"A horrível sensação de que se eu virasse para trás a qualquer momento, poderia ver alguém. Lentamente, olhei para trás e como já de esperado, nada vi. Mas quando virei para frente, pude ver uma menina, não uma. Mas sim, milhares..."

Senti meu estômago revirado novamente assim que um saco branco foi posto em minha cabeça, provavelmente, eu estava parecendo uma dessas horripilantes garotas. Senti meu corpo sendo estranhamente elevado, e sendo transportado para algum lugar totalmente inesperado e desconhecido.

A cada passo que era ali dado, eu sentia o medo domando meu psicológico por completo. Tentava me soltar, mas eu não estava com forças o suficiente para isso, até porque minha perna continuava machucada, eu ainda estava abalada por ver meu irmão mais novo, morto e totalmente dilacerado. Mas, mesmo sem forças ou esperanças, bolei um plano de fuga.

Após alguns longos minutos sendo carregada, fui finalmente posta no chão. Senti que havia algo diferente ali, não era a terra seca e morta de antes, mas sim um terreno com uma grama que batia na altura nos meu tornozelos, e o solo era extremamente fofo. O cheiro, também já não era o mesmo, agora eu conseguia sentir um ar puro, sem todo aquele horrendo ar podre e pesado, que era obrigada a respirar no hospital.

O saco fora brutalmente tirado da minha cabeça, e algo — ou alguém -, me jogou brutalmente no chão. Rapidamente, olhei ao meu redor, e não vi nada mais do que grandes árvores, e uma pequena cadeira de balanço a minha frente, não havia ninguém na mesma, mas mesmo assim, ela balançava estranhamente rápido e freneticamente. Olhei fixamente para mesma, mas de maneira extremamente repentina, ela apenas parou; Senti um vulto rápido passar por mim, olhei rapidamente e quando voltei minha atenção para a cadeira, havia uma moça na mesma, sentada, me observando.

— Levante-se, garota... — Ela disse, e sua voz não me pareceu nada estranha, mas ainda sim, eu não conseguia reconhece-la. — Não tenho todo o tempo desse mundo de merda... — Falou com arrogância e imediatamente, me pus de pé, tentando ao máximo não me sentir nervosa. A olhei com uma certa curiosidade e medo, já que ela estava usando uma máscara que cobria metade de seu rosto, deixando um ar sombrio e medonho.

— Shizuko Kanashiro... — Ela se levantou, e começou a me rondar. Observando cada detalhe do meu rosto. — Como se machucou? — Um silêncio ecoou pela floresta.

— EU TE PERGUNTEI, COMO VOCÊ SE MACHUCOU! RESPONDA-ME! — Ela gritou pausadamente, enquanto apertava fortemente minhas bochechas, conseguindo me erguer do chão.

— Foi a Takai! — Gritei assim que senti um liquido quente escorrendo pelas minhas bochechas. — Ela me cortou, para saber o gosto do meu sangue. Depois, me levou até um porco maluco, que também me cortou, para sentir meu sangue. — Disse começando a entrar em desespero.

— Takai Hanamura... Sempre atrevida... Como a irmã. — Sussurrou para si, e me soltou com arrogância no chão.

— Hanamura? Takai é irmã da Hanamura?— Pensei comigo enquanto tentava ficar de pé. — Ela fez isso com a própria IRMÃ?

— Levanta logo, já disse que não tenho o todo o tempo... — Disse caminhando de volta da a sua cadeira. Demorou um pouco para mim conseguir me colocar de pé, pois parecia que essa mulher, havia absorvido toda a minha energia (que já não era muita).

— Há quanto tempo você tá aqui? Nesse lugarzinho de bosta? — Ela perguntou se balançando.

— Não tenho certeza... — Olhei a minha volta. — Dentro do hospital, não tem nenhuma fonte de luz, então, sempre parece que está de noite.

— Hmm... Você já está falando de novo, então, tá aqui por uma ou duas semanas — Disse me analisando novamente.

— Du-Duas semanas? — Rapidamente, entrei em pânico. — E-Eu estou aqui a tanto tempo assim?

—Corta esse pânico... — Falou com um ar debochado. — Garanto de que irá ficar durante muito mais tempo que isso. E daqui mais duas ou três semanas, Hanamura irá 'desativar' suas cordas vocais novamente, então, não fica felizinha por estar falando novamente, ok?

Eu não estava escutando nada do que ela estava falando, para mim, o que saia da sua boca eram meras palavras. Palavras que eu não compreendia, nenhuma delas.

— Kanashiro? — Ela me chamou, mas eu não atendi. — Kanashiro, você tá bem? — Ela falou novamente, se levantou e gritou algo em japonês. Rapidamente, as garotas apareceram novamente, e me levaram para um lugar totalmente distinto.

Eu não estava prestando atenção em nada, apenas estava preocupada com a minha família, e estava explorando todas as possíveis vinganças contra Hanamura. Por me tirar da minha família e por me colocar nesse lugar imundo de merda.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.