Notas iniciais
Sim, era pra eu ter postado ontem, mas eu tenho algo a dizer em minha defesa: Eu tava bêbada. Fui à pior festa da minha vida. Cerveja quente, música ruim, lugar muito fechado, foi horrível. Deveria ter gastado meu dinheiro com doritos. Sofri. Daí como cheguei tarde e meu pc anda com crises de não querer ligar, resolvi deixar pra hoje a tarde

– Milorde, eu admiro muito o senhor por ter encontrado a entrada para a Câmara Secreta, mas como o basilisco vai circular pela escola? Desculpe-me, mas ele é grande o bastante pra ser notado. – disse Avery.

– Não seja imbecil, Avery! É claro que o milorde não vai soltar um basilisco no Salão Principal. – Bulstrode disse ríspida.

– É claro que não. Avery, você nem precisa forçar demais esse cérebro de trasgo pra ver que eu não faria isso. Por Salazar! – bufou Tom – O basilisco circulará pelos canos da escola. Eu já verifiquei. É perfeito. Ninguém poderá vê-lo, a não ser que eu queira. – sorriu malicioso.

– Milorde, eu reuni uma lista dos sangues-ruins do quarto e quinto ano. – disse Bulstrode animada – É difícil conseguir as informações, mas por sorte entrei na sala do Dippet e consegui algumas respostas.

– Muito bem Jennifer. Ninguém te viu, certo? – perguntou Tom.

– Não. Eu cuidei disso. Só não consegui pegar os dados dos alunos das outras classes porque o diretor já estava retornando do almoço – explicou – Mas conseguirei o mais rápido possível. – disse ela.

– Bom. – sorriu – Decidirei quem será o primeiro a ser atacado e informarei a vocês. – voltou ao tom sério – Mas vocês sabem, não foi somente para isso que os chamei aqui hoje. Hoje vocês receberão a marca que representará a lealdade de vocês a mim.

– Estou pronto, milorde. – disse Abraxás – Essa marca não representará apenas nossa lealdade ao senhor, mas também pela causa. Vamos livrar o mundo desses trouxas imundos!

– Sim Abraxás. Eu farei com que eles sumam de nosso mundo. Depois, o mundo bruxo será meu. Todos temerão a leve menção do meu nome. Lord Voldemort se levantará. – voltou-se aos demais – A partir de hoje, Tom Riddle não existe mais, vocês entenderam? A não ser que estejamos na frente de pessoas que desconhecem a causa, vocês se dirigirão a mim apenas como milorde, Tom está morto e só será usado quando for extremamente necessário. Quero que me conheçam como Lord Voldemort. Vocês entenderam? – a pergunta mais parecia uma ordem

– Sim. – responderam em uníssono.

– Vamos ao mais importante da noite. – sorriu Riddle – A marca que vocês receberão não é uma marca qualquer. Através dela eu poderei invocar vocês, e vocês podem se comunicar comigo quando necessário. – explicou – Se houver alguém que queira desistir, será a única chance que darei. A partir do momento em que tiverem essa marca em seus antebraços, não poderão voltar atrás. Servirão somente a mim. O herdeiro de Sonserina.

– Milorde – Bulstrode se aproximou vagarosamente – Eu me ofereço para ser a primeira. – Jennifer esticou o braço na direção de Tom. Ela o olhava com admiração, paixão. Ele sabia que a morena nutria sentimentos por ele, achava ridículo. Mas tinha que admitir, ela era brilhante, muito útil e entendia perfeitamente seus planos.

– Que assim seja. – Tom a encarou profundamente, como que correspondendo ao olhar da garota. É claro que era apenas admiração à sua prontidão ao se tornar oficialmente uma comensal, mas Jennifer corou fortemente com aquilo. Tom realmente era bonito, pensava ela.

Tom iniciou o encantamento para conjurar a marca no braço da garota. Aos poucos Jennifer sentiu uma queimadura que causava uma dor insuportável, mas segurou-se, não queria demonstrar fraqueza em frente ao seu amado Lord Voldemort. Sim, ela achava-o brilhante, e confiava muito no propósito dele. Ele limparia o mundo bruxo, e ela estaria com ele até o fim.

Aos poucos a marca negra começou a se formar em seu braço. Uma caveira surgiu com uma cobra saindo de sua boca. Esse era o símbolo do Lord das Trevas. A marca que sempre que fosse conjurada, causaria horror a todos que a vissem. Tom sorriu ao ver a marca no braço da morena. Alisou levemente o local, ele sabia que estava doendo, realmente não ligava, porém essa era uma forma de cortesia que ele estava estendendo a sua melhor comensal. Claro que outras cortesias eram estendidas a ela, mas não naquele local, pensou ele, maliciosamente. Riddle não se envolvia com muitas garotas, todos os seus ‘’relacionamentos’’ eram de mero interesse. Fosse por prazer ou para tirar informações, ele não sentia vontade de estar com alguém. Ele se bastava. Nunca criara laços com alguém. No entanto considerava ter uma namorada de fachada algo extremamente válido, já que era um adolescente, e adolescentes costumavam namorar. Havia se envolvido com Bulstrode algumas vezes, mas era tudo muito carnal, ela não a interessava sentimentalmente, pois ele realmente só sentia amor por ele mesmo. Mas a ideia de transformá-la em sua namorada de fachada se mostrou muito útil. Ainda mais agora, com a Câmara sendo aberta.

– Bulstrode. Quando eu terminar, quero falar com você. – disse sedutor e a morena apenas acenou com a cabeça sorrindo ao mestre.

O próximo foi Malfoy, seguido pela Black, Lestrange e Avery. Seu círculo de comensais ainda era pequeno, mas aumentaria conforme seu poder. Ele ainda não havia dividido sua causa com outros Sonserinos, mas o faria assim que encontrasse pessoas qualificadas o suficiente para estar ao seu lado. Os outros não foram como Bulstrode. Gemiam de dor enquanto recebiam a marca, mas Tom não os julgava. Ele sabia que iria realmente doer. Só não deixou de admirar Bulstrode por ter ignorado a dor.

– Agora vocês estão batizados. – disse Tom ironicamente – Hoje, meus amigos, uma nova hera se inicia para nós. – todos sorriram ao mestre. – Nossa reunião está acabada. Aguardem o meu chamado para a próxima. Lancem o feitiço da desilusão sob vocês para que não sejam vistos fora da cama. A última coisa que quero é que um de vocês seja pego... Não perdoarei tal indiscrição. – os comensais acenaram e começaram a se retirar – Bulstrode, você fica. – a morena se virou ao Lord.

– Imagino que queira saber dos sangues-ruins, milorde. – disse a morena, agora um tanto nervosa por estar sozinha na companhia dele.

– Isso também. – ele se aproximou da garota e colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha da garota enquanto colocava uma das mãos na cintura da mesma, fazendo com que ela fechasse os olhos pelo toque. – Sabe Bulstrode, você tem se mostrado uma serva muito leal. – começou Tom.

– Estou apenas cumprindo ordens, mestre. A causa também me interessa muito e acredito que o senhor salvará nosso mundo do buraco em que se encontra. Ao começar pela escola. – disse ela, agora olhando-o nos olhos – O senhor sempre poderá contar comigo.

– Mesmo? – perguntou sedutoramente e a garota acenou com a cabeça, nervosa. – Bom. – sorriu de lado – Porque eu quero pedir-lhe algo. – aproximou-se do ouvido da garota – Com todos esses planos, e com você sendo tão leal, pensei em transformá-la em minha namorada. – a garota estacou, mas sorriu tão abertamente em seguida que não sabia se conseguiria esconder tamanha felicidade dentro de si. O homem que amava estava diante de si, pedindo-a em namoro. – É claro que é de fachada. Andei pensando, e seria bom se as pessoas acreditassem que estou com alguém, afinal, estamos entrando em uma nova fase, com a Câmara sendo aberta em breve. – explicou ele, mas a garota agora já não tinha o mesmo brilho nos olhos.

– Milorde eu... – segurou-se para não chorar. Aquilo era humilhante. Riddle usava e abusava dela quando bem entendia, e agora queria um namoro de fachada para não assumir um compromisso. O pior de tudo é que ela aceitaria, porque além de concordar com a ideia, amava-o demais para dizer não a qualquer coisa que ele dissesse.

– Vamos Jenny – disse carinhosamente – Nós passamos bons momentos juntos, você se lembra da ultima vez. – mordiscou o lóbulo da garota que suspirou no mesmo instante – Não precisamos de algo sério, você sabe que romances são perca de tempo. – agora ele descia beijos pelo pescoço da garota. – No entanto, nada impede que tenhamos bons momentos juntos. – agora ele trazia o corpo da garota mais perto do seu. – Você sendo minha namorada, mesmo que de fachada, ajudará muito em nossos planos, e eu prometo te recompensar muito bem por isso. – ele fechou a mão um pouco nos cabelos da garota, fazendo com que sua cabeça fosse um pouco para trás, obrigando-a a encará-lo. – Você sabe que eu posso. – sorriu malicioso – E no entanto, não será nenhum sacrifício para você. Afinal, sou eu. – gabou-se. Riddle era realmente metido, mas não estava mentindo. Garotas matariam para estar ao lado dele, mesmo se fosse de mentira.

– E- eu... É claro que eu não negaria um pedido desses, milorde. – a garota levou suas mãos até os cabelos de Riddle e massageou-os. – Farei tudo o que me for ordenado. Como uma boa serva. – disse arrancando um sorriso de Riddle.

– Então selemos logo nosso contrato. A partir de agora, você é, para toda a Hogwarts, minha namorada. – Bulstrode estremeceu ao ouvir aquelas palavras e não resistiu, atacou os lábios de Riddle no mesmo instante, selando a união fingida dos dois. Riddle não estranhou a atitude da garota, já havia a beijado antes, na verdade os dois já haviam passado de meros beijos há muito tempo. E apesar de sentir que por parte dela não era apenas carnal, era conveniente pra ele aquele sentimento que ele achava totalmente desnecessário. O corpo de Riddle instintivamente estava reagindo às carícias da morena, que também se perdia cada vez mais em seu desejo pelo mestre. Seus corpos estavam envoltos na Floresta Negra, o pacto entre os dois estava selado.

~~~*~~~

Hermione descia para o café da manhã. A manhã estava nublada e realmente muito fria. O inverno em Hogwarts era rigoroso, mas era a estação que ela mais gostava. Ela agora estava menos apavorada com sua condição atual. Acreditava que por ter informações preciosas sobre a época, poderia burlar e por fim derrotar Voldemort. Mesmo que isso acabasse com todo o mundo bruxo, futuramente. Teria que sustentar a mentira sobre seu sangue o quanto fosse necessário, e teria que tentar fazer com que Riddle acreditasse que ela não interferiria em seus planos. Mas ela temia, acima de tudo, o basilisco. Ela sabia que a câmara seria reaberta em breve e temia pelos nascidos trouxas, inclusive por ela. Mas não daria pra mandar todo mundo ficar andando pra lá e pra cá com um espelho, como ela fez em sua época. E ainda tinha o maldito trabalho! Teria que se encontrar com Riddle e marcar logo alguns horários para que pudessem fazê-lo. Ela tentava muito relaxar, mas era impossível. Estava surtando. Estava jogada à própria sorte em 1944 e não poderia sequer conversar com alguém sobre. Em todos os momentos, desde quando acordava, até o horário em que ia dormir, Harry e Ron estavam em sua mente, assim como todos que morreram na batalha. Ela só estava de pé por eles, se não fosse por isso, tinha certeza de que já teria dado fim à própria vida. Mesmo presa nas masmorras, ela não conseguiu fazê-lo. Algo no fundo de seu coração Grifinório, sabia que ela teria uma segunda chance. Que estava acontecendo no exato momento.

– Você só pode estar brincando comigo! – gritou uma garota histérica na mesa da Corvinal. – Ele não pode fazer isso! – do nada ela começou a choramingar exageradamente alto, tinha sérios problemas.

– Murta, cale a boca pelo amor de Merlin! Eu não quero que a mesa vire o centro das atenções. – uma garota passava a mão pelo rosto, visivelmente irritada com a ela.

A Murta-que-geme pensou Hermione. Ela ainda estava viva, e era ainda mais irritante. Ela não sabia o porquê de ela estar gritando, mas ela se lembrava bem que a garota não precisava de muitos motivos para ser escandalosa.

– Eu sempre fico atrás dele, dou a maior atenção, e ele escolhe ela? – continuava a chorar – Como você quer que eu reaja, Megg? – ela apertava o copo tão forte em suas mãos que Hermione pensou que ele fosse quebrar.

– Hermione, eu sei, ela é extremamente escandalosa. Não sei como Megg consegue ficar perto dela, ela é um pesadelo. – disse Alana – Não sei de quem ela está falando, mas o cara fez bem em fugir dela.

– Juro que na semana passada ela me assediou. Foi horrível – disse um garoto na mesa.

– Ora Potter, você não é o único, ela assedia todos os caras considerados bonitos nessa escola. E depois que você entrou para o time de quadribol, você virou a pauta na mesa da Corvinal. – disse Alana.

Potter. Charlus Potter. O avô de Harry! Hermione sorriu ao olhar para o garoto. Ele tinha muitos traços que lembrava Harry, e parecia ser extremamente simpático, assim como o amigo era. A partir daquele momento, Hermione jurou a si mesma que cumpriria seu propósito, e acabaria com Voldemort. Assim Harry poderia nascer e ter seus pais ao seu lado, seu avô também. Ele teria uma família que o amasse.

– É Hermione, não é? – sorriu ele — Sou o Charlus, prazer.

– Igualmente, Charlus. – ela sorriu abertamente, quando um ruivo extremamente desajeitado se sentou à mesa ofegante. Hermione estacou, reconheceria um Weasley a quilômetros de distância.

– Gente, vocês não vão acreditar no que eu vi! – ele tomou um gole rápido de água. – Tom Riddle e Jennifer Bulstrode aos beijos, vindo pra cá!

– O que? – gritou Alana – Essa garota é realmente muito sortuda, meu Deus!

– Não sei do que você tá falando, afinal todo mundo sabe que você anda se encontrando com o Malfoy. – disse o Potter.

– Eu tenho uma queda por aquele círculo de amizade, vou fazer o que? – disse gesticulando com as mãos.

– Você é incrível, Price. – riu Minerva.

– Eu sei. – sorriu a garota.

– Desculpe-me senhorita... Granger né? Sou Septimus Weasley. Muito prazer. – sorriu o ruivo.

– O prazer é meu, senhor Weasley. – Hermione segurou as lágrimas que agora queriam muito sair dos seus olhos. Lembrou-se de Ron. Desajeitado da mesma maneira, afobado da mesma maneira. Mas ela o veria novamente, mesmo que num futuro distante, e com ele sem lembranças... Ela faria toda a geração de amigos felizes.

De repente o Salão todo abriu a boca em forma de um grande ‘’O’’, Riddle agora adentrava com Bulstrode, de mãos dadas. Murta fazia um escândalo enquanto chorava, mas agora ninguém olhava para ela, todos estavam estáticos diante da situação. Ninguém nunca havia visto Riddle com uma garota seriamente. Hermione também ficou chocada com a situação, sabia muito sobre Voldemort e jurava que ele nunca havia tido uma namorada. Achava se ele tivesse tido algo com alguém, teria sido com Bellatriz Lestrange, mas nem disso ela tinha convicção. Se Voldemort tem uma namorada, qualquer um pode ter, pensou ela. Tom olhou de soslaio para a mesa da Grifinória, procurando pela Granger, ainda tinha que falar com ela sobre o trabalho que tinham de fazer juntos, e o que viu, foi um bando de pessoas boquiabertas. Era exatamente o que ele esperava, só não esperava encontra-la da mesma forma. Parece que ela não sabe de tudo sobre mim, pensou. Ele levou Bulstrode até a mesa da Sonserina, onde comeram seu café da manhã com centenas de olhos observando-os.

– Eu realmente estou em choque. – disse Alana – Vou pedir conselhos pra essa Bulstrode! Ela acaba de virar minha deusa de devoção! – disse paralisada pela situação.

– Vai pedir conselhos pra uma Sonserina? Ainda mais pra Bulstrode que odeia a gente mais do que tudo? Me conte como é ser azarada por ela depois! – disse o Weasley.

– É, realmente, acho melhor eu ficar quieta. Já tenho o meu Sonserino. – disse.

– Você tem o seu Sonserino? Amiga, desculpa, mas o Malfoy é seu tanto quanto o Riddle é da Murta. Todo mundo sabe que ele arrasta asa pra escola toda! – disse Minerva.

– Eu sei! Mas logo ele vai comer na minha mão, escutem o que eu digo. – a Price sorria.

– Isso é do sangue Malfoy, Alana. A tradição da galinhagem corre nas veias dessa família e você não pode fugir. – riu Hermione.

– Como você sabe? – disse Alana – Vai me dizer que no futuro eles são assim?

– Eu não posso dizer mais nada. – Hermione tapou a boca ainda rindo – Mas agora é sério, ele não é cara pra você. Não te merece. – falou seriamente – Esses Sonserinos não são confiáveis...

– Você sabe de algo que não quer nos contar, Hermione? – perguntou o Potter – Por acaso essa cabecinha do futuro sabe de alguma coisa? – perguntou com carinho. Hermione queria amassá-lo de tanto abraçar, mas seria estranho.

– Não posso dizer nada. Vocês sabem. – sorriu ela – Mas Alana, não se encane muito com ele.

– Amiga você ainda não entendeu. Eu não sou apaixonada por ele, sou um espírito livre. – riu – Só quero que ele grude em mim pra descontar pela comunidade feminina, a qual ele destroçou vários corações. – disse convicta.

– Eu super apoio! – Minnie bateu palmas.

– Hermione... – arrepiou-se da cabeça aos pés. Riddle tocava seu ombro direito, chamando-a.

– Que é? – gritou, sem querer. – Desculpa, eu me assustei. – respirou fundo e ele revirou os olhos.

– Eu só queria saber se você pode me encontrar mais tarde para discutirmos sobre o trabalho de DCAT. – explicou mantendo uma postura elegantemente séria.

– Hum... Pode ser depois da aula de Poções? Temos mesmo que começar isso, e como é a última aula do dia...

– Claro. – disse ele – Nos falamos depois então. – e então ele se virou em direção à saída do Salão Principal. Agora alguns olhares se dirigiam a Granger. Principalmente o da Bulstrode.

– Acho que alguém quer te fuzilar, Hermione. – começou o Weasley. – A namorada dele parece que quer te trucidar.

– Eu não estou feliz em fazer um trabalho ao lado dele. Mas infelizmente eu e a Bulstrode vamos ter que engolir isso. – bufou Hermione.

– Tá brincando. – disse um garoto um tanto rechonchudo – Se eu tivesse que fazer meu trabalho de DCAT com o Riddle eu estaria saltitante! Ele é o melhor aluno da escola. – Hermione olhou feio pra ele, sentiu-se ofendida, ela nunca havia tido concorrência nessa área.

– Eu concordo com o Longbottom. O cara é um gênio! – disse Charlus.

– Eu não preciso dele pra me sair bem. – disse Hermione fazendo bico.

– Não precisa mesmo! Toda vez que olho pra ela, ela tá com um livro de 300 páginas na mão, ou treinando feitiços. – bufou Alana. – Os dois vão nos massacrar nesse trabalho! Já posso ver a professora Merrythought gritando com a gente pelas fumacinhas prateadas saindo das nossas varinhas. Isso se sair alguma fumacinha.

~~~*~~~

Hermione estava de pé ao lado de Minnie agora. O professor Slughorn estava explicando algo sobre o preparo da poção de Wiggenweld. A poção servia para restaurar as forças de alguém que está machucado, doente ou simplesmente cansado demais. Hermione sabia, pois Madame Pomfrey havia lhe dado à poção para beber enquanto estava na enfermaria.

– Agora temos aqui algumas poções que eu mesmo preparei. Quero ver se vocês podem identifica-las para mim. – começou o professor Slughorn. Hermione estava tranquila, já havia tido essa aula.

O professor abriu o primeiro caldeirão.

– Alguém pode me dizer o nome da primeira? – sorriu ele e Riddle se apressou imediatamente. Hermione ficou vermelha de raiva, pois estava pronta para levantar o braço. Ninguém conhecia aquela mistura melhor do que ela.

– Essa poção é conhecida como poção Polissuco. Permite que a pessoa se transforme em outra. É complicada de se fazer e demora cerca de um mês para ficar pronta. – disse Riddle – Não é aconselhável para transformações em animais. – Hermione revirou os olhos, só de se lembrar do tanto de bolas de pelo que vomitou em seu segundo ano quando quis se transformar na Emília Bulstrode, quis morrer. A Câmara Secreta ferrou demais com ela, mesmo não tendo sido morta pelo basilisco. — Sobre o efeito, não dura muito, apenas uma hora.

– Correto Tom. – sorriu o professor. – 10 pontos para a Sonserina. Você me surpreende a cada dia, meu rapaz. – puxa-saco, pensou Tom. – Então, alguém pode me dizer o que há no segundo caldeirão? – o professor mal abriu e Hermione já levantou a mão, não deixaria essa para Riddle.

– Sim, senhorita...

– Granger, senhor. – sorriu – Essa é uma Amortentia. A poção do amor mais poderosa do mundo. Tem um cheiro diferente para cada pessoa, dependendo do que a atrai. – sorriu ela ainda sentindo o mesmo cheiro. – Mas não gera amor de verdade, somente uma forte paixonite. Isso a torna extremamente perigosa. Pode ser um desastre se preparada errado.

– Corretíssima senhorita Granger. 10 pontos para a Grifinória. – sorriu o professor. – E bem- vinda a Hogwarts. – sorriu – Mas a poção que tenho a lhes mostrar hoje, é uma poção importantíssima. Chama-se Felix Felicis, também conhecida como...

– Sorte líquida. – disseram Hermione e Tom ao mesmo tempo.

– Exatamente! – agora Horácio sorria amplamente, orgulhoso de seus alunos e muito intrigado por Hermione. – Um gole dessa poção e a pessoa obterá sorte em tudo o que fizer. É o que ofereço a vocês hoje. Quem conseguir preparar uma poção do Morto-vivo aceitável ganhará o prêmio. Devo mencionar que nenhum aluno meu jamais conseguiu tal proeza. A receita está na página 12 do livro de vocês.

Hermione estava muito animada. Poderia ganhar aquela poção! Se lembrava muito bem de como se preparava, graças a raiva que Harry a havia feito passar em seu sexto ano, quando tinha o livro do Príncipe Mestiço em mãos. Com aquela poção, tudo se tornaria mais fácil para ela. Ela teria Riddle nas mãos. Alguns minutos se passaram e todos estavam realmente desajeitados com a poção. Alguns descabelados, outros revoltados por não conseguir misturar. Algumas poções pareciam ganhar vida e saíam dos caldeirões. A sala estava virando um inferno. O professor Horácio encerrou o prazo dado e começou a passar pelos caldeirões.

– Eu não entendo... Fiz exatamente como estava no livro... – Tom falava intrigado. – É sério, professor...

– Ora, meu rapaz. Não fique chateado, você é um ótimo aluno. A poção é realmente complicada. Duvido muito que alguém tenha atingido a perfeição. – Tom acenou, mas ainda estava indignado com aquilo.

– Pelas barbas de Merlin! – disse o professor estupefato ao testar a poção de Hermione. – Está perfeita! Tão perfeita que eu diria que uma gota mataria todos nós. – ele agora aplaudia, os alunos o seguiram. Exceto os Sonserinos, em especial Tom, que não acreditava naquilo. – Meus parabéns, senhorita Granger. 20 pontos para a Grifinória! A poção é sua. Use-a bem. – sorriu o professor, entregando o frasco a ela.

– Obrigada professor! – sorriu em resposta. Estava realmente empolgava. Tinha uma arma poderosa em mãos.

~~~*~~~

Hermione agora estava sozinha com Tom na sala precisa. Ela mesma havia escolhido o local, o que fez com que Tom desconfiasse um pouco da atitude, mas não questionou.

– Você sabe, precisamos de muita concentração pra esse feitiço. Por isso estamos aqui. – explicou à castanha.

– Entendo. Eu trouxe pergaminhos para que possamos anotar tudo. – disse normalmente – Me lembro que você disse que dominava o feitiço. Se importaria de me mostrar? Realmente preciso ver isso. – disse ele, esnobe.

– Claro que posso. – afirmou ela – Prepare-se, ela é linda. – sorriu à castanha quando apontou a varinha para cima. – Expecto Patronum!

Tom ficou boquiaberto. Ela realmente estava falando a verdade sobre conjurar o feitiço. Um patrono corpóreo perfeito agora estava diante de seus olhos, tomando a forma de uma lontra. Era realmente bonita, como a garota havia dito. Tom anotou o que viu em seu pergaminho e Hermione interrompeu o feitiço.

– Não! – disse ela – Você não pode anotar que eu fiz isso ‘’de primeira’’. Ela nunca vai acreditar.

– Não seja boba. É claro que isso é um rascunho. Vou escrever isso no final. – bufou Tom.

– Beleza. – disse. – Agora tenta você. – Hermione sentiu vontade de rir.

– O que foi? – perguntou bravo – Não entendo o que há de tão engraçado.

– Nada. – riu – Juro. – segurou-se – Você quer tentar com ou sem o bicho-papão? – perguntou.

– Com o bicho-papão, é claro. A menos que você tenha um dementador por aqui. – provocou ele.

– Deus me livre. – disse ela – Então tá, você sabe como funciona. Mentalize uma lembrança feliz, a mais feliz que tiver, e conjure o feitiço com clareza. – ela abriu o baú e o bicho-papão que agora tinha a forma de um dementador saía dele, indo na direção de Riddle. – Vamos Tom!

Expecto Patronum. – apontou a varinha em direção ao dementador, mas nada aconteceu. – Expecto Patronum. – repetiu ele, agora mais preocupado, mas já era tarde. O bicho-papão o tinha acertado e agora Riddle estava desmaiado no chão.

Hermione pensou ser a oportunidade perfeita para acabar com ele. Estavam sozinhos na sala precisa, ela tinha um frasco de sorte líquida, ninguém saberia que era ela que havia feito aquilo. Era perfeito! Mas quando apontou a varinha na direção de Tom, o bicho-papão tomou a forma do que ela mais temia. Voldemort.

Ela ficou paralisada de medo. Voldemort caminhava em sua direção.

Você reclama de mim, Granger... Mas no fundo, é exatamente igual a mim. – sorria em sua forma ofídica – Vá em frente, mate-o. E estará provando o que eu digo.

Aquelas palavras afetaram Hermione profundamente. Como um tapa na face. Ela jamais, nem em seus piores pesadelos, se tornaria alguém semelhante a Voldemort. Não poderia matar Riddle, não poderia matar ninguém. Aquela não era a natureza da doce Hermione Granger. A garota estudiosa que jamais faria mal a uma mosca. Lembrou-se das palavras de Dumbledore, e tudo fez sentido em sua mente novamente. ‘’ Sinto-me obrigado a repetir uma frase que eu lhe disse em seu terceiro ano, alterando-a apenas em algumas palavras: Se tudo der certo, várias vidas inocentes poderão ser salvas’’. E foi aí que Hermione entendeu.

Vamos Granger, mate-o. – continuava o bicho-papão.

Riddikulus! – disse ela apontando a varinha ao bicho-papão que logo se transformou em um Voldemort com roupa de dança do ventre. Ela achava aquilo realmente engraçado. O bicho-papão então foi repelido e voltou ao baú. Hermione fechou-o logo em seguida.

Ela havia entendido. Dumbledore não queria que ela matasse Riddle, queria que ela o salvasse de se tornar o que se tornou. Ela achava aquilo impossível, ele já tinha a alma corrompida por maldades e era fruto de um amor falso. Não acreditava que ele pudesse se tornar alguém bom. Hermione olhou na direção de Tom, ainda desmaiado no chão. O garoto parecia tão inocente daquela forma, tão incapaz de fazer algo de ruim para os outros. Hermione então recuou, seu coração Grifinório fez com que ela fizesse isso. Ela teria tal coragem. Tentaria salvar Tom de seu terrível destino. Tentaria convencê-lo a tornar-se alguém bom.

– Vamos, mocinha. Acorde. – disse ela chacoalhando o garoto que aos poucos abria os olhos verdes incrivelmente bonitos. Foco, Hermione. – Coma isso, vai ajudar. – ela tinha um pedaço de chocolate em mãos.

– Não precisa. – disse visivelmente bravo.

– Precisa sim, você parece que vai morrer. – disse ela agora mais firmemente, demonstrando a Tom que não recuaria, até que finalmente ele aceitou e comeu o chocolate.

– Essa criatura é mais horrorosa do que eu pensava. – disse ele – E nem era um verdadeiro. Se fosse eu estaria morto, provavelmente.

– Não estaria porque eu o afastaria. – disse ela.

– Você deixaria que ele sugasse a minha alma, pode falar Hermione. Não vou ficar magoado. – sorriu cínico.

– Apesar de a vontade ser realmente grande, Riddle – ela estendeu a mão pra que ele levantasse – Eu não faria isso. Não ia deixar o pobre dementador morrer de fome ao tentar sugar algo inexistente. – riu ela da cara dele.

– Idiota. – ele não conteve o sorriso, apesar de ainda estar meio tonto.

– Agora é sério, você tem que pensar na sua lembrança mais feliz. Só assim vai poder conjurar o feitiço. – disse ela tentando encorajá-lo. Sabia que as tentativas dele seriam inúteis, mas se queria ajuda-lo, começaria por isso.

– Eu não consigo escolher uma. – mentiu Tom. Na verdade ele não tinha uma lembrança que lhe agradasse. – Só por curiosidade, qual é a sua?

– A primeira vez que coloquei os pés no castelo. – disse ela – É a mais feliz que eu tenho. Esperei tanto pra receber a carta, e quando ela finalmente chegou, eu... – Tom a observava atentamente. – Bom, é a minha. – sorriu. – Você pode ter alguma lembrança forte... Com a sua namorada, por exemplo. – disse Hermione. Aquele era um fato de que ela não tinha conhecimento. Um fato novo. Ela acreditava lá no fundo, que fosse devido às mudanças ocorridas no tempo. Cronos estava agindo.

– Não sei se posso escolher... – mentiu novamente.

– Ora, a primeira vez que vocês disseram ‘’eu te amo’’ um pro outro, por exemplo. Pode ser uma lembrança feliz o suficiente. – disse Hermione, sentando-se no baú do bicho-papão. Tom agora estava meio perplexo.

– É... – ele nunca tinha dito ‘’eu te amo’’ a ninguém. E olha que era muito comum ouvir as pessoas dizendo essa frase em 1944. Mas Tom não amava ninguém além de si mesmo.

– Desculpa. Estou sendo invasiva de novo. É da minha natureza. – disse Hermione mordendo os lábios em repreensão. Sabia o que estava fazendo e sabia que Tom nunca diria ‘’eu te amo’’ a ninguém que não fosse o seu espelho. – É sério. Você tá péssimo Riddle. – riu ela – Vem, vou te dar outro chocolate pra você ganhar cor nessas bochechas.

– Eu preciso de um tempo até tentar o feitiço novamente, escolher uma lembrança e tal... – disse ele pegando outro chocolate da mão dela – E você não vai escrever que eu desmaiei, ok? – disse bravo.

– Não, não vou. – riu ela recebendo um sorriso dele de volta. Aquilo estava se tornando cada vez mais comum pra ele. – Nos vemos depois então, pode ser?

– Claro. – disse ele rapidamente. – Eu vou indo então...

– Eu vou anotar no seu pergaminho algumas coisas que eu tive durante o meu processo de aprendizado. Você lê e me diz o que acha ok? Vou separar em tópicos e te entrego amanhã. – disse Hermione agora séria.

– Tudo bem, Granger. Nos vemos depois. – disse enquanto se retirava da sala precisa.

Tom não acreditava naquilo. Era a primeira vez que falhava ao tentar um feitiço. No fundo sabia que a magia das trevas tinha influência nisso, mas não queria ter seu desempenho acadêmico prejudicado. Como o bruxo mais poderoso do mundo seria aclamado se não soubesse conjurar a merda de um feitiço do patrono? Mas ele daria um jeito, conseguiria conjurar esse feitiço nem que tivesse que escravizar alguém do ministério juntamente com um dementador. O rosto de Granger agora não saía de sua cabeça. A forma como ela encarava a situação com naturalidade, por uns instantes, encantou o rapaz. Ela sabia que não era um feitiço fácil e não se preocupou em orientá-lo, apesar de suas desavenças. Só incomodou bastante o fato de ser ela a ajuda-lo e não o contrário. E é claro, a risada dela ao ver as tentativas dele. A Grifinória era realmente atrevida, mas pelo menos era responsável com as tarefas escolares. Enquanto ela mantivesse o mesmo esforço que ele, ele estaria satisfeito.

Enquanto isso Hermione anotava as coisas no pergaminho de Tom, agora em seu dormitório. Ela sabia que ele não conseguiria conjurar, ainda mais de primeira. Mas se tinha que ajuda-lo pra salvar o mundo bruxo, assim o faria. Ela analisou a carta de Dumbledore, que estava oculta na parte detrás de seu vira-tempo. Obra dela. Releu-a novamente, como sempre fazia. Ele realmente queria aquilo. E ela jamais contrariaria um bruxo como Dumbledore. Voltando ao pergaminho de Tom, ela observou atentamente a caligrafia do rapaz, extremamente cuidadosa, com uma letra perfeita. Ele é perfeitinho demais por aqui pra permitir que sua letra seja feia, pensou ela. Ela dobrou o pergaminho e guardou-o dentro de um livro. Deitou-se na cama e pensou por alguns instantes em como seria difícil fazer a vontade de Dumbledore. Ela odiava Voldemort, mas se fosse pra salvar seus amigos, ela faria o sacrifício. Salvaria o garoto que fez todas as escolhas erradas.

Notas finais
E aí o que acharam? Eu sei, não tá lá muito estimulante AEUEAHEAUEAHEA mas o próximo tá com grandes emoções, juro. Nos vemos na próxima sexta