I wanna be yours
7 Uma carta anônima
Notas iniciais
Aquela mensagem do Percy tinha sido tão aleatória que eu nem sabia pelo que esperar. Estava radiante pelo encontro do Luke com a Thalia, e não queria que nada estragasse meu bom humor. Mas como sempre, durou pouco.
"Estou indo aí" — ele mandou e eu só conseguia pensar o que ele queria conversar. Se ele já tiver feito bosta antes desse relacionamento começar, cabeças vão cair. Ele estava demorando e eu comecei a ficar angustiada. Ele manda uma bomba desse e depois fica demorando desse jeito. Tomanocu. Passaram intermináveis cinco minutos e ele não chegou. Que absurdo.
Depois de mais alguns torturantes minutos, escuto baterem na porta. Encontro um Percy inquieto e nervoso. Olho pra ele totalmente confusa e deixo-o entrar.
—Tá doido menino, por que essa raiva toda?
—Achei que você também queria que déssemos certo! Você está me fazendo de idiota ou o que? — ele me perguntou como se eu tivesse feito algo de errado. Como se eu tivesse traído.
—Do que você está falando? — perguntei e ele me olhou incrédulo. Nunca o tinha visto daquele jeito. A coisa estava séria.
—Estou falando disso – ele respondeu e me deu o celular. Era um vídeo. Dei o play e comecei a assistir. Era eu e o Luke nos despedindo há alguns minutos. Parecíamos íntimos, com o abraço e o beijo na bochecha. Mas éramos próximos, não via nada de errado com aquela cena. Até relaxei um pouco.
—Não seja ridículo, não estou ficando com Luke, na ver... — Comecei, mas ele nem me deixou terminar.
—Vocês parecem bem próximos na verdade! O que você estava fazendo na casa dele, ein? Pareceu bem feliz.
Revirei os olhos e todo meu bom humor começou a virar raiva. Quem ele pensa que é para vir me questionar desse jeito. E quem diabos tinha gravado aquele vídeo?
—Você percebe o quão ridículo tu parece agora? — perguntei sem pensar.
—Ridículo? Eu só não quero levar fama de corno!
—Corno?! A gente não tem nada Percy! Nem se eu o tivesse beijado você seria corno.
Ele deu um passo para trás como se tivesse ficado magoado.
—Vai me dizer o que foi fazer lá? — ele perguntou e me deu vontade de esmurrar a cara dele.
—Eu não te devo satisfação, você sabe disso – respondi.
Ele assentiu ainda chateado, e abaixou a cabeça. Puxou uma cadeira do balcão da cozinha e sentou. Não vou dizer que minha raiva passou totalmente, mas odiava vê-lo assim. Mesmo ele sendo idiota e desconfiado. Ele devia me conhecer melhor.
—De onde surgiu esse vídeo? Você me seguiu? — perguntei.
—Não, não iria te perseguir desse jeito. Recebi por mensagem – ele disse.
—Ué, de quem?
—Foi de um desconhecido – ele respondeu e eu senti um calafrio subindo pela espinha.
—Agora a gente faz parte da série Pretty Little Liars? — falei e ele riu – Quem você acha que é a A?
Ele pensou um pouco, mas não demorou para responder.
—Tenho algumas suspeitas, mas a mais provável é que seja a Rachel – ele disse, e não estranhei o nome, mas não conseguia lembrar quem era.
—Esse nome é familiar, será que eu conheço? — perguntei.
—Acho que sim, namorei ela há algum tempo – ele disse e pareceu esperar um tapa ou algum tipo de agressão. Ainda estava processando tudo na minha cabeça. Enquanto eu começava a entender, parecia que uma lâmpada se acendia em cima de mim.
—Tua ex estava me perseguindo?? — perguntei incrédula.
—Não tenho certeza, ela já fez isso outras vezes, mas é só para me assustar – ele disse inocentemente – ela ainda gosta de mim.
—Você namorou uma louca, e agora ela vai vir atrás de mim! — talvez eu tenha começado a entrar em desespero. Só talvez.
Ele puxou minha mão e começou a fazer carinho.
—Ela não vai, não vou deixar nada acontecer com você — ele disse, e meu coração derreteu. Eu não precisava de proteção, poderia derrubar aquela garota com o polegar, mas não gostava de alguém me seguindo. Dei um abraço nele e puxei um banquinho para sentar do seu lado.
—Só para você saber, não tem nada rolando entre mim e Luke. Ele queria me contar que chamou a Thalia para um encontro, e eu o ajudei a escolher a roupa e depois nos despedimos. Ele é meu melhor amigo, um abraço e um beijo na bochecha não significa que estamos nos pegando.
Percy abaixou a cabeça, e depois me olhou nos olhos.
—Desculpa por não confiar em você. Acho que pirei com a ideia de te perder de novo – ele deu um meio sorriso e continuou – ainda mais depois de tanto esforço — ele conseguiu arrancar uma risada minha e um leve soco no braço. Dei-lhe um beijo leve e depois ficamos admirando um ao outro de mãos dadas que nem dois idiotas.
—Você não vai se livrar de mim tão fácil — eu disse brincando – acho que isso foi um alerta. Precisamos confiar mais um no outro e não sair enlouquecidos se algo assim acontecer de novo.
—Concordo – ele disse chegando mais perto — então quer dizer que eu não vou me livrar de você tão fácil... — começou ele maliciosamente. Dei risada e puxei seu rosto para o meu. O beijo começou leve e tranquilo, mas quando me dei conta, estávamos indo em direção ao sofá, não desgrudamos nossas bocas em nenhum instante. Nem mesmo quando caímos nele, e só paramos para respirar quando a blusa de Percy foi parar em Nárnia.
Ficamos assim por alguns minutos, mas nosso pequeno momento de romance foi interrompido pela minha mãe estacionando o carro na garagem e a gente pulando de susto e o Percy se vestindo as pressas. Eu devia estar mais vermelha que a bandeira da China. Mas ela estava tão atrapalhada com a papelada que estava carregando que nem percebeu.
—Ah, oi crianças. Annie eu vou cuidar desses documentos lá em cima, vê com o Percy se ele quer jantar aqui. Acho que vamos pedir pizza – e com isso ela desapareceu escada acima e pude respirar normalmente de novo.
Comecei a rir de nervoso e Percy me abraçou.
—Essa foi quase! — ele disse rindo também.
E então notamos um envelope em cima da mesa da cozinha. Eu tinha certeza que não estava lá antes. Peguei carta e abri, estava escrita com recortes de jornal. No estilo filme de terror ruim e bem estranho.
"Não pense que eu desisti"
—Ah que legal. Nem vou ficar com medo – falei. Percy parecia tão confuso quanto eu, mas que merda estava acontecendo?
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