I Wont Give Up
13 O Plano Perfeito.
Notas iniciais
Tempo
Aonde você foi?
Por que você me deixou aqui sozinha?
Espere!
Não vá tão rápido.
Eu estou perdendo os momentos conforme eles passam.
Agora eu olhei no espelho
E o mundo está ficando mais claro
Então espere por mim
Desta vez.
Eu estou no chão
Eu estou de joelhos
Eu estou implorando por toda a sua simpatia
Mas você (Eu sou apenas uma ilusão)
Você parece não se importar (Eu gostaria que pudesse)
Você humilha pessoas em todo lugar (Eu não tive a
intenção de te machucar).
Agora eu olhei no espelho
E o mundo está ficando mais claro.
Eu pegarei o que você me der
Por favor, saiba que eu estou aprendendo
Então espere por mim
Dessa vez.
Eu deveria ter sabido
Eu não deveria ter perdido aqueles dias
E tardes e manhãs
Eu joguei todas elas fora.
Agora
É a minha vez
E eu vou tornar este momento meu
Eu não deveria ter perdido aqueles dias
Eu pegarei o que você me der
Por favor, saiba que estou aprendendo.
Eu olhei no espelho
Meu mundo está ficando mais claro
Então espere por mim
Dessa vez.
Corri mais rapidamente sentindo os músculos da minha perna se contraírem e ganharem velocidade, o ar batendo em meu rosto e cabelos dando-me a sensação de estar livre. Abri meus braços e ri, rir era uma coisa que eu pouco fazia desde que entrara naquela clínica.
Pensar na clínica só me fez lembrar do meu objetivo, o ódio tomou toda a sensação de liberdade, dando espaço para que a minha mente começasse a trabalhar em meu plano. Num movimento súbito eu parei na calçada. Eu precisaria mais do que só a minha vontade para pôr meu plano em prática, tudo teria que ser comum e eu precisaria parecer o mais confiável possível, decidi então que eu precisaria ir até em casa. Dei alguns passos em direção à rua e parei um táxi que passava por ali.
– Me leve pra Manhattan, o mais rápido que puder. – eu lhe disse enquanto entrava no carro e olhava o rosto carrancudo do motorista pelo retrovisor. – Acelere! – lhe ordenei.
Eu teria que fazer tudo no mínimo espaço de tempo possível antes que minha fuga fosse noticiada aos ouvidos errados e colocasse minha única chance a perder. Balançava minha perna freneticamente, eu estava ansiosa. Olhei pelo vidro, reconhecendo a paisagem do local. Liberdade, essa palavra não saía de minha mente. Reconheci a rua onde eu morava, eu não voltava ali havia muito tempo.
– Vou pegar o dinheiro da corrida, espere aqui. – eu disse ao motorista quando ele estacionou.
Parei em frente à casa olhando-a pelas grades, então no jardim eu avistei Luce, minha empregada, seus olhos se encontraram com os meus e se arregalaram, ela recuou um passo e levou a mão direita à boca. Dei sinal com a mão para que ela viesse até mim, ela foi se aproximando lentamente, sua expressão tensa, como se não houvesse uma grade nos separando e eu fosse um sinal de perigo para ela.
– Luce, está sozinha? – eu lhe perguntei minha respiração acelerada, o tempo corria.
– Sim. – ela me respondeu depois de um instante.
– Me deixe entrar. – eu pedi.
Ela hesitou.
– Me deixe entrar! – eu lhe disse com mais ênfase fazendo do meu pedido uma ordem.
Ela colocou as chaves e abriu, entrei e fui até ela.
– A Senhora não deveria estar na clínica? – ela me perguntou assustada.
– Deveria. – eu respondi dando de ombros e soltando um riso baixo. – E você deveria estar se importando mais com o seu emprego, meus pais ainda pagam seu salário, então se quiser mantê-lo é melhor que ninguém saiba que eu estive aqui, entendeu? – ela não respondeu. – Entendeu? – eu lhe perguntei novamente aproximando meu rosto e deixando o ar quente de minhas narinas em seu rosto pálido.
– Sim. – sua voz tremeu e ela recuou.
O taxista soltou um pigarro para chamar minha atenção.
– Me dê às chaves e vá embora! – Eu disse para Luce e assim ela fez, tirando-as do bolso do avental onde havia as guardado e dando-as em minha mão. – E não ouse contar a ninguém que eu estive aqui. – Soltei um olhar fuzilante, ela saiu e seguiu rua afora.
Fui para dentro da casa e subi até meu quarto, eu me lembrava que no fundo de uma gaveta eu deixava uma carteira com cópias dos meus documentos e um pouco de dinheiro, para caso de emergências. Peguei a quantia necessária para pagar a corrida, voltei para a rua e ao entregar as notas o homem me olhou e balançou a cabeça me agradecendo e eu retribuí, e assim seguiu com o carro.
Voltei para dentro de casa e corri para o banheiro, tirei minha roupa e liguei o chuveiro, a água quente percorrendo todo o meu corpo e escorrendo em minha nuca frequentemente. Por um instante eu me senti uma intrusa em minha própria casa. Quando terminei fui ao meu guarda-roupa e retirei vários cabides com roupas que eu nunca havia usado, depois de escolher a que eu mais achei que se adequaria eu me vesti e arrumei meu cabelo, usando também uma leve maquiagem, me olhei no espelho e me senti renovada, a excitação do perigo de ser pega dominava meu corpo e fazia meu sangue pulsar.
Fui até a garagem já com as chaves na mão, meu Chevrolet Malibu vermelho parado ali, entrei no carro e girei a chave, fazia um bom tempo que eu não dirigia, acionei o controle para abrir o portão e sai dali deixando a casa rapidamente e acelerando em direção à casa de Edward, agora tudo caminhava para a execução perfeita. Eu pisava fundo no acelerador e com isso ganhava tempo, pouco tempo depois eu estava na frente da casa. Estacionei em frente ao gramado, olhei-a de dentro do carro e não avistei ninguém do lado de fora, Edward deveria estar na empresa nesse horário da tarde e torci para que Bella estivesse em casa, agora que era mãe e esposa, então desci e fui em direção até a porta, tocando a campainha.
Respirei fundo e coloquei um sorriso no rosto repassando mentalmente o roteiro que eu havia criado.
Ali então fez-se presente a razão do meu ódio, Isabella me encarava surpresa, sem dizer uma palavra foi encostando a porta novamente para fechá-la. Coloquei minha mão impedindo que ela fizesse isso.
– Bater à porta na cara de alguém é grosseria. – eu lhe disse e ela me olhou pela fresta que ainda restava aberta e então a abriu toda novamente. Sorri forçadamente.
– O que você faz aqui? – ela me perguntou desconfiada.
– Edward não lhe contou que eu sairia em breve? – eu menti lhe perguntando com o mesmo sorriso forçado em meu rosto.
– Não. – ela me respondeu duramente.
– Me dispensaram antes, um pedido meu, disseram que não havia problema. – ela continuava me encarando sem nada dizer. – Bella. – eu tentei pegar em sua mão enquanto falava, mas ela retirou e juntou o braço ao corpo, inibindo meu toque. – Eu mudei, me recuperei, foram tempos difíceis, mas eu juro que me tornei uma pessoa melhor e aprendi a aceitar os fatos. Soube que vocês casaram, e tiveram uma filha, fico feliz por vocês. – aquela foi à mentira mais dolorosa que eu já havia dito em toda a minha vida.
Ela afirmou com a cabeça, ainda poupando as palavras.
– Posso conhecê-la? – eu pedi.
– Está na casa ao lado, com Paulo e Jacob, acredito que esteja dormindo esse horário, se importa de deixar para outra ocasião? – ela me perguntou.
– Sem problemas. – eu respondi. – Onde está Edward? Eu lhe devo desculpas, preciso do perdão dele... E do seu também. – ela agora me encarava com as linhas da testa franzidas ao ouvir o meu “pedido de desculpas”.
– Não se preocupe. – ela me disse. – Ficou no passado. Acho que agora tudo é diferente para nós.
Eu concordei.
– Edward está na empresa. – ela continuou.
– Acha que ele iria gostar de me receber lá agora? – perguntei.
– Eu não sei. – ela me respondeu indiferente.
– Quero tentar, mas seria mais fácil se você fosse comigo, estou com meu carro, poderia me acompanhar? – eu pedi jogando a minha carta mais certa. – Não precisamos forçar uma amizade, mas gostaria de tentar uma aproximação com você. – senti meu rosto corar de vergonha e o dela pareceu assumir o mesmo tom.
Um momento de silêncio pairou no ar.
– Que seja rápido então, não posso me afastar de Agnes por muito tempo. – ela me disse.
– Claro! Eu prometo que serei breve.
Ela concordou e então entrou rapidamente saindo depois com sua bolsa pendurada no ombro.
– Vamos! – ela disse enquanto fechava a porta.
Fomos até o carro, ela se acomodou no banco do passageiro e passou o cinto de segurança, peguei sua bolsa e coloquei no banco de trás, ela me olhou, mas nada disse. E assim fomos seguindo pelas ruas, ela se manteve quieta e então eu infringi a bolha de silêncio que havia ali.
– Preciso abastecer o carro, faz tempo que eu não o tirava da garagem. – eu ri e ela soltou um sorriso torto levantando as sobrancelhas. – Se importa de pararmos antes no posto de gasolina?
– Não, tudo bem. – ela me disse e então eu desviei o caminho da empresa indo em direção ao posto mais perto.
Parei e depois de abastecer fui para a loja de conveniência para pagar, Bella continuou no carro me esperando, eu sentia que ela estava desconfiada, mas tudo estava dando certo, eu precisava agora dar o maior passo, e também o mais perigoso, quando saí da loja avistei ela com o celular na orelha, seus olhos se arregalaram ao me ver e então eu corri para o carro, abri a porta e retirei o celular dela, olhei o visor, ela discava o número de Edward, o telefone ainda chamava e então o desliguei.
– O que pensa que está fazendo? Vai estragar a minha surpresa, querida Isabella? Ou me denunciar? – eu lhe perguntei em voz alta, quase gritando, furiosa por ela quase ter posto tudo a perder, ela me olhava com medo de como eu havia mudado a partir do momento em que entrei no carro, e então ela percebeu que as coisas não estavam totalmente certas, ela tentou abrir a porta, mas a puxei de novo e tranquei todas, acelerei o carro e fiz com que ele cantasse pneu, os olhares foram ficando pra trás na medida em que o carro seguia e o ponteiro do painel de velocidade aumentava.
– O que você vai fazer? Me deixe sair daqui! – ela disse tentando abrir a porta trancada.
– Você não pularia do carro nessa velocidade. Mesmo se eu deixasse. – eu disse rindo desafiadoramente.
Ela veio para cima de mim e colocou as mãos no volante, perdi o controle por alguns segundos e a empurrei no banco recuperando a estabilidade da direção e a velocidade. Reuni minhas forças e dei um tapa em seu rosto, a cabeça dela bateu no vidro da janela.
– Eu estava te devendo isso, se lembra? – eu perguntei, ela se virou, o rosto vermelho e as lágrimas formando em seu rosto. – Vai chorar? – eu ri. – Sabe quantas vezes eu chorei naquela clínica? Mas minhas lágrimas eram como gritos que se dissolviam e saiam pelos meus olhos. Você é tão fraca!
Acelerei o carro e enfim entramos na Manhattan Bridge. O tráfico de carros na ponte estava pequeno.
– Você vai voltar para onde você nunca deveria ter saído! – ela gritou vindo para cima de mim novamente, o carro perdeu o controle, ouvi algumas buzinas ao fundo e consegui empurrá-la, o ódio fazia minha força crescer ainda mais.
Era a hora da minha vingança, e seria pra sempre.
Pisei no acelerador levando o ponteiro à marcação máxima em segundos, o espaço livre em minha frente desapareceu enquanto eu me aproximava de um caminhão que levava materiais de construção. Apertei a trava do cinto de segurança dela deixando-a exposta, vi o pânico em seu rosto.
Bella gritou e o impacto aconteceu, o barulho dos vidros quebrando e da lataria amassando preencheu meus ouvidos, senti os cacos penetrarem minha pele, o carro rodopiou e foi para o canto da ponte parando ao bater nas grades.
Forcei meus olhos a se abrirem, eu estava atordoada, a dor em meu corpo era quase insuportável, virei minha cabeça com dificuldade soltando um grito de dor, olhei para o lado, analisei Bella ali, os cortes e o sangue tomando conta de grande parte do seu corpo, inclusive em sua testa, coloquei minha mão em seu ombro e a sacudi, ela não deu nenhum sinal, e então percebi que meu plano havia funcionado, eu havia me vingado, da maneira mais dolorosa possível, para ela e para todos que a amavam, de uma vez só. Eu não me arrependia, pelo contrário, me sentia aliviada, os fatos fizeram com que aquilo virasse uma consequência, e então, finalmente, Bella estava morta.
Ouvi o som da sirene da ambulância ao longe e numa pontada forte na cabeça me recostei no banco e desmaiei esperando na medida em que o som se aproximava.

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