"Tentei correr, mas o que eu senti foi apenas uma dor extremamente aguda em minha perna esquerda."

Imediatamente, um grito extremamente alto escapou da minha boca, desesperada tentei olhar para minha perna, mas fui impossibilitada de fazer tal ato, pois minha cabeça foi brutalmente pressionada contra o sujo chão daquele horrível quarto, e assim como antes pude sentir a terrível sensação do gélido chão tocando minha bochecha quente e levemente molha de suor e lágrimas.

— M-Me solta, seu doente maldito! — Tentei gritar, mas não fui tão bem-sucedida, estava quase impossível de se respirar. O homem estava pressionando minha cabeça cada vez mais forte contra o chão. De repente, senti minha cabeça sendo brutalmente puxada pra trás, e meu corpo sendo posto em uma posição diferente, agora eu estava de frente daquele horripilante e assustador homem. Ele agarrou meus cabelos e me trouxe para mais perto de si.

— Você é bonita, Princesa... Muito, muito bonita... — Ele disse, passando sua mão lentamente em em minha bochecha, e sem que eu nem conseguisse perceber, o Homem deu um forte tapa em meu rosto. Senti tudo em minha volta virando apenas um borrão claro e assustador. O mesmo agarrou meu pescoço e me puxou para perto novamente. Lentamente, ele passou sua língua úmida e nojenta no canto da minha boca, pois ali havia se formado um pequeno corte e claro, estava sangrando. — E seu sangue é tão delicioso quanto você!

Novamente, fui posta contra o chão e desta vez com mais força e agressividade. Tentei me soltar, mas antes que eu pudesse tentar fazer qualquer coisa, fui assustadoramente surpreendida por uma risada macabra seguida por um peso extremo sendo posto sobre mim, e um cheiro de suor de carne podre invadiu instantaneamente minhas narinas.

— Vamos a um pequeno passeio, Princesa. — A sua grossa e arrepiante voz, disse lentamente ao pé do meu ouvido, e de imediato meu rosto se contorce-se em uma careta de nojo.

O peso foi lentamente extraído de cima de mim, novamente, ele agarrou meus cabelos e me ergueu do chão, e de repente, suas grande e robustas mãos foram colocadas no meu quadril, sem quase nenhum esforço ergueu-me do chão e me posicionou me seu ombro esquerdo.

— Não podemos esquecer do pequeno Hayashi, não é mesmo? — Falou sarcasticamente, e cruelmente entrelaçou os sujos dedos nos cabelos negros de Hayashi, e começou a carrega-lo como se fosse um misero acessório. Ao ver aquilo, não consegui me conter e fiz de tudo para conseguir me soltar.

Ele começou a caminhar lentamente para fora daquela sala, atravessou o enorme e extenso corredor e cada vez mais eu me sentia cansada e impotente, depois de alguns minutos ele chegou em uma grande porta verde enferrujada, abriu a mesma e imediatamente um clarão se formou diante dos meus olhos. A luz era tão exuberante que meu olhos se fecharam de imediato, e senti minha cabeça começar a girar lentamente. Tentei abrir meus olhos por duas vezes, mas acabei por fecha-los pois minha visão ainda não se acostumará com aquela claridade extrema.

Depois de algum tempo, me acostumei com a claridade e pude perceber que eu não me encontrava mais dentro do Hospital. Quando pegamos certa distância, olhei em direção e pude ver um grande letreiro enferrujado escrito: Waverly Hills. Eu já havia lido sobre esse lugar, e até onde eu sei, é um dos sanatórios mais assombrados do mundo!

O homem não parava de andar, continuava a arrastar Hayashi que estava ficando com uma cor meio roxa e tudo o que eu conseguia sentir era uma enorme náusea se formando em meu estômago. Depois de algum tempo, a náusea estava ficando insuportável, até que eu olhei para Hayashi novamente, de repente e inesperadamente, acabei por vomitar nas costas e pernas do Homem.

Após isso acontecer, o mesmo parou de andar e pude perceber que ele respirou fundo. Brutalmente, jogou o corpo de Hayashi no chão e logo em seguida jogou-me contra uma árvore que estava a nossa frente. Imediatamente, perdi o ar, senti tudo se apagando e acendendo novamente. Ele se aproximou rapidamente de mim e me puxou pelo pescoço.

— SEU VERMEZINHO! — Gritou, me sacudiu e em seguida, depositou um forte tapa em meu rosto. — QUEM DIABOS VOCÊ PENSA QUE É, PRA FAZER ISSO?! — Outro tapa. — Eu deveria te matar... — Ele sussurrou e começou a apertar meu pescoço cada vez mais forte. Senti minhas pernas ficando moles e minha visão embaçando, mas ele me soltou. — Deveria fazer você limpar com a própria língua... — Disse, se levantou e começou a tentar se limpar.

Eu estava impotente no chão, recuperando o ar que antes fora tirado de mim e planejando a minha fuga. Provavelmente, eu não conseguiria fugir, mas eu tentaria nem que isso custasse minha vida. Lentamente e com muita dificuldade, me pus de joelhos olhei para ele e vi que estava entretido demais, em limpar a sua roupa. Ainda com muita dificuldade, consegui ficar de pé. O próximo passo, era correr o mais rápido possível. Criei fôlego e comecei a correr. Pude ouvir um "Porra!" quando comecei a correr, mas não me importei muito, estava mais focada em conseguir fugir desse lugar.

Depois de alguns minutos correndo, percebi que o Homem não estava mais atrás de mim, então me escondi atrás de uma árvore e tentei recuperar o fôlego. Enquanto tentava estabilizar minha respiração, pude reparar que algo estava diferente, eu estava me sentindo observada. A horrível sensação de que se eu virasse para trás a qualquer momento, poderia ver alguém. Lentamente, olhei para trás e como já de esperado, nada vi. Mas quando virei para frente, pude ver uma menina, não uma.

Mas sim, milhares...