I n s a n e
1 Prólogo
_ 1938, Japan — Hashima_
Eu acordei tão de repente e abri os olhos devagar, mas uma luz forte refletiu nos mesmos fazendo com que voltasse a fecha-los. Aos poucos consegui abri-los por completo e percebi que estava deitada sobre uma fria maca, meus pulsos e tornozelos estavam presos por algo de couro e quando tentava soltar-me acabava por machuca-los.
Em certo momento me acalmei e nisso pude ouvir duas pessoas conversando, pareciam vozes de duas mulheres, sim, de fato eram.
— Você acha que ela irá sobreviver, Senhora Hanamura? — Uma das vozes disse.
— Eu não ligo para a sobrevivência dela. A única coisa que importa é o resultado da droga. — Respondeu friamente a outra voz.
— Mas, pode ocorrer o mesmo que ocorreu com a Matsumoto. E nós não podemos cometer o mesmo erro novamente, Senhora Hanamura. — A moça disse séria e os passos cessaram. A outra moça, Hanamura, deixou escapar uma risada alta e estridente.
— Kyoko... Minha Querida, Kyoko. — Um estalo alto soou pelo outro lado da grande porta de aço atrás de mim, talvez, tenha sido um tapa. — Qual é a coisa que eu mais odeio, senhorita Kyoko? — Ela disse aparentemente furiosa.
— Que eu te questione sobre as experiências. — Kyoko respondeu com a voz um pouco trêmula.
— E por que você o fez?
— Me desculpe, Senhora. Eu achei que poderíamos cometer o mesmo erro novamente com a Kanashiro. — Ela respondeu e assim como antes, um estalo ecoou, dessa vez seguido por um estrondo, como se um corpo fosse jogado com violência no chão.
— Quem cometeu o erro... Foi você! Quem deu a dosagem errada... Foi você!! — Hanamura disse aumentando a voz a cada palavra, transformando suas palavras em gritos altos e desesperados. — Nada do quê aconteceu com a Matsumoto foi culpa minha! Eu tinha lhe dado uma ordem e as instruções, mais você foi burra o suficiente para fazer tudo errado!
— M-Me desculpe, Senhora... O e-erro não irá se repetir. — Kyoko disse com a vez cada vez mais trêmula.
Não demorou muito até que pudesse ouvir claramente o som alto de seus passos vindos em minha direção novamente e mesmo que eu tentasse eu não conseguiria sair dali, então, o jeito era ficar da mesma forma que antes.
Elas entraram na salinha e se aproximaram de mim.
— Onde está o Hinazuki? — Hanamura disse olhando ao redor.
— Estou aqui, senhora. — Um moço bonito, alto e jovem disse saindo de um portinha, que se localizava ao pé da maca.
— Onde você estava? Eu não lhe dei uma ordem? — Ela perguntou de um jeito extremamente sério.
— Eu estava no banheiro, saí por apenas 5 minutinhos. Me Desculpe. — Ele educadamente se curvou.
— E qual era a ordem?! — Ela disse com um tom mais alto desta vez.
— Quando eu saísse era para chamar o Jason. — Ele respondeu baixinho.
— Fale alto! Odeio quando sussurram! Você sabe muito bem disso!
— Quando eu fosse sair do meu posto, era para chamar o Jason para me substituir! — Ele disse em um tom que quase soou como um grito.
— E você fez isso, senhor Hinazuki?
— Não, senhora. — Ele disse e em resposta Hinamura apenas respirou fundo e se virou para Kyoko. Muleque idiota...
— Muleque idiota... — Ela sussurrou e olhou para a pasta amarela em suas mãos, em seguida olhou para a sua assistente. — Kyoko, cheque os sinais vitais da Kanashiro e aplique 25ml da nova droga nela, ok?
— Sim, Senho... E-E-Ela está a-acordada, Senhora. — Ela disse paralisada, segurando uma seringa e me olhando fixamente.
— O quê?! — Ela se olhou para mim. — Aplique 35ml de sonífero nela imediatamente! — Ela disse pegando uma bandeja com ferramentas cirúrgicas, e assim que Kyoko aplicou o sonífero em mim, tudo foi sumindo aos poucos.
E o que antes era uma forte luz branca direcionada para mim, agora virará apenas um borrão, os comandos que Hanamura ditava e os sons das ferramentas sendo batidas umas na outras, se transformou em um vago som que aos poucos estava se distanciando e minha respiração que antes era ofegante e descontrolada, agora era suave e calma.
Mas, as perguntas que mesmo eu estando apagada, não saíam da minha mente.
Quem eram as duas mulheres? Que lugar era esse o qual me encontrava? Qual era o motivo de eu estar ali?
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