I want to be much more than your friend.
38 Bônus- Memories again
Notas iniciais
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Permaneço deitado ali, meio que perdido em questionamentos, ou até no tempo, uma vez que não sei quantos foram os minutos que continuei naquela posição. De qualquer forma, não tinha planos de sair dali, mesmo que talvez eles estivessem perguntando por mim.
Em minha cabeça, eu formava teorias. Teorias válidas, teorias absurdas, teorias insanas, teorias fora de questão, teorias que haviam muitos achismos, teorias típicas de mentes confusas. E era exatamente assim que me sentia.
Olhei para o céu, cansado de encarar as árvores cobertas por neve ao longe, e logo passei os olhos pelas várias estrelas brilhantes. Alguns flocos desciam em seu ritmo calmo, e logo um pousou em meu nariz, me fazendo sorrir de lado. E por um segundo, senti vontade de descer daquele telhado, e fazer algo.
Mas logo voltei com os pensamentos, ao que olhei de relance para a lua cheia.
Eram inúmeros. Inúmeras perguntas sobre o porquê tinha que fazer aquilo, mesmo que depois de tantos dias, eu não tinha mais que questionar sobre isso. Depois de tantos dias, já era para estar conformado, mas não é assim que me sinto.
Eu só conseguia pensar nos vários flashes que estar em sua presença me proporcionava. Nas cenas borradas e estranhas.
Memórias talvez.
Memórias que não entendia; incompletas. Memórias que nem sabia se eram minhas, mesmo que... Era eu. Era sempre eu e ele. Talvez algumas outras pessoas, mas reconhecia nós dois claramente.
Então, sim. Eram memórias minhas. Memórias que me faziam questionar o motivo de virem somente agora, depois de tantos anos.
Por que o Homem da Lua permitiu que essas lembranças viessem tanto tempo depois?
O mais intrigante, era que só tinha os flashes quando me encontrava com ele. E por mais que não quisesse, eu tinha que saber do meu passado. Eu precisava saber do meu passado, e pelo que percebi desde cedo, aquele parecia o único modo que o Homem da Lua me deu.
—Valeu, você aí de cima...- disse irônico, me permitindo sorrir minimamente e demasiadamente triste, ao que encarei o formato de banana, ganhando destaque no céu escuro.- Mas por que? Por que me fazer correr atrás dele, para então ter memórias?- continuei olhando para cima, esperando pacientemente por uma resposta. Mas, assim como a noite toda, ou noites todas, ele nunca me respondia. Na verdade, eram raras as vezes, muito raras, em que o Homem da Lua falava comigo. A última foi para me mandar atrás daquele chefe irritadinho. Depois... Nunca mais.- Você é mau, sabia?
Então, fechei os olhos quando respirei fundo e lento e por último, decidi prender o ar, ao que ele não me era importante de qualquer forma.
Lembranças. Lembranças. Lembranças. Lembranças. Lembranças? Lembranças... Lembranças!
Me irritei por um momento, uma vez que desde que soube somente o meu nome, eu procurava por respostas além disso. Por quem eu sou, quem eu era. Isso... Procurava mais por quem eu era.
Agora, tive oportunidades de ver cenas em minha mente, depois de tanto tempo, mas à custa de quê? De um mísero humano, que me odeia, e pensa que não existo, ou pensava.
Quer dizer, eu achava ser um mísero humano. Mas os vários flashes me provaram ser o contrário. Não sei. Talvez, no meu passado desconhecido, em que percebi ser garoto de cabelos brancos, nós tenhamos sido amigos.
Não posso dizer coisa diferente, nem pensar, uma vez que tenho poucas informações ainda. Mas imagino ser isso. Amigos.
Mas naquela noite, tentava digerir tudo aquilo. Digerir que o chefe, eu conheci um dia. Digerir que éramos amigos, e que ele talvez não fazia a mínima ideia de que era eu. Quer dizer, isso é bem provável, porque pelo que vi, mudei bastante.
Mas não conseguia pensar em ele ser importante pra mim agora, e chegar a conclusão do que sinto quanto a o seu não reconhecimento. Não sei definir o que é pra mim ele não me conhecer.
Só sei que ficar perto dele me trás o passado que tanto almejo, e... Quero saber mais. Preciso de mais.
Outra vez me vi perdido no tempo, ao que quando voltei a respirar e abri os olhos, já percebi certa claridade vinda de cima. Todavia, sabia que o sol não viria e seria outro dia de neve, e um dos bem longos. Ou não.
Alcanço minha espada um pouco distante, ao que levanto em um ritmo preguiçoso. Meu corpo ainda extasiado por tantas horas em que fiquei deitado, durante toda a noite.
Observo meus pés descalços em cima de uma camada de neve que o "chão" ali continha. E logo depois desvio a atenção para a forma de meu corpo, onde há segundos estava deitado, na posição exata que me encontrava. E então, sorrio pequeno ao ainda encarar.
Logo, me ponho a andar com passos despreocupados pelo telhado, já chegando à beira. Olho pra baixo, ao que observo a janela grande aberta e logo me deixo ser levado pelo vento até a mesma.
Meus pés pousam no parapeito lentamente, e olho para seu corpo na cama, envolto a um pesado cobertor. Observo por poucos segundos sua expressão serena, ao que seus olhos estão fechados e não deixo de perceber o quão o ruivo é diferente quando está calmo, ao que toda vez o vi muito alterado.
Ou estava com raiva, — no caso, quando me via, era quase sempre — ou estava demasiadamente com medo.
Mas vê-lo ali, apenas deitado e tão calmo, me fez sorrir de lado. Porém, não é como se eu nunca tivesse visto sua expressão dessa forma antes. Porque... Só talvez não é a primeira vez que espero o chefe irritadinho acordar.
Então, sento no parapeito, ao que ainda encaro seu rosto. Não evito pensar nas cenas, em que mostra nós dois. Pensar no que me levou a virar amigo dele, já que o mesmo me mostrou ser alguém rude, desde o começo. Vá entender...
Todavia, continuo com os flashes em minha cabeça, ao que é inevitável quando meu olhar está em sua direção. Só não sei dizer se são novas memórias, ou as que ele já me deu, ao não prestar atenção diretamente.
As cenas passam diante de meus olhos e não deixo de me perguntar de novo, e de novo: Como?
Sei que estou em transe, e provavelmente de olhos fechados, tentando controlar os pensamentos que me vêm forçado. Pensamentos borrados. Cenas borradas.
Dois garotos. Eu? Eu. Ele. Sempre nós dois.
Isso me faz questionar se em meu passado, quando era humano, ele era a pessoa mais importante para mim, já que todas as memórias que tive até agora, só o via em minha mente. Tudo o que eu fazia tinha a ver com ele...
Talvez fôssemos mais que simples amigos. Amigos de verdade talvez.
Imagino que ele sabia de todos os meus segredos. A menina que gostava, os meus medos, minhas falhas, minhas inseguranças, meu jeito de ser.
Provavelmente estava no quarto da pessoa que conhecia o antigo eu mais que tudo. E admito que conforme ia descobrindo as coisas, mais me via preso à esse humano. Se estiver certo, ele é a fonte que tenho para todas as minhas memórias. Ele é a fonte. Quanto mais ia descobrindo, mais queria descobrir.
E então, de um minuto para outro, os pensamentos foram cortados e custei me acostumar com esse comportamento, já que sempre me sentia perdido depois.
Mas a única coisa que fiz, foi suspirar brevemente e abrir os olhos, ao que minha mente voltava à escuridão. Limpa; vazia.
Voltei minha atenção para a cama do ruivo, ao que escutei uma movimentação vinda da mesma. Automaticamente ajeitei minha postura, quando percebi o outro estar acordando.
Observei seus braços se esticando, numa espécie de alongamento e logo depois, enxerguei seus olhos abrindo lentamente, se direcionando de prontidão para o teto em cima de nós.
Decidi permanecer ali na mesma posição, esperando que ele me notasse. Apenas me encostei mais à lateral da janela, quando segurei firme na base de minha espada, ao que fiquei a o observar naquela posição.
Ele parecia querer criar forças para levantar dali e, no lugar dele, faria a mesma coisa. Deve ser dureza ter que acordar primeiro que todo mundo, ou até mesmo nem chegar a dormir...
Depois de segundos demorados, o ruivo finalmente encontrou a quantidade certa de coragem, essa que o levou a afastar o cobertor do corpo e ficar sentado num dos lados da cama, estando de costas para mim.
Ele então levantou definitivamente e passou uma das mãos no cabelo, ao que começou a andar até o guarda roupa. Eu sorri pequeno com seu ritmo preguiçoso, esse que também foi usado quando ele abriu uma das gavetas, tirando algumas peças de lá e as jogando para trás, ao que as mesmas foram parar em sua cama.
—Que nojo... Você não vai tomar banho.- eu disse, quando observei o ruivo tirar a blusa que usava, dando a entender que ia colocar outra. Talvez a roupa de chefe que tanto tem que vestir.
Minha fala pareceu o assustar, ao que ele deu um pulinho para trás e percebi sua blusa caída no chão, o qual ele soltou.
Ele se virou rapidamente para mim, me encarando imediatamente com o cenho enrugado.
—Por que sempre faz isso?!- perguntou, um pouco alterado.
—Porque sempre é hilária sua reação.- respondi, dando de ombros, ao que desviei o olhar e voltei quase que no mesmo instante.
Ele me encarou, abaixando um pouco os ombros. Parecia me observar, e sabia que estava. Mas desfez a pose, assim que apanhou a blusa do chão e caminhou até sua cama.
—Você... Me lembra alguém.- disse vago, ao que vestiu sua típica roupa de chefe. Ele não me olhava.
Sua atitude vem me surpreendendo de uns dias para cá. Ele não me tratava como tratava antes, e no exato momento, esperava que ele me perguntasse o que eu estava fazendo ali, não algo como aquilo.
—E essa pessoa é tão bonita quanto eu? Aposto que sim.- o respondi, sorrindo irônico.
Ele me olhou, fazendo uma expressão incrédula. Então, logo depois rodou os olhos.
—É... Definitivamente você me lembra alguém.- falou baixo, e sabia que não era para ter ouvido.
Sua frase pareceu finalmente fazer sentido em minha mente, uma vez que pensei direito sobre ela. Cogitei o ruivo saber quem era eu, já que segundo ele, eu o lembrava alguém. Mas a ideia parecia maluca demais.
De qualquer forma, acabei por o responder, ao que minha mente era enchida por memórias que ele mesmo me proporcionou e logo o vi, mesmo que mais novo do que agora:
—Você também me lembra alguém.
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