I want you...hungry.
12 I know places we can go, babe.
Notas iniciais
Os olhos estavam fechados, o mar trazia uma brisa leve de maresia, o sol brilhava, mas tinha um calor suficiente que contrapunha o vento fresco que vinha do oceano. Os narizes afundados nos cabelos alheios, sentiam, precisavam sentir. O sentimento era latente, emocionava de tão forte.
Clara abriu os olhos e afastou a cabeça, Marina não se moveu. O corpo em um estado avançado de relaxamento, os olhos continuavam fechados e a morena a observava. O rosto perfeito estava sereno, tinha lábios rosados e as bochechas branquinhas ganharam o mesmo tom de vida. O nariz era delicadamente desenhado, a pinta no canto inferior da boca a deixava ainda mais charmosa e os olhos fechados ficavam ainda mais rasgados.
Clara pensou na declaração que a chefe havia feito no caminho para Angra
Desde a primeira vez que eu te vi eu pensei, é ela. Eu encontrei.
Agora se lembrava das palavras e de como aquele momento havia mexido com ela, da confusão que trouxe. Mas a verdade é que gostava de saber disso, sentia o peito se encher de alegria.
Pensou na vida que a fotógrafa levara até chegar ali, a imaginou com outras mulheres, era tão sedutora e charmosa, era tão linda, devia ter tido todas as que desejou.
Sentiu um aperto, não por achar que seria mais uma delas, mas por imaginar aquela boca tocando outros corpos. Esse sentimento a pegou de surpresa, não entendeu muito bem naquele momento o que ele significava.
Tocou o nariz delicado com o indicador em um carinho, depois o beijou. Viu um sorriso se desenhar no lindo rosto, era o sorriso mais sincero, cheio de ternura. Marina abriu os olhos devagar e a encarou.
Beijou Clara nos lábios de uma maneira leve, as bocas se tocaram com calma em um beijo macio, que agora se abria. A assistente abriu a boca em um movimento que trazia a língua para aquele gesto, Marina a acompanhou. Não se podia falar com precisão exata, mas se existia no mundo um beijo que se encaixasse com perfeição, era aquele.
Era tão perfeito que acionava dentro delas um mecanismo que inundava seus corpos de calor, subia pela espinha e passeava até chegar pulsando nas extremidades.
Clara desceu pelo pescoço que cheirava deliciosamente bem, o beijou com os mesmos movimentos anteriores, como se ele a respondesse nos mesmos gestos.
Marina respondia, com gemidos baixos e suspirados, enlaçando e bagunçando os cabelos da assistente que agora descia pelo colo nu e levemente pintado.
O ritmo era de uma música acústica, lento, calmo, charmoso, mas tinha força, tinha uma pegada que desestruturava a fotógrafa. Clara tinha razão quando disse que sabia perfeitamente o que fazer, com ela.
Olhou pra cima e viu Marina sorrir com os olhos apertados, quase fechavam, teve certeza de que fazia bem em não se preocupar, ela não representava só mais uma conquista da chefe, aquele sorriso entregava que não.
Passou com a mão pelos seios firmes, não poderia imaginar um dia gostar tanto dos contornos de um corpo feminino, mas gostava.
Muito mais do que isso, desejava. Os dedos passearam pelos mamilos, seguidos pela boca. Sugou delicadamente um deles passeando com a língua. Sentir aquele pedaço delicado em sua superfície fazia Clara delirar, a boca aguava e ansiava por mais.
Marina apertava os olhos e respirava agora ainda mais rápido, depois os abriu fazendo uma força, não conseguia mensurar o tanto que gostava do que via.
Puxou Clara para si e a beijou com paixão, as duas pararam com os narizes colados e se olharam dentro dos olhos.
A morena deu uma lambida provocante e macia nos lábios da fotógrafa que gemeu, foi descendo e repetia o ato ao longo do corpo.
Lambeu o pescoço, o colo, os seios. Desceu um pouco para a barriga deixando um rastro úmido na pele, estava no meio das pernas de Marina e enquanto depositava lambidas no corpo da chefe seus seios pequenos roçavam no sexo que estava banhado de prazer.
Sentiu a fotógrafa enlaçá-la com as pernas e rebolar levemente no seu peito. O sexo passava por ela de forma provocante enquanto as duas se olhavam com um olhar fixo e provocador.
Clara com as duas mãos pegou as pernas de Marina que se fechavam em si e as abriu, colocando uma suspensa e apoiada no encosto lateral do sofá e a outra com o pé para fora dele, no chão.
A respiração da fotógrafa entrou em desalinho, a morena começou a descer sensualmente as lambidas até chegar ao ventre claro. O beijou de forma delicada e se posicionou de frente para o sexo perfeito.
Dava para ver o prazer brilhar por ele, Marina estava completamente molhada, e sem esperar mais um segundo Clara passou a língua também úmida por toda a sua extensão pegando um pouco daquele líquido pra si.
–Deliciosa – Suspirou – Tão saborosa – Concluiu enquanto voltava a lamber o prazer de Marina
A fotógrafa mal podia acreditar, tinha um pedaço de Clara quente passeando tão intimamente em si. E ela gostava do seu sabor, degustava com gosto o que Marina oferecia.
A assistente abriu com as duas mãos os grandes lábios e se deparou com um ponto de prazer gracioso e pequeno, molhou os lábios e em seguida o beijou, delicadamente pressionando-o.
Agora o beijo se abria, exatamente como foi com a boca, a língua deu início a um balé bem dançado.
–Que delícia, Clarinha – Gemeu – Que delicia ser sua assim – Terminou em um suspiro.
Marina então de forma inconsciente começou a rebolar com leveza na boca da assistente que a devorava, Clara tinha razão, era faminta, esfomeada.
Era também inacreditavelmente boa naquilo. A fotógrafa pegou os cabelos compridos da morena e os juntou como quem fosse prendê-los em um rabo de cavalo alto, ao invés disso o enrolou em uma das mãos, segurando com firmeza e dando uma leve puxada, Clara gemeu abafado bom a boca ocupada.
–Rebola pra mim, Marina – Pediu se afastando por um breve momento com os lábios vermelhos e a boca lambuzada
Voltou a beijá-la intimamente, passeava pelo clitóris pequeno e rígido de prazer, alternando com enfiadas profundas da língua dentro da fotógrafa. Senti-la por dentro fazia seu sexo pulsar, cada vez que enfiava a língua naquela cavidade identificava um choque percorrer seu corpo.
Marina ainda a dominava pelos cabelos, quando puxou sua cabeça para trás de forma imperante e pediu
–Faz o que quiser comigo, eu quero ser sua – A voz era ofegante e carregada de prazer
–Você já é — Respondeu a morena voltando a chupá-la
Marina apertou os olhos rasgados, a boca se abriu e os gemidos escapavam sem que pudesse controlar, estava absurdamente delicioso, sentia que ia gozar só com aqueles movimentos.
Clara então ao invés de aumentar o ritmo ou continuar, diminuiu, a língua foi passando por todo o sexo de Marina, que a olhava com uma cara enlouquecida.
Desceu um pouco mais a boca beijando-a intimamente de todas as formas e lugares possíveis. A fotógrafa gemia com cada investida, não acreditava, ela realmente estava fazendo o que queria.
A morena passeou a ponta do indicar da mão esquerda por entre as nádegas de Marina a estimulando de uma forma diferente, voltou a saborear seu sexo e sem dar qualquer tipo de sinal, penetrou dois dedos nele de uma vez, a fotógrafa se contorceu de prazer.
Clara agora a comia, com vontade e de forma precisa, a língua estimulava de forma macia o pequeno ponto de prazer, a outra mão também não ficava atrás se tratando de estímulos.
Marina entrou em um estado delirante, apertava os próprios seios e gemia sem se preocupar com nada, era absurdamente sensual.
A assistente estava tão excitada que sentia as partes internas das coxas meladas, não sabia como, mas era sempre possível ficar mais e mais enlouquecida se tratando de Marina.
Os olhos reviraram instintivamente enquanto a fotógrafa se entregava rebolando em sua boca.
As extremidades de seu corpo começaram a formigar, Marina não ligou, entrou naquela viagem enlouquecedora e apenas sentiu, sentiu ser invadida por um orgasmo que nunca havia tido antes.
Não importa quantas mulheres já houvessem passado por sua cama, não importa o quão experientes pudessem ser. Clara tinha instintos afiados, muito mais que isso, Clara mexia com ela de uma forma única. Só o fato daquela mulher a desejar tão verdadeiramente já lhe causava um prazer descomunal.
Gozou como queria, para ela, na boca dela, por ela. Puxou a morena pelos cabelos que segurava até ficarem com os rostos colados.
Olhou com ternura os olhos curiosos e apaixonados que a observavam, fitou a boca vermelha e lambuzada e a beijou.
Clara estava deitada em cima dela em um encaixe perfeito, os corpos colados e levemente suados tinham quase que uma necessidade de ficarem juntos.
–Aprovada? – Brincou a assistente
–Oi? – A fotógrafa fingiu indignação dando um tapa na bunda dourada– Como você ousa perguntar? – Riram juntas
Marina fez um carinho em seu rosto, passeando por suas expressões.
–Você sabe que eu vou te seguir, não sabe Clarinha? – Perguntou séria – Eu iria atrás de você até o fundo desse oceano – Terminou sendo fofa e dando uma risadinha envergonhada por se pegar tão romântica
–Você vai precisar ser paciente, Marina. E eu não quero te machucar.
–Eu não me importo coisinha. Eu não me importo em te esperar.
–Sabe, tudo isso é muito novo pra mim. Eu nunca me imaginei em uma situação dessas, nunca cogitei a possibilidade de ser uma pessoa infiel – Começou em um desabafo — Tem o Ivan, que é uma criança. Temos que tomar muito cuidado com a forma com que vamos conduzir essa história.
–E eu vou estar do seu lado quando você precisar, pra qualquer coisa, pra qualquer passo que ache importante que eu esteja.
–Sabe, é difícil até pra eu lidar com isso. Eu sempre gostei de ME NI NOS e quando vejo estou apaixonada por uma mulher – Disse quebrando o clima de forma divertida – Imagina... Se não é fácil para eu entender como isso foi acontecer comigo a essa altura da minha vida, não vai ser fácil para os outros também.
As duas selaram os lábios de forma espontânea em um beijo delicado.
–Vai dar tudo certo, vai ficar tudo bem – A fotógrafa sorriu – Eu não sei de onde veio nem porque veio, Clarinha, mas eu tenho a sensação que no final tudo o que teremos é uma história maravilhosa. Eu não tenho medo de tentar.
–E eu vou buscar minha felicidade– Olhou emocionada nos olhos de Marina – Onde ela estiver.
As duas se observaram sorrindo por mais um tempo e depois se abraçaram apertado.
–E as fotos? – Perguntou a assistente – Não vamos fazer?
–Hummm, que tal amanhã – Respondeu a fotógrafa manhosa – Hoje eu quero curtir você, cada segundo.
–Amanhã então! – Concordou a morena – Mas não se esqueça que eu tenho filho me esperando em casa, não podemos esticar essa viagem – Brincou séria.
Marina concordou sorrindo.
–Mas já que vamos terminar o dia sem compromissos, que tal darmos uma volta na praia? – Pediu a assistente de forma moleca – Leva a sua câmera, me ensina a fotografar? – Terminou o pedido.
–Com muito prazer – Respondeu em um tom galante brincalhão.
As duas desceram se abraçando, rindo e beijando. Vestiram somente biquínis e alguns acessórios. Marina entregou a câmera nas mãos de Clara que a pendurou no pescoço e saíram do quarto.
–Vou te levar em um lugar lindo, que eu sou apaixonada – Disse a fotógrafa
Caminharam pela praia particular até chegarem a um canto rochoso a beira mar. Subiram com cuidado pelas pedras até estarem em um lugar plano e seguro.
Clara sentou-se e Marina observava a vista, os cabelos estavam lindamente bagunçados, tinha a cara boa de quem realmente acabara de ter um orgasmo maravilhoso, a morena sentiu-se orgulhosa.
Levou a câmera ao rosto e sem que Marina percebesse começou a fotografa-la. Quando a modelo deu por si Clara já havia feito uma dúzia de fotos dela entre erros e acertos, mas uma ficaria especial.

–Ah, não vale Clarinha – Brincou sorrindo – Me pegando desprevenida assim.
–Se você soubesse o quanto está linda, Marina, não me tiraria esse prazer – Fez uma manha engraçada no final.
A fotógrafa corou com o elogio e sentou-se ao lado dela. Observaram mais um pouco o mar em um silêncio que não incomodava.
–Você nunca se sentiu atraída por homens, Marina? – Questionou curiosa.
–Hum, atraída de verdade? Não – Riu – Já vivi umas experiências quando era adolescente, mas foi mesmo pra ter aquela última certeza. Não me atraiam mesmo, nunca me atraíram.
–Já o corpo feminino – Suspirou – Me fascina. A mulher e seus incontáveis encantos.
–Então não poderia sentir falta de... – Abaixou a cabeça em um sorriso tímido.
–De? – Perguntou a fotógrafa curiosa.
–Ah, de fazer sexo com um homem, do... – Ficou ainda mais envergonhada, mas se forçou a terminar – Do pênis – Riu tampando o rosto.
Marina gargalhou sincera, estava achando muito engraçadinha aquela curiosidade de Clara. Fazia a morena ficar ainda mais charmosa.
–Não, eu nunca senti. Nem acho que o instrumento de vigor masculino seja indispensável para o nosso prazer. Claro que ele se torna necessário se a pessoa gosta daquilo, ai sim. Se a mulher deseja um homem como eu desejo você, por exemplo, tudo o que vier com ele será de um prazer infindável – Sorriu completando – Não acredito que o prazer está em órgãos de maneira isolada, o prazer está dentro da nossa cabeça, está no que aquela pessoa representa pra você, está em muitos lugares das mais variadas formas.
–Nossa Marina – Suspirou a morena – Eu concordo completamente com você, hoje ainda mais.
–E você, você sentiu? – Virou o jogo de forma proposital e brincalhona
–Eu? – Riu Clara – Eu nem lembrei que existia. Só conseguia pensar em você e em tudo que você possui, tudo que mata de desejo – Se declarou.
–Mas... – Começou Marina de uma forma insinuante – Eu não preciso por exemplo ser um homem pra te comer sem usar as mãos e a boca – Concluiu agora em um tom deliciosamente provocante e erótico- Quer ver? Eu posso te mostrar.
O queixo da morena caiu e a boca ficou aberta com tamanha sedução, sim, ela queria ver.
Ela queria ver qualquer coisa que viesse daquela mulher maravilhosa. Ela desejava cada gemido, cada suspiro, cada gota de prazer, cada parte daquele corpo feminino e macio e desejava mais ainda ver tudo que ela poderia ser capaz de fazer.
–Me mostra então, mas me mostra agora – Balbuciou com uma voz rouca e suplicante
–Então vem comigo – Disse Marina sedutoramente enquanto levantava.
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