Acordei com uma dor de cabeça insuportável e sem nem mesmo abrir meus olhos, sentei-me na cama. Dei-me de conta do lugar onde estava e lembrei-me vagamente do que havia ocorrido. Mesmo estando um pouco escuro, olhei ao redor do lugar onde me encontrava e não era nada organizado, muito menos limpo.

— Como cheguei até aqui? Onde exatamente é aqui?— Me perguntei, ainda olhando ao meu redor, até percebi que havia uma janela um pouco acima de mim, coloquei ambas as mãos sobre o vão que havia na mesma e aproximei meu rosto na tentativa de gritar, mas nenhum som aparente saiu.

O quê?— Pensei colocando a mão sobre minha garganta. – Por que nenhum som se fez presente?— O desespero em meus olhos era nítido. — O que aquela mulher doentia fez comigo?

Corri até a porta na tentativa de abri-la e sem nenhum esforço, ela se abriu. Sai daquele pequeno cômodo em que me encontrava e pude perceber que o lugar onde estava parecia algum tipo de hospital psiquiátrico abandonado. Achei isso até ouvir um grito vindo do final do corredor, parecia um grito de uma criança. Olhei para ambos os lados do corredor e pude perceber uma silhueta negra no final do mesmo, a minha direita. Não pude identificar se era masculina ou feminina, mas sei que a mesma estava vindo em minha direção.

Assustada, fechei a porta e me encolhi no canto do quarto. De repente, comecei a ouvir batidas na grande porta de aço, que ficavam cada vez mais altas e desesperadas, quando as batidas foram seguidas por gritos estridentes, me encolhi ainda mais rezando para que aquilo cessasse o quanto antes. Depois de um certo tempo as batidas e os gritos finalmente cessaram e me levantei indo novamente em direção a porta. Em um movimento delicado e super cauteloso, abri a mesma, assim como antes e olhei cuidadosamente ambos os lados do corredor. Não havia nada no local, então resolvi ir atrás dos gritos que ainda ecoavam pelos corredores assustadores.

Andei por alguns minutos até ouvir passos atrás de mim, parei de andar e naquele instante meu corpo permaneceu imóvel e gélido. Percebi que o local ficou surpreendentemente mais frio que antes, olhei por cima do meu ombro e lentamente me virei, vi uma mulher vestida com roupas brancas, iguais ás de hospitais, ela parecia estranhamente machucada pois transmitia sons estranhos, como resmungos e gemidos, e andava como se não estivesse aguentando o próprio peso. Intrigada com o comportamento de mulher, fui falar com ela. Mas no meio do caminho, lembrei que não conseguia falar, algo estava impedindo que saísse qualquer som de minha boca.

Ao olhar-me, percebi que estava novamente vestindo com minhas roupas normais. No mesmo instante lembrei de meu celular e passei ambas as mãos pelos bolsos da calça o encontrando, mas para minha sorte, ou não, estava sem sinal.

— Droga! Ok, eu vou tentar ajudar a moça.— Olhei em direção a moça novamente e andei até a mesma, comecei a ficar mais próxima e pude notar que ela estava sangrando, corri até ela preocupada e quando a alcancei, mal consegui me mexer pela terrível visão. Ela não tinha o maxilar, o que fazia com que a sua língua ficasse para fora e seus dentes, saliva e todo resto ficassem totalmente expostos. Assim que ela percebeu que eu estava ali, se jogou em cima de mim gritando e tentando me estrangular.

Desesperada tentei me soltar e quando finalmente consegui, corri o mais rápido possível e entrei no primeiro quarto que encontrei.

— Mas que porra foi aquela?— Sentei-me no canto do quarto escuro, ofegante e assustada. – Ela estava realmente viva? Uma hora dessas já deveria ter morrido de hemorragia. Ou ela poderia ter pego alguma infecção.— Pensei. – Meu Deus, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! — Joguei minha cabeça para trás, frustrada.— Espera, Será que essa mulher é mais uma das falhas experiências da Hanamura? ...

Essa era apena uma das, milhares perguntas e teorias que se passavam pela minha mente, mas meus pensamentos foram interrompidos quando eu senti um horrível cheiro de podridão, o cheiro era tão horrendo e grotesco, que meus olhos estavam lacrimejando. Cobrindo meu nariz e tentando bloquear o máximo aquele horrível odor, tentei olhar ao meu redor, mas o quarto estava um completo breu, peguei meu celular e liguei a lanterna, vi uma garotinha sentada com o que parecia uma camisa de força totalmente suja, lentamente a mesma se virou para mim e pude ver que sua boca estava completamente suja de sangue, não era recente, mas eu tinha certeza de que era sangue. Ela deu um sorriso macabro e pulou em cima de mim, tentando morder meu pescoço, me debati no chão tentando me soltar e gritar, até que meu braço perdeu a força e a garota acabou jogando seu peso sobre mim, conseguindo morder parte de meu ombro.