I will never forget you.
30 Everything will be a right!
Notas iniciais
Após uns quinze minutos, os médicos controlaram meus batimentos e eu fui deixada sozinha para descansar, mas eu não consigo, porque ele tinha que aparecer justo agora? Porque ele se interessou repentinamente em ser pai?
– Licença. – Fala uma voz terna que aquece meu coração, me deixando em uma calmaria momentânea.
– Oi! – Digo empolgada por poder vê-lo novamente.
Ele carrega Lucca adormecido nos braços, sinto um alivio ao ver que ele está bem, alheio a toda essa confusão que está acontecendo. Ele o ajeita na poltrona ao meu lado e vem em minha direção.
– Você está legal? – Pergunta um pouco sem graça.
– Você não soube? – Pergunto com raiva nos olhos.
– O que aconteceu? Não vai poder mais andar? – Instiga preocupado.
– As meninas não te contaram?
– Eu não as vi, só peguei o Lucca com o Thiago. – Explica nervoso. O que está acontecendo?
– Ele voltou, e ele quer o Lucca. – Digo começando a soluçar.
– Como assim ele quer o Lucca? Ele quem? – Questiona aflito.
– O Miguel. – Digo com raiva e minha vontade de chorar passa.
– Como ele apareceu? Como ele achou vocês? Ele não tem nenhum direito! – Esbraveja angustiado.
– Eu sei, ele está louco, ele acha que tem o direito de ser o pai dele.
– MAS NÃO TEM! EU QUE SOU!
– Eu sei, se acalma. – Peço – A gente precisa pensar no que fazer.
– Ele não vai tirar o Lucca de mim. – Afirma sussurrando – EU VOU ATRÁS DESSEDESGRAÇADO! — Esbraveja e sai em disparada do quarto.
Ligo imediatamente para Clara que sai a sua procura, isso não pode estar acontecendo, isso está pior que um pesadelo!
_**_
Dia seguinte:
Miguel não deu sinal de vida desde ontem, o que não sei definir como bom ou ruim. Após a saída louca de Lucca do hospital, Clara o achou iradíssimo pelas ruas ao redor, ela conseguiu acalma-lo e o levou para a casa, onde agora cuida de Luquinha enquanto não recebo alta.
– Oi, Sophia! – Cumprimenta Doutor Fernando e eu sorrio em resposta. – Seus exames estão todos perfeitos, não vejo mais motivos para continuar aqui.
– Que ótimo, muito obrigada, Fernando! – Agradeço e ele assina minha alta.
Manu me leva até em casa, onde fico de repouso. Fico pensando no que vou fazer com tudo isso que está acontecendo. Não quero Miguel por perto, ele não tem direito algum, preciso agir antes dele.
Ligo a televisão e deixo no noticiário.
– Exército brasileiro se reúne no quartel general de São Paulo para uma secreta reunião, o governo brasileiro não responde a qualquer pergunta. – Anuncia a ancora, me fazendo refletir.
Claro, o Miguel é do exército, está aqui para essa tal reunião. Isso logo vai acabar, e ele vai embora, não vai nem se lembrar do filho, pelo menos é isso que eu espero.
A campainha toca, com dificuldade me arrasto até ela, e ao abrir a porta tenho uma grande surpresa.
– Rafa?
– Oi. – Acena sem graça e eu abro mais a porta para que ele entre.
– Aconteceu alguma coisa? – Pergunto me sentando no sofá
– Eu que te pergunto, né? – Brinca e eu me permito sorrir. Não nos falamos desde o dia da festa, o clima está meio pesado.
– Foi só um susto, já estou melhor. – Afirmo encarando minha coxa inchada.
– É verdade sobre o Miguel?
– Sim. – Respondo engolindo à seco.
– Como ele tem coragem? – Pergunta perplexo
– Eu também não sei, mas ele não vai se aproximar. – Afirmo e ele olha ao redor da casa.
– E o Lucca?
– Está na casa do pai.
– Acho que precisamos conversar sobre aquela noite.
– Não, já está tudo certo...- tento fugir da conversa, mas ele me interrompe.
– Eu sei que não, você e ele não estão mais juntos, né? – Pergunta cabisbaixo
– Na verdade eu não sei, nós nos afastamos, mas não foi sua culpa. – Afirmo
Conto para ele a história, ele escuta atentamente cada palavra que digo.
– Eu não te entendo. Você ama aquele cara.
– Eu sei, mas é difícil dizer. – Explico encarando o chão.
– Sabe, eu gosto muito de você, muito mesmo. Vai além da amizade. Me doí ver que você ama outro, mas me conforta saber que ele te ama muito, e que ele é capaz de te fazer mais feliz do que eu seria. – Fala com lágrimas escorrendo do rosto.
– Rafa... – Tento argumentar, mas ele não deixa.
– Você está sendo muito idiota em se esquivar dele, e eu preciso te ver com ele para poder seguir em frente, e você não está colaborando! – Exclama e me deixa de queixo caído.
– Mas eu tentei, eu não consigo! – Afirmo derrotada.
– Desse jeito você me faz acreditar que não o ama de verdade. Qual é Sophia? Está a fim de ver dois chateados por sua causa? – Pergunta e finalmente eu me toco.
Eu amo o Lucca! E estou preparada para isso, eu preciso dizer isso para ele, agora!
– Rafa, muito obrigada! – Agradeço o abraçando.
Foi tudo muito rápido, assim que Rafa foi embora, me arrumei em poucos minutos e chamei por um táxi, estava realmente disposta a me abrir para Lucca, ele só precisa me escutar.
O trânsito está lento, o que me faz ficar cada vez mais ansiosa, eu nunca me senti tão determinada na vida, como não fiz isso antes?
Após quase uma hora no trânsito, o táxi para no meio fio e eu faço de tudo para alcançar a porta principal o mais rápido possível, a porta está trancada, vasculho debaixo do tapete, no vaso de plantas, até que acho uma cópia no parapeito da janela.
Silenciosamente adentro a casa e escuto uma música de fundo, a reconheço como “A drop in the ocean”, ele canta a primeira estrofe em tom baixo.
A drop in the ocean
A change in the weather
I was praying
That you and me
Might end up together
It's like wishing for rain
As I stand in the desert
But I'm holding you
Closer than most
'Cause you are my heaven
Ele está sentado no sofá, perdido com a música que embala o fim de tarde, me aproximo vagarosamente, a música acalma meu coração, fazendo com que eu tome coragem para continuar.
Canto a segunda estrofe, assim chamando sua atenção.
I don't wanna
Waste the weekend
If you don't love me
Pretend
A few more hours
Then it's time to go
As my train rolls down
The East coast
I wonder how
You'll keep warm
It's too late to cry
Too broken to move on
Ele me olha desentendido, sigo andando até chegar ao braço do sofá, um pouco longe a ele, respiro fundo e encaro aquela imensidão castanha à minha frente.
– Lucca, preciso te falar uma coisa. – Falo com minhas mãos tremendo e ele as segura, me encorajando a falar.
– Eu te amo, te amo com todas as letras. Me desculpe te fazer sofrer, não era minha intenção, eu só precisava colocar meus pensamentos em ordem, mas eu te amo desde sempre, você foi e é o meu primeiro e único amor. – Desabafo e sua feição é de pura surpresa e felicidade.
– Porque demorou tanto? – Pergunta sorridente.
Ele me puxa para mais perto e finalmente encosta seus lábios nos meus, que saudade desse beijo. Suas mãos acariciam meus cabelos desfazendo meu rabo de cavalo. Ele me beija suave e doce e eu recebo tudo o que posso dele, nosso beijo fica mais urgente, sinto sua língua abrindo passagem para se entrelaçar à minha. É perfeito, como se nossas bocas houvessem sido desenhas para se encaixarem perfeitamente. Ele me pega com cuidado e me senta em seu colo. Não descola sua boca da minha em nenhum momento. Ter ele comigo me traz tamanha paz, que esqueço de tudo que está acontecendo porta à fora. Nada mais importa agora, nós nos perdemos em caricias e mãos bobas. Quero estar naqueles braços para sempre.
– Eu te amo. – Fala após longos minutos de carinho.
– Eu também, te amo, muito! – Afirmo aliviada ao dizer cada palavra com certeza de que o amo.
Agora, com ele ao meu lado cem porcento, não vai ter Miguel que me empeça de ser feliz, ele não vai chegar perto da MINHA família, juntos somos praticamente inatingíveis.
Fale com o autor