I put a spell on you

3 Granger Danger


Notas iniciais
Lumus! Gente, eu sei que me atrasei. Era pra eu ter postado na sexta, mas aconteceu algo muito triste na minha família e eu não tinha condições psicológicas de terminar o capítulo. Uma das minhas irmãs faleceu a caminho do hospital na madrugada de quinta e na sexta eu não estava nada bem. Espero a compreensão de vocês e peço que mandem energias positivas pra que ela encontre o caminho dela.

Duas e quarenta da tarde. Cada segundo de espera fazia com que a raiva de Tom pela Granger crescesse. Ele tinha perguntas a fazer e não suportava o fato de ter que esperar pelas respostas. A garota permaneceu calada durante todo o trajeto pelo Beco Diagonal. Por mais que Tom não fosse muito de puxar papo, aquele silêncio o incomodava. Decidiu fazer a linha amigável com a garota, mas ela não parecia muito interessada, o que era um choque pra ele, geralmente as garotas praticamente se matavam pra ter a atenção dele.

Já haviam passado pela Floreios e Borrões e comprado alguns livros que a garota precisaria. Tudo por conta de Hogwarts é claro. Tom se perguntava se Hermione se sentia tão incomodada quanto ele por ser bancada pela escola. Tom não gostava de ser sustentado por Hogwarts, mas era agradecido por isso. Ele, como monitor, recebia um pequeno salário para gastar como bem entendesse claro que não era muito dinheiro, mas ele não ligava muito pra isso. O que ganhava como monitor ele guardava para momentos mais oportunos.

Agora eles estavam em frente à loja de varinhas. Hermione suspirou em alívio quando chegaram ali. Estava totalmente aliviada por poder recuperar sua dignidade como bruxa. Ela não se importava em estar perdida no tempo com Voldemort ao seu lado. Se importava em estar perdida no tempo com Voldemort ao seu lado sem portar uma varinha. Para sua sorte, ele fingia ser um bom rapaz para não levantar suspeitas sobre si mesmo. Ela havia pensado muito sobre como iria sobreviver a ele naquela época. O basilisco rastejaria pelos canos em Hogwarts muito em breve e ela temia por sua vida, novamente. Se Voldemort soubesse que ela era uma nascida trouxa, estaria ferrada e todo o esforço seria em vão. Decidiu criar uma história que a deixasse acima de qualquer suspeita. Nem mesmo Dumbledore sabia a natureza de seu sangue. Hermione queria que Riddle acreditasse nela, para que quando tivesse a oportunidade, acabar com ele sem levantar suspeitas. Ela se repreendeu por esse pensamento, era exatamente como ele agia, mas era Voldemort. Ela não podia sentir-se culpada por enganá-lo. Mas a ideia que lhe ocorrera parecia brilhante a seus olhos.

– Está tão quieta, senhorita. – Tom resolveu falar enquanto entravam na loja.

– Só estava pensando sobre o fato de que finalmente terei uma varinha novamente. – respondeu tranquilamente.

– Não sei se a Olivaras ainda existe no seu tempo, mas todos compram varinhas aqui. Com certeza encontrará alguma que lhe agrade. – Tom tocou a campainha da bancada esperando que o senhor Olivaras aparecesse.

– Bom dia. – senhor Olivaras apareceu de repente, em cima de uma escada. O que fez com que Hermione levasse um susto. – Me desculpe querida, eu tenho essa mania de causar impacto dramático quando os clientes chegam. – ele riu enquanto descia da escada. – Eu estava mesmo a sua espera, senhorita Granger.

– Como? – começou Hermione. O senhor Olivaras tinha o mesmo jeitinho, apenas estava alguns anos mais jovem.

– O diretor Dippet me informou que viria. – voltou-se a Tom – Bom dia, senhor Riddle. É um prazer vê-lo por aqui novamente.

– Igualmente, senhor. – sorriu cordialmente – A senhorita Granger teve sua varinha destru...

– Eu posso falar, Riddle. – Hermione bufou.

– Desculpe. – Tom se segurou para não sacar sua varinha e arrancar a língua daquela insolente.

– Senhor, minha varinha infelizmente foi destruída em uma ocasião não muito agradável. – olhou rapidamente para Tom, que ficou intrigado – Espero que o senhor possa me ajudar com isso.

– Claro, querida. Mas devo lhe informar que a varinha escolhe o bruxo. Sua varinha havia lhe escolhido e foi destruída. Nenhuma outra irá te escolher.

– Entendo. – Hermione se entristeceu. Temia que nenhuma varinha a obedecesse novamente.

– Mas podemos encontrar uma varinha que se adeque à sua personalidade. Para isso vou precisar saber um pouco sobre a senhorita. Conte-me sobre sua personalidade.

Hermione ficou apreensiva por ter que dar informações sobre ela ao senhor Olivaras na frente de Tom, não queria que ele soubesse coisas demais sobre ela, poderia usar a favor dele. Ela dava graças aos céus por ter aprendido a arte da Oclumência, mas temia que Voldemort conseguisse invadir sua cabeça. Ele era muito bom nisso, se lembrava de Harry tendo sua mente invadida por ele por várias vezes. Se Harry não conseguia bloqueá-lo sempre, quem garante que ela conseguiria fazê-lo? Hermione contou ao senhor Olivaras sobre os lugares que gostava no mundo bruxo, contou sobre seu amor por leitura e algumas histórias de infância, claro, sem revelar que era nascida trouxa.

– Acho que tenho uma varinha perfeita para a senhorita. – sorriu o senhor Olivaras subindo novamente na escada e alcançando uma caixinha ao fundo da prateleira mais alta da loja. – É feita de videira. Tem 38 centímetros e seu núcleo é constituído por fibra de coração de dragão. Experimente senhorita Granger.

Hermione não sabia o que dizer. Aquela era sua varinha! A mesma que havia sido destruída. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela sorriu de felicidade ao segurar a varinha e ver uma luz amarelada em volta de si. A varinha havia escolhido a ela novamente, pois lhe pertencia.

– Isso é... – começou o senhor Olivaras.

– Impossível. – Tom estava abismado – Outra varinha não poderia escolhê-la.

– E- eu não sei o que está acontecendo... – mentiu Hermione – Mas não posso negar minha felicidade. – abriu o sorriso mostrando a fileira de dentes perfeitamente alinhados.

– Essa varinha está em minha loja há pouco tempo, senhorita. Não tenho uma explicação para lhe dar, mas se ela lhe escolheu, ela é inteiramente sua. – sorriu – O mundo mágico guarda muitas surpresas. Faça bom uso dela.

Tom permaneceu calado enquanto saíam da loja. Ele não estava entendendo aquilo. Tantos mistérios cercavam a garota e ele detestava não saber das coisas. Hermione corria feliz pelo Beco, rodopiando e sorrindo, fazendo alguns encantamentos com a varinha. Ela deve estar realmente feliz, pensou Tom.

– Eu sei que você está curioso, Riddle. – começou Hermione, sentando-se em um banco próximo.

– Só não entendo... Tantos mistérios envolvem você, Granger. É frustrante não saber. – Tom agora estava sentado ao lado dela e tentava ler a mente da garota, mas não entendia o porquê de não estar conseguindo entrar.

– Eu sei que você está tentando ler a minha mente. Mas não será possível. Não tente invadir a minha privacidade, Riddle. – bufou a castanha – Eu sei muito bem como bloquear você.

– C-como? – Perguntou Tom, incrédulo.

– Como você mesmo disse, há muitas coisas sobre mim que você não sabe. Mas não precisa se enfiar na minha cabeça como um parasita. É só perguntar. – disse ríspida.

– Não fale comigo nesse tom. – disse agora alterado.

– Não me dê motivos pra falar com você nesse tom. – rebateu.

– Grifinórios, sempre atrevidos... – bufou.

– Sonserinos, sempre idiotas. – suspirou – Acredito que você esteja curioso sobre a varinha. – disse Hermione. Começaria a colocar seu plano em prática naquele momento.

– Não posso negar isso. É fato que varinhas só escolhem bruxos uma única vez. Isso é comprovado. Não entendo como essa varinha tem lealdade a você. – Tom pegou a própria varinha dentro das vestes e Hermione estacou – Quando a minha me escolheu, foi uma sensação única, poderosa. Eu sabia que ela faria tudo que eu quisesse que ela era como uma parte de mim. Mas você já teve uma varinha antes dessa, não entendo. Como duas varinhas podem jurar lealdade a você? – Tom estava prestes a explodir, estava com um pouco de inveja da castanha.

– Achei que você sacaria logo, não é o mais inteligente de Hogwarts? – debochou Hermione e Tom revirou os olhos – Essa varinha é a mesma que foi destruída em 1998, Tom. – Hermione repreendeu-se por chama-lo pelo primeiro nome, Harry lhe contara que ele detestava isso, por ser o nome de seu pai. E ela sentiu o desconforto do rapaz ao ouvir. – Ela me escolheu porque me pertence desde sempre.

– Claro... Agora faz sentido. – disse Tom – Eu sei que você é uma viajante, mas não entendo, como chegou até aqui? Por que veio pra cá? Eu vi, Hermione – chamou-a pelo primeiro nome como forma de devolver o que ela havia feito – Vi o quão machucada você estava quando chegou em Hogwarts.

– Eu não posso te dizer. Coisas horríveis aconteceram...

– A bruxos que mexeram com o tempo. – completou Tom. – Eu entendo. Mas minha curiosidade não acaba aqui. Incomoda-me o fato de não saber sobre você, tendo eu mesmo a salvado. – Tom sorriu ternamente, claro que era um ato falso, estava flertando com a garota para tentar conseguir informações, já havia feito aquilo antes e sempre dava certo. Porém Hermione estava jogando com ele também.

– Eu não agradeci como devia. E peço desculpas. Eu estava muito assustada com tudo, confusa. Precisava falar com Dumbledore. Sabia que ele me ajudaria. – disse ela e Tom se apegou a revelação.

– Por que Dumbledore? – perguntou tentando esconder o ódio que sentia ao pronunciar aquele nome.

– Não posso dizer. – respondeu rapidamente.

– Entendo. – engoliu em seco.

– Sabe, estou muito feliz por ter a minha varinha de volta. – respirou fundo – Me sinto bruxa novamente.

– Como assim, novamente? A senhorita não é sangue-puro? – perguntou Tom, arqueando a sobrancelha. – Eu vi a senhorita contando algumas memórias de infância no mundo trouxa ao senhor Olivaras. – disse com desdém.

– Não gosto muito do termo, mas não, não sou sangue-puro. Sou mestiça. Meu pai bruxo, minha mãe trouxa. – E Hermione começou seu teatro.

– Eu também sou mestiço... – disse Tom, envergonhado e com raiva.

– Eu sei. – disse Hermione e Tom congelou, voltou-se para a castanha furioso. Quem estava ali agora era Voldemort. Ninguém sabia da natureza de seu sangue, nem mesmo seus seguidores.

– Como você sabe? – Tom se aproximou da castanha, fazendo com que a garota recua-se um pouco, mas se mantendo firme.

– Digamos que nossas histórias são muito parecidas, senhor Riddle. Eu o conheço mais do que imagina. Vim do futuro, Tom. – disse a moça.

– Não me chame de Tom. – os olhos antes verdes do rapaz, agora haviam escurecido. Ele estava possesso de raiva.

– Me desculpe. – sorriu falsamente à castanha – Eu sei de toda a sua história, Riddle. E sei que anda aprontando. Mas não se preocupe, não faço a linha fofoqueira. – ele a olhava com o mesmo olhar raivoso quando apontou a varinha pra ela.

– Silencio. – lançou o feitiço sobre Hermione. Agora a castanha estava desesperada e sendo arrastada pela Travessa do Tranco. Havia irritado o rapaz, não deveria ter dito tanta coisa. Ele prensou-a em uma das paredes e apontou a varinha para ela novamente. – Finite. – disse ele. – Agora mesmo você vai me explicar tudinho. – agora ele tinha as mãos nos cabelos da castanha, puxando-os com força enquanto seus lábios estavam próximos ao ouvido dela, sua voz era ameaçadora. – Se você sabe quem eu sou, sabe muito bem que não tenho o costume de ser paciente. Pode ir me falando o que mais você sabe sobre mim. E se você pensar em gritar eu vou dar um jeito em você. Não posso mata-la porque se não eu seria um suspeito, mas ainda posso torturar você e apagar a sua memória... – ele agora tinha a varinha na cintura da castanha. Hermione queria chorar, mas estava se segurando. – Como você sabe tantas coisas sobre mim? Como sabe que eu sou mestiço?

– Muitas coisas mudaram no meu tempo, Riddle. – Hermione tinha as mãos prensadas pelo peito de Riddle. – Eu não posso dizer como sei sobre você. – ela ficou na ponta dos pés em um ato de coragem e chegou até o ouvido do rapaz – Eu sei quem você é, e você não sabe quem eu sou. Eu estou em vantagem. E sou uma viajante. Se você me atacar, já pensou que pode prejudicar você no futuro? Você não sabe quem eu sou por lá, nem mesmo sabe sobre você. Você nem sabe se existe. – sussurrou ela da mesma forma pra ele – Então eu acho melhor você perder essa sua pose abusada e sair de perto de mim, porque eu posso muito bem dar um chute nas suas bolas, e pra isso não vou precisar de uma varinha. – Tom estava revoltado. Ele estava sendo enfrentado pela garota, que se achava superior a ele. E o pior de tudo é que ela estava certa no que dizia. Tom podia estar explodindo de vontade mata-la naquele momento, mas sabia que não se devia mexer com o tempo. – Dá pra me soltar? – pediu ela tentando empurrá-lo. Hermione não sabia ao certo, mas achava que assim que ele a soltasse ela despencaria no chão e começaria a chorar. Estava apavorada por dentro. Acabara de enfrentar Voldemort e sabia que se não fosse pelo tempo, ela estaria morta. Agradeceu mentalmente ao Deus Cronos por isso.

– Você tem razão... – ele continuava com uma das mãos nos cabelos da garota, embora tivesse afrouxado o aperto. Seu rosto agora estava rente ao dela. – Você pode até ser perigosa Granger, mas não vai se criar comigo. Eu sei, e você sabe que no instante em que você cruzar o meu caminho tentando me atrapalhar, eu dou um jeito de acabar com você, e nem vou precisar te matar. Posso me tornar o seu pior pesadelo. – o olhar de Tom era penetrante, persuasivo, irritantemente bonito, pensou a garota – Essa é uma trégua, Granger. Espero que não abuse da minha boa vontade. – alguns bruxos passavam pelo local agora, mas qualquer um que os visse, acharia que era apenas um casal de adolescentes namorando. – E nem pense em contar pra alguém sobre esse nosso momentinho. – se aproximou novamente do ouvido da garota – Eu acabo com você. – e finalmente a soltou, puxando-a para seu lado para que pudessem andar.

– Não me ameace. Eu disse que não sou do tipo fofoqueira. Por mais idiota que você seja, eu não vim aqui pra arrumar briga. Só quero viver em paz. Você pode fazer o que quiser com a sua maldita vida. – Hermione estava ofegante – Agora vamos voltar ao castelo. Já tive demais da sua companhia por hoje e estou realmente exausta.

– Compartilho da mesma opinião, senhorita. Mas não se esqueça, ainda temos um trabalho juntos. – Tom havia retomado sua postura habitual, nem parecia que havia mostrado as garras há instantes atrás. – E vou avisando que não sou do tipo que gosta de trabalhar com preguiçosos. Se não for ajudar, eu o farei sozinho.

– Não seja tolo! Eu nunca deixaria um trabalho de lado. – seu lado cdf gritava agora – Mesmo que meu colega seja uma criatura desagradável, eu não vou deixar de cumprir minhas obrigações. E não se preocupe. Eu já domino o feitiço. – Hermione novamente deixou sua boca grande despejar as coisas.

– Como? Você não pode dominar uma magia avançada como essa. – Tom estava visivelmente chocado.

– Pois eu domino. O que você não sabe sobre mim daria um livro. Mas você também conhece coisas que vão além do conhecimento que os bruxos da sua idade possuem. Nós dois temos muito em comum. – bufou Hermione, realmente tinham mais coisas em comum do que ela gostaria. Um lado dela estava louco pra ver Riddle falhar em conjurar o feitiço, aquilo renderia horas de risos pra ela. Ela sabia que pouquíssimos bruxos das trevas conseguiam conjurar um patrono, e sabia que Voldemort não era um deles. – Mas não se preocupe, eu vou ajudar você com o feitiço.

– Não preciso da sua ajuda. – disse rispidamente. – Agora que já tem tudo o que precisa, vamos voltar ao castelo. Vou esperar você organizar os seus horários e depois marcamos de nos encontrar pra fazer o trabalho, ok?

– Por mim tudo bem. – respondeu.

~~~*~~~

Agora estavam em Hogwarts. Hermione ainda não se sentia totalmente recuperada do momento que tivera com tom na Travessa do Tranco. Ainda não acreditava que tinha o enfrentado, e o melhor, não tinha deixado transparecer o medo. Riddle acreditava que ela era mestiça, isso talvez a excluísse da longa lista de mortes via basilisco, mas com o ódio que o garoto tinha dela no momento, ela estava preocupada.

– Bem, está entregue. De nada. – disse Tom enquanto ajeitava suas vestes.

– Você é incrível. Deveria ser ator. É muito bom, de verdade. – Hermione aplaudiu cinicamente. – Você me ameaçou de morte e agora age como se nada tivesse acontecido. – sussurrou ela para que somente ele pudesse ouvir.

– É um dom. – gabou-se. – Se bem me lembro você também me ameaçou. – disse com um falso medo estampado nos olhos.

– Olho por olho, Riddle. – sorriu à castanha. – Agora se me der licença, preciso descansar. Um dia a seu lado pode se mostrar realmente maçante. Vou voltar ao Salão Comunal de depois resolver as coisas sobre os meus horários. E escolher as disciplinas optativas. – Hermione suspirou. Ela faria tudo, menos Adivinhação.

– Algumas garotas discordariam de sua opinião. – disse metido.

– Sempre me dizem que das bruxas da minha idade, eu sou a mais inteligente. Então eu estou certa. Sinto muito em desapontar você. Boa tarde, Tom. – ele fechou a cara ao ouvir seu nome novamente e Hermione ao dizer isso correu em direção ao Salão Comunal.

– Grifinória abusada. – bufou ele se retirando em seguida.

~~~*~~~

Hermione agora estava deitada na cama com um exemplar de ‘’Entre Quatro Paredes’’, de Jean Paul Sartre, um autor trouxa muito conhecido. A peça contava a história de três pessoas mortas que eram obrigadas a conviver juntas em uma sala no inferno para o resto da eternidade, onde um era o inferno do outro. Hermione bufou, os livros mais uma vez imitavam sua vida. Se antes se sentia como Prometeu, agora se sentia como Inês, a única personagem que se assumia como era e que tinha plena consciência dos atos que a levaram até lá. Estava no inferno, sem chances de sair, com uma pessoa que detestava. No caso dela, seu inferno pessoal era Riddle, seu Garcin.

– Se vocês três estão no inferno, alguma coisa grave fizeram... – disse Hermione ao próprio livro. – Mas eu não vou descobrir o que fizeram agora, vou continuar mais tarde. – disse ela, suas pernas ainda tremiam pelo contato que tivera com Riddle mais cedo. Sentia a vontade de chorar, porém guardaria isso pra quando a noite caísse. O travesseiro a entenderia melhor do que qualquer livro.

– Sabe, conversar com objetos é o primeiro sinal de insanidade. Apesar de os livros nos surpreenderem muito às vezes. – disse uma garota entrando no dormitório. – Minerva MCgonagall, uma das suas colegas de quarto. A Alana deve chegar a qualquer momento. – sorriu – Não tivemos a oportunidade de nos falar no Salão Principal. – Hermione se segurou para não abraçar a garota. Sua futura professora de transfiguração estava diante de seus olhos. Linda, alta, magra, com seus cabelos pretos amarrados em um coque e seus olhos azuis cintilantes. Minerva mais nova era como uma modelo parisiense.

– Muito prazer, Minerva. – sorriu à castanha – Eu sei, é estranho conversar com livros, mas às vezes eu me surpreendo muito. – explicou – Sou apaixonada pela leitura.

– Então temos algo em comum. Sou apaixonada por todo tipo de conhecimento. – a garota sentou-se em sua cama – E me chame de Minnie, por favor. – sorriu. – ‘’Entre Quatro Paredes’’, hum? Sartre é realmente um gênio. – suspirou Minerva.

– Gosta de literatura trouxa? – Hermione arqueou a sobrancelha, já sabendo a resposta.

– O que há pra não gostar? – sorriu. – Eu soube que você é uma viajante. Deve ter passado por maus bocados... – disse observando algumas manchas arroxeadas no corpo da castanha.

– Sim. – Hermione fechou o livro e correu a mão pelos cabelos desgrenhados. Seus cabelos a odiavam, nunca ficavam no lugar. – Pena que vou ter que conviver com esses machucados por uns dias. Mas graças a Merlin estou viva pra contar a história.

– Não exatamente contar, né? – riram juntas – O objeto em seu pescoço meio que impede isso. Extremamente perigoso, porém muito útil. Deve guarda-lo em segurança, Hermione.

– Ele não funciona mais. Digamos que minha viagem é uma chance única na vida. – sorriu melancólica – Deixo-o no pescoço pra me lembrar das minhas origens.

– Quando estiver pronta, me fale mais sobre você. – sorriu Minerva. – Posso ver que já tem seus horários. – observou o papel colado à parede ao lado da cama de Hermione em letras garrafais. – É bom ter uma colega de quarto organizada pra variar, a Pierce faz do quarto um verdadeiro lixão.

– Eu ouvi isso, Minnie! – disse Alana adentrando o quarto. – Não dê ouvidos a ela. Ela é meio paranoica com organização. – voltou-se para Minerva – E eu não sou bagunceira. Só dou liberdade pras minhas coisas ficarem onde quiserem. – as três riram juntas. – Você deve ser a Hermione, muito prazer!

– O prazer é meu, Alana. Vejo que nós três vamos nos dar muito bem. – sorriu Hermione. Pela primeira vez desde que chegara, estava tendo um momento descontraído. – Alguma de vocês pode me botar a par do que está sendo estudado no momento? Sabem como é, viajei 50 anos no passado, as coisas podem ser um pouco diferentes.

– Isso aí é com a Minnie. Eu nem sei que dia é hoje! – disse Alana dirigindo-se ao banheiro e fechando a porta em seguida. – Ei! Mione! – gritou lá de dentro, já toda cheia de intimidades. – Soube que você foi com o Riddle ao Beco Diagonal hoje. Você é muito sortuda! O que eu não daria pra passar a tarde toda ao lado daquele espetáculo! – suspirou a garota e Minerva riu. Hermione fingiu não ligar para o assunto.

– Digamos que o Riddle não faz o meu tipo. – disse simplesmente.

– Você só pode estar louca. – ouviu-se o barulho da descarga – Pra uma coisa daquelas não fazer seu tipo, ou você curte mulheres, ou você é assexuada. – disse saindo do banheiro, rindo da cara da nova amiga que agora jogava uma almofada nela.

– Ei! Nenhuma das duas coisas! Só que ele realmente não me interessa, sou mais ficar lendo meus livros. Rapazes são o bônus que aparece de vez em quando. E eu nunca aceitaria um arrogante, Sonserino metido a besta feito o Riddle como o meu bônus. – Alana ficou boquiaberta.

– Finalmente alguém concorda comigo! – Minerva aplaudiu. – Algo naquele garoto me irrita. Ele pode até fingir bem, mas o preconceito e o egocentrismo estão estampados ali, é só observar direitinho. Só a Alana pra suspirar por esse idiota.

– Ei! Gente, vocês são loucas. Olhem aqueles olhos, aquela boca, aquele físico inteiro, por Mérlin! Ele sempre é muito gentil. Vocês estão precisando de óculos. Acho que os livros estão sugando a libido de vocês. – riu Pierce enquanto ajeitava os cabelos.

– Não é nossa culpa se você tem um fogo incontrolável nesse teu rabo. – disse Minerva rindo, seguida por Hermione.

– Não gente, agora é sério. Eu preciso mesmo de ajuda com as matérias. Deve ter uns trezentos trabalhos pra fazer, e não posso dar bobeira com os N.I.E.M’S chegando. Isso se eu não tiver que repetir os N.O.M’S já que não tem nada que prove que passei por eles. Na verdade eu nem ligo em fazer de novo, mas não quero parecer um peixe fora d’água. – suspirou Hermione.

– A Minnie vai te ajudar. Enquanto isso eu vou ver o treino de quadribol da Sonserina. Abraxás fica lindo lá de cima. – suspirou. – Fiquem aí sendo cdf’s enquanto eu aproveito a vida.

– Aproveite a sarjeta depois também. – riu Minnie enquanto Alana saía. – Está bem, Mione. Vou te mostrar o que estamos estudando. – Hermione ainda ria de Alana – Ela é assim mesmo, meio soltinha, mas tem bom coração. Só não sei se o Malfoy ou o Riddle são uma boa escolha pra ela.

– Acredito que qualquer um dos dois não são boa escolha pra ninguém. – riu com escárnio. – Agora me mostre, vamos começar por Poções, por favor.

~~~*~~~

Tom ainda pensava em Hermione. A maldita Grifinória tinha o tempo a seu favor e ele nada poderia fazer em relação a isso. Sequer poderia ordenar ao basilisco que a petrificasse, se ele o fizesse, não conseguiria as informações que tanto almejava. Mas sempre conseguia o que queria, de uma forma ou de outra. Ele se aproximaria da Granger, faria com que ela confiasse nele. O fato de ela não se render aos encantos dele, o instigava mais ainda. Ela sabia muito sobre ele e ele nada sobre ela. Sabia que ela era mestiça, mas algo estava errado. Ela parecia ter raiva nos olhos enquanto contava sobre seus pais a ele. E poderia jurar que ela o teria matado se tivesse tido a chance na Travessa do Tranco, seus olhos faiscavam de raiva tanto quanto os dele. Mas ele sabia que ela sentia medo, por mais que mantivesse sua postura arrogante e estupidamente corajosa de Grifinória, ela o temia.

Hermione estava em sua lista de tarefas. Mas agora ele teria que reunir seus seguidores em uma reunião. Nessa noite ele repassaria os planos para acabar com os nascidos trouxas. Sua ideia era absolutamente genial, e teria que compartilhar com seus comensais. No momento ele estava no Salão Comunal com Jennifer Bulstrode, uma de suas seguidoras mais fieis. Hoje alguns, inclusive ela, receberiam a marca negra, a qual ele mesmo havia criado. Uma vez com a marca, seria impossível removê-la, eles estariam ligados a ele para sempre, jurando sua lealdade. Voldemort estava se formando nas sombras, e um dia se tornaria o maior, melhor e mais temido bruxo de todos os tempos. Tom Marvolo Riddle seria um rei.

– Bulstrode, reúna nossos amigos hoje às 00:00 na Floresta Negra. Tenho uma pauta a tratar com vocês essa noite. Joguem o feitiço da desilusão sobre vocês para que não sejam vistos. Conhecem as regras. Façam tudo com descrição.

Notas finais
E aí, gostaram? Nesse capítulo o Tom começa a mostrar sua verdadeira face a Hermione, e ela não fica atrás, não é mesmo? Mostrou pra ele que ela ele não ameaça. HAHA. Sei que não ficou aquela coisa que se diga ‘’NOOOOOSSA QUE CAPÍTULO ESTIMULANTE’’, mas eu prefiro não apressar as coisas, pra vocês terem o gostinho quando Tomione finalmente acontecer. Vocês me verão citar muitas obras famosas, ou não, nessa fic. Eu sou atriz, e tenho que ler essas coisas diariamente, e eu amo fazer isso. Pra quem quiser ler, eu super recomendo as duas que já citei aqui: Prometeu Acorrentado – Ésquilo Entre Quatro Paredes – Jean Paul Sartre Ambas são muito pequenas e bem gostosas de ler. Vou citar muitas outras ao longo da fic, e quem quiser, é só me pedir o link pra download nos reviews ou que eu envie por email.