I n s a n e
4 Chapter 3
Acordei com uma forte dor em meu ombro direito, minha cabeça estava levemente tomada para o lado, meus cabelos cobrindo meu rosto e minha visão. Eu não sentia minhas pernas, mas foi exatamente assim que me senti quando acordei no laboratório de Hanamura. Tentei mexer minhas pernas mas elas estavam presas a algo de couro, o que me fez lembrar da novamente da mesma.
— Será que todo esse inferno, era realmente apenas um horrendo pesadelo? — Pensei abrindo um sorriso e sentindo as pequenas gotas lágrimas se formando em meus olhos. Lentamente e com uma certa dificuldade levantei minha cabeça. Tentei olhar ao meu redor, mas estava um completo breu. Apenas meu braço direito estava livre, e o esquerdo estava preso sobre mim, o que me impossibilitava de movimentá-lo. Tateei meu bolso direito a procura do meu celular, o mesmo não se encontrava ali, resolvi então conferir se estava no bolso direito.
Mas antes que eu pudesse fazer tal ato, conseguir observar um vulto se movimentando na escuridão que habitava o lugar. Seus passos não eram muito pesados, mas não era nada que caso eu me esforçasse, não escutaria. Rapidamente votei a tatear os bolsos a procura do meu celular, logo achei o mesmo. Com a mão trêmula consegui ligar a lanterna, comecei a examinar o lugar.
Notei que o lugar era extremamente sujo, havia todo o tipo de coisa ali, sangue, terra, areia, teia de aranha. Mas, de fato havia algo no aposento. E o que mais me assustava, era que eu não tinha ideia do que era. Não muito tempo depois, a bateria do meu celular estava começando a ceder, e os passos ainda eram ouvidos. Decidi desligar meu celular e poupar o pouco de bateria que ainda tinha. Assim que desliguei o celular os passos imediatamente se cessaram, e pude ouvir baixas gargalhadas.
A coisa caminhou até mim, pôs seu rosto próximo ao meu e passou lentamente sua língua no hematoma que antes fora feito com a faca da "noiva", depois de ter passado sua língua duas vezes no local, uma gargalhada ecoou pelo quarto, e por um breve momento meu corpo congelou por inteiro, assim que uma respiração do lado direito do meu rosto.
— Olá, Senhorita Kanashiro... Como vai? — Uma voz disse próximo ao meu rosto. — Está confortável? — Disse novamente, cada vez mais perto. — Espero que sim haha — A coisa disse sussurrando, e eu rosto se contorceu em uma careta de nojo, quando sua língua tocou meu hematoma novamente. Senti que a "Coisa" se distanciou por um momento, um barulho de alumínio se chocando ecoou pelo cômodo e novamente, senti a Criatura perto de mim.
— Vamos ver se a Takai, estava certa sobre o gosto do seu sangue. — Ela disse e algo pontiagudo passou em meu braço, que estava estava preço e o sangue que jorrava dali, ela deixava cair em uma pequena tigela de alumínio. Ela colocou a tigela em cima de algo e eu pude ouvir o som de algo sendo sugado, talvez seja ela bebendo meu sangue. De repente, uma risada alta e abafada ecoou pela sala.
— Uau, ela estava realmente, muito certa. É docinho, como uma bala hahaha. Uma peninha que você ainda não consegue falar... — Ela deu uma pausa. — Seria ótimo ouvir seus gritos de socorro e desespero.
— Espera! Como assim eu AINDA não consigo falar? O que ela quis dizer com isso? Eu vou recuperar a minha voz? — Pensei aparentando o mais calma possível.
— Sei que você está tentando parecer calma, mas sua cabecinha deve estar pensando: "Socorro! Ela está me cortando e bebendo meu sangue! Alguém me tira daqui! Ela vai me matar!" — Ela tentou imitar a minha voz.— Não, criancinha burra. Você não vai morrer, você é novata e eu também já fui... — Novamente uma risada ecoou.
— Eu também não entendia quando falavam que meu sangue era doce feito açúcar, não fazia sentido... Mas com o passar dos anos, a fome foi chegando juntamente com a sede. Sabe, Kanashiro quando o sangue é fresco automaticamente, ele vira doce como o açúcar mais doce do MUNDO! — Ela riu mais uma vez, se aproximou de mim e eu pude sentir um cheiro de porco.
— Você não vai morrer, mas garanto que não vai ficar saudável por um tempinho. Após alguns minutos, ela ejetou algo em mim e no mesmo instante, tudo se apagou e apenas senti minha cabeça caindo lentamente para o lado.
Vagarosamente, abri meus olhos. Não sabia onde me encontrava ou quanto tempo havia se passado desde que meu sangue foi retirado do meu corpo e consumido pela mulher de antes, mas estava ciente de que não estava no mesmo local de antes.
Como eu sabia? O odor, a temperatura e a sensação de desespero, eram totalmente diferentes. Eu me encontrava jogada no chão, me sentindo extremamente fraca e impotente. Inúmeras vezes tentei me levantar, mas isso parecia quase impossível. Todas as minhas tentativas falhavam miseravelmente, e eu estava começando a desistir.
Mas, ouvi algo que ao mesmo tempo, me deu forças e, me deixou incrivelmente intrigada.
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