Notas iniciais
Espero que gostem !!

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Coço meus olhos levemente, ao que os mesmo de imediato vão até a janela. Eu a encontro vazia, o que me deixa um pouco decepcionado.

Tinha noção que Jack não estava ali quando acordava todos os dias, e mesmo sabendo disso, ainda irei ficar incomodado por não o encontrar.

Desde que descobri quem ele era de verdade, os pensamentos sobre o quanto o quero perto de mim todo tempo possível, só vão crescendo.

Eu amava as nossas conversas rápidas, e a ironia que nela sempre estava. Era isso que mais sentia falta quando Jack foi embora: nossas conversas sobre nada em particular, e a forma que brincávamos.

Amava o jeito que me tratava, toda vez dissimulado, mas me fazendo acreditar que eu não era alguém qualquer. Essa é uma característica que mesmo Jack nesse estado, que não sei explicar, não perdeu.

Enfim, o fato de querer o ver a todo momento, denuncia o quanto ainda o tinha impregnado em minha cabeça.

Apesar de o conhecer muito bem, tinha certa necessidade de saber mais sobre o que se tornou, já que isso me é fora de alcance. Mas nunca toquei no assunto, e nunca soube exatamente como fazer isso.

É complicado.

A única coisa que está clara é: é o Jack, e eu preciso estar com ele.

Solto um bocejo, ao que meus olhos ainda não saíram da janela, mas o fazem assim que levanto. Eu estico os braços por um momento, antes de caminhar até o banheiro, ainda descalço.

Pego um toalha, antes de entrar definitivamente no cômodo. E ali, tomo um banho sem pressa, o que me faz ficar no banheiro mais tempo do que costumo.

A água relaxa, o que me prende juntamente com os pensamentos que me fazem sorrir pequeno. Todavia, decido sair dali logo, já que posso me atrasar.

Ajeito a toalha em minha cintura, acabando por deixar a porta do banheiro aberta, e então caminho até minha gaveta. Encaro as roupas que estão bem em cima, mas ao invés de pegá-las para vestir, apanho uma outra calça e uma outra blusa. Porém, ambas são escuras, iguais às peças de chefe de vila.

Eu me livro da toalha, logo vestindo a cueca e as roupas que separei em seguida. Sento à cama, logo colocando a bota já separada. E então, passo a mão pelo cabelo úmido, o jogando para trás, no momento que ando até a porta do quarto, pronto para sair daquela casa.

Chego do lado de fora, torcendo para Odin me dar um dia calmo, sem muitas pessoas me chamando, ao que olho para o ambiente ao meu redor.

Há poucos vikings na rua principal, e sei que é por causa do horário. E... Incrivelmente, eles não me chamam.

Talvez Odin tenha me escutado.

Eu sorrio, enquanto automaticamente caminho até a casa que já avisto, agradecendo mentalmente por não ser longe de onde estou.

Chego à porta, ao que não demoro para bater na madeira, esperando alguém vir atender. Não demora muito para que Melequento esteja em minha frente, com uma das mãos coçando os olhos verdes.

Ao me ver, seu sorriso de lado toma conta de sua boca, ao que rodo os olhos com sua atitude.

Ele então levanta as sobrancelhas, esperando por algo que sabe que vai sair de mim.

—Astrid está aí?- pergunto com ar de tédio.

Ele então sorri mais largamente.

—Awn, veio fazer as pazes!- diz com a voz fina, me levando novamente a rodar os olhos.

Eu o ia responder, mas o moreno me interrompeu, dessa vez com mais seriedade, mesmo que ainda estivesse sorrindo um pouco.

—Que bom, cara. Você não sabe o quanto ela fica insuportável quando vocês dois estão brigados.- ele então dá de ombros, deixando a porta aberta.- Entra aí. Astrid está lá em cima.

Eu então não demoro mais para adentrar a sala um tanto escura, me certificando de fechar a porta atrás de mim.

Não demoro para andar até a escada.

—Ei.- Melequento me chama, fazendo com que eu olhe para a cozinha, que é onde ele está, uma vez que já me encontrava nos degraus.- Não se preocupe, que ela deve estar de muito bom humor.

Seu sorriso de lado está em seu rosto, denunciando toda segunda intenção com que ele pode falar.

Eu dou risada, balançando a cabeça negativamente.

—Melequento, eu não preciso de detalhes, obrigado.- digo, voltando a subir os degraus, ao que não demoro para estar no corredor, sabendo muito bem onde é o quarto dos dois.

Abro a porta, sem me preocupar em bater, todavia, entro lentamente. Meus olhos primeiramente veem a janela, mas não demoram para cair na loira que está sentada em sua cama, uma vez que ela grita:

—Está fazendo o que aqui?!

Eu sorrio largo e sem graça, tirando a mão da maçaneta e logo arrumo a postura.

—Te visitando, não está óbvio?- pergunto, ao que entro de uma vez no cômodo.

Ela tira a mão da bota que estava colocando no pé, e logo se levanta, apontando para a porta.

—Não quero que você me visite.

Eu rodo os olhos, andando até a loira, o que a faz dar passos para trás, resultando em um sorriso de lado meu.

—Eu não vou sair.- sussurro, me inclinando para frente até ficar da altura do rosto da loira.

—Você é mesmo um idiota!- rebate, me empurrando pelos ombros.

Solto uma risada, o que a deixa com mais raiva, uma vez que tenta me bater outra vez, mas seguro seus pulsos.

—Um idiota que quer minha melhor amiga de volta.- a respondo, outra vez me aproximando.

Ela consegue se livrar de mim, cruzando os braços imediatamente e então me encara, me fuzilando com o olhar.

—Qual é, Astrid! Isso é ridículo. Eu não fiz nada demais com você.- a digo, relaxando a postura, ao que suspiro cansado.

—Nada demais?- pergunta, um pouco indignada.

—Isso. E você devia parar com essa frescura logo, e voltar a falar comigo.- digo sorrindo.

Ela me encara e então balança a cabeça lentamente, murmurando um "idiota" baixo.

Não demoro muito para a agarrar pela cintura, lhe dando um abraço apertado.

Um segundo e meio é o tempo que passa para que ela finalmente retribua, me fazendo sorrir e fechar os olhos.

—Senti sua falta.

[...]

Meu braço está ao redor de seus ombros, enquanto caminhamos tranquilamente e lado a lado. O silêncio está presente há muito tempo, mas duvido que nos incomode.

Eu olho para o chão, enquanto ando num ritmo lento, apenas não conseguindo olhar para cima por causa do sol, que mesmo estando indo embora do céu, ainda importuna.

Nós logo chegamos perto do campo, escutando certo barulho de impacto vindo de lá. E então paramos, mesmo que inconsciente, enquanto olhamos para dentro do espaço.

Melequento luta com Perna de Peixe, ao que alguns aprendizes se dispersam para suas outras tarefas, ou para suas casas, uma vez que com a noite vindo, o treino já estava na hora de acabar.

Eu e Astrid continuamos ali, observando atentamente a luta entre os dois no centro do campo de treinamento. Não demora muito para que acabe, de qualquer forma.

Melequento desvia a atenção para nós dois, ao que logo sorri, chamando a loira com a cabeça.

A outra não demora para me olhar, tendo um sorriso no rosto.

—Já vai pra casa?- pergunta, ao que tiro meu braço de seus ombros.

—Mas é claro! Estou cheio de você.- respondo com um tom sarcástico, sorrindo de lado.

—Até parece.- desdenha, rodando os olhos.- Mas eu finjo que acredito em você, porque sei que tem que fazer outras coisas.

Ela então balança a mão, dissimulada, ao que indica querer que eu saia dali.

Continuo sorrindo, ao que lhe dou um beijo no rosto, dando de ombros logo depois. Então começo a caminhar até minha casa, tendo eu meus olhos inquietos, indo para todos os cantos ao redor.

Não queria assumir, mas meio que estava procurando pelo moreno que não deu as caras pelo dia todo.

Fico nisso até chegar à porta, quando tenho que parar para poder entrar.

Eu suspiro um pouco frustrado por não o ter visto, mas acabo conformado, ao que subo a escada, escutando os ecos de meus passos pelos degraus soando pela casa toda.

Ando pelo corredor, soltando um leve bocejo, e mantendo meu ar de tédio e frustração, já que é assim que me sinto no exato momento.

Viro a maçaneta e assim que abro a porta, não deixo de pular de susto com seu corpo bem em minha frente, e seu rosto que se encontra perto demais.

Só não fiquei contente o suficiente, porque o moreno não hesitou em rir em alto e bom som, e por causa do susto que o mesmo me deu.

Todavia, seu sorriso me fez esquecer de muita coisa, ao que ele se afastava para trás.

Eu sorri, ao que sua expressão de espanto sumia aos poucos, uma vez que lhe dei espaço para entrar.

O ruivo demorou um pouco para o fazer, mas de qualquer forma, acabou por entrar, fechando a porta atrás de si.

—Olá.- falei com humor na voz.

Seu sorriso abriu lentamente, e sua atitude me fez estranhar um pouco, antes que pudesse me responder.

—Oi.- disse, ao que encostou à porta e entrelaçou os dedos em frente ao corpo.

—Está feliz?- perguntei, uma vez que ele realmente parecia dessa forma. Não estava reclamando... Longe disso.

—Estou normal.- respondeu, levantando e abaixando os ombros.

Não evitei soltar um risinho, ao que o encarei por completo.

—Engraçado, não sabia que seu normal podia ser tão legal... Por que nunca foi legal comigo, Hic?- debochei, rindo no final.

Ele não ligou para a minha fala, e soube disso quando perguntou:

—E você? Por que não apareceu pelo dia todo?

Arqueei uma sobrancelha, olhando para seus olhos por segundos que foram demorados demais.

—Que é? Não consegue mais viver sem mim?- sorri largo, esperando que o ruivo me batesse, ou fizesse algo do tipo.

—Hm, talvez...?- essa foi a sua fala, ao que ele sorria de lado.

Eu não sabia se ele estava falando sério, e o motivo era seu sorriso que ainda estava lá, mas desviei do assunto, de qualquer forma.

—Eu te acompanhei o dia todo. Você e a loirinha.- respondi, dando de ombros e sentando na cama grande. Assim que me senti confortável, voltei minha atenção para o ruivo novamente.

—Nem te vi.- respondeu, parecendo pensativo e sorri de lado ao imaginar que ele estivesse tentando lembrar por onde passou.

Porém, soltei um risinho curto.

—É porque é mentira.- sorri largo em sua direção assim que ele me olhou de volta.- Eu ia falar com você, mas te vi com ela... Vocês tinha acabado de fazer as pazes; eu decidi não te incomodar.

O de olhos verdes então sorriu depois que falei.

—Você não ia.

Franzi o cenho, ao que ia lhe perguntar se estava bem, já que o ruivo estava me tratando muito bem. Todavia, fui interrompido por cenas em minha cabeça.

Memórias.

Eu e ele. Sempre nós dois. Dessa vez, nós estávamos muito próximos, e nos segundos adjacentes, aquilo se tornava um... Beijo.

Era borrado, e antes que pudesse raciocinar sobre a memória direito, outras cenas não tardaram a entrar em minha mente.

A gente estava... Corpos pelados e suados. Era isso que eu via, e sabia muito bem o que era aquilo.

—Jack, está tudo bem?- sua voz veio distante, sem foco algum. E eu sabia que o estava encarando com os olhos arregalados e com a expressão assustada.

Eu e Hiccup?

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