I do, i need you.

29 In the name of Prim


Notas iniciais
Demorei, né?

POV: KATNISS.

Para mim, a inauguração da padaria foi um teste de nervos. Fiquei orgulhosa de mim mesma ao perceber que, apesar da minha latente depressão, não fui capaz de atrapalhar aquele momento de grande felicidade para tantas pessoas importantes para mim. Engoli em seco todas as minhas críticas, lamúrias e reclamações, e vesti o meu melhor sorriso a noite toda. Já consigo imaginar todas as manchetes do dia seguinte.

Era mais de meia noite quando os convidados começaram a se dissipar e Peeta fez um belíssimo discurso de gratidão a todos os envolvidos na realização daquele evento, eu estava inclusa no discurso então quando meu nome foi citado fiz um esforço quase sobrenatural para levantar a taça, sorrir e piscar para ele.

Depois do discurso, ficamos mais alguns minutos até ele me dar a mão e dizer que podíamos ir para casa. Pegamos um carro e voltamos para a sua casa, onde assim que chegamos eu fui me despindo na sala mesmo. Estava ansiosa por um banho. Eu cheirava a todos os perfumes que existem no mundo, enjoativamente caro.

Peeta me ajudou a tirar o vestido silenciosamente, e eu não falei nada enquanto subia as escadas só de calcinha para o banheiro. Tomei uma ducha fria mesmo, e quando estava acabando, ele apareceu no banheiro com a minha toalha na mão, entregando-a a mim enquanto também se despia para tomar seu banho. Eu fiquei no mesmo banheiro enquanto ele tomava banho, em silêncio.

Com a toalha, Peeta também havia trazido um copo de agua e os meus remédios. Eu tomei e escovei os dentes em seguida.

— Vou para o quarto.- Eu disse, quando ele acabara de desligar o chuveiro. Ele apenas concordou com a cabeça antes de eu sair.

Vesti o primeiro pijama que eu vi, era uma camisola que ia até os pés, de algodão com estampa de pinguins, e me enfiei na cama. Eu estava exausta então não demorei muito a cair no sono. Alguns minutos depois senti Peeta extremamente cheiroso deitar, ele me aninhou em seus braços e sussurrou um "boa noite" que eu não consegui responder pois estava dormindo.

Na manhã seguinte fazia frio e eu acordei com o cheiro maravilhoso de chocolate quente e chá de canela. Abri os olhos lentamente me acostumando com a claridade, e vi que estava sozinha no quarto. Não cheguei a tomar banho, apenas vestir meu roby e desci as escadas. Grease Sae é quem estava na cozinha, com Annie e Finnick. Annie sorriu para mim.

— Bom dia, Katniss!- Ela disse, animadamente. Ela estava sempre feliz. Eu acenei com o queixo apenas, indisposta a conversa.

— Peeta acabou de sair. Deixou esse café da manhã pronto para você. Estou apenas deixando o almoço pronto pois não sei quando ele volta.- Greasy Sae informou, me entregando um prato com croissant e bolo de trigo. Uma xícara de chocolate quente foi cheia por Annie enquanto eu me sentava.

— Ele disse se vai trabalhar o dia todo na padaria hoje?- Perguntei, achando todo o cheiro maravilhoso. Minha barriga roncou e eu a obedeci, começando a comer.

— Duvido muito. Está muito frio lá fora. Acho que ele só foi preparar as massas e voltará em breve.- Annie me respondeu e Greasy Sae concordou.

— Irei fazer sopa para vender no Prego hoje por causa disso.- Ela sorriu abertamente. Eu concordei com a cabeça, não conseguia falar com a boca cheia de comida. Finnick fez alguns sons engraçados quando o gato pulou na mesa, e Annie deixou que os dois brincassem juntos.

— Estou pensando em dar um bichinho ao Finnick, sabem?- Annie comentou, distraidamente.

— Dê um cachorro que não consiga subir na cama!- Eu disse rabugenta, jogando um pedaço de bolo para Buttercup. Greasy Sae riu, antes de se aproximar com uma xícara do chá de canela e os meus remédios matinais.

— Chegaram algumas coisas para você da Capital.- Ela disse, apontando para a mesa de centro na sala. Eu olhei e era uma espécie de jornal, e uma caixa de papelão que eu conhecia bem, eram remédios. Voltei a comer.- E dr. Aurélius ligou.

— Provavelmente para saber se eu e Peeta surtamos ontem depois da festa.- Eu dei de ombros. Annie balançou a cabeça.

— Não. Ele também me ligou e eu disse que vocês chegaram bem em casa.

— Você estava acordada?- Eu ergui uma sobrancelha.

— Não, mas eu escutaria se vocês surtassem. Todos ouviriam.- Ela deu de ombros, eu fiz uma careta. O prato estava vazio e eu tomei o remédio.

— O dia está frio o suficiente para eu não conseguir sair?- Eu perguntei e Greasy Sae, que concordou rapidamente com a cabeça. Eu bufei.

— Podemos ver um filme.- Annie sugeriu animada. Eu revirei os olhos.

— Odeio os filmes da Capital.- Eu disse, cruzando os braços e me encostando na cadeira preguiçosamente, me sentindo estufada.- Mas podemos ver alguns desenhos com o Finnick.

Annie sorriu mais abertamente. Greasy Sae terminou o almoço na mesma hora que eu me levantei para ir tomar banho e Finnick precisava trocar a fralda. Vesti um moletom e uma calça de algodão, além de meia e tratei de deixar meus cabelos soltos, para me esquentar mais.

Quando desci, minha sala cheirava a cheirinho de neném e bife acebolado. Annie já estava sentada no chão da sala com Finnick e a televisão ligada, estava passando um desenho de um carro de corrida falante. Peguei os itens que eu recebi da Capital e fui sentar ao seu lado.

Na caixa, como era de se esperar, mais remédio. Além dos remédios, algumas pomadas para nossas cicatrizes, um gel que parecia ser para a prótese de Peeta, e o item mais surpreendente: um anticoncepcional. Embaixo de todos, um breve bilhete do nosso medico dizia: Aos meus amados Peeta e Katniss, espero que estejam bem. Ligarei em breve.

Guardei todos os itens de volta na caixa e abri o jornal. Como eu também já esperava, Peeta estava na capa; com Delly segurando a tesoura. A notícia em cima gritava: O retorno do sr. Mellark! Peeta Mellark reabre padaria da família com grande evento de inauguração e muita alegria, que bom! Abri o jornal e decidi ler a notícia toda.

Peeta Mellank decidiu cumprir promessa feita a uns meses atrás, e conforme já se comentava a uns meses, reabriu sua padaria. A padaria traz seu nome e localização original, porém com toda a sofisticação, preparo, equipe e tecnologia de uma mudança de vida. Em seu cardápio, Peeta promete inovar o cardápio que por muitas vezes durante muitos anos foi extremamente restrito no Distrito 12.

Além das gordas doações que Peeta, Katniss, Haymitch e a Capital em si fizeram para o Distrito estar sendo reconstruído, mesmo que a passos curtos, Peeta também está garantindo a alguns moradores do Distrito a oportunidade de trabalhar em condições apropriadas e salários dignos, é o que ouvimos falar. Tudo isso é de uma novidade inimaginável para o Distrito mais pobre de Panem.

O evento contou com participação da presidente de Panem, sra. Paylor; Annie Odair e sue filho, Finnick Jr; Johanna Mason, Effie Trincket e outros vários jornalistas e ex-tributos. Além de todos os moradores do Distrito 12. No entanto, para surpresa de todos, quem cortou a faixa de inauguração não foi Katniss Everdeen — companheira de Peeta desde os primeiros Jogos, e mãe do seu primeiro e infelizmente falecido no ventre, filho -, e sim sua melhor amiga de infância, Delly. Acreditamos que isso se deu apenas para manter de fato as origens de seu passado, já que não existem mais outras pessoas de sua família vivas, infelizmente.

Desejamos toda a sorte do mundo ao nosso amado Peeta. Que sua padaria dê-lhe tantos triunfos quanto se pode imaginar. Não vemos a hora de poder noticiar mais sobre sua vida e sua amada.

— O Diário de Panem, Domingo.

Fechei o jornal e dei de ombros. Ótimo, nada ruim foi escrito e não tem fotos minhas em lugar nenhum, além de a menção ao meu nome ser 100% superficial. Levantei e deixei as coisas em cima da mesa, antes de voltar ao chão e brincar com Finnick enquanto assistíamos tv. Annie bocejou algumas vezes antes de cair no sono sem querer, me deixando cuidando de seu filho.

Fiquei surpresa por ela confiar em mim, mesmo que subconscientemente. Finnick era calmo e sorridente. Lindo. Se eu não fosse uma pessoa traumatizada e quase estéril, eu iria desejar ter um filho inspirada nele.

Annie só acordou quando Peeta chegou porque ele chegou fazendo barulho, e pediu desculpas por ter cochilado, eu apenas sorri para ela e entreguei Finnick, que começou a chorar pedindo para comer. Ela subiu constrangida com ele enquanto Peeta se inclinava para dar um beijo na minha testa, feliz.

— Bom dia, amor. Tarde, na verdade. Como estava o café da manhã?- Ele perguntou, indo na direção da cozinha. Ele estava sujo de farinha de trigo e cheirava a açucar. Estava com um pacote na mão.

Eu desliguei a tv e levantei para lhe acompanhar. Ele parou na mesa, olhando a caixa e o jornal.

— Estava ótimo, como sempre. O que você trouxe? Como foi a manhã?- Ele abriu o jornal e sorriu, depois olhou para mim.

— Eu trouxe um pouco do que sobrou de ontem. Como a produção da padaria é diária, trouxe tudo que ficou de ontem para a gente comer. Vou levar para Haymitch e sua mãe daqui a pouco.- Ele viu que eu engoli em seco quando ele falou da minha mãe, mas ignorou, colocando as coisas em cima da mesa.- E a manhã foi ótima, apesar do frio. Nos próximos dias vão ter muitos curiosos por lá, nos dando o máximo de trabalho possível.

— Que bom?- Eu perguntei, sentando na cadeira da mesa enquanto assistia ele mexer nas panelas vendo o que era o almoço e sorrir para cada coisa.

— Sim, sim. E a sua manhã?

— Vi desenhos com Finnick e Annie. Mas Annie dormiu, então fiquei brincando com ele.- Eu dei de ombros. Ele sorriu para mim.

— Quer tomar banho comigo antes de almoçar?- Não tinha malícia no pedido, eu neguei com a cabeça. Talvez se tivesse malícia, eu aceitasse.

— Não. Eu vou falar com a minha mãe.- Eu disse, ele ergueu uma sobrancelha.

— É mesmo?

— É. Foi algo que eu pensei enquanto estava com Finnick.- Eu disse, suspirando e me levantando. Eu sabia o que ia fazer, dizer, e só esperei ele chegar para ele não pensar besteira. Me levantei e calcei meu chinelo.- Volto já, eu acho.- Eu disse, ele se aproximou e me deu um beijo.

— Leve as coisas dela logo. Para ter uma desculpa.- Ele piscou, voltando a cozinha e pegando as coisas e me entregando. Eu ri.

— Boa ideia.- Peguei e sai da casa.

Estava mesmo muito frio do lado de fora, mas não desisti por causa disso. Em segundos estava batendo a porta da minha casa, e me surpreendi quando ouvir o miado de Buttercup. É claro que esse gato falso estava tendo uma vida dupla, palhaço.

Ela abriu a porta alguns segundos depois, mas não parecia surpresa em me ver.

— Oi.- Eu disse.

— Oi. Eu vi você vindo pela janela.- Ela explicou e eu concordei com a cabeça. É claro.- Peeta mandou?- Ela apontou.

— Sim. Posso entrar?- Ela não respondeu, apenas me deu passagem e eu entrei, fechando a porta atrás de mim.- O que está achando da casa?

— Aquecida e... triste.- Ela suspirou. Eu concordei com a cabeça.

— Eu sei. Por isso saí daqui.

— Você nunca mexeu no quarto dela.- Ela olhava para os pés. Eu concordei com a cabeça de novo.

— Nunca. Na verdade, eu tenho intenção de nunca mais voltar aqui. E acho que você também deveria sair. Não estou expulsando mas... tem outras casas no centro.

— Você quer que eu saia de onde você pode me ver.- Ela disse, ainda sem me olhar. Suspirei.

— Sim. Eu quero. Mas não vou obrigar você a fazer isso. Para ser sincera, eu vim aqui para conversar com você porque eu... Eu não vou mais ignorá-la. nem tratá-la mal. Quero que você até frequente minha casa com Peeta e viva bem os benefícios que, por mais desgraçados que sejam, eu consegui. Não tem problema em ficar aqui, se quiser. Mas não serei jamais sua filha. Jamais lhe tratarei como se trata uma mãe. Para mim, você é o mesmo que...

— Eu entendi.- Ela me olhou, seus olhos estavam cheios de lágrimas e aquilo fez doer em mim, mas ergui o queixo e respirei fundo.

— Não posso fingir coisas que não sinto. Mas posso ser educada, simpática e até... gostar de você. Mas não exija mais de mim, por favor.

— Está fazendo isso por mim ou por você?- Ela me perguntou. Eu pensei por alguns segundos antes de responder:

— Estou fazendo por Prim.

(...)