I want to be much more than your friend.
31 Capítulo 30
Notas iniciais
OIEEEEEEEEEEEEEEEEEE ..
Como vocês estão ????
Desculpem a demora, gente. Mas esse capítulo, apesar de ser fácil de fazer, ele foi muito complexo pra mim.
Ei, eu sei que o foco está mais ou menos todo na memória, mas era mais ou menos também o meu objetivo. Eu queria focar mais em algo que não fosse o presente.
Por isso a parte onde eles estão realmente, está pequena.
Mas tomara realmente que vocês curtam ele.
Não revisado, sorry.
Espero que gostem !!
˙˙˙˙
De imediato, meus ouvidos tapam e há um eco apenas em suas palavras. Elas repetem em minha cabeça, num ciclo vicioso.Eu não posso pensar em nada. Não conseguiria. Apenas escuto a frase em minha mente, ecoando muitas e muitas vezes.Eu não sei como estou, aonde estou, mas tenho certeza que meus olhos estão arregalados e minha boca, aberta.É como se cada segundo durasse um século, nos dando a agonia da espera de absorção da última fala. Eu mesmo preciso desse tempo para saber que não estou dormindo, ou alucinando. Para saber se ele disse mesmo aquilo.Minha respiração se torna pesada, no momento em que começo a voltar para o mundo. E logo tento focar no garoto à frente.Todos os meus últimos feitos, o de pensar, o de ter a fala em minha mente, o de ficar surpreso e o de voltar meus pensamentos para o normal, duraram segundos, apesar de parecer que estamos ali há um bom tempo. Realmente parece que ficamos parados por uma semana.Mas quando eu olho para o verde de suas pupilas, essas que parecem bastante assustadas, ou ansiosas, e começo a sorrir, seu próximo ato me deixa surpreso.—Ahn...- ele parece procurar por algo para dizer, ao olhar o chão. Mas acaba por me encarar de novo de modo súbito.- Tchau!Eu me assusto com sua rapidez ao dar os ombros, e sair com passos largos. Seu ato foi realmente muito rápido, e até pedi para o garoto esperar, mas ele não ligou para a minha fala.Também estava muito atordoado para ir atrás do ruivo, ao que não o via mais.Porém, acabei sorrindo e piscando algumas vezes, o deixando ir.Naquela dia, não dormi direito.[...]Limpei a garganta, assim que avistei a porta marrom aberta, e olhei para o chão, percebendo ter parado de andar. Passei minhas mãos soadas pelo casaco que me protegia do frio, e então, caminhei até o meu destino.Na hora, não imaginava ser estranho o fato de a casa estar aberta, já que minha mente era ocupada por algo que julgava ser mais importante. Mas de qualquer forma, questionei isso, assim que cheguei próximo o bastante.Eu olhei para dentro, observando a sala escura, me limitando a fazer apenas aquilo. Eu ia chamar, até que ele surgiu do nada, me fazendo dar um passo para trás, e olhar imediatamente para cima.—Oh, o que faz aí?- perguntou, franzindo as sobrancelhas, e me encarando de cima. Parecia com pressa.—Eu... Ahn, queria falar com...- apontei para dentro de sua casa, não vendo a necessidade de continuar a fala, já que em minha cabeça parecia óbvio.—Falar com Hiccup? E quem é você?- perguntou, parecendo confuso.Acho que sempre que eu for à procura de Hiccup, em sua casa, seu pai nunca vai me reconhecer, sendo que todas as vezes eu me apresento.—Meu nome é Jack.- digo, e sorrio no final, juntando minhas mãos em frente ao corpo.O homem levantou as sobrancelhas, mostrando ter entendido, mas aposto que ainda não sabia quem eu era. Enfim, o mesmo fez menção de que ia chamar o ruivo, ao se virar um pouco para trás, mas desistiu.—Eu estou atrasado, pode entrar. Ele está na cozinha.- disse, e me empurrou para o lado, logo saindo apressadamente.Eu o observei por alguns segundos, e então suas palavras vieram à minha cabeça. Começaram a fazer sentido.Engoli em seco, ao voltar meu olhar lentamente para o lugar onde o mais velho estava, só que dessa vez, o caminho estava livre, sem ele me impedindo a visão.Mordi o lábio inferior, ao tentar criar coragem para entrar. Mas acabei por balançar a cabeça umas duas vezes, rápido o bastante, para espantar meus pensamentos e me concentrar em ser eu mesmo.Passei a mão pelo cabelo, logo dando o primeiro passo para depois da porta. Fiquei na dúvida se deveria deixar a mesma aberta, ao ficar encarando o batente, mas logo achei ridículo aquele questionamento, ou o fato de estar pensando muito sobre o assunto. Então, fechei a porta, me virando de volta para a cozinha.Mordi a parte interna da minha boca, e me pus a andar até o cômodo, com passos distraídos. Não demorei para chegar, porém. Apoiei o cotovelo no balcão, que ficava logo quando entrávamos no espaço, e meus olhos não demoraram para encontrá-lo.Ele parecia estar confuso, enquanto encarava algumas coisas dentro do armário, perto da mesa.O garoto não me via, uma vez que estava de ombros para mim. Mas decidi deixar dessa forma, por enquanto.Apoiei meu queixo em minhas mãos, franzindo as sobrancelhas, ao encarar as costas do ruivo. Deduzi o mesmo estar se preparando para comer algo. Se não for isso, não posso imaginar o que ele está fazendo ali.Nós ficamos ali no mesmo estado por minutos demasiados demorados. O que me levou, assim que reparei no tempo, a suspirar baixo, enquanto coçava minha cabeça.Depois de mais alguns segundos, o ruivo pegou algo do armário. Não acreditei que ele ficou ali que nem estátua, para pegar apenas um copo. Porém, a próximo cena não me permitiu ficar com mais raiva.Assim que ele se virou, o eco de seu grito ficou ecoando pela casa toda. O copo que estava segurando foi de encontro ao chão quando ele me viu e aquele grito engraçado veio de sua garganta.
Só demorei um segundo e meio para cair na gargalhada. Eu batia no balcão, com minha risada ainda se espalhando pelo ambiente. Meus olhos ardiam, e minha barriga já começava a doer, quando tentava parar de rir. Porém, era um pouco difícil, ao que olhava o ruivo com uma expressão raivosa e assustada misturada em seu rosto.Ainda ria, mas era pouco. Foquei minha atenção toda ao garoto, quando me concentrei em parar de gargalhar.—Por que sempre faz isso?!- perguntou, quando só permaneci com um sorriso largo no rosto e limpava as poucas lágrimas acumuladas nos olhos.—Ahn... ai.- ri uma última vez, fechando os olhos.- Porque sempre é hilária sua reação.- dei uma pausa.- E não é como se eu fizesse de propósito!—Faz sim! Só fica parado, ao invés de avisar, e não quer que eu me assuste?! É de propósito.- diz, parecendo realmente bravo.—Me desculpe, então.- digo, sorrindo inocente.Ele roda os olhos, e suspira pesadamente. Sorrio mais largo, quando o ruivo parece não ter mais nada para me responder. Ele fica ali na mesma posição, até que parece se lembrar de algo. Olha para o chão, e passa as mãos no cabelo, num ar tedioso.—Muito obrigado, Jack.- diz, mas desvia rapidamente o olhar, se abaixando no chão.O balcão me impede de ter a visão do garoto, uma vez que ele se abaixou. Então, trato de dar um passo a frente, entendendo o motivo da fala do outro. Então, sorrio irônico, ao afastar meu braço no encosto que estava usando há minutos.—Ah, que isso?! Sempre que quiser.- respondo sarcástico, me referindo à mesma coisa que o ruivo estava falando.—Nossa, como você é engraçado!- finge o sorriso.- Não tem graça Jack. Meu pai pode me matar se souber que você me fez quebrar um copo. E mesmo eu dizendo que foi sua culpa, ele não vai acreditar.—Dramático.- disse baixo, rodando os olhos.- Nem foi culpa minha. Não é culpa de ninguém o fato de você se assustar fácil.Ele me lançou um olhar não muito contente, o que me fez sorrir inocente. Depois continuou a tentar pegar o que sobrou do copo no chão.Sorri e balancei a cabeça, não tardando para me juntar ao ruivo, me agachando em sua frente. Eu pegava os pedaços de barro mais próximos a mim, mas não demorei mais para triscar meus dedos na mão do ruivo.Ele pareceu congelar, ao que não se mexeu mais. Isso me fez soltar um risinho, enquanto subia me olhar lentamente pelo seu corpo, até chegar em seus olhos.Suas pupilas estavam dilatadas, e sua cor verde mais em evidência, me fazendo imaginar pela milésima vez o quanto seus olhos são bonitos.Naquele momento, percebi seu nervosismo.Eu fiz questão de pegar ainda mais em sua mão, tentando demonstrar que não estava diferente, até porquê... Thor! Eu estou muito nervoso. Mas aquele toque não teve a intenção de apenas passar isso. Também tentei dizer à ele para que não se sentisse dessa forma; não ficasse ansioso ou algo parecido, ao que tentava fazer a mesma coisa.Mas acabei por procurar algo para dizer, buscando desviar a atenção daquela tensão se formando.—Hic, pode voltar a respirar.- disse sacana, sorrindo de lado.Ele arregalou os olhos, e logo depois sorriu largo, distanciando seu rosto do meu.—Cala sua boca!- disse com um tom divertido.Ri um pouco, e afastei minha mão da sua, voltando a pegar os pedaços do copo de barro.Conferimos se não tinha mais nem um "caco" no chão, então nos levantamos.—Pode deixar aqui na mesa.- o ruivo diz, e logo o faz como sua fala.Também deposito o resto do copo no local que ele designou. E depois disso, eu direciono minha atenção ao ruivo parado perto à mim.—Você vai comer?- pergunto, depois de alguns segundos.Ele desvia o olhar, encarando seus dedos.—Eu ia, só que não estou com tanta fome, e só ia beber água, quando te vi.- diz um pouco baixo, mas não me olha.—Entendi.[...]—Terminei.- sorri, ainda olhando para a folha. Mas logo, satisfeito, encarei o ruivo em cima da cama.- Bom, não sei não, mas acho que desenho melhor que você.Ele franziu as sobrancelhas, me encarando por alguns segundos. Depois, abaixou a cabeça, rindo um pouco.—Claro.- levantou do colchão e andou até onde eu estava.Sorrio largo, estendendo o papel em sua direção. Eu foco meus olhos no outro, esperando por sua reação, e quando ela vem, não deixo de rir brevemente.—Jack! O quê que você fez aqui?!- perguntou, encarando o conteúdo do objeto em suas mãos.—Como assim? A gente não combinou de desenhar um ao outro?- falei, não entendendo sua pergunta.—Mas eu não sou assim.- virou o desenho para mim, me permitindo ver, e apontou para o mesmo.—Mas é assim que eu te vejo.- digo, indiferente.O garoto roda os olhos, e volta a encarar o papel amarelado. Seus olhos correm por ali, e sei que Hiccup está observando cada detalhe. Eu solto um risinho, antes da próxima fala.—Eu sei que não ficou tão bom, mas eu não sou como você, tudo bem?- sorrio de lado, mas o que eu falo é verdade.O ruivo direciona sua atenção para mim, e franze o cenho. Ele abre um sorrisinho lentamente, antes de olhar para a folha novamente. —Tudo bem. Até que não ficou tão ruim.- diz, e me olha rapidamente.Eu sorrio, o observando em pé próximo a mim. Mordo o lábio inferior, ao vê-lo ainda concentrado no desenho que fiz dele, e a forma como ele o faz me deixa estático.No momento em que o garoto percebe minha atenção presa em seu rosto, limpa a garganta e coça um pouco a nuca.—Ahn, obrigado.- dizendo isso, ele deixa o papel numa mesinha que tem ali por perto.Quando me olha de novo, minha resposta é apenas um sorriso sem mostrar os dentes.—Err, agora é minha vez, não é?- pergunta, e parece um tanto sem jeito, o que me faz dar um risinho baixo.—Acho que sim.- respondo, levantando da cadeira, e consequentemente, parando de frente com o garoto.- Você quer que eu fique aonde?Eu me atrevo a dar um passo em sua direção, enquanto coloco as mãos atrás do corpo, e inclino meu tronco, esperando ficar com o rosto próximo ao seu.Ele se desconcerta um pouco, ao que abaixa sua cabeça, virando a face para o lado.—Fique aonde achar melhor.- diz somente isso, num tom baixo.Eu pisco os olhos rapidamente, antes de sorrir e me afastar do ruivo.—Tudo bem, então.- falo, e meus olhos correm pelo quarto.Minha atenção é passada de relance pela janela, e sorrio, dando uma última olhada no garoto mais baixo em minha frente.Então, eu esbarro de leve no ombro dele, demorando um pouco para quebrar o contato visual, e mesmo quando passo ao seu lado, não deixo de encarar suas costas. Dou um risinho, e então olho para a janela.Eu chego no parapeito, e dou de ombros.—Aqui está bom?- pergunto, abrindo os braços, ao que me sento, sem esperar sua resposta.Ele me encara por alguns segundos, inclinando um pouco a cabeça, parecendo pensar. Eu me apresso em fazer alguma pose qualquer, da qual não me importo em como será. Só me mexo no parapeito, e quando me sinto confortável, me vejo na seguinte posição: reparo que coloquei meu pé no apoio que estou sentado, e que meu joelho direito está dobrado, não tão perto de meu corpo. Apoio minhas costas num dos lados da janela. Minha perna esquerda balança um pouco no ar, enquanto meu braço direito foi colocado em cima de meu joelho dobrado. Acabei por encostar minha cabeça ao parapeito, desviando meus olhos até Hiccup.—Hm, aí está ótimo.- ele diz baixo, ao que coçou seu queixo. Duvido estar falando comigo.- Essa luz te deixou mais bonito.Eu sorrio de lado, só constatando que ele não estava falando comigo, e se tivesse ciente de suas ações, jamais diria aquela frase em voz alta.—Obrigado.- respondo, o fazendo perceber o que disse há segundos.Ele arregala os olhos, dando os ombros mais rápido do que eu podia entender.—Quer dizer... Ahn, aí está bom sim, Jack.- fala, depois de limpar a garganta.Rio, e olho por alguns segundos o céu cinzento.—Imaginei que você acharia isso.- respondo, o olhando novamente.Ele já está sentado onde eu antes estava, enquanto apoia seu cotovelo na mesa. Quando percebe minha atenção em si, desvia o olhar para os papéis próximos aonde seus dedos batem freneticamente, ato esse que indica nervosismo.Eu balanço a cabeça levemente, antes de umedecer meu lábio inferior, e ajeitar um pouco a coluna.—Então, Sr. Haddock? Está bom essa pose, ou prefere você mesmo ditar uma?- minha voz se torna um pouco mais grossa, enquanto finjo indiferença.O ruivo me encara por poucos segundos com um sorriso ladino, e então roda os olhos, voltando novamente a atenção aos papéis.
—Não se preocupe com isso, vou desenhar somente seu rosto.- responde com um pouco de deboche na voz.—Ah, claro.- digo.Eu o observo organizar, escolher e arrumar os papéis, optando por um pergaminho creme. Isso me faz sorrir, devido sua concentração ao encarar o objeto, ao que seus olhos correm por todos os extremos do pergaminho.Ele usa uma base reta, aonde apoia em alguns livros, fazendo com que a base se incline. Então coloca o pergaminho ali. O lápis é deixado ao lado dos livros de apoio, e sorrio quando seus olhos vêm sobre mim.—Tudo bem. Espera um pouco...- diz vagamente. Então, cerra os olhos, piscando lentamente. O modo como ele me encara é um tanto intimidador. Os segundos me observando são arrastados. Mas ele continua, ainda de forma vaga.- Olha só pra mim, relaxa a expressão e abaixa um pouco o rosto.- eu o fiz, como ele disse.- Isso.Sorriu, e então depositou toda a sua atenção no pergaminho em cima da mesa. Eu via claramente sua mão começar a mover lentamente. Ele tinha o cenho franzido e espremia os lábios um no outro. Com o passar dos segundos, seus olhos viam sobre mim, me encarando de relance ou depositando a atenção totalmente em meu rosto. Eu só... Acabei de saber que adoraria ver mais vezes o ruivo desenhando.A forma como estava concentrado, como me olhava e como parecia nervoso ao mordiscar o lábio inferior, era apenas... apreciador.Eu já estava me sentindo agoniado por ficar naquela posição por muito tempo, mas também conseguia esquecer de tudo ao redor, ao que só foquei minha atenção no rosto do outro. Ele estava lindo.Eu ainda o fiquei encarando e não evitei sorrir, observando a forma como seus olhos cerravam e relaxavam, alternando entre eu e o pergaminho. O jeito como seus lábios ficavam vermelhos, logo após o ruivo mordê-los. E reparei até no fato de a luz tornar a cor verde de suas íris na mais clara que já vi.—Jack, eu pedi para relaxar.- ele disse de repente, ao que rabiscava em seu pergaminho.Achei incrível a maneira como ele permaneceu seriamente, mesmo falando comigo, já que quando era minha vez, eu me desconcentrava com absolutamente tudo ao redor.Continuei a olhar sua expressão, e sorri mais largo, focando no que ele havia dito.—Eu sei. Eu estou relaxado.- respondi finalmente, sorrindo ladino.Ele cerrou os olhos, ao direcionar sua atenção à mim, e assim ficou por mais ou menos dois segundos. Então, disse ao voltar o olhar ao pergaminho:—Relaxar o rosto, é disso que eu estou falando. E eu sei que você está relaxado, sempre está.- pareceu rodar os olhos rapidamente, inclinando a cabeça um pouco para o lado, sem tirar a atenção do papel.- Relaxar, no sentido de tirar esse sorriso do rosto.Não evitei rir um pouco, ao que olhei para o céu cinzento através da janela. Depois, balancei a cabeça, voltando meu olhar ao ruivo. Eu ainda sorria, ao que ele me encarava com as sobrancelhas arqueadas. —Oh, me desculpe.- digo, parando de sorrir.Ele rodou os olhos, voltando a atenção por alguns segundos ao pergaminho, e depois para mim.—Olha pra mim, e volta o rosto para aonde estava, quando eu comecei a desenhar.- ditou.Eu mexi um pouco a cabeça, pensando ser aquela posição que eu estava quando sentei naquela janela, porém, o ruivo me fez imaginar não ser.Ele suspirou pesadamente, deixando o que estava fazendo de lado, e levantou da cadeira, se afastando da mesa. Observei o garoto vindo em minha direção, e arqueei as sobrancelhas quando ele chegou em minha frente.Deu um tapinha em minha perna, o que me fez distanciar a mesma de modo involuntário. Então, o ruivo se aproximou mais, ao que minha perna não era mais um obstáculo.—Aqui.- sussurrou, colocando a mão em meu queixo, e abaixando um pouco minha cabeça. Ele usou as duas mãos, ao arrumar a posição que tinha que ficar meu rosto. Sorri de lado, gostando da proximidade em que estávamos e a forma como o ruivo me manuseava. Soltei um risinho, ao que o garoto deu uma arrumada em meu cabelo, descendo os dedos pela lateral de meu rosto, fazendo cosquinhas quando seu toque passeou em minha bochecha. Seus olhos pareciam correr pelos meus detalhes e seus atos eram lentos, mesmo o de passar a mão pelo meu rosto. Eu me senti desligado, assim que seu dedo indicador tocou minha boca. Tudo parecia demorado demais ao redor. Eu só focava seus olhos encarando o lugar onde sua mão estava. Notei sua outra mão acariciando minha cabeça, enquanto ele ainda triscava em meu lábio inferior. Sua atenção se voltou para cima, assim que peguei sua mão, e beijei levemente seus dedos. Eu sorri pequeno, quando o ruivo limpou a garganta e mordeu o lábio inferior, de maneira receosa. Se afastou um pouco, ao que soltei sua mão. Seus olhos foram para o chão, e ficaram dessa forma pelos próximos segundos.- Não tira sua cabeça de onde eu coloquei, e não sorria.Então ele apenas deu os ombros, caminhando até a mesa novamente. Não evitei um último sorriso, ao que encarei suas costas, e logo depois o ruivo sentado.—Tira o sorriso, Jack.- falou num tom tedioso.Rodei os olhos, e tentei ficar com a expressão normal. Depois de alguns segundos, pensei finalmente ter conseguido, quando vi o garoto começar a desenhar em seu pergaminho.Meus pensamentos foram dispensados, já que limpei minha mente. Eu só olhava para onde Hiccup estava, nada mais. Mas já estava agonizante ficar parado, ou continuar naquela posição. Qual é?! Eu não torturei o ruivo quando o desenhei. Nem sequer demorei tanto.—Hiccup, sem pressão... Mas você já está terminando?- perguntei arrastado.Ele me olhou, antes de voltar ao desenho. Não disse nada, parecendo bastante concentrado no que fazia, mas eu sabia que ele ia responder.—Eu já estou terminando. Só falta alguns detalhes, você já pode se mexer se quiser.- disse vago.Suspirei, sentando numa posição mais confortável naquela janela. Agora minhas duas pernas balançavam no ar, e embora eu acreditasse que meu primeiro feito seria sair dali, eu só permaneci sentado, aproveitando para observar o garoto.Mordi a parte interna de minha boca, e minhas mãos começaram a soar. Eu finalmente iria tocar no assunto que me atormentava há dias, e sério que isso me trazia bastante nervosismo.—Hic?—Hum?Eu não consegui dizer de imediato, mas... aquilo era ridículo! Eu me sentia ridículo!—Não tem o outro dia?- eu não esperei sua resposta, embora tenha feito uma pausa.- Você estava falando sério?Ele arqueou as sobrancelhas, ainda encarando o desenho, no que parecia pensar sobre a minha pergunta. Ou apenas estava bastante ocupado para responder no momento.Trinquei os dentes, e senti o aperto em meus joelhos, que eu mesmo estava fazendo.—Outro dia...?- disse finalmente.Rodei os olhos, suspirando pesado. Olhei para baixo depois de alguns segundos, antes de pular da janela e meus pés descalços entrarem em contato com o chão frio.Eu andava lentamente em sua direção, sem ter a sua atenção. Isso porque o garoto olhava para o seu trabalho quase finalizado no pergaminho.Cheguei ao lado do ruivo, apoiando minha mão à mesa, e ficando próximo ao seu rosto. Olhei para o desenho por alguns segundos, e me inclinei mais, para acompanhar de perto os detalhes.Sorri de lado ao ver o quão brilhante Hiccup foi ao me desenhar. Ao perceber que ele não deixou de colocar nenhuma partícula de meu rosto. Ao ver que por suas mãos, todos saem lindos. Aquele realmente era um desenho perfeito.Mas me obriguei a voltar a concentração para outra coisa.Limpei a garganta, engolindo seco, ao que ainda encarava o desenho. Depois, dei uma rápida olhada no ruivo, puxando oxigênio e soltando lentamente.—O último em que a gente se viu... Estou falando desse dia.- sussurrei em seu ouvido.Enxerguei de relance o ruivo parar na mesma hora o que fazia no pergaminho.Ele direcionou de forma lenta seus olhos até os meus, levantando um pouco a cabeça para fazer isso. Me afastei minimamente do garoto, para assim encarar seu rosto melhor.Ele me encarava com as órbitas verdes elevadas.Óbvio que já sabia do que eu estava falando, tanto que o vi começar a ficar nervoso, engolindo seco.Todavia, continuei na mesma posição, esperando sua resposta.O garoto desviou a atenção assim que arqueei as sobrancelhas, indicando esperar pelo que ele tinha a dizer, olhando para a mesa.—O quê que tem aquele dia?- perguntou, num tom em que fingiu o casual.Eu me endireitei direito em pé, deixando minha coluna reta. Depois, apoiei meu braço no ombro do garoto, olhando para o desenho e para a forma como ele agarrou o lápis ao lado do pergaminho.—Aquele dia foi bom, não é?- perguntei, depois de alguns segundos, como quem não queria nada.A pergunta pareceu aliviar o clima, e percebi aquilo quando o ruivo voltou a desenhar no pergaminho. Isso me fez sorrir, ao que procurei rapidamente por algo em especial, indo em direção ao banco, quando o achei.Peguei o assento, e voltei para perto do menino, me aconchegando ao seu lado. Apoiei o cotovelo na mesa, perto do desenho, e encostei meu queixo em minha mão, olhando por alguns segundos o meu retrato, e logo desviei para Hiccup.Dei um sorriso de leve, antes de abaixar um pouco a cabeça.—É...hmrrum.- respondeu vagamente.Eu limpei a garganta, antes de continuar. Mordi o lábio inferior, e olhei para sua mão se movendo.—Sabe, eu não tinha ideia de que você estava tão nervoso naquele dia. Quer dizer, só vi isso quando estávamos para descer a escada.- eu disse baixo, sem encarar seu rosto.—Hm, eu não estava nervoso.- ele respondeu, depois de alguns segundos.Soltei um riso baixo, fechando os olhos por um momento.Então, meus dedos da mão direita começaram a fazer linhas invisíveis na mesa, como se eu não quisesse nada. Na realidade, eu estava mais era criando tempo.—Mas ei, aquilo era verdade?- perguntei.Ele fez uma expressão de que não entendeu, e não sabia se ele realmente não havia entendido. De qualquer forma, sei que o ruivo sabe exatamente sobre o que estou falando.Mas, decidi entrar logo no assunto.—O pedido de namoro.Eu olhei de relance que ele estava com os olhos arregalados, e tinha a atenção voltada à frente. O ruivo já tinha parado de desenhar, ficando agora só estático.Eu estava contando com o fato de que ele iria demorar para responder, mas custou só um segundo para essa reação vir:—Que?! Por favor, Jack! Lógico que não era verdade!- ele disse debochado, me olhando. Seu tom usado deu a entender que era como se fosse a coisa mais óbvia.Fiquei um pouco surpreso com sua resposta, o devolvendo o olhar. Eu ia dizer algo, estava pronto, mas antes que pudesse, o vi suspirar alto, enquanto enterrava o rosto nas mãos, deixando o lápis que usava cair no chão.—Quer dizer...- disse abafado.- Era.Eu o observei daquela forma por alguns segundos, e depois dos mesmos, não evitei sorrir largo. Meu coração batia forte no peito, e senti o mesmo se aquecer.—Então por que não me deixou responder?- perguntei, segundos depois.—Eu não conseguia ficar lá. Eu queria muito escutar sua resposta, mas eu não...- sua frase morreu aí. Seu tom ainda era abafado, e sua voz estava receosa.Eu o observei por um momento, e dei um sorriso antes de quebrar o silêncio.—E você quer escutar minha resposta agora?- perguntei, como se só para ele escutar.Vi seus dedos apertarem os fios ruivos, enquanto sua perna começava a balançar rapidamente em baixo da mesa. Ele estava nervoso. Mordi o lábio inferior, impedindo meu sorriso de crescer mais do que devia, ao que ouvi sua resposta.—Se quiser falar...Aproximei mais o banco para perto do ruivo, que ainda tinha seu rosto enterrado às mãos, e suspirei antes de lhe responder.—Hey, olha para mim.- disse sussurrando. Eu peguei em sua mão esquerda, como incentivo, já que presumi que o ruivo não iria se mexer.Ele foi desfazendo o aperto em seu cabelo, e comecei a ver seu rosto. Sorri, ao que corri os olhos pelos detalhes.Suas bochechas estavam demasiadas vermelhas, assim como a boca. Os fios se encontravam um pouco bagunçados, e mais de lado, talvez porque suas mãos fizeram isso com o seu cabelo, quando ele escondeu o rosto. Mas de qualquer forma, ele estava adorável daquela forma bagunçada.Seus olhos vieram para os meus, enquanto ele afastava mais suas mãos do rosto.Eu aproximei meus dedos de sua bochecha, chegando meu rosto mais para perto. Meus olhos corriam pela sua face, pensando nunca me enjoar de ver cada partícula dele. Acariciava sua pele macia, descendo por seu queixo, onde segurei, levantando um pouco sua cabeça para que ele me encarasse melhor. E quando vi seus olhos fixos nos meus, sorri ladino.Então assenti levemente, para logo depois dizer suave:
—Eu quero namorar com você, Hiccup.Então, foi só questão de tempo, até que juntássemos nossas bocas.˙˙˙˙Meu peito se apertava, à medida que corria em altíssima velocidade. Sentia que meus pulmões iriam estourar, mas não ligava para isso, ao ainda correr.Eu não respirava, uma vez que estava difícil pegar o oxigênio. Mas a adrenalina me fazia esquecer que eu tinha que parar para pegar um ar.A neve em baixo de meus pés estava fofa, dificultando a minha corrida. Então, eu tinha que me esforçar ao quadrado.Não sei exatamente quando comecei a chorar, mas sentia as lágrimas quentes abrindo passagem em minha pele extremamente fria. Também não conseguia imaginar o motivo para estar agindo deste modo, mas penso ser porque o medo está me consumindo, ao que me aproximo mais do meu destino.Mas idealizo estar até mesmo soluçando alto, tentando puxar o ar para meus pulmões, enquanto ainda corro.Minha visão está embaçada, e caio algumas vezes. Isso contribui para que a minha respiração possa se regularizar, mas não adianta de nada, já que não me permito pegar oxigênio por muito tempo, e logo estou levantando para recomeçar o meu percurso.Pareço estar correndo por horas, mas sei que não. Não presto atenção nisso de qualquer forma, meus pensamentos estão nele.De tão embaraçado que eu estava, acabei por errar a trilha, parando subitamente ao perceber isso.Eu olho desesperado para os lados, enquanto meu peito sobe e desce numa velocidade incrível.—Ande, pense Hiccup.- eu me obrigo a lembrar o caminho do lago.Tochas ao fundo me chamam atenção, e quando olho para onde elas vêm, meu cérebro reconhece a trilha.Então, corro em disparada.A luz do fogo das tochas me ajudam a enxergar melhor aonde estou indo, e logo sei que estou perto.Tento correr mais rápido, sentindo que a qualquer momento, eu posso cair pela fadiga, ou por causa da neve. Se cair por causa da neve, não tenho certeza se vou conseguir levantar.Mas dou graças a Odin, no momento em que chego ao espaço. Porém lamento quando lembro que o grisalho mora muito mais além de onde cheguei.Eu paro, apoiando as mãos nos joelhos, enquanto abaixo a cabeça.Meu cérebro não funciona direito, só foco em respirar. Respirar e respirar.Mas, uma vez que me encontro "melhor", as informações vêm.Estou no lago, há tochas demasiadas longe, provavelmente elas pertencem ao exército inimigo, estou no lugar onde eles escolheram para ficar com a trégua, eles estão perto de onde Jack mora, estou em perigo.Eu já ia me convencer a ir em frente, mas o grito interrompe meus pensamentos, e me faz ficar de coração acelerado, antes mesmo de começar a correr em direção à casa de meu namorado.Sinto o ar se esvaziando de meu alcance, e me apresso sem perceber até a trilha já conhecida.Eu só penso em como eu queria que meu cérebro estivesse errado.As lágrimas são sentidas em mais quantidade. Eu não respiro. Eu não penso. Eu só tenho um objetivo: correr até o lugar de onde veio o grito, e saber o que estava acontecendo.A iluminação fica melhor, à medida que me aproximo. O clima frio também parece se intensificar. Eu vejo a fumaça saindo de minha boca, por causa das temperaturas diferentes.Eu sinto meu peito doendo, devido ao esforço na hora de correr, já que era para eu fazer uma pausa. Eu sei que tenho que fazer uma pausa, senão, juro que vou morrer. Mas não! Não posso parar...Eu suo frio, quando me dou conta de que estou próximo.E então, eu reconheço o exército inimigo, e suas várias tochas. Eles estão em um círculo.Parecem vidrados em algo ao centro, e quando me dou conta do que é, fica mais difícil respirar.Eles parecem dialogar com a mulher no chão, sei que estão, mas eu não foco em suas palavras.Eu só choro.Me sinto fraco, e é horrível não conseguir respirar direito.Eu quero ir até lá, mas não consigo. Minhas pernas ficam paralisadas, ou por causa do choque, ou por causa do cansaço.Meu peito dói, ao que choro com mais intensidade. Parece que meus órgãos querem explodir. Eu quero explodir.Não sei ao certo, mas eles pareceram me notar.Só prestei atenção em uma das frases que disseram desde que cheguei.—Há mais um ali!Mas eu ainda olhava para seu corpo no chão, antes de tudo escurecer. Antes de tudo ficar confuso, e a última coisa que eu me lembro é a correria ao meu redor, enquanto eu desabava e de cara, encarava o céu, mais especificamente, a constelação de órion bem em cima de meus olhos.Então... desmaiei.
Notas finais
Perguntinha: vocês querem um último lemon pra fic ? Pq eu tava pensando em fazer um no capítulo que vem, mas aí eu realmente quero saber de vocês.
Respondam please !!
Não posto se não tiver comentários !
Kissus and love u all ♡
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