é o melhor lugar para isso, mas tudo bem- instintivamente corro para perto dele, mas sem saber muito bem o que fazer.
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