I want you...hungry.
21 Everything is true to me
Notas iniciais
–Responde Clara – Agora o homem falava por entre os dentes segurando com raiva os braços da morena – Como você tem coragem sua vagabun... – Foi interrompido por uma voz que usualmente permanecia calma, por sinal, Virgílio tinha quase a calma dos monges tibetanos. Não naquele momento, o marido de Helena não conseguiu assistir a cena por cinco segundos sem se intrometer e parar de imediato com o terrorismo.
–Você perdeu a cabeça, Cadu? Solta ela, AGORA – Terminou em uma ordem difícil de não ser acatada.
As mãos se afrouxaram, mas ainda a seguravam, Clara tinha os olhos arregalados, não sabia para onde olhar. Sentiu vergonha daquela situação, sentiu o coração apertar pensando que Marina estava ali.
Quando viu o corpo da morena girar bruscamente de encontro ao homem alto que a puxava com grosseria sentiu um impulso involuntário a levar ao encontro deles. Seu corpo acendeu em um alerta protetor, não podia fingir indiferença com o que acontecia, mesmo que pra isso precisasse se expor.
Seu corpo, sua mente, seus instintos, tudo que a compunha levaram a fotógrafa em um voo na defesa da mulher amada.
Marina sentiu seu tronco ser agarrado praticamente no ar por um abraço também protetor. Ricardo não sabia o que estava acontecendo, na verdade não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, mas acompanhou o movimento soturno da prima do início, enxergou nos olhos rasgados e felinos uma cegueira assustadora e decidiu não deixar a cena se propagar.
Antes que tivesse oportunidade de se desvencilhar dos braços do primo ouviu a voz alterada de Chica alcançar todos os presentes.
–Mas que diabos está acontecendo aqui, Cadu? – Uivava para o genro que iniciou todo aquele escândalo generalizado – Solta a Clara AGORA, você não ouviu o Virgílio. – Apontava o indicador no rosto do rapaz.
Os dedos se abriram e finalmente a morena conseguiu se desvencilhar recebendo um abraço que a envolveu por inteira, era Helena que agora a protegia.
–Você só pode estar louco mesmo pra tentar agredir a minha filha, assim, na frente da família dela inteira.
–Don... Dona Chica – Gaguejou o rapaz ainda com a voz raivosa – Eu não estava agredindo a sua filha, eu estava segurando ela, EXIGINDO uma explicação.
–Não me interessa – Rebateu Chica – Da forma que estava agindo era uma agressão e pronto, só faltava agora eu ter que chamar a polícia para o meu próprio genro. Pai do meu neto! – Exclamava inconformada.
–Chica, se acalma, por favor – Pediu Ricardo ainda com os braços envolvendo Marina que compartilhava do mesmo desespero da matriarca da família.
Os olhos perturbados de Clara se voltaram para o homem que acabara de falar, cruzaram o rosto pálido que contrastava com a vista vermelha derramando uma lágrima. As duas se enxergaram assustadas, mas não emitiram som algum, tinham medo, medo de como aquilo pudesse ser descoberto. Não queriam definitivamente que fosse assim e daquela forma.
–Agressão é o que a sua filha fez comigo – Disse o homem voltando os olhos obscuros para Clara – Veio esfregar na minha cara, como se não bastasse ter anunciado ontem que queria a separação, ainda veio esfregar na minha cara – Repetia inconformado
–Cad... – A morena tentou falar, mas foi interrompida pela mãe
–Do que você esta falando? Que história é essa Carlos Eduardo – Chica era uma mistura de raiva, proteção e tristeza.
–Dela – Virou a cabeça apontando Marina nos braços de Ricardo – Eu to falando dela.
Helena contorceu o cenho em uma espécie de expressão dolorosa, sabia agora do que tudo se tratava, sentiu desespero pela irmã e tentou ajudar
–Pelo amor de Deus, mãe – Exclamou – O Cadu ta fora de si e isso aqui não é momento nem lugar pra tratar desse tipo de assunto, por favor gente – Abraçava a irmã com segurança.
–Não – Rebateu o genro – Acho que esse é o momento mais que oportuno pra todo mundo saber quem Clara é.
–Carlos Eduardo – Implorou a mãe de Ivan – Podemos conversar em particular, por favor? — A voz agora mais rouca que o normal.
O homem transtornado soltou uma risada falsa e irônica, que não combinavam com seu olhar doente e afundado em tristeza.
–Do que você tem medo, hein Clara? – Debochou do rosto apavorado – De eu falar a pira... – Foi interrompido novamente.
A voz veio firme, veio repleta de toda a estabilidade que geralmente pertencia a ela, veio superior.
–Ela tem medo de você pintar tudo isso, toda essa história da forma que bem entender. Com essa visão machucada e distorcida que aparentemente construiu. Por quê? É mais fácil? – Marina estava lá, essa era ela.
Resolveu de forma inconsciente resgatar parte de uma essência que as inseguranças do amor tiravam dela. Um pedaço seu que não conhecia o medo, que não tinha limites, que acreditava em cada palavra que saia de sua boca, que envolvia quem estivesse por perto, estimulava o apreço e a admiração, continuou olhando agora o rosto ímpio do homem
–Eu não estou aqui à convite da Clara, se é isso que você quer saber. Deveria conhecer a mulher com quem conviveu durante todo esse tempo, saber que ela não faria uma coisa dessas – Terminou de cabeça erguida.
–Pois é, acho que não conheço mesmo. A mulher que eu conhecia não seria capaz de me trair de forma tão descarada – Rebateu cuspindo as palavras — No entanto não deixou de fazer.
Os presentes estavam tão assustados quanto Clara, todos tentavam se situar, era uma situação embaraçada.
Perguntavam-se o que a mulher linda e imponente, prima de Ricardo, tinha com toda aquela batalha que estava sendo traçada. Ninguém entendia absolutamente nada.
–Cadu, a Marina é prima do Ricardo, veio acompanhando ele. Pelo amor de Deus, qual é o seu problema com ela? – Perguntou Chica irritada soltando a frase de forma alterada.
–Será que o Ricardo sabe o que ela é? – Agora estava tomado por um ar sombrio e foi interrompido novamente pelo homem que se aproximou e sem um pingo de vergonha respondeu
–Se você está falando da Marina ser gay, sim eu sei, toda a família sabe e não acho que isso seja um problema – Agora desafiava Cadu – É um problema pra você? Então essa é a grande questão?
–Se torna uma grande questão quando ela corrompe a minha mulher, quando vai pra cama com ela! – Exclamou criando uma onda de impacto em todos os que estavam assistindo a briga.
–Clara? – Sussurrou Chica esperando uma explicação, a mínima que fosse.
Um silêncio intimidante tomou conta do local, todos se olhavam, agora estava explicado. Clara, a caçula da família Fernandes estava vivendo um conflito pessoal dos grandes e com exceção de Helena e Cadu ninguém fazia a mais absoluta ideia.
A morena observou os olhos rasgados que a observavam, eles também esperavam algo, ela não teve certeza o que, mas sabia que esperavam. Posicionou-se na frente do homem que não a intimidava mais
–Satisfeito? – Perguntou abaixando o tom da voz – Era isso que você queria? Tá tentando provar o que, cara? Pra quem? – Continuou com a voz rouca -Tá tentando provar que nosso casamento era um fracasso e que eu não era mais feliz com você? Se for isso acho que esta fazendo um bom trabalho, sendo o cara egoísta e grosso que veio se tornando nos últimos tempos – Terminou virando-se para a família.
–Estamos nos separando, pronto, nosso casamento não funciona mais e sim... –Pausou tomando fôlego – Por mais que isso pareça uma loucura e agora uma coincidência com pitada de humor negro... -Parou mais uma vez voltando-se para a fotógrafa – Eu me envolvi com a Marina – O ambiente era hostil o que não evitou que ambas sorrissem com o olhar.
–Você me traiu com ela – Retrucou alterado – Você me traiu para viver essa putaria, essa liberti... – Não conseguiu terminar, as palavras que sucederam o invadiram com uma facada
–EU AMO A MARINA – Agora o tom era alto, quase um grito, as palavras foram ditas espaçadas e com firmeza. Como se não fosse o suficiente a morena repetiu – Eu amo a Marina – Voltou a observá-la, os olhos da fotógrafa transbordaram, levou as duas mãos à boca tentando acreditar no que havia acabado de escutar.
Cadu travou o maxilar, os olhos saltavam da face e antes que pudesse tomar qualquer atitude ainda mais equivocada foi arrastado do salão por Nando, que chegou para tentar acalmar o amigo.
–Bom – Disse Chica de uma forma indecifrável e quase inaudível – Acho que não temos mais clima para um almoço em família – A parte final saiu em sussurros, os olhos estavam carregados e precisava respirar – Ricardo, por favor, me acompanha? – Pediu ao amado um socorro e foi seguida por Helena que acalmou a irmã mais nova antes de partir – Eu vou falar com ela, fica calma.
Virgílio e Felipe abraçaram Clara e perguntaram se podiam a levar dali, a morena respondeu que sim, mas antes precisava falar com a fotógrafa que tinha Giselle tentando inutilmente a tirar do transe que se encontrava
–Marina, Marina? Pelo amor, fala comigo! Você ta bem? – A sacudia pelos ombros enquanto observava as lágrimas escorrerem pela face branca e bem desenhada.
–Clara – Ouviu a prima de segundo grau sussurrar e seguiu o olhar da fotógrafa
A morena se aproximava reunindo suas forças. Estava exausta com toda aquela situação, com todo aquele desespero, estava séria e queria, precisava, abraçar e acalmar a mulher que tanto ama.
Aproximou-se o suficiente de Marina para a envolver em um abraço de carinho e reconforto.

Não podia evitar que o medo pela reação da família e da mãe envolvessem seus pensamentos, mas tentou ser forte para de alguma forma se redimir, se redimir pela grosseria de Cadu.
–Me... – pausou – Me desculpa por isso Marina.
–Eu também te amo meu amor – Respondeu a fotógrafa apertando o abraço que as envolvia – Eu também te amo — Disse em resposta a declaração que ouvira.
Ainda não conseguia acreditar nas palavras de Clara, repetia para si e para ela como quem quisesse que aquilo não tivesse sido um engano, um equívoco.
A morena pegou o rosto branco com as duas mãos e reforçou, agora seria para ela, seria da forma que era pra ter sido desde o principio.
–Eu amo você – Apertava a cabeça inquieta com as duas mãos – Eu amo você, Marina.
Voltaram a se abraçar, o choro era solto e nem podiam acreditar que toda aquela tempestade acabara de passar por ali. O abraço trazia calma, para ambas.
Mas ainda havia muito a ser feito, resolvido, nada estava certo. Clara sentia que a guerra estava só começando, era o acumulo das incertezas.
–Eu... Eu preciso ir, preciso falar com a minha mãe, coitada! – Exclamou pensando no almoço de família tão esperado pela matriarca que havia sido arruinado – Eu preciso de um tempo pra colocar a minha vida no lugar, tem meu filho, minha casa eu não sei nem por onde começar a organizar tudo isso, Marina. Você me entende?
–Claro, claro que eu entendo – Respondeu sem conseguir evitar o desanimo – Mas você sabe, eu to aqui do seu lado, disse que te ajudaria a passar por isso, JUNTAS. – Frisou o final.
–Eu sei, mas tem certas coisas que eu vou ter que resolver sozinha, infelizmente vai ter que ser assim. Me desculpe pelo jantar e por tudo isso que teve que passar hoje. Eu realmente sinto muito – Era sincera a morena.
–Tudo bem, eu enfrentaria tudo de novo, só pra ouvir você se abrir da forma franca que fez. Não tem problema, Clarinha. Faz o que você tem que fazer, vou estar te esperando – Sorriu se recompondo.
–Você é maravilhosa – Sorriu de volta depositando um beijo na bochecha da amada , não queria causar ainda mais transtornos por ali.
Seguiu com o cunhado e com o irmão para fora do galpão enquanto Marina a observava ir
–Que loucura tudo isso – Começou Giselle sendo interrompida pela fotógrafa
–Me tira daqui, por favor, eu preciso ir pra casa – Entregou-se.
Clara chegou ao apartamento da mãe com o coração apertado, não sabia por onde começar, não sabia como se desculpar. Estava arrasada pela mãe, pelo almoço que havia sido estragado de uma maneira tão indelicada e repentina.
Sentia-se culpada e triste. Tocou a campainha e foi atendida pela irmã que a envolveu imediatamente em um abraço apertado. A morena finalmente desabou.
O choro veio soluçado e em descompasso, sentia dificuldade de falar, de respirar, novamente aquela sensação de pânico tomou conta de todo o seu organismo. Antes mesmo que pudessem fechar a porta. Ricardo aproximou-se trazendo as duas que permaneceram unidas para o sofá central da sala.
Rosa apareceu e foi designada a buscar um copo de agua com açúcar pela mais velha.
–Você tem que se acalmar, irmã – Começou a falar Helena – Essa situação toda era uma bomba relógio, uma hora ia explodir. Você já sabia disso. Pensa que agora já passou, o pior já passou – Falava fazendo carinho na cabeça que agora deitava em seu colo.
Ricardo ajoelhou e continuou
–Sua mãe esta no banho, precisava esfriar um pouco a cabeça, mas já falamos com ela, vai ficar tudo bem Clara.
A morena fitou o homem mais velho e sentiu um conforto em suas palavras, sua figura era paterna e calma, a voz baixa e rouca como a dela.
–Você – Disse falando enquanto acalmava os soluços – Você é primo da Marina?
–Sim – Sorriu Ricardo orgulhoso – Parece que estamos formando uma grande família agora – Disse tentando descontrair em uma pequena risada continuando – Isso não é nenhum bicho de sete cabeças, Clara. Tudo vai se acertar e você tem que buscar sua felicidade, seu conforto independente de qualquer coisa.
A mãe de Ivan escutou as palavras que a traziam uma certa tranquilidade e perguntou
–E a mamãe, ela ta bem? Me desculpa Ricardo, desculpa por todo essa loucura, por ter estragado o almoço de vocês –Falava enquanto voltava a erguer a cabeça gesticulando com as mãos.
Viu a figura de Chica adentrar a sala e sendo a mãe maravilhosa que sempre havia sido, a mulher abriu os braços e sussurrou a chamando para um abraço
–Minha filha...
Clara se levantou e caminhou apressada na direção da mãe que a envolveu com todo o carinho esperado, o choro voltou a descompassar
–Tá tudo bem, fica calma – Tranquilizou a matriarca da família – Olha, já passou, faremos outros almoços, outros jantares, não se atormente por isso.
–Mãe... Tem tanta coisa que eu preciso te contar – Choramingava a caçula – Tanta coisa que precisamos conversar...
–Eu sei, eu sei. Mas agora eu quero que você vá tomar um banho, se acalmar. A Rosa vai buscar o Ivan na escola e levá-lo para a casa do amiguinho, ele ligou perguntando se podia ir quando não conseguiu falar nem com você ou com o Cadu.
–E ele? – Sussurrou a morena se referindo ao futuro ex marido
–Ele foi pra casa do Nando e da Juliana, vai ficar lá até resolver pra onde deve ir. A Leninha vai te acompanhar até sua casa, toma um banho, come alguma coisa, dorme um pouco. Logo logo essa ressaca de sentimentos ruins vai passar. Tudo vai se acertar, você vai ver.
Assentiu com a cabeça e foi levada pela irmã, comeu alguma coisa que encontrou na geladeira e tomou um banho quente sentada no chão do Box. Deixou a água cair pelo seu corpo levando assim toda aquela carga emocional que estava carregando. Deitou na cama do filho e adormeceu.
Quando acordou o dia já havia partido, sentiu o cheiro dos cabelos lavados no travesseiro que ainda permanecia úmido. Pensou no garoto e levantou em um salto ligando para a irmã.
–Ivan ta na Juliana com o Cadu, Clara. Tá brincando com a Bia e não sabe absolutamente de nada, a Ju me garantiu que não o deixaria perturbar o menino com essas ideias. E pelo o que me disse o Cadu também não parece estar com essa intenção.
Sentiu-se tranquilizada, não queria que o filho criasse uma imagem distorcida do pai assim como não permitiria que criasse uma dela também.
Lavou o rosto e escovou os dentes. Enquanto se olhava no espelho teve certeza do que deveria ser feito em seguida.
Entrou no táxi arrumada e perfumada com uma pressa na voz
–Santa Teresa – Informou ao motorista dando o resto do endereço em seguida.
Estava nervosa, havia deixado Marina em um estado emocional completamente frágil no Galpão. A verdade é que naquele momento ela não sabia nem como lidar com os próprios problemas.
O peito apertou em culpa, mas teve certeza que em na situação que se encontrava não poderia ter agido de forma diferente. Precisava falar com Chica, precisava desse respiro.
Marina sentia-se cabisbaixa, mesmo o longo banho de banheira não foi capaz de fazer suas energias se concentrarem de maneira eficiente no seu corpo, passou o resto da tarde e o inicio da noite deitada pensativa em um grande baú que ficava no estúdio principal da casa.
Estava tão pra baixo que nem havia avisado aos funcionários que não teriam mais o jantar. Sentia o peito apertado por não poder fazer mais. Por não ter conseguido tirar Clara daquela situação a tempo e por não poder estar com ela agora, ao seu lado enfrentando tudo que poderia estar passando.
Mas aquele era um momento dela, era algo que havia pedido e iria respeitar, por mais que doesse não iria se intrometer.
Ouviu o telefone tocar, saiu das profundezas de seus pensamentos com certa dificuldade para ter uma surpresa maravilhosa, era Clara.
O sorriso saiu faceiro e atendeu com uma ansiedade aparente
–Clara – Sussurrou – Que bom que você ligou – Suspirou continuando – Eu só não te liguei porque não quero te causar mais nenhum problema
–Eu sei – Respondeu a voz rouca do outro lado da linha e um silêncio proposital tomou conta, a morena tinha o plano traçado.
–Quando é que você aparece, hein? – Perguntou a fotógrafa com a voz sedutora e preocupada tentando continuar o assunto.
–Mais cedo do que você pode imaginar – Respondeu a morena causando um sorriso silencioso no rosto perfeito.
–Ah, que bom – Respondeu sorrindo alto agora
–Sabe que eu adoro quando você usa esse tipo de vestido, você fica toda... – Pausou propositalmente – Mulherzinha – Tinha desejo na voz
–Tipo esse vestido? – Perguntou a fotógrafa desatenta Você gos... – Parou desacreditada sentando no baú e olhando em volta.
Encontrou a figura de Clara a observando de longe, com um olhar carregado de desejo, ambas sorriram e a morena se aproximou. A fotógrafa foi de encontro ao abraço
–Não acredito – Disse reluzente — Eu passei a tarde inteira pensando em como você estava, querendo te ligar, ouvir a sua voz, sentir seu cheiro – Terminou afundando o nariz nas mãos da morena – Mas ai anoiteceu, você não ligou, eu fui ficando triste, você não dava sinal de vida. Não mostrava de nenhum jeito que estava pensando em mim também – Agora tinha um charme sedutor na voz.
–Eu to aqui – Respondeu Clara sorrindo enquanto as duas sentavam no baú centralizado no ambiente
–E apareceu assim, né bandida? – Exclamou sorrindo – Me dando um trote. Não, eu fiquei tão boba falando com você no telefone que eu nem percebi que você tava aqui. Claro, vendo até a roupa que tava – Os olhos brilhavam.
–Adoro quando você usa esses vestidos, você fica mais sedutora ainda – Os olhos estavam se tornando preenchidos, a figura que tinha em sua frente lhe atiçava os instintos – Me sinto tão desamparada longe de você – Confessou.
Marina fez menção de falar alguma coisa, mas a mão de Clara alcançou a lateral de sua cabeça em um carinho a puxando para si, as testas se encostaram e passaram com leveza o rosto uma na outra.
–Mas pra você ta aqui é porque ficou tudo bem na sua casa, com a sua mãe... – Afirmou Marina em forma de pergunta
–Vai ficar – Sorriu com a voz rouca – Eu tenho uma família maravilhosa, vai ficar...
–Então eu vou pedir pro pessoal lá na cozinha servir o jantar, vamos comemorar – Começou a dizer se levantando para traçar o caminho. Antes virou-se e perguntou – Você ta com fome, Clarinha?
A morena a fitou com um olhar esfomeado, tinha fome sim, sentia-se faminta na verdade. Levantou aproximando-se com cuidado da fotógrafa que abriu os lábios em um suspiro, aquela imagem acabara de lhe tirar o ar dos pulmões.
A atenção da mulher de pele dourada se voltou para a boca que suspirava. A pinta na parte inferior a instigava absurdamente, mais um ponto desejado de todo aquele corpo.
Clara mordeu os lábios de maneira espontânea, observou Marina tornar-se uma presa fácil, os braços pendiam na lateral do corpo, estava hipnotizada e já não se lembrava do por que estava ali parada e de pé.
Os olhos puxados, felinos e atacantes agora esperavam, sentia o peito subir e descer em um movimento pesado e inebriante, respirava pela boca enquanto via a morena se aproximar em uma marcha sagaz.
Os olhares não se perdiam, ao contrário disso, se encaravam incorruptíveis.
As respirações aceleraram, antes do toque, antes da resposta. Elas já se amavam ali, já diziam uma para a outra tudo que seria feito, tudo o que era desejado, não precisavam mais do que isso para sentir o sexo molhar, pulsar.
Clara passou um braço pela cintura do corpo extasiado e o puxou para si, agora se encaram com uma distancia mínima, sentiam a respiração da outra entrar nos pulmões enquanto inalavam o ar que parecia rarefeito.
Com a mão que estava livre a morena subiu passeando pela lateral do corpo da fotógrafa, começou pela coxa erguendo um pouco o pano leve do vestido que voltou a cair quando a mão então alcançou a lateral da cintura, pulando para o braço.
Sentia as costas livres no decote profundo que o modelo tinha, passou de leve a unha sentindo a mulher sob seu domínio suspirar com ainda mais força.
Chegou à nuca e sem prolongar ainda mais o sofrimento delicioso pelo qual submetia Marina enlaçou-a pelos cabelos. Mostrou domínio e com a voz declaradamente carregada de prazer anunciou baixinho no ouvido da dona do estúdio
–Eu vou comer você, meu amor.
A fotógrafa sentiu as pernas vacilarem e foi mantida firme pela mão que a domava pelos cabelos e o braço que envolvia sua cintura.
Clara a encostou sem muito cuidado no baú e perguntou
–Você quer?
–Muito – Declarou dominada de prazer – Quero que você me comande, quero te servir amor – Acrescentou com os olhos depravados fitando a morena.
–Me beija – Ordenou Clara entendendo exatamente o que Marina desejava.
Com o corpo imprensado deliciosamente entre o móvel e sua amada a fotógrafa alcançou os lábios finos e macios em um beijo apaixonado. Os movimentos que faziam com as bocas enquanto suas línguas dançavam uma na outra era a cena mais excitante que poderia existir.
A morena alcançou com as duas mãos a bunda protegida apenas pelo vestido e uma calcinha a levantando e colocando-a sentada no baú, o beijo não cessou nem por um segundo, sentiu então as pernas de Marina enlaçarem o seu corpo.
O quadril esguio rebolava nela de forma elegante e provocativa atiçando-lhe a alma. Em um movimento repentino ergueu as duas pernas da fotógrafa colocando seus pés também apoiados no móvel.
Marina estava agora aberta para ela, a olhando e pedindo sem palavras para ser tomada. Pegou uma cadeira que estava próxima e sentou-se no meio dela, na altura exata do prazer.
Levantou o pano leve e branco do vestido, deparou-se com a lingerie clara e de renda que tinha o fundo visivelmente molhado.
Aproximou os rosto daquele ponto tão desejado e passou o nariz com leveza inalando com vontade o cheiro que vinha da fotógrafa.
–Seu cheiro é tão bom, meu amor... – Suspirou passando a língua sobre o pano fazendo Marina inclinar o corpo para trás em suas mãos e gemer – Seu gosto é tão viciante — Completou puxando a calcinha para o lado e observando a intimidade agora destapada – Sua bucetinha é tão linda – Terminou depositando um beijo excitado no sexo da mulher amada.
Marina passava a língua nos lábios e os mordia enquanto os gemidos escapavam soltos de sua boca, começou a movimentar-se contra o rosto da morena em reboladas voluptuosas.
Clara se afastou tirando a calcinha que ainda segurava para o lado a deixando cair no chão. Fitou Marina e perguntou
–Você é minha?
–Sim – Concordou com a voz tomada de satisfação – Eu sou sua mulher — Sorriu safada — Você gosta? – Perguntou instigando a morena
–Amo – Respondeu rouca de um jeito todo característico levantando-se fazendo a fotógrafa a envolver novamente com as pernas – E já que eu sou sua dona você vai ter que me obedecer – Disse rebatendo a provocação anterior.
–Eu faço qualquer coisa que minha mulher mandar – Concordou deliciosamente e propositalmente obediente.
–Então vamos pro seu quarto que eu já sei por onde quero começar – Sorriu Clara com malícia puxando Marina para fora do baú ainda agarrada em sua cintura.
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