Notas iniciais
Capítulo novinho e cheio de surpresas pra vocês

27 DE NOVEMBRO DE 1944,

Estou sentado na Torre de Astronomia pensando em como Hogwarts foi ao fundo do poço tão rápido. A administração da escola vai de mal a pior. A cada ano um número maior de sangues-ruins invade os corredores desse castelo destruindo tudo o que Salazar prezava.

Não entendo como três bruxos tão poderosos poderiam admitir essa corja nojenta de sangues-ruins dentro da escola. Agradeço por Salazar ter tido a cabeça no lugar e não contribuir para a contaminação do mundo bruxo. Pelo menos a Sonserina está a salvo. Em breve, no que depender de mim, toda a escola estará.

Pretendo reunir meus seguidores na câmara hoje. O basilisco estará lá. É claro que eles não serão atacados. O basilisco só obedece à mim. E cada gota de sangue mágico derramado é um desperdício. Mas eles não podem pensar assim. Todos os comensais tem que temer a mim, só assim terei garantias de que estarão para sempre ao meu lado.

Os dias em Hogwarts estão cada vez mais estranhos. Uma garota chamada Hermione Granger apareceu do nada dentro do castelo, agora sabemos que ela veio do futuro. A garota demonstra saber muito sobre mim e isso não me agrada em nada. Ela pensa ser superior a mim e isso me embrulha o estômago. Mesmo que ela seja inteligente, continua sendo uma Grifinória tola, e depois de sangues-ruins, o que eu mais detesto são Grifinórios. A coragem deles os leva a cometer atos estúpidos, como por exemplo, me enfrentar. Se a Granger sabe tanto sobre mim como diz, deveria ser mais cautelosa.

Meu namoro com Jennifer Bulstrode tem dado uma boa repercussão pelos corredores. Falam até em casamento. O que é óbvio que jamais vai acontecer. É só até eu limpar a escola. Depois disso ela voltará a ser minha comensal.

Penso em recrutar mais alguns seguidores Samuel Goyle e Megan Parkinson têm se mostrado empenhados a acabar com todos os sangues-ruins, e já desconfiam que eu compartilhe da mesma vontade. Talvez sejam recrutados em breve.

Já tenho em mente o nome da primeira vítima do basilisco. Murta Elizabeth Warren tem dado motivos de sobra para isso. A garota me persegue em um nível que nenhuma garota jamais fez. É extremamente irritante. Surpreende-me que ela seja uma Corvinal e não Grifinória. Usarei de sua morte para criar minha segunda horcrux. Você, meu querido diário.

O professor Slughorn finalmente abriu a boca e me confirmou que era possível criar mais de uma. Eu sabia que cedo ou tarde ele revelaria. Só precisei persuadi-lo um pouco e finalmente o velho revelou. Eu sempre consigo o que eu quero.

Aos poucos o Lorde das Trevas está conquistando seu império.

Tom murmurou um feitiço para ocultar o que havia escrito em seu diário. Prevenção para ele nunca era demais. Se o diário caísse em mãos erradas, a pessoa não obteria sucesso em lê-lo. Ele guardou-o em suas vestes e seguiu pelos corredores. Falaria com Bulstrode sobre a reunião mais tarde, mas agora tinha outra coisa em mente.

Não conseguir realizar o feitiço do patrono era algo que estava incomodando-o há dias. Ele tinha seus encontros com a Granger, mas era sempre a mesma coisa. Ou ele desmaiava, ou nada acontecia. Não conseguia pensar em uma lembrança boa o suficiente. Todos os momentos que julgava de felicidade estavam relacionados às artes das trevas. Mas então Tom pensou em uma solução.

Aquela parte cleptomaníaca bem no fundo de seu ser a muito escondida vibrou com isso. Ele sabia que suas tentativas de executar o feitiço seriam inúteis, a não ser que Salazar operasse um milagre. Então ele pensou em uma solução ilícita para resolver o problema. Ela ficaria furiosa se descobrisse, mas ele não tinha escolha. Não seria humilhado perante a classe por não conseguir produzir o feitiço perfeitamente. Tinha que manter sua reputação. Roubaria o frasco de Sorte Líquida de Hermione.

Só não sabia como.

~~~*~~~

Enquanto isso Hermione estava nos terrenos de Hogwarts, com um livro em mãos tentando se concentrar naquilo. Mas era impossível. Muita coisa estava acontecendo e ela se sentia tão frágil... Com Harry e Ron era tudo mais fácil. Eles pensavam que o sucesso que eles obtinham em suas aventuras era devido à Hermione. Mas não. O êxito dos três era devido à união que eles tinham. E Hermione não sabia como prosseguir sem eles. Ambos morreram diante de seus olhos. Voldemort havia destruído tudo o que ela amava e ela queria fazer o mesmo com ele. O problema é que ele não amava nada, a não ser o poder. E esse amor não era algo válido. Por mais que sua consciência quisesse muito destruí-lo, ela teria que honrar o desejo de Dumbledore. Mas era quase impossível. Olhar pra ele já era demasiadamente terrível.

A Granger escondeu a cabeça entre suas pernas e deixou que as lágrimas lhe tomassem a face. Não estava sendo fácil pra ela. Era mais informação do que ela podia processar. E ela podia processar muitas informações, só que estar presa no tempo com Voldemort não era uma delas.

Ela se perguntou em como seria o futuro, agora que ela tinha a possibilidade de interromper. E temeu. Era tudo muito incerto. Limpou às lágrimas e guardou seus pertences desejando voltar ao castelo e afundar seu rosto nos livros da biblioteca. Na esperança de que algum lhe tirasse de sua realidade terrível. Mas quando se virou viu algo extremamente esquisito.

– Mas o quê... – um testrálio. Ela jamais havia visto um diante de seus olhos, mas sabia da existência deles. Harry havia lhe contado que eram criaturas dóceis e extremamente incompreendidas por serem... Diferentes. A castanha se identificava com os testrálios, pois a vida toda se sentia diferente. O animal caminhou em sua direção como se pedisse para ser tocado.

– Pode acaricia-lo. Ele não vai te machucar. – murmurou um garoto. Ela se virou para ver quem era, mas não o reconheceu. Era loiro, cabelos longos e olhos claros. Não como um Malfoy, à arrogância não fazia parte dele. – Eu também posso vê-lo.

– É a primeira vez que vejo um. – sorriu ternamente ao animal, tocando-o em seguida – Eu não tenho medo, sei que são dóceis. Mas... São tão...

– Diferentes. Eu sei. – sorriu o garoto – Você é a viajante no tempo não é? Hermione Granger?

– Sim, sou eu. – acenou com a cabeça — E você é...?

– Isaac Lovegood. – sorriu – Posso perguntar quem você perdeu recentemente? – disse carinhosamente.

– Perdi amigos muito queridos. – disse Hermione tentando não sucumbir às lágrimas novamente – Não foi nada agradável.

– Nunca é. – suspirou melancólico – Eu perdi um irmão. Eu tinha apenas nove anos. – ele tocou o animal acariciando-o levemente – Sabe, eu me acostumei com eles. Os testrálios. Depois que meu irmão morreu, eu sempre ia pra floresta brincar com eles. Sempre me recebiam como um amigo.

– Eu li sobre eles. São incríveis. – sorriu – Por que você está sem sapatos? – perguntou Hermione ao perceber, divertida.

– Acredita que roubaram os meus? Sempre fazem isso comigo. – Hermione riu. Era incrível como todos os seus amigos tinham fortes traços de seus antepassados. Isaac, assim como Luna, era meio fora da casinha.

– Logo vão aparecer. Agora vamos, antes que seus pés congelem e você fique doente. – Isaac concordou e os dois caminharam em direção ao castelo.

Isaac tentava convencer Hermione de que os Narguilés estavam por toda a parte, infestando tudo, eram pragas terríveis. Hermione por sua vez jamais acreditaria no que ele dizia, enquanto ele não tivesse uma prova científica do que falava, a discussão seria inútil. Mas ela se divertia com ele. Gostava de contrariá-lo e vê-lo ficar com raiva, mas era uma raiva amigável. Ele havia simpatizado com ela. Era dócil como Luna. Hermione sentiu-se bem ao seu lado.

Bulstrode passou como um furacão diante de seus olhos. Ela estava visivelmente apressada e corria na direção de Avery, parecia empolgada. Mas então Hermione viu a Bulstrode puxando o garoto para um canto escuro e a curiosidade tomou conta de seu ser.

– Isaac, vá para o Salão Principal, eu já te encontro lá. Preciso ver uma coisa. – disse simplesmente.

– Tudo bem. Só não deixe que ela te veja. – sorriu travesso e Hermione estacou. – Não se preocupe, não contarei a ninguém.

– Obrigada. – então Hermione se dirigiu vagarosamente ao local onde a Bulstrode havia levado Avery. Tomando muito cuidado para não ser vista.

– O Lorde das trevas quer que nos encontremos com ele hoje à noite. Ele nos levará até a Câmara dos segredos e nos dirá quem será a primeira vítima. – disse Bulstrode sem conter sua animação.

– Então você está feliz em dividir espaço com uma cobra de dez metros? – questionou Avery – Eu sinceramente tenho um pouco de receio.

– Não seja frouxo. Tom nunca faria mal a seus aliados. – disse convicta.

– Se ele te ouvisse chamando-o pelo primeiro nome você estaria encrencada. – riu em deboche – Mas tudo bem Jenny, onde devemos encontra-lo e a que horas?

Hermione observava tudo atentamente. Riddle era muito rápido. Ela mal tinha tempo de processar as informações e ele já vinha com novidades. Felizmente ela sabia onde ficava a entrada para a Câmara. Felizmente e infelizmente.

– Ele quer que nos encontremos no Salão Comunal depois do jantar, quando todos estiverem dormindo, depois de sua ronda. – explicou Bulstrode – Depois ele nos levará até a Câmara.

– Está bem.

Era informação o suficiente para Hermione, que se retirou rapidamente do local. Os comensais se julgavam espertos, mas tratavam de um assunto como aquele sem sequer usar um feitiço para que ninguém ouvisse à conversa. Uma ideia absurda passou pela mente da Granger e ela se amaldiçoou por isso. Mas ela o faria. Sem pestanejar.

Só não sabia como.

~~~*~~~

A sala de Defesa Contra as Artes das Trevas estava um tanto diferente. Merrythougt havia retirado todas as mesas e colocado uma grande passarela no centro da sala. Dumbledore e os demais professores estavam presentes e os alunos olhavam sem saber direito o que estava acontecendo.

Slughorn caminhava na direção de Tom e despejava elogios sob o rapaz, que agradecia cordialmente, mas no fundo, estava de saco cheio.

– Tom, meu rapaz. Penso em fazer uma pequena festa só para os alunos mais seletos na semana que vem. Antes que as provas finais comecem e vocês fiquem loucos. – sorriu o professor – É claro que você está convidado. – disse num tom óbvio.

– Com toda a certeza estarei lá, professor. – sorriu Riddle.

– Leve sua namorada com você. Ouvi dizer que vocês pretendem se casar depois de Hogwarts, é verdade? – Tom praticamente engasgou com o próprio ar.

– Não! Quer dizer, não falamos sobre isso ainda. – Tom retomou sua postura. – Ainda é cedo para isso, concordamos em dar um passo de cada vez.

– Mas é claro. Um jovem brilhante como você não pode se precipitar em suas decisões. – sorriu Slughorn. – Senhorita Granger! – ele largou Tom sozinho e foi em direção à garota.

Tom não deu muita atenção, sabia que ele iria bajulá-la também. Afinal a garota era inteligente. Estava realmente intrigado com a aula. Não entendia porque os professores estavam reunidos naquela sala, nem o porquê de parecerem tão animados. O professor Flitwick subiu à passarela juntamente da professora Merrythougt.

– Como vocês podem claramente perceber, teremos uma aula diferente hoje. – começou Galatea. – O diretor Dippet concordou em permitir que começássemos um pequeno Clube de Duelos, então eu pedi ajuda do professor Flitwick nessa missão. Nosso objetivo é mostrar a vocês como agir em combate. Convidamos os demais professores para assistir nossa demonstração. – disse animada. Tom olhava atentamente, curioso.

– Eu e a professora Merrythougt daremos uma pequena demonstração, e vocês nos seguirão em seguida, se assim desejarem. – disse Filius – Podemos?

– Prepare a varinha senhor Flitwick. – sorriu maliciosa. – Vocês cumprimentarão o adversário de vocês – disse representando o que os alunos teriam que fazer – E após isso dirão seus feitiços para desarmar seus adversários. Desarmar apenas. Não queremos que ninguém saia daqui numa caixa de fósforos.

Os professores se cumprimentaram e recuaram em direções contrárias. Quando finalmente Filius soltou rapidamente seu feitiço.

Expelliarmus! – disse o professor, sem esconder a felicidade em ver Merrythougt cair no chão enquanto sua varinha ia direto para as mãos dele. A professora riu com escárnio para o professor, mas não se vingaria.

– Viram? É bem simples. – todos os alunos olhavam admirados. Apenas Hermione não se sentia inclinada à tentar. – Senhorita Granger, porque não nos dá a honra de ser a primeira?

– E-eu não sei se é uma boa ideia. – disse à castanha.

– O que foi Grifinória? Com medo? – ouviu a voz acusadora de Bulstrode atrás de si.

– Não tenho medo de nada. – afirmou Hermione.

– Então vamos. Seu duelo será contra mim.

A sala foi à loucura. Todos queriam ver as duas duelando. Uma atmosfera de competição se instalou ali. Todos sabiam o porquê. Bulstrode estava morrendo de ciúmes da Granger devido a Tom. Aquela era a oportunidade de mostrar à Grifinória que não deveria se meter em seus interesses. Não interessava a ela que fosse apenas um trabalho, mas ela não suportava ver os dois cada vez mais próximos.

– Então subam já aqui em cima! – ordenou Galatea. Tom não estava satisfeito com a postura de Jennifer, mas deixou que tudo fluísse. Não queria chamar ainda mais atenção.

As duas caminharam até a passarela e foram na direção uma da outra. Ambas se cumprimentaram cordialmente. Bulstrode tinha um sorriso perverso nos lábios.

– Eu vou acabar com você. – sorriu à morena. Hermione ignorou e ambas recuaram até às extremidades da passarela.

– Apontem as varinhas. Vou contar até três e vocês dirão os feitiços. – disse Filius – 1...2...3!

Estupefaça! – gritou Hermione atingindo a Bulstrode, fazendo com que a garota girasse no ar e caísse de costas no chão.

Mas a Bulstrode não aceitaria a derrota. Todos agora riam de sua cara e ela não seria humilhada por uma Grifinória. Seu sangue ferveu e ela foi em direção à Granger, agarrando-a pelos cabelos, de surpresa.

Só pode ser carma, pensou Hermione. Estava destinada a duelar com uma Bulstrode? Em seu segundo ano em Hogwarts, quando duelou com Emília Bulstrode ocorreu o mesmo. A garota não havia aceitado à derrota e partiu para a agressão física. Felizmente Hermione não tinha mais 12 anos e se defendia melhor. O problema é que a Bulstrode de 1944 era bem mais forte que a de 1992.

Todos os alunos iam à loucura com a briga que agora ocorria naquela passarela. A Bulstrode agora dava uma chave de braço em Hermione, que tentava se livrar daquilo. Tom, ao contrário de seus seguidores não estava nada satisfeito com aquilo. Jennifer estava sendo totalmente imprudente, trazendo atenção desnecessária. O pior é que todos esperavam uma reação dele, por acreditarem que ele era o pivô da briga. Estava furioso! Tão furioso que mataria todos ali presentes com um simples aceno de varinha.

– Qual é Bulstrode! Aceita logo que perdeu! – gritou Hermione se livrando da chave de braço e ficando por cima da garota, saindo em seguida correndo para perto dos professores.

– Eu vou acabar com você! – gritou a Bulstrode correndo na direção da Granger, mas foi impedida por Tom, que a agarrou pela cintura.

– Já chega Jennifer! Pare com isso agora! – gritou o sonserino – Se não parar com isso terá problemas muito maiores do que a detenção que você provavelmente vai levar depois desse showzinho ridículo. – sussurrou ameaçadoramente para que apenas ela pudesse ouvir.

– Senhorita Bulstrode! Não permito esse tipo de comportamento em minha aula! Discutiremos o seu castigo em breve. – vociferou Galatea – A senhorita está bem, Granger?

Hermione acenou com a cabeça. Estava mais do que bem. Havia conseguido o que queria. O cabelo da Bulstrode. Tom olhou-a de longe como se pedisse desculpas pelo comportamento da namorada. É óbvio que ele não estava sendo sincero, estava apenas disfarçando sua diversão na frente dos professores.

Galatea ficou tão furiosa que suspendeu à aula e ordenou que todos saíssem dali. Nos corredores não se falava outra coisa. Alguns diziam que Jennifer havia batido tão forte em Hermione que ela teria que ficar dias na enfermaria. Outros diziam que Hermione havia pisado na cabeça de Jennifer repetidas vezes até que ela ficasse inconsciente. Variações à parte, a briga era a pauta dos corredores.

Hermione estava eufórica em seu quarto. Metade de seu plano estava completo. Bulstrode estaria na detenção com Galatea e ela iria no lugar dela até a reunião de Riddle. Havia furtado um pouco de Poção Polissuco sem que o professor Slughorn percebesse durante uma das aulas. Agora era só ter certeza de que Bulstrode não atrapalharia seus planos.

~~~*~~~

Jennifer estava cansada. O tempo correu muito rapidamente e ela sabia que estava encrencada. Não só pelo seu atraso, mas também pelo ocorrido de mais cedo. Tom não perdoaria tão indiscrição tão facilmente, ela sentia um pouco de medo ao pensar nisso. Já havia visto do que ele era capaz de fazer e temia por sua integridade física no momento. Ainda mais com o garoto pretendendo visitar a Câmara.

Ela andava o mais rápido que podia para chegar logo às Masmorras, enquanto isso tentava bolar um pedido de desculpas, mesmo sabendo que seria inútil.

– Cansada Bulstrode? – ela reconheceu a voz imediatamente. Graças a essa maldita pessoa, ela estava nessa situação.

– Veio pra apanhar mais, Granger? Por que nesse momento eu juro que o que eu mais quero é bater em você. – afirmou com a raiva estampada em seus olhos.

– Eu compartilho da mesma opinião. Mas no momento... – Hermione ergueu a varinha rapidamente – Petrificus Totalus! – e Bulstrode caiu petrificada. – Acho que você vai passar a noite no armário de vassouras. Mas, só por garantia. – Obliviate. – disse fazendo com que a garota esquecesse que ela a havia petrificado.

Hermione alterou a memória de Jennifer apenas por precaução, caso alguém a encontrasse antes que ela terminasse o que queria. Hermione escondeu Bulstrode no armário de vassouras, onde tomou a poção.

– Sempre o mesmo gosto de xixi de duende. – Hermione revirou os olhos – Agora vamos vestir esse uniforme horroroso. Merlin, como eu detesto verde! – disse ao completar a tarefa e vestir o uniforme da garota.

Caminhou rapidamente até as masmorras. Sabia como entrar no Salão Comunal apenas na teoria, porque Harry e Ron já haviam contado a ela sobre a porta secreta. Tecnicamente ela era uma Sonserina, mas onde estava a porcaria da porta? Ela vislumbrou algo se abrindo no fim do corredor e correu até lá. Subiu as escadas e se deparou com uma enorme sala verde e prata. Luxuosa, cheia de decorações exageradas. Muito diferente do Salão da Grifinória, que era muito aconchegante. Esse era frio.

– Vejo que encontrou o caminho Jenny. Achei que tinha se perdido. – disse Riddle.

– A professora Merrythougt me prendeu por mais tempo do que eu esperava. – Hermione disse disfarçando a voz.

– Depois do showzinho ridículo que você deu uma detenção ainda foi pouco. – disse visivelmente irritado. – Realmente não esperava isso de você e creio que merece um castigo. Mas como estou me sentindo extremamente compreensível hoje, não o farei. Sigam-me até o dormitório.

Todos se encaminharam até o dormitório de Riddle. Que selou a porta com vários feitiços de proteção, para que não pudessem ouvi-los. Aproximou-se de Hermione e passou o braço pela cintura da mesma, que estacou de medo. Todos estranharam aquele ato, mas não questionaram.

– Como vocês sabem, eu pretendo leva-los até a Câmara hoje. – disse Tom – Mas primeiro gostaria de compartilhar o nome da primeira vítima. – sorriu perverso.

– Quem é Milorde? – Abraxás estava visivelmente animado com aquilo.

– Murta Warren. A Corvinal inconveniente. – revirou os olhos. Hermione se mostrou incomodada. – Algum problema, querida? – perguntou Riddle com um tom falsamente carinhoso.

– Nenhum milorde. – dizer aquilo doeu lá no fundo da alma de Hermione. Sentia vontade de vomitar. – Murta é realmente um pé no saco. – aquilo realmente era verdade. Mas nem por isso ela desejava a morte da garota.

– Bom. – ele abraçou-a por trás e Hermione saiu de seus braços rapidamente. Tom olhou atentamente, mas nada perguntou. – Pensando melhor e acho que não é conveniente nós irmos até a Câmara hoje. Pelos aborrecimentos de hoje – olhou rapidamente para Hermione – eu ainda não fiz a ronda e talvez tenhamos alunos fora da cama. Não quero arriscar que sejamos vistos por alguém. – explicou.

– Mas milorde... – começou Lestrange.

– Sem mais. É melhor assim. Eu os informarei novamente quando decidir leva-los até lá. – disse ríspido. – Agora me deem licença. Quero falar com Jenny a sós. – olhou para ela. Hermione agora estava com medo demais para rebater aquilo.

Todos os demais saíram imediatamente do quarto quando Tom retirou o feitiço que travava a porta.

– Você entende que o que fez hoje foi grave não? – começou Riddle.

– Peço desculpas, milorde. Pelo descontrole. Não devia ter atacado a Granger. Mas fiquei com tanta raiva! – Hermione fingia, tentando não deixar sua voz vacilar. Ela estava preocupada não por estar trancada no quarto com Riddle, mas sim pelo medo de o efeito da poção acabar com ela estando presa ali.

– Você sabe. Não precisa me chamar de ‘’milorde’’ quando estamos a sós. Pra você eu sou apenas o Tom. – disse caminhando na direção dela e passando os braços pela cintura da garota. Hermione não acreditava naquilo. Voldemort sendo carinhoso? E não se sentindo incomodado por ser chamado pelo nome de batismo? Aquela garota havia mexido com ele tanto assim? Algo se remexeu no fundo de Hermione.

– Desculpe Tom. – sorriu – Mas é sério, me perdoe pela indiscrição de mais cedo. E também pelo atraso. Você sabe que eu não sou assim. – chutou Hermione. Pelo menos ela achava que Bulstrode não era assim. Ao julgar pelos ciúmes que ela sentia de Riddle, ela devia fazer de tudo para conseguir a aprovação dele.

– Tudo bem. – sorriu carinhosamente – Mas eu vou querer um pedido de desculpas mais convincente. – ele caminhou com Hermione até a parede fria do dormitório. Hermione se desesperou, só não tremia de medo porque estava se segurando. Ele queria... Beijá-la? Burra, burra, burra! Hermione repreendeu-se. Bulstrode era namorada de Riddle, é claro que beijos era normal entre eles. Apesar de ainda ser um pouco difícil imaginar Voldemort com uma namorada. Ainda mais sendo carinhoso.

– Tom, eu... Eu estou um pouco cansada. Acho melhor eu ir para o meu dormitório. – disse tentando se desvencilhar dos braços do rapaz.

– Você está me dispensando? – arqueou a sobrancelha.

– Não! É só que...

– Um beijo. E eu te deixo ir. – sorriu maliciosamente. Hermione abriu a boca para responder, mas já era tarde demais. Riddle tinha seus lábios grudados aos dela.

Hermione pensou em interromper o beijo, mas foi algo inútil. Ela tentou, realmente tentou, não queria ceder, aquilo era a última coisa que ela faria na vida! Mas o rapaz era persuasivo. Pediu passagem com a língua e Hermione não resistiu por muito tempo. Quando percebeu já tinha as mãos presas aos cabelos de Riddle que agora a prendia em seu corpo de maneira possessiva. O beijo foi se tornando cada vez mais intenso e aos poucos Hermione já estava totalmente entregue ao momento. Tom entrelaçou as mãos nos cabelos da garota e correu os lábios pelo pescoço da mesma, que soltava pequenos gemidos que só encorajavam mais o rapaz a continuar. A garota afundava as unhas nas costas de Riddle por cima das vestes quando ele decidiu por mordiscar o pescoço da mesma. O corpo de Hermione mal podia se sustentar em pé pela intensidade daquele beijo, ela só não estava no chão porque agora uma das mãos de Riddle a segurava firmemente pela cintura. Nunca havia sido beijada daquela maneira. Ela não tinha muita experiência nisso, mas sabia que aquilo era diferente de qualquer beijo que ela já havia experimentado. O beijo com Ron havia sido maravilhoso, cheio de amor. Mas esse era diferente, era intenso... O rapaz mordiscou seus lábios e ela deixou escapar um baixo gemido de aprovação.

Tom separou o beijo e Hermione estava ofegante. Os lábios um tanto inchados e a mente um pouco confusa. Tom olhava fixamente para ela e ela levantou o rosto em sua direção. Mas não encontrou o olhar apaixonado de minutos atrás.

– Você realmente pensou que poderia me enganar com essa Poção ridícula? – Voldemort olhava pra ela com um olhar divertido e assassino – Eu soube que você não era a Bulstrode desde o momento em que pôs os pés aqui. – ele ainda tinha as mãos na cintura da garota, segurando-a em um aperto firme – Hermione.

– C-como? – Hermione se apavorou. Começou a se debater nos braços de Riddle tentando se soltar, mas ele era muito mais forte que ela. – Me solta! – gritou apavorada. Como ele sabia de sua identidade?

– Eu posso ler a mente de todos nesse lugar. A única pessoa que não consegui invadir foi... Você. – ele a encarava com um olhar letal. – Eu sabia que era você. Quem mais seria tão estúpido pra invadir uma reunião minha usando o corpo da minha namorada?

– Não me chame de estúpida! – vociferou Hermione empurrando Tom que dessa vez a largou. – Quer saber o que eu vim fazer aqui? – agora Hermione já estava em sua forma normal e Riddle sorriu debochado. – A sua namoradinha não foi cuidadosa durante todo o dia. Eu a vi conversando com Avery sobre a reunião, sobre a Câmara, e sobre a morte que você estava arquitetando! – gritou – Eu sei! – Riddle abriu a boca para falar – O que eu tenho haver com essa merda toda? Acontece Riddle, que eu não vou permitir que você machuque ninguém enquanto eu estiver aqui.

– Acontece que não cabe a você decidir o que eu vou ou não fazer. – disse ameaçadoramente – Eu disse pra não se meter em meu caminho, Hermione. Eu avisei. – o garoto procurou a varinha em suas vestes, mas não a encontrou.

– Procurando isso? – sorriu maliciosa – Você acha mesmo que eu iria correr o risco de ser morta por você? Por favor, Riddle. Seja mais inteligente. – ela apontou a varinha na direção do rapaz. – Eu vou sair daqui e você não vai mover um músculo! Ou eu juro que estuporo você.

– Não brinque com fogo, garota. – disse Riddle em um tom cortante. – Eu prometo a você que me tornarei o seu pior pesadelo.

– Eu realmente vou querer ver isso. – Hermione lançou um feitiço para se camuflar diante dos olhos de Tom, que viu a garota sumir em poucos instantes. – Deixarei sua varinha lá em baixo, depois você pega. – disse a voz da castanha, divertida. – Foi bom falar com você. – caminhou até a porta e virou-se para encarar o garoto, que tinha uma expressão de ódio evidente no rosto. – E a propósito. Seu beijo é horrível. – disse saindo do quarto e deixando um Tom possesso de ódio para trás.

Hermione já estava fora do Salão da Sonserina quando desabou a chorar no chão das Masmorras. Havia sido tão estupidamente corajosa! Você poderia estar morta, Hermione. Seu corpo todo tremia. Não acreditava na sorte que havia tido. Se não tivesse capturado a varinha de Riddle, estaria morta.

Ela agora caminhava em direção a seu dormitório, não sem antes liberar a Bulstrode do encantamento. Deitou-se na cama e pôs-se a chorar novamente. Ela havia beijado Voldemort! Voldemort! Estava com nojo de si mesma com nojo do próprio corpo. E o pior é que ela havia gostado. Por um momento ela tinha se entregado totalmente às carícias do garoto. Aquela não era Hermione Granger.

Enquanto isso Riddle agora com sua varinha em mãos observava Bulstrode adentrando o Salão totalmente confusa.

– Milorde me desculpe pelo atraso. Eu não sei o que aconteceu... Eu...

Silêncio! – lançou o feitiço – Crúcio!

Notas finais
E aí? *------* TEVE BEIJO MEU POVO! O que acharam? Gostaram?