Notas iniciais
Hey, Sei que prometi postar na quarta, mas meu notebook deu PT e não tive como postar. Agora finalmente estou de férias, ainda tenho dois finais de semana de vestibulinhos, mas tentarei ao máximo deixar a fic atualizada. Espero que gostem. Beijos!

Estou na mesma posição há horas, não me mexo, não falo, apenas escuto baixos murmúrios dentro da sala, sei quem está aqui dentro, sei o que falam, sei que falam sobre mim, mas eu não sei falar.

É como se fosse um Déjà Vu, me sinto com dezenove anos novamente, descobrindo estar grávida, o medo me preenche da mesma maneira de anos atrás, terei mais um filho, e o pai dele não está aqui. Isso não pode estar acontecendo novamente.

Sinto minha respiração falhar, o bipe se torna ensurdecedor, todos me olham com preocupação e a última coisa que vejo antes de tudo ficar preto, é o olhar vitorioso no rosto de Miguel.

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POV Miguel:

Com certeza tudo está conspirando ao meu favor! Sophia grávida, poderia receber melhor notícia? Aquele tal de Lucca não volta da guerra, assim poderei recuperar meu filho e ajudar Sophia com esse outro a caminho.

Ela está abalada, entrou em estado de choque, segundo um psiquiatra, o que ocasionou isso foram as diversas coisas que vêm acontecendo, e o fato do abandono, do meu abandono, durante a primeira gravidez, a deixou estressada, ela está se sentindo abandonada novamente, mas eu cuidarei disso, farei tudo que deixei de fazer há quatro anos, recuperarei o tempo perdido.

Isso se essas amigas dela me deixarem em paz, assim que as três adentraram ao quarto, fui bombardeado com baixos xingamentos, todas me fuzilavam com os olhos, acho que não deixei uma boa impressão.

A pressão de Sophia se altera novamente e somos obrigados a nos retirar do quarto, ela está completamente vulnerável, não vai ser nada difícil me aproximar.

– O que você ainda está fazendo aqui? – Pergunta Clara furiosa

– Ei, eu que a trouxe para cá! Tenho direito de ficar! – Me defendo e ela solta uma risada irônica.

– Você realmente não mudou nada – Afirma Manuela, revirando os olhos.

– É melhor você ir embora, ela não te quer aqui, se quiser, pode ter certeza que iremos te ligar no mesmo segundo. – Afirma Luísa e sinto irônia no tom de sua voz.

– Tudo bem, mas vou levar meu filho comigo. – Digo me aproximando de Lucca que dorme sossegadamente no colo da babá.

– Mas não vai mesmo! – Exclama Clara, se colocando na minha frente

– Quem você acha que é para me impedir?

– Eu sou aquela que não abandonou a Sophia, quando VOCÊ abandonou!

– Quero só ver se vai ser você a me impedir.

– Você não se toca, né? – Pergunta Luísa se colocando ao lado de Clara.

–Ele é MEU filho, sendo assim, irei leva-lo comigo! – Afirmo me esquivando das duas e esticando os braços para pega-lo.

– Algum problema por aqui? — Instiga o segurança

– Esse senhor está nos incomodando – Responde Manuela – Estamos com problemas e ele está perturbando.

– O senhor poderia se retirar, por favor? – Pergunta o segurança, mais como uma ameaça do que como um pedido.

– Não! – Respondo firme

– Senhor, assim serei obrigado a te tirar a força.

– Eu vou, mas eu volto. – Digo virando as costas.

POV Sophia:

Abro meus olhos vagarosamente, ninguém no quarto. Queria que tudo aquilo fosse uma brincadeira, mas a minha ficha médica diz o contrário: Eu estou grávida.

Essa preocupação ocupa todo o meu corpo e eu desabo em lágrimas, Lucca não está ao meu lado, ele vai para a guerra, vou ser deixada grávida, novamente.

Após inúmeros exames para conferir meu atual estado, o quarto é rapidamente preenchido pela presença de minhas amigas, todas me olham preocupadas, e correm até meu encontro. Adivinhem? Volto a chorar.

– Soph! Não chora, vai ficar tudo bem. – Afirma, Manu e eu choro ainda mais.

– Eu...não pos..so. – Digo, vencida entre soluços.

–Não fala assim, também não se estresse, o bebê sente tudo, você sabe. – Fala, Luísa

– Mas...eu fui deixada...com uma criança... de novo!

– Você não foi deixada, Lucca vai ficar do seu lado, ele nunca de abandonaria, ele te ama. – Clara tenta me convencer.

– Mas ele foi para a guerra! – Grito – E se ele não voltar?

– Ele vai voltar, e vai ver essa criança nascer, vai acompanhar tudo! – Afirma Luísa, mas é impossível de achar que isso se torne possível.

– Cadê meu filho? – Pergunto, querendo desviar desse assunto, só meu pequeno é capaz de me acalmar agora.

– Está lá fora, quer que eu o pegue? – Pergunta, Manu e eu assinto.

– E o Miguel? – Indago.

– Nós o mandamos embora, ele queria levar o Lucca. – Comenta Clara

– Ele só pode estar louco, não vou deixar ele encostar no Lucca! – Afirmo irada e em seguida Manu adentra o quarto com meu pequeno, ainda sonado, nos braços.

– Mamãe! –Exclama com a voz afetada pelo sono.

– Vem cá! – Chamo estendendo os braços e em segundos o sinto sobre mim.

– Você ‘tá’ bem? – Pergunta me analisando.

– Sim. – Afirmo o abraçando fortemente, aquele cheiro de criança deixa tudo mais leve.

– A gente já vai indo. – Informa Manu

– A gente vêm mais tarde te pegar, o Doutor disse que terá alta ainda hoje. – Fala Luísa.

– Tudo bem, podem falar para a Lara que ela também pode ir.

– Ok, até mais tarde. – Falam em uníssono e saem.

– Mamãe, porque você caiu no chão do parque? – Pergunta Luquinha curioso.

– Amor, lembra quando você disse que queria uma irmã? – Indago e ele assente animado. – Então, a mamãe está grávida. – Informo, com um nó na garganta e o sorriso dele me deixa mais feliz.

– Eu vou ter a minha irmã? – Pergunta com os olhos brilhando.

– Não sei, pode ser uma irmã ou um irmão – Explico

– Quando que ela vai chegar? Amanhã? – Pergunta animado e eu me permito rir.

– Não, só daqui uns sete meses. – Respondo e ele murcha.

– Mas é muito tempo. – Resmunga

– Vai passar rapidinho, você vai ver.

– Ela pode chamar Alice?

– Esse nome é lindo meu amor! Mas vamos decidir isso com o papai. – Informo e a esperança de ter Lucca conosco nessa aventura se torna maior.

– Então vai ser Alice! – Exclama animado – Papai e eu já combinamos.

– Ah é? – Pergunto sorrindo, Lucca quer esse filho!

– Sim! Papai disse que sonha em ter uma filha com esse nome, e que quer me dar um monte de irmãos. – Fala sorridente.

–**-

Algumas horas depois:

Luquinha assiste televisão enquanto eu preparo nossa janta, estou focada na comida, estou focada em me manter ocupada, pois sei que se parar para pensar nas coisas, irei desabar.

Ding dong!!!

A campainha toca, seco minhas mãos no pano e corro até a porta principal. A surpresa e a felicidade que sinto ao ver a pessoa a minha frente é enorme.

– Mãe! – Exclamo pulando em seus braços, e ela me aconchega, do jeito que só ela sabe fazer.

Lágrimas escapam do rosto de ambas, a saudade que estava sentindo dela era enorme, não poderia receber melhor surpresa.

– Vovó! – Grita meu pequeno é corre até seus braços.

– Que saudade que eu estava de vocês! – Comenta feliz da vida com o neto nos braços.

– Nem me fale. Cadê o papai? – Pergunto, na esperança de que ele tenha vindo também

– Teve que continuar lá, as coisas não estão fáceis. Mas eu fiquei sabendo das coisas, querida. Tive que vir.

– Filho, volta lá para a sala, por favor – Peço – Mamãe precisa conversar com a vovó.

– Tá.

– Ei, espera ai! – Chama minha mãe e ele vira a cara – Te trouxe uns presentes. – Informa, lhe entregando uma sacola enorme e ele fica todo empolgado.

–--

– Como você ficou sabendo? – Pergunto quando sentamos à mesa.

– Clara me ligou preocupada. Porque você não me ligou?

– Não queria atrapalhar vocês.

– Você é nossa filha, nossa prioridade! Nunca atrapalha.

– Eu sei, é que é tudo tão recente.

– Como está se sentindo? – Indaga terna.

– Estou me mantendo forte pelo Lucca, mas não é fácil. – Confesso e uma lágrima escorre pela minha bochecha.

– Luquinha sabe? – Pergunta e eu nego.

– Seria um trauma para ele, ele é tão pequeno.

– Eu entendo, e vou ficar aqui o tempo que achar necessário. – Informa

– E mãe... – Começo

– O que foi? – Pergunta aflita.

– Eu estou grávida. – Digo a encarando, e o sorriso em seu rosto me deixa aliviada, é como se tudo fosse ficar bem. E mesmo que eu ache que não, preciso manter esse pensamento, por mim, pelo meu pequeno e por essa criança a caminho.

Notas finais
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