I want to be much more than your friend.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
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—Ela é tão linda, incrível em tudo o quê faz, durona. O menino que ficar com ela vai ser muito sortudo...- falava Hiccup sem parar. Estávamos no lago.
Ultimamente ele vive falando dessa loira, o quê me irritava um pouco. De uns tempos para cá, eu estou me sentindo diferente em relação a Hiccup, mas não sei o que é ainda. Me pego pensando nele tempo demais do quê deveria, pensando em seus lábios... Balancei a cabeça voltando para o mundo real.
—Ai Hic, para de falar dessa loirinha.- o interrompi no meio de uma fala.- Você já falou com ela?
—O quê? É claro que não.- respondeu como se fosse óbvio.
—Então? Já que ainda nem falou com ela, por quê não muda o disco? Parece que você vive e respira para falar dela.- falei sorrindo.
Ele me encarou com um pouco de raiva, mas logo suavizou seu rosto. Sabia que ele não conseguia ficar com raiva de mim por muito tempo. Também o encarei. Às vezes isso acontecia entre ele e eu, e está meio que se tornando um hábito entre nós. Me vi olhando para a sua boca vermelha. Uma coisa não muito comum cresceu em mim naquele momento. Queria beijá-lo.
—Hic.- falei e sentei de frente para ele um pouco perto de seu rosto.- Você já beijou alguém?
—Não.- corou depois da fala.
—Ahn? Como é que você vai poder beijar a loirinha se você nem sabe como é?- perguntei calmo.
—Eu não pensei nisso...- confessou e pareceu pensativo. Dei um tempo antes de falar qualquer coisa.
—E tem que treinar, você não acha?- joguei a indireta e ele entendeu. Abaixou a cabeça e me olhou só com os olhos levantados parecendo pesar a minha sugestão.
—Tudo bem...
Sorri sem acreditar. Ele se aproximou e eu gostei da iniciativa. Também cheguei perto. Antes mesmo de nós nos beijarmos, Hiccup já tinha seus olhos fechados como se fosse uma criancinha. O beijei sem pressa, apenas dando selinhos superficiais. Segurei em seu rosto com as mãos e finalmente pedi passagem com a língua. Hiccup nada fez, só aí que eu lembrei que ele não sabe o que fazer.
—Hic, você tem que abrir a boca.- falei rente aos seus lábios macios. Ele não disse nada, nem abriu seus olhos, mas tinha certeza que entendeu.
Dei outro selinho e pedi passagem com a língua novamente, e dessa vez ele deixou passar. Explorava cada pedacinho da boca do pequeno, minha língua preguiçosa apenas massageando a do ruivo. Hiccup era desajeitado, mas logo pegou o jeito da coisa. Decidi aumentar o ritmo para um beijo mais intenso. Acho que estava tão intenso, que logo perdemos o fôlego. Ficamos com as testas coladas à procura de ar. Quando nossas respirações estavam normais, Hiccup se endireitou encostando na rocha. Observei ele por um momento e ele fez o mesmo em relação a mim. Se levantou e antes de correr, falou:
—Isso não vai acontecer nunca mais.
Saiu com passos largos e desajeitados, quase caindo. Ri daquela cena.
—Claro Hiccup, claro.
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Aquela memória era a única coisa que pairava em minha mente. Na época eu não sabia se havia gostado ou não. Mas acho que sim. Lembro que fiquei uma semana sem falar com Jack, por dois motivos: primeiro que estava nevando muito lá fora, e segundo que eu não confiava em mim mesmo perto dele. Porém decidi que iria agir como se nada tivesse acontecido pelo simples motivo que não queria esse tipo de sentimento por Jack. Mas agora aquela cena estava viva em minha mente, como se fosse ontem que aconteceu, como se fosse ontem que meus lábios estavam nos dele. Meu primeiro beijo.
Estava tão distraído que nem percebi que já estava na aldeia andando com os outros vikings. Alguém esbarrou em mim ou eu mesmo esbarrei na pessoa, não sei ao certo.
—Mas que... Ah, é você.- falou uma voz familiar atrás de mim. Me virei para a pessoa com o intuito de pedir perdão.
—As... As... Astrid?- perguntei.
—Vem cá, isso que você faz é de propósito?- perguntou sem se importar com o fato de eu ter gaguejado.
—Isso?- foi a única coisa que eu consegui falar.
—Esse negócio de ficar esbarrando em mim. É de propósito?
—Desculpe, é que ando muito distraído ultimamente.- vitória! Consegui falar sem gaguejar.
—Que pena. Pensei que você quisesse fazer outras coisas.- falou e piscou para mim.
Tinha um sorriso em seus lábios, um sorriso que não sabia o motivo de estar lá. Ahn? Ela estava me cantando? Como assim? A vida é estranha mesmo. Cocei a cabeça vendo ela olhar para trás por um momento se distanciando. Fui em direção à minha casa ainda confuso.
Abri a porta esperando encontrar só a solidão à minha espera, mas eu estava errado. Meu pai estava em casa, afiando uma espada. Decidi subir as escadas e ir direto para meu quarto.
—Hiccup?- ouvi a sua voz grossa.
—Ahn. Oi pai, eu não te vi aí.- irônico a desculpa que eu disse. É claro que eu o veria ali. Quem não? Com o tamanho que ele tem.
—Onde você esteve?- perguntou indicando um lugar para que eu me sentasse ali por perto.
—Estava andando.- falei e me sentei. Meu pai não sabia do lago. Pelo que eu conheço dele, é bem capaz dele falar que é um desperdício de tempo eu ir para lá todas as tardes.
—Por onde?
—Ahn...- era óbvio que eu não ia falar do lago. Decidi mudar de assunto.- Pai, o senhor quer falar comigo ou eu posso subir para o meu quarto?
—Não, eu quero falar com você.- deu uma pausa.- Então meu filho, você pode não ser o melhor viking da aldeia, pode não ser o melhor em tudo o quê faz, mas eu sei que você já tem idade para tê-lo.
Pegou o objeto perto da espada que antes ele estava afiando. Era um elmo. Colocou em minha cabeça, e ele tombou para o lado por ser muito grande. Os olhos do meu pai estavam brilhando, ele parecia orgulhoso. Confesso que tive vontade de chorar, mas não o fiz. O abracei forte e ele fez o mesmo quase me esmagando. Ficamos naquele afeto raro por um tempo, até ele falar que precisava ir procurar alimento para a aldeia. Deu um sorriso para mim antes de sair.
Fui em direção a escada e comecei a subir. Os degraus pareciam que nunca iam acabar, mas finalmente cheguei ao andar de cima. Abri a porta e deixei meu elmo em uma mesinha. Pulei na cama com os braços abertos. Encarei o teto. Tinha que pensar. E quando "pensar" pairou em minha mente, lembrei dele. Peguei meu caderno e minha caneta no criado-mudo. Vi outros desenhos que tinha desenhado antes, e esses mesmos eram só dele. Observei meus dedos ágeis desenharem seus olhos. Acho que antes, na época do beijo, eu tinha motivos para desenhá-lo, pois acho que como eu não conseguia esquecer o que havia acontecido, esse foi meu refúgio. Mas hoje, eu teria algum?
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