I do not believe in love

10 10 - Uma droga chamada beijo


Notas iniciais
Para o Rodrigo, o único ser que lê esta bagaça :v

Já haviam se passado duas semanas, Paul retornara para a escola e seus amigos sempre ficavam atentos para que Kevin não voltasse. Hannah, mãe do arroxeado, recebia auxílio das outras mulheres da cidade sempre.

O grupo estava de saída da escola, era sexta-feira e iriam para a casa de Misty, onde fariam uma maratona de filmes pelo resto do dia a fim de esquecerem dos estudos por um tempo e descansarem da semana corriqueira. Ash observava a amiga com certa inquietude, era como se toda vez que a visse seu estômago ficava repleto de borboletas, a música Careless Whisper — Wham! tocava em sua mente e os movimentos da jovem ficavam lentos e sedutores.

— Seus pais estão em casa? — Questionou Drew enquanto caminhava lendo um mangá.

— Não, estão trabalhando na vendinha e minhas irmãs estão na faculdade. — A ruiva respondeu, encarando o Ketchum logo em seguida. — Tá tudo bem?

O garoto não respondeu, parecia em transe, e tal coisa não passava despercebida pelos amigos. May revirou os olhos e usou um Sopro de Gelo nele. Assim que Ash fez uma careta eles tiveram certeza de que o menor estava bem, e que poderiam continuar a caminhada. Misty deu um suspiro longo, seu melhor amigo estava estranho desde o dia do beijo, e em sua ingênua consciência acreditava que o ato cometido havia causado efeitos colaterais fortíssimos no rapaz.

Chegaram na residência dos Waterflower depois de algum tempo, Paul logo retirou os DVDs de sua mochila, Dawn e os outros fizeram a mesma coisa que o arroxeado e em seguida sentaram-se nos sofás. O primeiro filme que assistiriam era Curtindo a Vida Adoidado, que quem trouxera foi o Hayden. A mais nova das meninas, depois de cinco minutos do início do filme, se levantou e foi ligar para a pizzaria, junto dela foi a Berlitz.

— Por que o Ash tá abobado daquele jeito? — A ruiva perguntou.

— Eu é que te pergunto! — A azulada exclamou num sussurro.

— Acho que é efeito colateral do beijo…

Uma gargalhada alta da maior pôde ser ouvida. A dos olhos verdes ganhou uma coloração avermelhada nas bochechas e se encolheu nos ombros.

— Misty, beijo não tem efeito colateral!

— Ah, mas aquele lá tá esquisito!

Depois daquela breve conversa a Waterflower ligou para a pizzaria, enquanto Dawn voltou para a sala. Todos estavam vidrados na TV, ninguém ousava piscar, em compensação riam à beça de cada cena cômica que tinha. A ruiva, assim que voltou, jogou-se num dos sofás e ficou esticada, com as pernas no colo do Shinji, no outro estavam o moreno menor e o esverdeado, ambos deitados com as cabeças apoiadas uma em cada braço do móvel. Por fim, a Maple e a Berlitz estavam estiradas no chão.

Assim que o filme terminou, a pizza chegou. A anfitriã pagou a comida, pegou um refrigerante na geladeira e levou para o outro cômodo. Tiraram o DVD, quem estava no sofá foi para o chão, com a intenção de servirem-se da pizza. May colocou música e ficaram naquele clima que só uma amizade de anos poderia oferecer. Falaram sobre confusões de suas devidas salas de aula e de suas famílias, era uma boa forma de desabafar.

— Gente, tive uma ideia! — A de tipo aquático exclamou de repente.

— Diga. — Todos responderam.

— Vamos invadir a Parada Semestral da escola?

A Parada Semestral era um evento realizado pelo colégio do grupo, tendo carros alegóricos, bandas e balões. Ocorria no último dia de junho e no último dia de aula do ano todo.

Os cinco se entreolharam, apreensivos e alegres, já sabendo o que Misty quisera dizer com aquele plano louco, porém interessante. Não eram adeptos ao festival, talvez porque nunca os deixaram participar por conta de um problema com quatro letras: Gary.

Voltaram a ver os filmes quando a comida acabou, assistiriam Simplesmente Acontece, que foi escolhido por May. A ruiva e o moreno menor reviraram os olhos, não entendiam como as pessoas gostavam daquele filme (menos Paul, ele era sempre uma exceção).

— Ai, amo esse filme! — Dawn exclamou.

— É, até que é legalzinho… — Drew comentou, fazendo uma expressão de estranheza.

Pelo fato de todos estarem sentados no chão e um ao lado do outro, Misty encostou sua cabeça no ombro de Ash, deu um longo suspiro e fechou seus olhos esmeraldinos. Os amigos encararam a dupla menor, os sorrisos se tornaram maliciosos e algumas risadas baixas surgiram. O Ketchum bufou, não era nada de demais deixar a garota dormir em seu ombro, já haviam feito isso diversas vezes.

— Qual o problema de vocês? A Cenourinha só tá dormindo! — Ele disse baixo para não acordá-la.

— E qual o problema de vocês dois? Estão nesse chove e não molha desde o dia do beijo! — Exclamou a Berlitz.

Após a frase ser dita, ouviram um barulho estrondoso de algo pesado caindo no chão. Todos (incluindo Misty, que acordou com o som) se viraram para ver o ocorrido e o que provocara aquela barulheira. A cena não podia ser pior: o Senhor Waterflower encontrava-se na entrada da casa, a porta ainda estava aberta, ele segurava uma pasta repleta de papéis que iria entregar no banco para comprar um novo estabelecimento.

O homem estava boquiaberto, nunca esperou ouvir tal frase.

— Q-q-que história é essa?! — Robert questionou, tremendo dos pés à cabeça.

Todos engoliram em seco.

— Que história pai? — Na maior cara de pau, a filha do homem respondeu com outra pergunta.

— Essa! De você ter beijado ele!

Os jovens não sabiam o que fazer, na realidade, queriam pular do sofá e ir correndo para a casa de qualquer outra pessoa.

E por que não?

Discretamente, Paul foi recolhendo os DVDs, colocou-os em sua mochila e posicionou as outras para seus amigos pegarem. Todos se entreolharam, agarraram as malas e iniciaram uma corrida enquanto gritavam. O Senhor Waterflower apenas ficou observando a cena, sem entender nada. Ele deu um suspiro e resolveu procurar e recolher os papéis.

O grupo se encontrava na residência de Drew, arfavam e descansavam sentados no chão e no sofá. Misty fechou os olhos por um momento e ficou pensando na bronca que levaria do pai, e talvez seria proibida de ver o melhor amigo. Sentiu uma mão calorosa segurá-la, ao abrir os olhos se deparou com Ash a observando na tentativa de confortá-la.

— Relaxa, eu te protejo… — O moreno disse, abraçando a amiga.

— Obrigada…

Dawn suspirou, colocou o filme que trouxera e todos se acomodaram para assisti-lo. O que passava era Sob o Sol da Toscana, e até os que estavam entediados com o outro filme gostavam deste, talvez porque na infância o assistiram muito. Paul não confessava, mas adorava assistir esse filme com sua mãe e seu irmão.

— Galera, são 17:30, vamos assistir o que? — Questionou o esverdeado após o fim de Sob o Sol da Toscana.

Todos fitaram o Shinji, que fez uma careta.

— Ah não! O meu vai ser o último!

— Ok. Ruivinha, põe seu filme! — May exclamou.

Misty sorriu, pegou seu DVD de Operação Cupido e colocou. Era um de seus filmes favoritos sem sombra de dúvidas, se lembrava da primeira vez que o vira aos 8 anos de idade, junto de suas irmãs e seus pais. Talvez fosse uma das melhores lembranças que tinha com sua família.

Neste meio tempo, a morena se aproximava do Hayden, e quanto mais perto chegava mais corada ficava. Fez seus dedos andarem até a mão dele e a entrelaçou com a sua, fazendo o mesmo ruborizar. Paul o olhou de lado e riu alto, porém recebeu um Chicote de Vinha na orelha. Os dois se encararam, em seguida, o maior pulou para cima do colega e começaram a brincar de lutinha.

— Ai meninos, que infantilidade! — A azulada reclamou.

— É! Nem o Ash que é o Ash tá aí se matan…

Foi só citarem o nome do ditocujo que o mesmo pulou em cima dos outros dois. As três garotas reviraram os olhos, sentaram no sofá e voltaram a ver o filme, mesmo que com o barulho dos rapazes. Assim que acabou, Mary (a mãe de Drew) chegou em casa junto de Oliver (seu marido e pai do garoto). O casal arregalou os olhos ao observar que o trio de meninos estavam estirados como mortos no chão.

— O QUE ACONTECEU AQUI?!

— O-oi mãe… Oi pai…

— Oi tios! — O menor dos rapazes os cumprimentou, alegre.

— Essas bestas aqui começaram a tretar do nada. — Dawn comentou.

Mary e Oliver deram risada, a mulher foi para a cozinha e o homem para o quarto assistir TV. Ash, Paul e Drew se levantaram, o de raios nas bochechas pegou seu filme e colocou no aparelho de DVD, escolhera Conta Comigo para verem, adorava assistir principalmente com Brock. Enquanto o viam Misty colocou o braço do amigo em torno em torno de seu pescoço, ficando abraçado com ela.

— Sorte que ele não estão na casa dela. — May sussurrou e todos concordaram.

No fim do filme, o arroxeado se levantou, pegou seu filme e fez uma cara travessa e cruel, como quem fosse aprontar. Os amigos olharam o horário, 20:35, hora perfeita para o Shinji colocar seu gênero favorito: terror. O filme da vez era Invocação do Mal 2, vulgo filme que fez Ash ficar sem dormir por quase dois dias.

Logo no início a morena agarrou o braço do de poderes tipo grama, escondeu seu rosto atrás dele e apertou o rapaz com força, tinha medo dessas coisas, pior ainda quando dizia: baseado em fatos reais. Enquanto ela se desesperava, a Berlitz roubava um pouco da pipoca do maior dos garotos, e este apenas ria das reações dos amigos. A Waterflower e o Ketchum, apesar de um querer proteger o outro, berravam a cada cena aterrorizante.

— Tá acabando? — Questionou o menor de tipo elétrico.

— Deixa de ser bebezão Ash. — Paul comentou, revirando os olhos.

Quando o filme estava prestes a finalizar, a luz acabou. Claro que todos gritaram com o susto, mas não podiam fazer muita coisa, apenas irem para suas devidas casas. Todos os visitantes pegaram suas coisas e estavam prestes a sair, até que Mary disse que eles poderiam dormir por lá, era só ligarem para os pais pelo celular. A primeira pessoa foi a azulada.

— Alô.

— Oi mãe! -Dawn exclamou. — Escuta, a tia Mary deixou a gente dormir aqui porque tá escuro demais para voltar. Posso?

— Claro filha! Então até amanhã!

O próximo a ligar foi o de raios de bochechas.

— Oi mãe! Posso dormir na casa do Drew?

— Sim, mas amanhã volte do almoço, quero falar com você.

Ash engoliu em seco e passou para sua amiga morena. May torcia para ser atendida pela sua mãe.

— Alô? — Para seu azar, foi Norman quem atendeu.

— Oi pai…

— MAY! Está tarde! Cadê você?!

— Na casa do Drew, a tia Mary disse para dormirmos aqui porque está escuro e…

— VOLTE JÁ!

Ela apenas concordou, logo que desligou deu o celular para Paul.

— Ô Reggie, vou dormir na casa do Drew.

— Hã… Ok…

Ao encerrar a ligação, passou para a amiga ruiva que, assim como a morena, torcia para ser atendida pela mãe.

— Pois não?

— O-oi pai… É a Misty…

— ONDE VOCÊ ESTÁ?!

— N-na casa da tia Mary, posso dormir aqui?

— NEM PENSAR! VOLTE AGORA MOCINHA!

Ao fim da chamada, a anfitriã pediu para seu filho e o garoto mais novo irem levar as duas meninas para seus lares. Quando saíram, sentiram um calafrio percorrer as espinhas ao verem a cidade naquele breu total, entretanto não tinham outra escolha a não ser seguirem caminho até as residências. A Maple até deu a ideia do Ketchum usar seus poderes para fazer a luz voltar, porém isto só poderia ser feito na rede de luz da cidade, um local bem longe diga-se de passagem.

Ash, junto de Misty, fizeram a curva na casa dela, assim como Drew e May foram para o lar da de poderes tipo gelo. O moreno e a ruiva permaneceram imóveis em frente à residência, deram um longo suspiro e se abraçaram lateralmente. A tarde que passaram juntos foi maravilhosa, ela adorou cochilar no ombro dele e ele adorou abraçá-la.

— Escuta, posso fazer uma coisa? — A garota questionou.

— O que?

A de olhos verdes não disse nada, apenas selou sua boca com a do rapaz, a Waterflower sentiu falta dos doces e carnudos lábios dele, estava desejosa por um segundo beijo na boca do Ketchum. Será que beijo era alguma droga? Além de efeito colateral, deixava a pessoa viciada e os pais (no caso o pai apenas) não gostavam de saber que o usava.

— Até amanhã! — Misty exclamou, sorrindo.

Enquanto isso, do outro lado da rua, o esverdeado já havia se despedido da de olhos azuis, porém a mesma puxou-o para a lateral da casa, encarava o melhor amigo com um olhar meigo e desejoso. Ele sorriu, não precisava de palavras para que ela pedisse, Drew se aproximou e roçou seu nariz com o dela, em seguida passou devagar seus lábios nos de May, deixando-a mais desejosa. Não demoraram para unirem suas bocas, colocaram a língua um no outro, cada um explorando a boca do outro. Assim que o ar se fez preciso o casal se separou, um encarando o outro.

A menina deu um sorriso, ficou perto novamente e iniciou seus atos, alguns beijos e lambidas no pescoço dele, claro que também havia mordiscadas e chupadas, coisas que o deixou arrepiado.

— Por que fez isso?

— Porque você não faria. — Ela comentou. — Até!

Na casa da família Hayden, Dawn e Paul se encontravam deitados no sofá. Mary já havia ido dormir e contara seu pequeno plano para a Berlitz. O objetivo? Unir todos os casais daquele grupo de amigos. O Shinji, mesmo que no escuro, podia vê-la com o rosto sereno observando a janela, na espera de Ash e Drew voltarem sãos e salvos. O arroxeado não podia negar que a amava, o dia no hospital talvez fosse a prova daquele romance.

Quando os dois menores chegaram os mais velhos sentaram-se no sofá, logo em seguida o esverdeado foi buscar dois colchões para poderem dormir. Não estavam exatamente cansados, entretanto a ruiva e a morena faziam uma falta tremenda. Assim que Drew voltou, Paul começou a observar algo de diferente no pescoço do amigo, uma mancha roxa e um pouco rosada em volta se encontrava no local onde May fizera uma “brincadeira”.

— Aí Grama Ambulante, tô vendo que a Moranguete te deixou um presentinho!

— Tô falando desse chupão no seu pescoço. — O maior de tipo elétrico comentou, rindo. — O que vocês andaram aprontando?

Ash e Dawn riram como nunca, principalmente do rosto ruborizado do amigo de olhos verdes. O Hayden apenas sentou-se num dos colchões e cobriu a marca com uma de suas mãos, tinha mais receio do que seus pais diriam ao ver aquilo. O Shinji deu um tapinha nas costas do amigo, seguido de uma gargalhada.

— Qual a graça?

— A sua vergonha! Hahaha! — A Berlitz disse. — Relaxa Drew, isso é natural, só tomem cuidado para não fazerem um bebê!

Pararam de rir algum tempo depois, começaram a conversar sobre as garotas que faltavam naquele instante. O moreno menor deu uma avermelhada nas bochechas ao lembrar do beijo que recebera de Misty. Deu um suspiro, em seguida, contou o ocorrido para os três amigos e esperou pela reação deles.

— Quando é o casamento? — Caçoou o Hayden.

— Haha, muito engraçado…

— Mas agora é sério Ash, quando vai pedir ela em namoro? Se ficar só nisso você pode perdê-la. — Paul comentou, sério como sempre.

O menor apenas torceu o nariz, preferiu ir dormir ao invés de responder aquilo, seu coração, seus sentimentos, tudo estava muito confuso. Drew deu de ombros e resolveu fazer o mesmo, enquanto a azulada e o arroxeado se entreolharam.

— E nós?

— Durmam aí, agarrados no sofá. — Respondeu o anfitrião, sorrindo maldosamente.

O casal corou, Dawn virou de frente para o amigo, deu um selinho de boa noite nele e se aconchegou nos braços de Paul.

— Por que será que só me beija antes de dormir? — O arroxeado sussurrou para si, fechando os olhos em seguida.