I n s a n e
3 Chapter 2
Assim que senti seus gélidos dentes em meu ombro, abri meus lábios e tentei gritar, mas ainda assim nenhum som se fez presente. Por impulso e desespero joguei a garota para longe de mim e sai do quarto, vi que a mulher de antes ainda estava no corredor, assim que a mesma percebeu minha presença novamente ali, começou a correr e gritar atrás de mim. Desesperada corri por aqueles corredores extensos e imundos até chegar em uma porta que estava escrita alguma coisa em japonês, nem tentei decifrar e logo entrei.
Percebi que era um banheiro, estava escuro então peguei o meu celular e liguei a lanterna. Olhei ao meu redor e vi alguém em uma das cabines, parecia ser uma garota. Rapidamente, desliguei a lanterna do meu celular e corri até uma das banheiras que havia no canto do banheiro.
Me sentei na banheira, tirei minha blusa e olhei para o meu ombro, o mesmo não estava sangrando, mas estava com uma horrível marca de mordida. Respirei fundo e joguei minha cabeça para trás, permitindo que o azulejo sujo e gelado encostasse na minha pele quente e levemente úmida de suor. Não demorou muito até que eu começasse a chorar desesperadamente. E sem que eu percebesse, caí no sono.
Fui acordada por um som agudo, provavelmente vindo do banheiro. Me levantei, coloquei minha blusa, afastei cautelosamentea cortina e olhei para fora, e vi uma menina que parecia ter a minha idade. A mesma estava na frente de um dos espelhos, olhando para si mesma e parecia estar furiosa. Mesmo que eu me esforçasse eu não iria conseguir ver a sua face, então apenas aguardei, mas de repente, a garota deu um bruto um soco no espelho e cortou a sua garganta com um dos cacos que caíram do espelho, fiquei surpresa e ao mesmo tempo confusa e assustada, pensei em sair para tentar ajuda-la ou perguntar o porque dela ter feito o que fez, mas quando ela se virou para mim, pude perceber que a garota que estava ali em minha frente na verdade, era eu mesma.
Arregalei meus olhos e a encarei ainda pelo espaço na cortina da banheira, e continuei olhando assustada.De repente, fui surpreendida por algo pingando no meu ombro, lentamente olhei e percebi que era sangue. Olhei para fora de cortina novamente mas, "eu" não estava mais lá. Novamente, algo pingou em meu ombro.
— Dá onde está vindo iss...— pensei enquanto olhava para cima, quando minha visão chegou totalmente ao teto, vi eu mesma novamente, só que agora meu estômago estava totalmente exposto e o que estava pingando em mim era sangue que estava se acumulando em pequenas gotículas, na ponta do meu estômago pendurado. De maneira repentina, comecei a sentir alguém me estrangulando, desesperada olhei para trás e vi uma menina de vestido preto, sorrindo para mim com dentes amarelados e sujos de algo que parecia carne, talvez carne humana, novamente, a criança tentou me morder.
— CARNE NOVA! CARNE FRESCA! CARNE DELICIOSA!— Ela gritava com os olhos assustadoramente ressaltados para fora.
Totalmente tomada pelo pânico, tentei gritar esquecendo totalmente que eu não podia transmitir som algum. Quando me esforcei um pouco mais para gritar, senti uma dor horrível em minha garganta. Imediatamente, criei forças e consegui me livrar da garotinha que agora estava gritando e correndo atrás de mim. Saí correndo daquele banheiro, entrei em uma porta que havia logo a frente.
— Por favor, não tenha nada aqui. — Rezei enquanto fechava a porta e me jogava no chão cansada. Peguei meu celular, liguei a lanterna e olhei em volta. Assim que percebi que estava sozinha, desliguei a lanterna e me encostei na parede, chorando, e rezando para que todo aquele inferno seja apenas um horrível pesadelo.
— Por que eu estou nesse lugar?— Pensei enquanto soluçava. — Eu quero minha mãe.— Meus pensamentos foram interrompidos, por uma voz feminina vinda do outro lado da porta a minha frente, parecia ser a voz da minha mãe. Me levantei rapidamente, abri a porta e olhei para ambos os lados dos corredores, a procura da voz. Corri em direção da mesma, mas quando conseguir alcancei a voz, percebi que não era a minha mãe, mas sim, uma mulher que eu nunca havia visto em minha vida.
Ela vestia um vestido de noiva sujo de sangue e o que parecia ser terra, ela estava usando um colar feito de orelhas e estava corroendo pequenos dedinhos.
— Será... Que... S-São dedos de crianças?— Me perguntei enquanto sentia meu corpo totalmente paralisado novamente. A Moça parecia estar desapontada, mas estava com um sorriso amarelo no rosto. Ela não havia percebido minha presença ali, então continuou a pronunciar as palavras que ouvirá no cômodo onde eu estava antes.
— Shizuko? Meu anjinho, cadê você? Filhinha, onde estás? — Ela continuou até olhar para os lados e me ver. — Te achei, pestinha... — Ela sussurrou com uma voz bem diferente agora. Ainda paralisada, eu dei alguns passos para trás ao ver que ela tinha consigo uma faca, que estava escrito: 死 ( Morte, em japonês.) — Venha cá, pequena. Não quer brincar? A mamãe aqui está faminta! — Ela andou lentamente em minha direção, logo eu já sabia o que iria acontecer.
Ela iria correr atrás de mim.
Sem pensar duas vezes me virei e comecei a correr. Então, como já previsto a mulher começou a correr atrás de mim com a faca apontada para mim, ela gritava meu nome horrivelmente alto, e sempre que eu olhava para trás, ela se encontrava cada vez mais perto. Quando finalmente me alcançou, me segurou pelo pescoço e me ergueu do chão.
— ME SOLTA! SOCORRO!! Merda, não posso morrer! — Pensei enquanto me esperneava tentando me soltar, até que ela me soltou no chão com arrogância e me prensou na parede com violência. Olhou para mim como se estivesse orgulhosa, passou a faca lentamente em meu rosto, formando assim um extenso corte em minha bochecha e a pequena linha de sangue que se formou no local, ela olhou sorrindo e passou a sua áspera língua se deliciando com o meu sangue, e dessa forma pude sentir o seu horrível hálito de carne podre.
— Hmmm, seu sangue é doce. Bem como eu imaginava. — Ela disse e deu uma risada maléfica. — Agora, vou te levar para um lugar especial, não garanto que vá gostar, mas eu vou gostar. E se você não gostar... Bom, eu não ligo. — Riu novamente e com um pedaço de madeira velha que havia ao nosso lado, me acertou com força e eu caí ali mesmo. Depois de ter sido acertada com pedaço de madeira, apenas senti o gélido chão tocando minha bochecha, e tudo virando apenas uma escuridão silenciosa.
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