I wanna be yours
8 Visita
—Ai meus deuses Percy! -falei, e olhei para ele tentando não pirar – essa menina é louca ou o que?
—Calma, não temos certeza se é a Rachel mesmo – ele respondeu e apesar de disfarçar eu sabia que ele também estava com medo. Por que ele teria medo da ex?
Nesse momento começamos a escutar alguém assoviando uma música que podia muito bem ter saído de um filme de terror. Meu sangue gelou e muito provavelmente meu coração tenha parado por alguns instantes. E então uma cabeça ruiva apareceu na porta que dava para o quintal. Ela tinha um olhar sinistro. Se estava tentando me assustar, tinha funcionado.
—O que você está fazendo aqui? — Percy perguntou.
—Uma visitinha – ela falou inocentemente.
—Tenho certeza que invadir a casa de alguém é crime, querida – falei tentando me manter serena.
—Fazer visita é crime?
—Não te deixei entrar, nem te chamei, muito menos te quero aqui, mas mesmo assim você veio, né?
Se pudesse, seus olhos soltariam faíscas. Ela me olhava com um ódio, que eu estava quase jogando água benta nela pra ver o que acontece.
—Calma vocês duas. Rachel, foi você que me mandou aquele vídeo? — ele perguntou na maior calma do mundo. Como ele conseguia?
—Aham – ela disse com um sorriso enorme no rosto — só queria que você soubesse que ela é piranha. Como pode terminar comigo, por causa dela?
—Piranha é tua mãe, filha da puta! Se coloca no seu lugar que tu está na minha casa.
Olhei para ele confusa e depois voltei a encará-la. Será mesmo que o Percy tinha terminado seu relacionamento por causa de mim? Eu nem queria nada com ele até há pouco tempo. Se ele tivesse terminado por minha causa, seria burrice.
—Não terminei com você por causa da Annie. Terminei porque você é louca! Parece que me perseguia a todo instante. Todo lugar que eu ia, você brotava do chão. Até na minha viagem para o México.
Isso fazia mais sentido.
Ela nem pareceu se abalar. Apenas balançou a cabeça de um lado para o outro, como se o Percy não tivesse entendido suas intenções. Se aproximou de nós e colocou uma das mãos no ombro dele. Ele afastou a cabeça um pouco desconfiado.
—Eu apenas fiz isso, porque te amo – ela disse olhando em seus olhos. Uma pontada de ciúmes brotou em meu estômago, me fazendo ficar de pé.
—Epa epa, tira a mão dele – disse dando um leve empurrão nela – Piranha – completei depois de uns segundos.
Ela então me deu um tapa na cara. Essa menina tinha perdido a noção do perigo. Sem mais nem menos, nem aviso prévio.
—Não encosta em mim! — ela disse e eu não podia acreditar. Meu rosto estava ardendo, mas eu tinha entrado em choque. Que não durou muito e eu retribui o tapa, que deixou a linda marca dos meus cinco dedos na bochecha esquerda dela.
Ela segurou o rosto dando uma de coitadinha, que tinha me dado vontade de vomitar. Percy entrou na frente de nós, para não dar mais merda. Mas ela estava fingindo chorar, então não achava que seria necessário, apenas revirei os olhos e fiz um dicionário mental de insultos, em sua homenagem.
—Ai garota, para com isso. Tá feio – eu disse empurrando ela pra porta — você pode sair por onde entrou. E na próxima vez que invadir minha casa, é a polícia que vai te acompanhar até a saída.
—Espera – ela disse e deu uma corrida até o Percy, deu um selinho na boca dele e cochichou no ouvido dele.
—Perdeu a noção do perigo? — eu disse quase berrando, mas antes que eu pudesse ir esmurrar a cara dela, saiu correndo pela porta do quintal e sumiu de vista.
—Como você conseguiu namorar com ela? Ela é louca! E perdeu a noção do perigo total. Se eu a ver de novo, vou quebrar a cara dela! — eu disse, mas ele me puxou para si em um abraço, que confesso estar precisando – o que ela falou para você? — perguntei um pouco mais calma.
—Que eu não podia confiar em você, e que ela vai provar – meu sangue ferveu e eu devia ter ficado vermelha de ódio, porque ele me abraçou mais forte – eu sei que não preciso me preocupar. Não importa o que ela disse, eu vou confiar em você totalmente a partir de agora.
—Você já devia confiar. Eu nunca faria alguma coisa pra te magoar daquele jeito.
—Desculpa por te acusar, isso não vai acontecer de novo – ele disse e me beijou.
Por mais que aquela menina me desse arrepios, eu não daria Percy de bandeja. Finalmente eu o tinha perdoado e voltamos a ter algo. Aquela Piranha sem noção não ia me desestabilizar, muito menos tirar ele de mim. Se ela ousasse voltar a aparecer eu ia dar uma lição naquela puta.
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