I will never forget you.
35 What?!
Notas iniciais
– Eu te amo! – Choramingo em seus braços.
– Não trate isso como uma despedida – Pede fitando meus olhos – Você sabe que não é.
– Eu sei, mas eu só quero que você tenha certeza. – Justifico cabisbaixa.
– Eu sei, e eu também te amo, muito!
– Agora, você vai virar as costas, entrar nesse quartel e não vai olhar para trás. – Explico segurando o choro.
– Tudo bem, só me prometa que não vai desabar. – Pede e eu apenas assinto, não tenho como prometer.
Lhe profiro um forte abraço e um casto beijo, após isso, ele segue quartel a dentro, e assim como o combinado, não olha para trás.
Vislumbro o resto da multidão, mulheres abraçadas aos maridos, filhos aos pais, e só fico a imaginar se fiz certo em não trazer Lucca, ninguém nos deu qualquer informação se no dia da partida, poderemos nos despedir só sei que se não for permitido, vou me sentir péssima.
Para Luquinha, o pai está indo para uma viagem de trabalho, ele não faz ideia do caos que está mundo a fora, e quero que continue assim, não quero que as lembranças que ele tiver de sua infância sejam sobre Guerra, mortes e tudo isso que está para acontecer.
Dou uma última olhada no enorme quartel e me viro para ir embora, quando vejo algo meio estranho... Manu e Rafa... se beijando?!
Pera, eu não estava sabendo disso e também não estava sabendo que ele iria também, nem me lembrei de perguntar se ele iria, que tipo de amiga eu venho sendo? Também tem o Thiago, meu Deus! Luísa deve estar devastada, preciso visita-la.
Fico parada onde estou até ver Rafa se aproximar da entrada do quartel e Manu virar as costas, e eu juro, eu vi lágrimas escorrendo pelo rosto dos dois.
Corro em direção à Rafa e calculo um tempo de conversa para que assim alcance Manu também.
– Rafa! – Chamo e ele se vira em minha direção, vejo a suavidade em seu rosto, mas sei que ele não está legal.
– Soph! – Fala aliviado e me abraça.
– Sinto muito, nem me passou pela cabeça que você...ah, eu sinto muito. – Me desculpo o abraçando fortemente.
– Está tudo certo – Afirma – Fico feliz em poder me despedir.
– Ei, isso não é uma despedida.
– Nunca se sabe. – Fala cabisbaixo e então o último chamado é feito, e ele é obrigado a entrar.
– A gente se vê em breve! – Exclamo enquanto ele se junta ao resto das pessoas.
Corro até onde vi Manu ir embora e em poucos minutos a encontro dentro de uma padaria, atônita, olhando para a televisão.
– Manu? – Chamo, fazendo a mesma me olhar apreensiva.
– Sophia! – Exclama surpresa.
– Você está legal? – Pergunto terna.
– Toda essa história de guerra me deixou tensa. – Mente
– Não precisa mentir para mim. – Repreendi
– Como assim?
– Eu vi você e o Rafa, desde de quando? – Pergunto
– Ah, me desculpe por não te contar, foi tudo t...- Começa e eu a interrompo
– Não precisa se explicar, está tudo certo. – Afirmo
– O Lucca... – Começa e eu assinto
– Eu sinto muito.
– Está tudo certo, ou pelo menos irá ficar – Forço um sorriso
–-**--
E aqui nos encontramos novamente, quatro amigas deitadas no chão da sala tentando ajudar uma a outra, todas tristes por um mesmo motivo, nunca imaginei que isso iria acontecer. Mas, como sempre, nós sabemos exatamente o que fazer para reconfortar uma a outra.
Luísa acabou casando com Thiago no civil mesmo, o amor deles é incrível, em outra ocasião conto para vocês a história deles.
Ela fica feliz com isso, e é a que mais tem fé de que ele irá voltar.
Essa ainda não foi a despedida final, fomos informadas que teremos alguns minutos junto a eles no aeroporto, que nos deixa animadas.
A conversa toma outro rumo, começamos a falar de coisas aleatórias, tudo para esquecer o restante dos problemas, Luquinha também chega, nos deixando animadas, fazendo com que a calma perpetue pela casa inteira.
Em determinado momento, uma das meninas decide fazer uma pipoca de micro-ondas, não sei o que anda acontecendo comigo, mas uma ânsia toma conta de todo o meu corpo, nem tempo de pensar eu tenho, apenas corro até o banheiro mais próximo, e lá deixo o resto de alimento que ainda circulava pelo meu estomago.
Quando desço as escadas, todas me olham preocupadas, exceto Manu, que não faço ideia de onde se meteu.
– Está tudo bem? – Indaga Clara, vindo ao meu encontro.
– Sim, é só esse estresse todo que está me deixando assim. – Explico – Cadê a Manu?
– Recebeu uma ligação e teve que ir embora. – Responde Luísa.
– Lucca? – Questiono quando não o vejo pela sala.
– Está brincando no quintal. – Responde Clara.
– Você não tem nada para nos contar? – Instiga Luísa.
– Ahn? Pergunto não entendendo sua insinuação.
– Não é a primeira vez que você passa mal assim... – Cantarola Clara me fazendo gelar.
– Por acaso você está grávida? – Indaga Luísa.
– Grávida? – Dou uma risada forçada – Vocês estão loucas! – Afirmo com a voz embargada.
Eu. Não. Posso. Estar. Grávida!
– Foi só uma ideia, mas se você diz que não...- Justifica Clara deixando as palavras no ar
– Bom, a gente também precisa ir, qualquer coisa é só ligar. – Fala Luísa se despedindo junto de Clara
Quatro dias depois:
Decidi dar uma volta pelo parque com o meu filho, assim ele se distrai e não pergunta sobre o Lucca todo o segundo, e também me faz tirar toda essa história de gravidez da cabeça, sem chance, é impossível que eu esteja! Eu simplesmente não posso estar.
E, passei esses quatro dias de boa, nada de anormal aconteceu, deve ter sido toda aquela confusão.
Estávamos sentados no banco tomando sorvete, quando o vejo ficar todo eufórico e sair correndo em direção a alguém. Ah, quem será? Vocês nem imaginam!
Miguel!
Ele está nos perseguido ou o que? Que inferno! Porque raios ele não foi para a guerra também?
– E aí, amigão! – Exclama Miguel o tirando do chão.
Me aproximo dos dois em poucos segundos, e estou cara a cara com Miguel, o fuzilando com o olhar.
– Coincidência encontrar vocês aqui. – Fala sínico
– Nem me diga. – Ironizo seca.
– Que tal a gente brincar ali! – Sugere para Lucca apontando o campo de futebol.
– Não! – Respondo prontamente – Precisamos ir para a casa! – Falo tirando Lucca de seus braços.
– Por favor, mamãe! – Pede manhoso.
– Quem sabe outro dia. – Tento.
– Por favor! – Insiste.
– Hoje não dá.
– Vai ser rápido. – Arriscou Miguel e eu lhe joguei o meu olhar mais mortal.
Ele não está querendo deixar meu filho contra mim, está? Por que se estiver, ele que se cuide.
– Esse rápido poderia ter sido há quatro anos! – Retruco e nem espero sua resposta, viro as costas e vou embora.
Parece que Lucca entendeu que não adiantava reclamar e se calou.
Mas, essa minha caminhada não dura cem metros, começo a ficar tonta, meus passos vacilam e de repente, caio no chão, não vendo nada a mais que uma repleta escuridão e chamados desesperados do meu filho.
–-**--
Acordo com o incessante bipe do monitor cardíaco, e me vejo no hospital, novamente.
– Que bom que acordou, como se sente? – Pergunta a enfermeira a minha esquerda.
– Um pouco tonta. – Resmungo.
– Isso é normal, agora vou chamar o médico e o seu acompanhante. – Explicou já saindo da sala.
Me animo no mesmo instante, meu acompanhante! Devem ter contatado o Lucca, meu coração se aquece com a possibilidade de poder vê-lo em poucos minutos.
Mas então, quando a porta se abre, meu coração vira pedra, e a raiva transborda de meu ser. Miguel! Novamente! Por que raios ele está aqui?
– O que está fazendo aqui? – Pergunto entredentes
– Para que tanta raiva? – Pergunta sarcástico – Deveria me agradecer, eu que te trouxe até aqui!
– Cadê meu filho?
– Você quer dizer nosso filho? – Caçoa
– Ele não é seu filho! – Exclamo já me alterando.
– Não se estresse, eu sei que ele é meu.
– Onde ele está? – Repito a pergunta estressada.
– Na sala de espera, com a babá, Lara. – Responde.
– O que você quer, afinal?
– Eu já disse, eu apenas quero fazer parte da vida dele.
– Você teve essa oportunidade, mas não quis aproveita-la!
– Eu quero me redimir, recuperar o tempo perdido. – Explica – Por que é tão difícil de você aceitar isso? – Pergunta amigavelmente
– Por que... – Começo a falar, mas sou interrompida pela entrada do médico.
– Olá, Sophia! Como se sente? – Pergunta, checando a prancheta.
– Bem, o que eu tive? – Pergunto, intrigada
– Parabéns, papais! – Parabeniza, e eu o olho estática – Você está grávida!
Grávida? Não, não e não! Isso não poderia acontecer, não posso ter mais um filho, não tenho ninguém ao meu lado! Vou ser abandonada de novo!
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