I want to be much more than your friend.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
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Inverno. Eu sinceramente não conheço mais nada lindo o suficiente do quê a neve. Era esse clima que predominava lá fora, o frio. Observava da janela do meu quarto a neve cair calma, serena e silenciosa, se juntando com as demais que estavam no chão. Toc toc. Ouvi e me virei para a porta.
–Pode entrar.
–Oi meu filho.- minha mãe veio com passos lentos até mim. Ela estava um pouco adoentada, não se dava muito bem com o inverno.- Eu não estou muito bem para sair, você poderia ir até a aldeia comprar um pouco de trigo? Nossos pães estão acabando e antes disso acontecer, eu quero adiantar e fazer outros logo.
–Claro mãe.- falei. Ela me deu algumas moedas de prata para que eu pudesse comprar o trigo.
Saí com um agasalho não muito pesado, pois não sentia frio. Essa ida à aldeia seria minha segunda ou terceira vez, minha mãe raramente precisava de mim para ir até lá. E também não ia até lá para poder estudar, pois tinha aulas em casa mesmo. Andava lentamente só curtindo o vento gélido em minha pele. Passei pelo lago onde semanas atrás conhecera o menino cheio de sardas, o único que eu vejo uma possível amizade. Percebi meus lábios formarem um sorriso com a possibilidade de encontrá-lo na aldeia.
No começo eu tive um pouco de dificuldade para encontrar o lugar das vendas de alimento. Quando finalmente encontrei, paguei pelo trigo e já ia fazer meu caminho para casa. Porém, como era raro as minhas vizitas naquele lugar, decidi ficar um pouco mais. Notei as casas grandes e que sempre parecia ter a mesma coloração marrom, notei as pessoas e seus jeitos grandes e robustos, a sua forma de falar alto e que dá um pouco de medo.
Olhava para aquelas pessoas grandes, até que um pouco atrás de mim, estava um menino que talvez nunca seria grande como os demais. Ele estava de costas usando, pelo volume, vário agasalhos, andava desajeitado e com cuidado como se tivesse medo de cair. E parece que sua preocupação em andar com cuidado foi para o ralo quando ele deu de cara com a neve.
–Há há há há.- não pude evitar dar risada. Parece que esse povo aqui da aldeia só sabe cair. Me aproximei dele.
–Merda.- escutei ele falar tentando se levantar, mas vi que ele nunca iria conseguir com a neve escorregadia.
Puxei seu braço fino e ele levantou. Pude reconhecer aquele rosto cheio de sardas e com os olhos verdes arregalados me olhando como se eu fosse um fantama.
–Toda vez que eu te ver, você vai está com a cara no chão é?- perguntei sorrindo e soltei o braço dele, ele rodou os olhos.
–Há há, eu já te disse que você é muito engraçado?- perguntou irônico.
–Hum...- coloquei o dedo no queixo, fingindo pensar.- Não, acho que você pode dizer agora.
–Até parece. O quê você está fazendo aqui na aldeia?- perguntou limpando e ajeitando a roupa.
–Eu vim comprar trigo. Já estou voltando para casa.- respondi. Vi ele aparentar um pouco de tristeza abaixar a cabeça. Eu também não queria ir embora, mas já fiquei muito tempo ali.
–Ei.- levantei seu queixo para que olhasse para mim.- Vem comigo?
–Mas sua casa é muito longe Jack.- falou manhoso.
–Para de ser preguiçoso Hic.- comecei a andar o deixando para trás.
–Tem muita neve e... Do quê você me chamou?- perguntou e andou do meu lado.
–Chamei de Hic, combina mais com você.- falei naturalmente.- E quê que tem a ver que tem muita neve? Ah é, você pode cair. Há há há.
–Não tem graça Jack. A neve está muito escorregadia.- me empurrou para o lado e eu ri.
–Você vai vir comigo ou não?
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Estava quase na hora da minha habitual caminhada para o meu lago, e também para ir ver Jack. Depois que nós nos conhecemos, meio que lá é lugar onde ficamos juntos passando a tarde, e não sei quem teve a ideia, só sei que um dia me vi indo lá automaticamente para encontrá-lo.
Comi alguma coisa antes de sair de casa porque meu pai mandou, mas não que eu estivesse com fome. Abri a porta e saí.
Andava com calma. Olhei para as pessoas clichês ao redor só por olhar mesmo, até que uma delas loira me olhou com estranheza, uma delas não, Astrid. Fiquei sem jeito. Foi Jack quem causou tudo isso, eu ia falar com ela no meu tempo e ele estragou. Agora para ela eu sou um garoto magrelo e estranho. Maldito Jack!
Quando cheguei, pude ver seus cabelos brancos se mexendo por causa do vento. Ele estava jogando pedrinha no lago. Sentei e encostei em uma rocha que havia ali, e fiquei observando-o. Ele não me olhou e nem parou o quê estava fazendo, mas sabia que ele sabia que eu estava ali.
–Lembrou de ser menos tímido?- ouvi sua voz irônica como sempre.
–Há há há. Eu não esbarrei nela quando estava vindo para cá.- falei.
Finalmente me olhou. Estava sorrindo sacana como se estivesse se divertindo. E não sei se era do fato de estar jogando pedrinha e se saindo muito bem, ou se era por causa do quê estávamos falando.
–Jack você estragou tudo.- falei.
–Como assim estraguei tudo?- se virou para o lago de novo.
–Eu não esbarrei nela, mas ela me olhou com se fosse maluco.- ele deu risada, o quê já era esperado.
–Se você tivesse falado com ela antes, talvez eu não tivesse que ter feito o trabalho por você. E eu só fiz aquilo, porquê você não parava de falar dela. Já estava me enchendo os nervos.- falou.
–Eu não falo nela o tempo todo. E aliás, não estou mais gostando dela como eu gostava antes. Talvez seja só uma quedinha.- falei e era verdade, mas duvido que Jack fosse acreditar.
Ele não falou nada. Hoje ele parecia chateado com alguma coisa, o quê me incomodou um pouco. Era chato ver ele assim, Jack sempre era o divertido e cheio de piadas.
–Ei, você tá legal? Parece magoado.- levantei e fui aonde ele estava.
–Não, tá tudo bem.- falou e sorriu murcho.
–Eu sei que não é verdade.- toquei seu ombro.
–Eu não sei. Mas garanto que vai passar.- agora seu sorriso era mais animador e o quê eu gostava.
Sorri também. Iria mudar de assunto, e decidi brincar com ele também.
–E você Jack?
–Eu o quê Hiccup?
–De que você gosta lá da vila?
–Eu...
Me olhou nos olhos com firmeza. Pensei que ele ia falar mais alguma coisa, mas ficou lá parado me encarando. Fiquei um pouco desconfortável, eu gostava do jeito que Jack sempre me encarava, porém agora tinha mais intensidade. Eu não sei o quê estava acontecendo, meu estômago estava como se fosse fogos de artifícios, uma coisa que nunca aconteceu comigo antes. Seus olhos me prendiam de um jeito, que parecia que existia só eles no mundo. Aquilo realmente nunca havia acontecido antes, mas eu estava gostando. Ele sorriu sem mostrar os dentes me tirando de meu transe, corei e abaixei a cabeça.
–Você?- perguntei para que ele continuasse a falar.
–Eu não sei. Nenhuma menina de lá vale a pena conhecer. São todas grandonas e brutas, e eu não gosto disso.- falou e se distanciou um pouco ainda sorrindo.
Sorri. Eu estava feliz por ele não gostar de ninguém? Como assim eu estava feliz? Isso é muito estranho, eu nunca havia sentido isso em relação a Jack. Precisava pensar...
–Jack eu tenho que ir ajudar meu pai.- falei.
–Tudo bem, eu também preciso ir.- sorriu e se aproximou me dando um beijo na testa. E aquilo me deixou mais confuso.
Dei de ombros e comecei a andar.
–Ei.- chamou Jack e eu olhei para trás para ver seu rosto.- Te vejo amanhã?
–Claro senhor engraçadinho, e eu? Te vejo amanhã?
–Com toda a certeza Hic.
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