Notas iniciais
Espero que gostem

A azulada do grupo estava estirada em sua cama, apenas lendo as mensagens que as pessoas de sua sala de aula mandavam. Não estava nem um pouco interessada naquilo e o tédio pairava sobre ela. Enquanto pensava no que fazer, a campainha tocou.

— Já vai! — Ela exclamou, ao abrir a porta, levou um pequeno susto. — Você?

— Surpresa?

— Claro! Entra!

Paul deu alguns passos até a sala dela, sentou-se no sofá e colocou as mãos sobre seus olhos, os esfregando, e o rapaz também suspirava intensamente, aparentemente exausto com algo. A amiga dele caminhou até o mesmo, sentou-se ao seu lado e pousou sua mão direita no ombro direito dele.

— O que foi Cabelo do Boi Lambeu?

— Adivinha só, o desgraçado do meu pai resolveu querer fazer uma “visitinha” lá em casa enquanto eu tava na escola e o Reggie na facul! E A MINHA MÃE AGORA TÁ NO HOSPITAL! AQUELE DESGRAÇADO BÊBADO VAI SE VER COMIGO!

— Paul, calma, por favor…

— CALMA?! OLHA AQUI DAWN, O QUE VOCÊ FARIA SE, QUANDO VOCÊ CHEGA EM CASA, ENCONTRASSE SUA MÃE TODA ROXA, TREMENDO, VOMITANDO SANGUE OU ATÉ A PONTO DE MORRER?! E PIOR AINDA, DESCOBRIR QUE O CULPADO FOI UM CARA QUE DIZIA QUE AMAVA ELA!

O maior tremia, estava prestes a chorar, entretanto, não o faria na frente da menor. A garota subiu no sofá e colocou as mãos nos ombros dele. Precisava tranquilizá-lo, os poderes elétricos subiam pela pele dele e poderiam quebrar qualquer coisa a qualquer instante. O de olhos negros respirava abafadamente e apenas sentou-se, tentando ficar mais calmo.

A menor o abraçou forte, eram melhores amigos desde os 5 anos, se conheciam melhor do que ninguém. Dawn sabia muito bem quais eram os problemas na casa de Paul, o pai dele bebia demais, batia na esposa e o mesmo costumava usar seus poderes tipo Dragão para atacar filhos e mulher. Porém, em um dia, quando o mais novo da casa tinha 8 anos, Hannah expulsou seu cruel marido de casa, juntou todos os seus poderes de tipo Fada e bateu nele até o mesmo ir embora. Os amigos mais íntimos do arroxeado sabiam dessa história, e não falavam para ninguém com medo de tirarem sarro dele.

Por um instante, Paul se levantou, dando um leve susto em Dawn, o rapaz caminhou na direção da porta e despediu-se dela. A azulada arqueou sua sobrancelha direita e suspirou, sentando-se no sofá e voltando a ver as notificações que recebia no celular.

Enquanto isso, May estava na floresta de Pallet, deu um longo suspiro e soltou um Soco de Gelo na árvore mais próxima, tentava treinar seus ataques para ir bem na escola. Enquanto praticava, um ser esverdeado chegou chicoteando a grama com seu Chicote de Vinha para chamar a atenção da amiga.

— O que você tá fazendo aqui Cabelo de Grama?

— Eu tava passando aí te encontrei. — Seu sorriso galanteador deixava a jovem ruborizada.

A menina deu um sorriso fraco e tímido, enquanto que Drew se aproximava, a jovem morena intensificava seus ataques. O Hayden revirou os olhos verdes, ficou ao lado da mesma e usou Balas de Semente até quebrar a árvore. A Maple arregalou seus olhos cor safira, como aquelas simples sementes quebraram tão rápido a árvore?

— Escuta, se você souber aplicar bem, até o mais tosco dos golpes pode ser fatal. Tenta usar.

A morena suspirou, formou um Lança de Gelo e atirou na árvore, praticamente destruindo a mesma. O de olhos verdes sorriu e a parabenizou, logo em seguida, riu com a reverência que ela fazia.

Enquanto treinavam mais, Sapphire passou próxima a eles, deu uma risadinha e ficou apenas observando a cena. Realmente, sua aparência e a de sua irmã eram idênticas, mas os jeitos nem tanto. Enquanto May tinha seus melhores amigos desde pequena, Sapphire mal e mal tinha amizades de anos, apenas seu namorado Ruby e Wally, que agora estava em Sinnoh. Mas nem por isso as gêmeas se destratavam, pelo contrário, eram boas amigas e contavam segredos uma para a outra.

— S-SAPPHIRE?!

— May, calma, eu não vou falar nada pro papai! — Ela riu. — Vou até a casa da Serena fazer um trabalho, tchau!

— T-tchau…

Os amigos deram um tímido sorriso e voltaram a treinar os ataques. Ele, apesar de ser de um tipo diferente, tentava ajudá-la ao máximo. Drew encarava May de cima à baixo, realmente, os anos lhe fizeram muito bem, a jovem era linda e irresistível, mas o esverdeado sempre a respeitara.

Foi quando estavam na oitava árvore que ambos receberam uma mensagem de Dawn. Nela, a azulada pedia para que os amigos encontrassem Paul, já que o mesmo não atendia as ligações dela e nem respondia as mensagens. A morena não perdeu tempo, discou o número e ligou para a amiga.

— Tá tudo bem com ele?

— Aquele idiota deve de ter ido atrás do pai dele!

— C-como assim Dawn?! Mas o Kevin não tava preso?!

— Acho que ele tá de condicional. Por favor, encontrem o Paul!

— Ok. Tchau. — A jovem desligou seu celular, fitando o amigo. — Vamos, o pai dele saiu da cadeia e agora ele quer bater no cara. Acho que até um dos dois morrerem.

Enquanto corriam na procura do jovem, encontraram os menores do grupo fazendo o mesmo que eles. O quarteto fez um combinado, a ruiva iria até a casa deles, a morena até a floresta, o esverdeado até a praça e o moreno iria à delegacia fazer uma ocorrência.

A Maple olhava em volta, sem encontrar quaisquer pistas do paradeiro do amigo. Estava quase desistindo, todavia, ouviu um barulho de um ataque, aparentemente do tipo elétrico. A jovem se virou num súbito, correu até o local e arregalou os olhos ao ver aquela cena.

O arroxeado estava extremamente ferido, seu rosto tinha sangue e seus braços possuíam vergões roxos e verdes, seu olho esquerdo estava roxo e inchado e o mesmo tossia um pouco de sangue, enquanto seu oponente parecia intacto. O homem tinha uma barba rala, cabelos lisos e roxos como os do Shinji, seus olhos eram azuis claros e sua pele era morena.

— Continua o mesmo frangote de quando tinha 8 anos… — Ele parou e riu um pouco. — Seu imbecil, achou mesmo que ia me vencer? Sua mãe, aquela tonta, achou que ia me por pra fora de novo…

May não aguentou o pai maltratar o filho daquela forma, lembrou-se de suas aulas extras com o amigo de olhos verdes e suas aulas escolares, observou atentamente o seu alvo e atirou um Soco de Gelo em sua cabeça, derrubando-o no chão, em seguida, utilizou um Feixe de Gelo, congelando-o no chão.

A jovem pegou seu celular, discou o número de Drew e pediu para o mesmo vir até a floresta próxima à casa do Professor Carvalho. Nesse meio tempo, o Cabelo do Boi Lambeu conseguiu levantar-se e caminhar um pouco até a amiga. Quando desligou, a de olhos azuis colocou o braço esquerdo dele em torno de seu ombro.

— O-obrigado… — Murmurou Paul.

— Vamos, todos ficaram preocupados com você!

Ele sorriu fraco, sentia-se mal demais para fazer qualquer coisa, até mesmo andar. Quando chegaram próximo ao lar do professor, avistaram os amigos, incluindo a mais velha do grupo. Paul sorriu um pouco mais ao ver Dawn, entretanto, seus olhos começaram a pesar e o mesmo acabou desmaiando.

[...]

O rapaz abriu os olhos, era de noite, encontrava-se num quarto branco com uma enorme janela à sua esquerda, enquanto que à direita encontrava-se a porta. Do lado da cama hospitalar, estava uma poltrona, com uma menina de cabelos azuis lendo um livro sobre ataques do tipo gelo. Paul notou que tomava um soro na veia, estava enfaixado na cintura e havia um tapa-olho em sua vista machucada. O jovem suspirou, cutucando a amiga.

— Oi.

Um sorriso abriu instantaneamente na face de Dawn. A garota estava com os olhos um pouco inchados de tanto chorar. Ela levantou-se, chegou perto dele e o abraçou, deixando o amigo corado.

— Graças a Arceus… — Murmurava a de olhos azuis, quase chorando.

— Ei, calma, eu tô bem. — Comentou o garoto, empurrando-a de leve. — O que houve comigo? E a minha mãe, está bem?

— Eles te operaram ontem quando você chegou, e seu soro dá o efeito de sono. E sua mãe está bem, mas preocupada com você, ela vai sair daqui alguns dias.

A Berlitz olhava a enorme Lua da janela, lembrou-se do dia anterior, onde chorou o dia e à noite toda, quase sem poder ir para a escola de tão cansada. Os amigos até tentaram acalmá-la, mas é difícil quando alguém que se ama está em tal estado.

O Shinji ouviu sua barriga roncar, pegou a comida que encontrava-se numa cômoda ao lado direito da cama e resolveu comer. A fome era imensa, afinal, estava sem comer há um dia praticamente. A garota o encarou, sorriu aliviada e sentou-se na cama, fazendo um carinho no cabelo dele.

— Está boa a comida?

— Sim… Pra que esse cafuné?

— É que… Eu quase te perdi ontem… Nunca mais faz isso!

E foi nesse exato momento que, o inesperado, ocorreu. Enquanto Paul esperava levar um tapa, acabou por sentir os doces lábios de Dawn em sua boca. Ele estava de olhos arregalados, ela, de olhos fechados. O arroxeado resolveu jogar tudo pro ar, pediu passagem para sua língua e a jovem cedeu, ambos ficaram por explorar a boca um do outro, com vontade e sedução, entretanto, foram interrompidos pelo médico, que viera avaliar o rapaz adoentado.

— Vejo que o fôlego está bom! — Caçoou o senhor de idade, indo até o de olhos pretos e o examinando. — Bem Paul, você está bem, e amanhã você vai ter alta provavelmente.

A menina sorriu largamente, enquanto o rapaz deu um sorriso de canto, agradecendo o médico. Ele saiu no mesmo momento, porém, deu uma piscadela para a dupla, que ruborizou fortemente.

— Bom, melhor eu dormir… Boa noite.

— Boa noite. — Ele disse, vendo a menina dormir na poltrona.