I will never forget you.

10 That is too much!


Notas iniciais
Primeiramente quero agradecer a primeira recomendação da fic, muito obrigada, Giovannabrigidofic! Fiquei muito feliz e emocionada!😄♥♥ Espero que gostem e leitores fantasmas, que tal deixarem um comentário? Eu não mordo...

Três meses depois:

Após o desabafo de Lucca, ficamos bem mais próximos. Há uns dias ele virou e me disse que nos erámos sua família, fiquei estagnada quando escutei isso, não é algo normal, pois, sei lá nós nos conhecemos há o que? Quatro meses? Na hora não falei nada, só dei um sorriso sincero e ele percebeu minha surpresa e sua explicação me corroeu ainda mais, é possível que alguém tenha sofrido tanto com vinte e três anos?

Ele perdeu os pais com dezesseis anos, desde então viveu sobre custódia do avô que morreu três anos depois, e depois perdeu o filho, olha nunca mais reclamei da minha vida!

Depois desse dia nossa amizade só foi aumentando, cada dia nos conhecemos melhor e não vem sendo fácil para mim, eu realmente gosto dele, mas eu não tenho coragem de falar para ele, não quero que isso afete algo entre nós, não quero ter que me afastar dele e acabar fazendo com que seus surtos voltem, pois é, já faz um mês e meio que ele não surta, segundo o doutor Luís é graças a mim e a Lucca, e não quero que isso volte, e suas consultas diminuíram, agora ele vai só duas vezes ao mês e está próximo de uma alta. Então me mantenho focada em nossa amizade.

Meu filho volta e meia pergunta se o Lucca pode ser seu pai, fico devastada com isso, é perceptível sua tristeza, e agora faltando menos de um mês para o dia dos pais ele vive triste, pois os coleguinhas estão preparando uma apresentação para os pais e ele preferiu ficar de fora, tentei convencê-lo a participar, mas ele disse que não tem sentido ele ir, que ele nem tem pai para se apresentar. Nessas horas fico com o coração na mão, mãe nenhuma merece ver o filho sofrer e ainda mais quando o motivo da tristeza é aquele idiota, se eu o visse na rua meteria a mão na cara dele, só por fazer meu menino sofrer.

Agora, ele está sentado na caixinha de areia do parque, ele fica pegando areia e a deixa escapar pelas mãos, eu não sei mais o que fazer, estou quase alugando um pai para ele, mas sei que não seria certo.

Lucca chega me despertando de meus devaneios, me cumprimenta e se senta ao meu lado.

– O que aconteceu com ele? – Ele pergunta olhando preocupado para Lucca.

– Está chegando o dia dos pais, e na escolinha vão fazer uma apresentação para homenageá-los, aí ele ficou triste por não poder fazer parte. – Digo e dou um sorriso amarelo

– Coitado, mas porque que não deixaram ele ao menos se apresentar? – Ele retruca curioso.

– Deixaram, mas ele não quis, disse que não tem sentido se ele não tem pai. – Digo murcha.

– Vou lá ver se ele quer brincar. – Ele diz se levantando e eu o impeço.

– Melhor não, ele quer ficar um pouco sozinho. – Digo e ele assente, voltando a se sentar.

– Podíamos fazer algo para deixar ele mais feliz! – Lucca fala empolgado. – Não gosto de vê-lo assim.

– Muito menos eu. – Digo pensando em algo para fazermos.

– Que tal vocês irem lá em casa mais tarde? A gente poderia cozinhar, toda criança gosta de um pouco de sujeira! – Ele fala animado e eu rio.

– Claro, ele vai adorar. Ele gosta muito de você. – Digo o encarando.

– Eu também, aliás, de vocês dois. – Ele fala meio tímido e eu lhe respondo com o olhar.

Lucca me explicou a razão de ter se apegado tanto ao meu filho. Ele disse que estava no parque, estava quase surtando novamente, mas que uma certa risada invadiu todo o seu corpo, o acalmando imediatamente, ele se encantou pelo meu pequeno, e sempre diz que ele o salvou de tal forma, vê no meu filho uma esperança.

– Bom, vou fazer umas compras e vocês passam lá em casa ás 19 horas, pode ser? – Ele pergunta se levantando.

– Claro. – Digo e nos despedimos.

Ele segue na direção de Lucca e se agacha ao seu lado, vejo um sorriso fraco em seu rosto, mas pelo menos um sorriso. Eles ficam uns dez minutos conversando e depois meu filho vem em minha direção.

– Mamãe, é verdade que a gente vai na casa do tio Lucca cozinhar? – Ele pergunta e vejo animação em seu rosto, o que acalma meu coração.

– É sim, vamos para casa nos arrumar? – Pergunto e ele balança a cabeça animado.

Chegando em casa, tomo um banho e também coloco Lucca de baixo do chuveiro, ele estava parecendo um frango empanado de tanta areia que tinha pelo corpo.

Coloco nele uma bermuda jeans, tênis marrom e uma blusa xadrez por cima, não é por que é meu filho, mas ele é a criança mais linda desse mundo.

Eu, coloco um vestido florido, sapatilha vermelha e deixo meu cabelo solto, o encaracolado desce feito uma cascata sobre minhas costas. Quando decido que estou apresentável, decido sair, já atrasada.

Toco sua campainha exatamente 19:15, ele abre a porta sorridente e somos recebidos com um caloroso abraço, ele nos da passagem e adentramos na sua humilde casa.

– Desculpe a demora, mamãe ficou se arrumando uma eternidade. – Meu filho fala e eu me surpreendo com suas palavras, deixando de lado seu comentário.

– Tudo bem, valeu a demora, você está linda, Sophia. – Lucca fala e eu perco o ar, Deus pode parar que eu quero descer, fico vermelha feito um pimentão e somente digo um Obrigada.

Lucca disse que comprou ingredientes para fazer pizza, algo que eu nem gosto. Perdemos bastante tempo nisso, parecíamos três crianças na cozinha, tinha farinha até no teto, não vou nem comentar sobre meu cabelo.

– Sabia que eu não tenho pai. – Meu filho fala enquanto terminamos de colocar os ingredientes na massa e eu me entristeço novamente. – E eu não vou me apresentar com meus amigos por causa disso.

– Não fica triste campeão, um dia sua mãe vai conhecer um cara legal e ele vai poder ser seu pai. – Lucca fala meio sem jeito.

– Mas eu não quero um cara legal como pai, eu quero você. – Ele diz triste e sai correndo para o jardim, fiquei estática e quando ia sair atrás dele fui impedida por Lucca.

– Deixa que eu falo com ele. – Ele fala compreensivo e me deixa plantada no meio da cozinha.

Como eu queria que esse cara legal fosse o Lucca, nunca vou conseguir superar essa paixão por ele, mas pensa, ia ser ótimo! Mãe e filho felizes. Interrompo esses pensamentos e me volto para o meu filho, não sei até quando vou suportar vê-lo assim.

Coloco a pizza no forno e fico esperando por eles. Quando finalmente escuto vozes, sou surpreendida, eles estão felizes.

– Mamãe!!! – Grita meu filho correndo em minha direção todo feliz.

– O que foi meu amor? – Pergunto me agachando a sua frente.

– O tio Lucca falou que quer ir na minha escola, ver minha apresentação, como se ele fosse meu pai! – Ele fala saltitante e eu não sei nem o que falar. Muito menos o que pensar, só sei que isso não está certo.

Notas finais
E aí, o que vocês acham que a Sophia deve fazer?