I want to be much more than your friend.
40 Bônus- Missed me?
Notas iniciais
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Meus pés tocaram o tronco marrom grosso, ao que passei a observar o movimento, completamente curioso quanto ao mesmo.
Eles se organizaram em um tipo de círculo e, sabia que ali se encontrava a vila, quase que em peso, já que ainda tinham alguns atrasados vindo de suas casas e talvez afazeres.
No meio do círculo encontrava-se algo com coloração escura, o que pude deduzir ser uma grande pedra, esta que me deixou ainda mais confuso e curioso quanto ao que aqueles vikings estavam fazendo ao redor de uma simples pedra.
Depois que todos se encontravam ali reunidos, houve uma movimentação numa região específica do círculo, ao que os grandes homens davam espaço para alguém passar, o qual eu ainda não conseguia reconhecer, nem tampouco enxergar direito, por causa da distância em que me encontrava.
A pessoa parecia ter certa dificuldade para passar por toda aquela multidão, e soube que realmente era essa a situação, ao que quando finalmente conseguiu alcançar seu destino, fez certo esforço para se livrar de algum grandalhão e, acabou indo parar no chão.
Me senti ficar inquieto e desconfortável imediatamente, uma vez que não importava mais a distância, pois sempre iria reconhecer aquele corpo, ou o tom de cabelo.
E naquele momento, eu sabia que era Hiccup que há pouco estava tentando passar pelos cidadãos de sua aldeia.
Devia saber de quem se tratava, por simplesmente aquilo tudo simbolizar uma reunião, em que o chefe da vila tinha a palavra.
Observei o ruivo se levantar, limpando suas roupas, ao que parecia meio desconfortável por ter caído, o que me fez rir anasalado com a cena.
Ele então começou a andar até o centro do círculo, acabando por subir na pedra escura, o que também me causou uma risada mínima, já que aquilo era demasiado ridículo demais.
Alguns segundos se passaram com Hiccup no lugar aonde estava e os outros ali o olhavam atentos, esperando pelo que ele tinha para dizer.
A falta de palavras resultou em um silêncio constrangedor.
Todavia, não demoramos mais para escutar a voz do ruivo, em algum tipo de saudação para todos que estavam ali, firme e objetiva. Pelo menos... Até ele soltar a primeira tentativa de piada.
—Por Thor! Quase que eu não consigo passar por ali, huh?- seu dedo apontara para o lugar de onde havia surgido, e sua voz me veio quase que falha e em ecos, ainda por causa da distância.
Sem pensar muito sobre fazer o que fiz, apenas já me via em cima de um dos tetos das várias casas, ficando mais próximo da multidão reunida ali, desejando escutar melhor o que estava acontecendo.
Alguns homens riram por poucos segundos, soltando outras piadas sobre o fato de que Hiccup quase não tinha conseguido passar por entre as pessoas.
Suas falas me fizeram rodar os olhos, ao que desviei a atenção por poucos milésimos, não acreditando que estavam rindo tanto do que falavam.
—Bem lembrado, hm?- Hiccup apontou para um dos vários homens que falavam ao mesmo tempo, inclinando sua cabeça um pouco para o lado, ao que piscou o olho esquerdo, logo rindo demasiadamente.
Depois que a graça pareceu acabar e que os cochichos entre eles pararam, toda a aldeia voltou a dar toda sua atenção para o ruivo, escutando suas palavras.
Sua voz veio no mesmo tom de antes, sem qualquer tipo de hesitação ali. Ela se tornou mais grossa, ao que pude escutar certo eco do local, de tão silencioso que o mesmo estava naquele momento.
—...Como todos vocês sabem, depois de um tempo sem o inverno... Ele agora está voltando novamente. E como costume, reunimos os vikings dispostos, a fim de irmos atrás de comida para a estação.- fez uma pausa, demorando de propósito para chegar a parte que importava ali. Todavia, sua postura relaxou, uma vez que ele deixara os ombros cair, falando mais baixo dessa vez.- Vamos agradecer aos deuses pela viagem bem sucedida e, pelo fato de que fomos e viemos sem nenhuma ameaça de perigo. Vocês sabem... Isso é algo com que devemos ser gratos, já que, desde de a primeira guerra depois de muitos anos, não tivemos sossego. Porém... Odin nos abençoou e tenho certeza que continuará durante esse longo e terrível inverno.- juntou as mãos em frente ao corpo, mantendo um sorriso em seu rosto, ao que tinha certeza que era retribuído pelos vikings à sua frente. Não evitei a careta ao ouvir o que fora dito sobre o inverno. Sobre o meu inverno. Claramente iria esclarecer mais as coisas depois, isso se... Eu realmente fosse visitá-lo, algo que não estava em meus planos.- Agora...- olhou um pouco além, logo voltando sua atenção para o mesmo lugar de antes.- Espero a ajuda de alguns de vocês com os mantimentos. Floki vai ajudar a achar a embarcação.- apontou para um homem perto de si no círculo.- Bem, por hora é isso, vikings. Obrigado por essa reunião, e... senti falta de vocês.- sorriu ladino por um momento.- Podemos voltar para as nossas atividades.
Antes que ele terminasse de falar, alguns dos que estavam ali já se dispersaram para longe dali e, logo muitos deles não estavam em suas posições no círculo mais.
Houve uma grande conversação dos homens, e por causa disso, era impossível distinguir o que falavam.
Ainda permaneci ali parado, observando o chefe ruivo auxiliar os que se disponibilizaram para ajudar com os alimentos. Ele não ficou por muito tempo fazendo aquilo, ao que logo passou a andar para longe dos muitos homens.
Sua pose tinha um ar tedioso e para baixo, e somente precisei o encarar andando para constatar que era assim que o ruivo se encontrava. Provavelmente estava cansado da viagem, cujo era claro que acabara de chegar de uma.
Seus passos pareciam se arrastar, enquanto ele caminhava até sua casa, e tentei resistir ao máximo à vontade de o seguir e parar em seu parapeito, para o assustar, assim como fazia antes.
Todavia minha mente, depois dos meses em que estive longe, sempre voltava para as memórias borradas de nós dois, desde o primeiro segundo que soube que o inverno precisava chegar àquela ilha.
Não que eu planejasse nunca mais falar com o ruivo, eu só tinha medo do que vi. Medo das conclusões, já que aquilo poderia ser somente um equívoco de minha parte.
Eu só... Não queria ter mais memórias se isso significasse que elas só iriam ser sobre algo como aquilo. Tão... Estranho e, me atrevo a dizer, repulsivo.
Meus olhos se desviaram de sua porta se fechando, uma vez que o próprio o havia feito, ao que olhei para o céu acinzentado. Meus pensamentos voaram por alguns segundos sobre o assunto.
Ainda sentia certa quentura no ar, uma vez que esse clima característico desses últimos meses ainda dava seus últimos raios sobre a aldeia. Todavia, com a minha presença, aquilo tendia a mudar, ainda que os primeiros flocos não se preocupassem tampouco em vir. Não naquele dia.
Suspirei pesado e longamente, ao que logo sentia o vento se agitar e não pensei muito em me deixar ser levado por ele, o concretizando segundos depois.
Não demorei para estar entrando por sua janela, logo percebendo que realmente eu me encontrava ali, contrariando tudo o que havia pensado que não faria.
Escutava os passos na escada, ao que senti o nó na garganta, enquanto eu relutava entre permanecer ali, ou sair pelo lugar por onde vim.
As duas opções pareciam muito tentadoras e comecei a ficar inquieto, bufando alto quando finquei minha espada ao chão, me jogando contra o colchão macio sem pensar muito sobre isso.
Abri os braços, ao que passei a encarar o teto.
Ainda escutava os passos lentos se aproximando e minha respiração ficava cada vez mais pesada, uma vez que constatei o ruivo se encontrar segundos mais próximo de seu quarto.
Não tive forças para sair dali, ao que fechei os olhos, sussurrando um breve "droga", tratando de me acalmar.
Eu tinha que parar de bobagem. Parar de pensar e focar somente nas memórias e sim passar a focar em descobrir o que aquele humano tinha de tão importante, ao que precisava colocar em minha cabeça que se ele antes era alguém significativo para mim, agora ele não era mais. Eu não tinha que procurar pelo sentido de memórias tolas. Elas eram apenas isso. Algo com que se deve deixar no passado.
Se ele ainda fosse me proporcionar minha vida de humano em forma de visões em minha cabeça, ótimo. Eu só não devia fazer daquilo algo grande demais.
Perdido em pensamentos, não consegui prestar mais atenção em seus passos, ao que logo eles não estavam mais lá, uma vez que agora o ruivo se encontrava à porta me encarando.
Sua expressão me deu certa vontade de rir e meio que fiz isso brevemente, apenas para mim, ao que não deixei que o som de minha risada fosse alto demais.
Depois, agi indiferente ao voltar minha cabeça para a posição de antes, enquanto fechava os olhos novamente.
—Não gostei do que você disse sobre o inverno.- comentei, lembrando demasiadamente da cena e de suas falas.- Não acredito que é isso o que você acha sobre o meu inv-
—Onde você estava?
Meus olhos se abriram, ao que passei a pensar sobre sua pergunta repentina. Também não deixei de notar seu tom um tanto estranho, como se ele estivesse aflito ou surpreso. Uma mistura.
—Onde eu estava quando?- desviei minha atenção até seu rosto, tendo que levantar minha cabeça novamente.
Sua expressão indicava que o que ele estava falando era algo do tipo óbvio e, por um momento me perguntei se eu não devia saber do que se tratava logo, já que em minha mente, sua pergunta me pareceu muito vaga.
—Faz mais de dois meses que eu não te vejo...- respondeu, franzindo o cenho, um pouco indignado.
—Ah, isso.- respondi, deixando que minha cabeça repousasse novamente.- Não é só sua ilha que precisa de neve, você sabia? Eu tive que levar o inverno para outros lugares.
Escutei a porta se fechando, indicando que o ruivo acabara de entrar de uma vez por todas. Não desviei meus olhos até ele, mesmo assim.
—Levar?- reconheci a confusão evidente em sua voz, ao que rodei os olhos mentalmente.
—É.- disse simples, não querendo prolongar aquele assunto, já que não deu nem cinco minutos em que estávamos conversando e minha mente estava cheia de flashes mais confusos do que Hiccup naquele momento.
Não conseguia entender muita coisa, apenas via um lago e algumas cenas de conversas entre eu e o ruivo.
Todavia, tão rápido quanto os pensamentos vieram, eles se foram, deixando minha mente vazia e inválida.
—Ei! Eu estou falando com você!- escutei sua voz longe e, de alguma forma, ela me trazia de volta.- Explica essa história direito!
Olhei para seu rosto e percebi ele estar bem mais próximo, ao que saíra de perto da porta e estava somente em pé, no meio do quarto.
Dessa vez, revirei os olhos de propósito.
—Olha, isso não importa. Eu estou aqui agora. Se sentiu tanta falta de mim assim, eu estou aqui.- levantei, ficando agora sentado ali.- Isso sim importa.
Suas sobrancelhas se ergueram e logo depois ele assumiu uma expressão de desgosto completo.
—Cala a sua boca, idiota.- respondeu, desviando a atenção por um momento.- Eu não senti sua falta.
Observei então seus passos se aproximando da cama, ao que logo depois, ele se sentou na beirada do colchão, parecendo se inclinar para tirar a bota do pé direito.
Encarei suas costas enquanto ele ainda se encontrava inclinado. Todavia, acabei por franzir o cenho, ao que escutei seu suspiro de longa duração, como se ele estivesse cansado de uma situação exaustiva.
—Eu só... Fiquei preocupado.- disse de repente, mantendo sua pose.- Estive preocupado por esses dois meses. Você não avisou que tinha que "levar" o inverno, ou sei lá o que você disse sobre o assunto...
Desviei o olhar para baixo, ao que não pude evitar o sorriso. Não deixei que minha atenção continuasse ali, já que logo o encarava novamente.
—Eu estou aqui agora.- voltei a dizer, fazendo com que minha voz saísse mais convincente.
Seus ombros caíram um pouco e mais um suspiro saiu de sua boca.
—Eu vou ao banheiro.
Ele levantou da cama, indo até seu guarda roupa, ao que dali o ruivo pegou algumas peças rapidamente, não demorando para se dirigir ao cômodo um pouco ao lado.
Encarei a porta fechada do banheiro por alguns segundos, ao que deixei que passasse por um último momento uma das confusas cenas em minha cabeça, sendo esse um comportamento completamente inevitável. Não me permiti pensar muito nelas, de qualquer forma. Era algo com que eu havia combinado comigo mesmo, mas não era como se estivesse cumprindo com todas as coisas que planejei.
Balancei um pouco a cabeça, me apressando em me colocar em pé, como uma única alternativa de salvação.
Encarei demasiadamente o quarto, logo agindo sem pensar direito quando me pus a observar os objetos em cima de uma mesa.
Não era muito arrumado ali e algumas coisas estavam completamente empoeiradas ou davam impressão de serem antigas, como eu com certeza sabia que elas eram.
Meus dedos passaram por um livro pequeno com capa desgastada e tive que resistir à vontade de abrí-lo.
Ainda fiquei por alguns minutos vendo os pertences do ruivo até que o próprio me interrompesse, ao que escutei seus passos.
Dei de ombros, encostando-me à sua mesa, observando quando ele jogou suas roupas na cama e voltava a caminhar até o guarda roupa escuro.
Dessa vez, Hiccup não estava usando seu típico uniforme de chefe da vila. Sua calça era simples, de um marrom gasto e ele usava um blusa lisa clara.
Não evitei levantar uma das sobrancelhas, ao que o vi tirar uma toalha de uma das gavetas.
Era óbvio que não ia tomar banho, então, o que ele ia fazer?
—Ta fazendo o que?- perguntei, cruzando os braços.
—Vou aproveitar, antes que esse terrível inverno comece.- respondeu baixo e, ainda sim consegui perceber certo sarcasmo ali, esse que decidi deixar pra lá, juntamente com sua fala.
—Aproveitar?- perguntei, enquanto o encarava colocar sua bota.
Não obtive resposta, ainda que seu silêncio era meio que uma.
—Você vem?
[...]
Pulei à grama rala, essa que ainda causou certas cócegas em meus pés descalços, ao que passei a encarar o ambiente extenso.
As árvores ainda estavam verdes e com muitas folhas e, de modo automático, as imaginei com neve, chegando à conclusão de que ficariam muito melhor dessa forma.
Mesmo sem isso, a combinação de grama e árvore não deixava de ser bonita.
Meus olhos então, no exato momento em que o ruivo me alcançara, ao que reclamava um pouco por eu não o ter esperado, se desviaram para o lago.
—Ahn? Ah, me desculpe, Hic.- o respondi, mesmo que não tivesse prestado qualquer atenção em sua fala.
Minha atenção só era depositada em peso na água cristalina e perfeita, enquanto lembrava de algumas visões que tive à respeito dela.
Hiccup tinha sua presença marcada em quase todas e... eu não saberia contar a quantidade de beijos que eu vi, mesmo que as visões fossem confusas.
Eu as tentei evitar durante todo esse tempo, todavia, era quase impossível agora.
Uns poucos amigos de Hiccup também se encontravam ali, enquanto o próprio ruivo já havia se juntado a eles, enquanto se despia pelo caminho, ao que os demais o imitavam, indicando um provável mergulho.
E... Droga.
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