I Wont Give Up
14 A Rosa.
Notas iniciais
Julho de 1998 – Orfanato House of Innocents, Connecticut, EUA.
Naquela tarde o sol estava coberto por grandes e escuras nuvens que estavam no céu desde aquela manhã, o chuvisco regava o local e variava-se com pancadas de chuva forte, o velho e grande casarão do orfanato estava debilitado pelo tempo, desde as janelas de madeira até as paredes escuras pela umidade, o chão também dava espaço ao verde, à direita havia uma pequena capela, um raio de sol passou dentre as nuvem e iluminou a cruz ali por alguns segundos, em volta dela altos pinheiros que se estendiam até o extenso muro, no pátio havia uma fonte que trazia no meio a imagem de um anjo esculpido em cimento, parte de sua asa estava quebrada, debilitada pela idade do local, o musgo fazia-se presente com a pouca água ali, em sua beirada estavam sentadas duas crianças, uma menina cujo cabelo era do mesmo tom achocolatado de seus olhos, a pele pálida como a do garoto em seu lado, ele com os cabelos negros, os dois trocavam pequenos empurrões no ombro e riam, foi então que os olhos da garota se encheram de lágrimas.
– Bella, não chore. – o garoto ao seu lado lhe disse ao abraçá-la.
– Sinto saudades de tudo, de tudo que eu consigo me lembrar. – ela lhe disse em meio às lágrimas que molhavam o uniforme branco no ombro amigo. – Não gosto daqui Paulo.
Ele limpou as lágrimas que escorriam pelo rosto dela e segurou sua mão.
– Nossa hora vai chegar, um dia sairemos daqui, e eu prometo que seremos felizes e teremos uma família de novo. – ele tentava reconfortá-la.
Há alguns metros vinha se aproximando um menino de pele morena e cabelos escuros como seus olhos, corria em direção aos dois com a camisa dobrada guardando algo ali.
– O que está acontecendo? – ele perguntou franzindo a testa ao vê-la soluçar.
– Bella está chorando desde que soube que você será adotado, não queremos que você vá, mas é a sua hora de ser feliz e recomeçar, e a nossa também irá chegar, diga a ela, Jacob. — ele pediu depois de explicar.
– Vai ficar tudo bem, Bella. – ele disse ao lhe dar um abraço, ele era alguns anos mais velho e também maior, seus braços a envolveram por completo.
– Ninguém vai nos separar. Nós três juntos pra sempre. – Paulo lhe disse.
– Juntos. – Jacob repetiu agora em um abraço triplo. – Apanhei alguns pêssegos, já provei, estão deliciosos, provem. – ele entregou um à Bella. – Pegue! – ele gritou ao outro menino e jogou lhe a fruta, ele esticou o braço, mas desequilibrou-se, caindo na fonte e molhando-se com a pouca água que ali havia. Jacob estendeu o braço para ele e o ajudou a sair dali.
– Olhe o que você fez! Vou pegar você! – ele disse ao sair correndo atrás do garoto maior. – Venha, Bella! Me ajude! – ele pediu e agora eram os dois contra um.
Os três ali riam enquanto corriam ofegantes, até que um grito de uma mulher mais velha e robusta interromper a brincadeira e fazê-los parar.
– Vocês três, parem de correr. Jacob, preciso que venha comigo, alguém quer te ver, você vai embora ainda essa noite.
O clima mudou no mesmo instante em que os sorrisos se fecharam, um forte trovão ecoou longe, eles se encararam e mais uma vez as lágrimas fizeram presentes ali, misturando-se com as gotas de água que começaram a cair com mais frequência agora, Jacob seguiu para a grande porta onde a mulher ainda o esperava e deu uma última olhada para trás acenando com a mão.
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Tempos atuais.
Sophia pov.
Ouvi bipes repetidos ao fundo, forcei-me a abrir os olhos, a luz forte me fez franzir a testa e fechá-los de novo, mexi os dedos da mão e tentei levantar meu braço, a dor tomou conta quando tentei fazer os movimentos. De relance olhei para o lado, num sofá branco vi meu anjo, Edward, ao cruzar meu olhar com o dele ele veio em minha direção, o ar de preocupação em seu lindo rosto.
– Sophia, você está bem? Pode me ouvir? – ele me perguntou segurando minha mão direita no meio das suas.
Não respondi de imediato, tentei me colocar sentada, a dor foi forte novamente, Edward colocou a mão em meu ombro me fazendo ficar deitada, ajeitou meu travesseiro deixando minha cabeça um pouco mais alta, varri o local em um olhar rápido, me lembrava a clínica que fiquei por alguns meses, por culpa dele também. Alguns aparelhos a mais, o quarto parecia maior, eu agora estava em uma maca, o branco era presente em basicamente tudo, mas eu via o sol entrando ali, a parede direita era comporta por grandes janelas de vidros que iam do chão até o teto e estendiam-se verticalmente por alguns metros, a cortina estilo persiana estava aberta deixando a vista da cidade aos meus olhos.
Olhei o rosto de Edward mais uma vez, ele estava ali, comigo, Bella não era mais um problema em nossas vidas, eu havia resolvido isso, conseguido matá-la naquele acidente, eu a vi ao meu lado no carro, sangrando, imóvel, com cacos em sua pele, meu plano havia sido bem executado, e aos olhos de todos eu era só uma vítima também, uma vítima que sobreviveu.
– Sinto muito pela Bella. – eu lhe disse forçando o choro. – Você nunca irá me perdoar, me desculpe. – pausei olhando em seus olhos que me fitavam esperando que eu falasse mais. – Eu me sinto culpada, Edward, me sinto culpada por aquele acidente, se não estivéssemos ali, ela estaria viva hoje, me perdoe. – eu pedi cinicamente e apertei suas mãos que ainda seguravam a minhas, mais lágrimas sem sentimento algum escorriam pelo meu rosto.
– Shhhh! – ele me disse colocando o dedo em meus lábios e depois limpando as lágrimas em meu rosto. – Não se preocupe, e nem se culpe por isso, Bella está bem, também sobreviveu ao acidente.
Um arrepio correu cada parte do meu copo. VIVA? Eu a havia matado, eu a vi morta ao meu lado. Edward tinha um sorriso torto e eu não podia expor qualquer reação que me denunciasse.
– O quê? – eu lhe perguntei, minha voz ainda rouca com o choque da notícia. – Onde ela está?
– Aqui no hospital também, passou por uma cirurgia hoje de manhã e está descansando para se recuperar, apesar dos graves ferimentos, ninguém ainda conseguiu falar com ela depois do acontecido, nem mesmo eu, mas os médicos dizem que ela ficará bem e sairá daqui logo, assim como você.
Então era mesmo verdade, Bella estava viva. Mas não por muito tempo.
A raiva consumia meu corpo, mas eu tentava controlá-la e manter-me calma.
Edward estendeu a mão e me entregou uma rosa vermelha, eu sorri e cheirei-a, tão doce.
– Obrigada. – sussurrei.
– Uma para você, e uma para a Bella. – ele abriu um sorriso em seu rosto, como sempre tudo era dividido com ela, levantei a sobrancelha e mordi os lábios balançando a cabeça fingindo estar satisfeita.
– Onde está meu filho? – perguntei-lhe, Louis tinha o mesmo nome de seu pai, dos quais nenhum nunca saberiam disso, nem da existência um do outro, meu maior segredo, meu maior erro.
– Lá embaixo, com seus pais. Todos estão lá, preocupados com vocês.
– Quero vê-lo. – eu pedi. – Pode trazê-lo aqui, por favor? – fiz uma cara suplicante.
– Claro! – ele me respondeu. – Vou buscá-lo, volto em alguns minutos, acha que ficará bem sozinha?
Afirmei que sim com a cabeça e ele soltou minha mão saindo pela porta.
Pense, Sophia! Você tem pouco tempo. Termine o que você começou.
A voz em minha cabeça se fez presente de novo.
Edward estaria ausente por algum tempo, eu precisava aproveitar esse espaço para tomar alguma atitude. Tirei o soro de meu pulso e com muito esforço me levantei para descer da maca, cambaleei e me segurei no equipamento que antes media meus batimentos. Arrastei-me até a porta do quarto e dei uma olhada no corredor, estava vazio. Eu estava de camisola, qualquer um que me visse ali me levaria para o quarto de novo, eu precisava ser rápida, achar o quarto onde Bella estava. Fui caminhando em passos rápidos olhando pelo vidro da porta dos quartos dos pacientes, nenhum era o dela, até que quatro quartos depois eu a vi ali deitada como eu também estava há alguns minutos atrás. Empurrei a porta e entrei, fui em direção à maca dela, o quarto seguia o mesmo padrão do meu, até a rosa estava ali. Aproximei-me dela até parar ao seu lado, percebi que ela estava acordando, seus olhos se arregalaram ao me ver ali, ela abriu sua boca para soltar um grito, mas antes que pudesse eu a tapei com minha mão.
– Espero que tenha sentido minha falta, Bella. – eu lhe disse soltando um riso irônico, os gritos dela eram abafados por minha mão enquanto ela se debatia tentando sair dali. – Não era pra ser assim, você deveria ter morrido naquele acidente, eu planejei tudo, me arrisquei, eu poderia ter morrido também, mas você parece que só serve para atrapalhar os meus planos. Será que nem Deus e nem o Diabo querem você? – eu ri novamente.
Estendi o outro braço e peguei a rosa.
– Você tem muita sorte, não é mesmo? Pois quero provar se isso acontece sempre. – com uma mão retirei uma pétala da rosa fazendo um bem-me-quer-mal-me-quer. – Morrer... – e retirei outra pétala. – Viver... – outra. – Morrer... Viver... – e enfim retirei à última. – Morrer... Parece que a sorte não está ao seu favor dessa vez, se tivesse outra oportunidade, deveria ter um trevo. – e soltei um riso me distraindo.
Num movimento rápido ela se virou, caindo e nos jogando no chão.
– SOCORRO! – ela gritou antes de me acertar um soco, passei a mão em meu nariz, o sangue escorria.
Subi em cima dela e peguei o travesseiro colocando-o sobre seu rosto para sufocá-la.
– Morra! Morra de uma vez! – eu dizia enquanto apertava o travesseiro.
Sua mão segurou meu cabelo e ela me empurrou para o lado, tomou fôlego para recuperar o ar que eu a havia tirado. Quando fui lhe dar um soco, ela se abaixou e minha mão acertou o armário de remédios quebrando o vidro e fazendo alguns cortes profundos, ela se arrastava para o outro lado do quarto, soltou mais um grito de socorro e eu ouvi passos correndo pelo corredor, ela soltou outro grito e eu me mantive imóvel. Passando pela porta eu vi o rosto que me recebera em sua casa quando me descobriram com os exames falsos, seu nome era Jacob, ele nos olhou assustado e se curvou para ajudar Bella sussurrando algumas palavras que eu não conseguia ouvir enquanto pensava em algo, eu não seria pega. Ao meu lado estava um aparelho de desfibrilação, liguei-o e fui para cima dele que estava agachado ajudando-a.
– Jacob, cuidado! – ela o alertou. Quando ele se virou eu encostei o aparelho nele lhe aplicando o choque, ele caiu no chão desacordado.
Bella me olhava com medo, aquele olhar dela me dava prazer. Dessa vez ela não escaparia, ela se levantou e correu para a porta, eu a segurei pelo cabelo e arrastei-a até a beirada de uma escada de quinze degraus que ficava em frente ao quarto dela, um soco atingiu minha barriga onde havia um ferimento, gemi de dor e ao cair no chão a puxei, rolamos pelos degraus e ficamos estiradas no chão alguns segundos, minha cabeça doía, ouvi mais passos vindo do andar de baixo e então puxei-a de novo para dentro de um quarto a nossa frente, estava vazio.
Fazendo a porta dar um estrondo Edward e o amigo de Bella – Paulo – junto com eles mais dois policiais entraram, segurei Bella dando-lhe uma chave no pescoço e peguei um bisturi que estava em cima de uma bancada junto com outros utensílios de cirurgia, coloquei o objeto cortante em direção a sua garganta.
– Sophia, o que você está fazendo? Largue-a! – Edward ordenou em choque ao ver a cena.
– Eu vou tirá-la do meu caminho, de uma vez, não consegui matá-la naquele acidente, sim, fui que planejei tudo. – soltei um riso e eles me olharam perplexos.
– Não faça isso, por favor! – Bella me pedia enquanto chorava e olhava para Edward, para o meu Edward.
– Cale a boca! – eu lhe ordenei. – Ou eu te mato antes do que planejei, mas vamos aproveitar a plateia.
– Façam alguma coisa. – o amiguinho de Bella disse aos policiais.
– Atirem! Vamos! Atirem em mim, mesmo assim eu ainda terei tempo de enfiar esse bisturi na garganta dela, e aí morreremos nós duas, dramático, não acham? – eu perguntei e ri novamente.
Nesse instante Jacob chegou, ainda atordoado e entrou no quarto pairando ao lado dos outros.
– Vai ficar tudo bem, Bella. – ele lhe disse depois de analisar o que acontecia ali.
– Ninguém vai nos separar. Nós três juntos pra sempre. – Paulo me fuzilou ao dizer as palavras.
– Quanto drama! É... Não se preocupe Bella, um dia se encontrarão, mas não mais nessa vida. — eu apertei ainda mais meu braço em torno de seu pescoço e ela soltou um gemido.
– Por favor, Sophia, não faça isso. Solte-a e vamos conversar. – Edward me pediu.
– Conversar? Eu te dei todas as chances de conversar, Edward, e você não me atendia ou então me ignorava, como acha que eu me senti esse tempo todo? E vocês ainda me fizeram passar por louca, diante de todo mundo. Você não será meu, mas ela também não será sua.
Um breve silêncio tomou conta do local, olhares se cruzavam o tempo todo.
– Ajoelhe-se. Ajoelhe-se, Edward, me obedeça. – ele me olhou sem entender, mas fez o que eu pedi. – Agora diga que me ama. Diga!
– Eu odeio você. – ele levantou a cabeça, seus olhos furiosos nos meus.
– Diga que me ama! Eu mandei dizer que ama! Diga que me ama! – eu lhe ordenei em meio aos gritos, Bella aproveitou meu surto e deu uma cotovelada em meu estômago conseguindo se livrar dos braços quando estremeci com a dor e afrouxei. Ela caiu no chão e Edward a segurou abraçando-a.
Senti-me desprotegida sem meu escudo, então parti para cima dela ainda com o bisturi na mão, mas antes que chegasse até onde os dois estavam no chão, ouvi dois tiros, num movimento rápido desviei, eles passaram por mim e explodiram na janela, fazendo uma delas se quebrar toda. Os polícias apontavam a arma em minha direção, se aproximando enquanto eu dava passos para trás.
– Largue isso e se entregue. – um deles me disse.
– Não! – eu respondi com firmeza e me afastei mais alguns passos.
– Sophia, cuidado! – Edward me disse levantando a mão e apontando para algo atrás de mim.
Olhei.
Eu estava na beirada da janela que havia se quebrado, alguns centímetros e eu cairia, a visão me deu náuseas e meu corpo se amoleceu, virei de novo e os dois policiais estenderam a mão para me segurar. Tarde demais. Senti meu corpo inclinar e se soltar do chão, o vento corria pelo meu corpo enquanto eu despencava em alta velocidade da janela do grande hospital indo em direção ao chão.
Senti o bruto impacto.
O vermelho tomou conta da minha vista. Sangue. Sangue vermelho como uma pétala da rosa que agora me ofuscava a luz, a pétala da Morte. Da minha morte.
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5 anos depois...
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No Sound But The Wind -The Editors
Bella Pov.
– Edward! Cadê a Agnes? – gritei da sala.
– Estou aqui mamãe... Só falta o papai. – ela disse quando pulou o último degrau da escada e sorriu.
– Estou pronto. — Edward desceu as escadas com um sorriso e suspirei. Já haviam se passado anos e eu ainda não me acostumara com a beleza de meu marido.
Olhei para minha filha e sorri. Com cinco anos, Agnes estava incrivelmente parecida com o pai quando criança. Grandes olhos verdes, cabelos loiros, pele branquinha e lábios rosados. Nossa princesinha.
– Todos prontos? — Paulete entrou na sala de mãos dadas com Jacob e Mary vinha logo atrás deles.
Hoje finalmente era o dia que tanto esperamos.
Depois da morte trágica de Sophia, Louis que tinha alguns meses foi passado para os pais dela. Eles já eram senhores e vieram há falecer alguns anos depois. Fazendo de Louis um órfão, que há algumas semanas desde a morte de seus últimos parentes, estava em um orfanato, aquela palavra me dava arrepios, o mesmo em que passei grande parte de minha vida, eu sofria só por imaginá-lo lá.
Todo o tempo que ficou morando com os avós ele frequentava a nossa casa e parecia ter uma ligação especial com Paulo e Jacob. Os três se davam muito bem e inúmeras vezes, Louis ficava com os dois quando os avós precisavam viajar ou tinham algum compromisso.
Ele era totalmente diferente de sua mãe, uma criança doce e ao mesmo tempo agitada. Dava-se muito bem com Agnes. Os dois tinham praticamente a mesma idade e não se desgrudavam por nada. Até que veio a fatalidade.
Logo depois do falecimento dos avós, imaginamos o que seria de Louis e a decisão foi tomada. Aconteceria uma adoção. Jacob e Paulo estavam prontos para mais um passo na relação deles. E se eles não estivessem, eu e Edward o assumiríamos.
O processo de adoção costumava demorar um pouco, porém a história de Louis era diferente e não eram desconhecidos que queriam adotá-lo... Sendo assim, houve um adiantamento.
Todos nós sofremos quando ele foi levado para o orfanato, infelizmente não podíamos fazer nada a não ser esperar a autorização. Nós quatro fazíamos questão de visitá-lo sempre nessas semanas que havia ficado lá. Assim como eu, ele não estava gostando da estadia e isso partia nossos corações.
Porém, era hoje. Finalmente Paulo e Jacob estavam autorizados a pegar Louis e apresentá-lo a sua nova vida. E nova família.
Edward me abraçou e Agnes segurou minha mão.
– Vamos! — Jacob saiu pela porta com Paulo e sorri respirando fundo.
– Mamãe, nós vamos pegar o Louis? – Agnes perguntou mordendo os lábios. A mesma mania que eu tinha.
– Sim, meu amor. Agora ele vai morar pertinho de você...
– É, tio Paulete me contou... Louis é tão legal... — murmurou. – Será bom ter ele perto de novo.
Edward a olhava e sorria, beijou minha testa e em seguida saímos da casa.
Finalmente tiraríamos Louis daquele lugar desagradável.
***
A viagem até Connecticut pareceu mais longa, pois estávamos todos apreensivos, mas quando finalmente chegamos ao local às lembranças tomaram conta da minha mente, segurei a mão de Paulete e Jacob, eles me encararam, provavelmente sentindo o mesmo. Quando entramos no prédio que anos depois ainda assumia a mesma aparência, Louis e uma senhora nos esperavam. Paulete e Jacob teriam que assinar alguns papéis e enquanto isso, Louis estava sentado em um banco de madeira comigo e Edward. Já que Agnes preferiu ir com o “tio Paulete”
–Tia Bella... Eu vou poder ir com vocês? – Ele perguntou torcendo os dedos uns nos outros e me olhando em expectativa.
– Sim, Louis, finalmente você poderá ir com a gente. Não vai ficar a grande parte da sua vida aqui, como eu fiquei. – segurei as lágrimas que ameaçavam se formar em meus olhos. — Está animado?
Ao assimilar o que eu havia dito, ele sorriu e me abraçou de lado, chorando baixinho.
– Obrigado, tios...
– Shhh, não precisa chorar, pequeno... Agora você vai morar com o Paulo e o Jacob e terá a Agnes e nós pertinho de você. Uma vida nova... Não precisa agradecer, estamos fazendo o que deve ser feito.
Edward sorria e jurava que estava se segurando para não chorar. Já eu, não consegui me conter e acabei deixando as lágrimas escorrerem.
Lembrava-me de como era ruim ficar naquele lugar e entendia Louis perfeitamente por querer sair dali.
– Ah... Finalmente! – Paulo saiu resmungando de uma das portas do corredor e veio em nossa direção. — Louis...
O menino o olhou e no mesmo instante abriu um grande sorriso, largando-me e indo abraçá-lo.
Paulete se ajoelhou e estendeu os braços para ele que agora era seu filho.
– Você vai ser muito feliz com a gente. – ele disse.
Jacob e Mary olhavam e sorriam um para o outro, Louis correu e pulou no colo de Jacob, Mary mexeu em seus cabelos e o beijou.
– Estou feliz por vocês três, fizeram o que deveriam fazer. – ela disse.
– Fiz o que você me ensinou, e vou lhe dar uma oportunidade de ser feliz de novo, assim como você me deu, lembra? – Jacob disse à Mary e ela o abraçou envolvendo também Louis.
– Vovó Mary! — Louis gritou e pulou do colo de Jacob para abraçá-la.
Todos se abraçaram, choraram e riram com Louis. Pela primeira vez eu senti um clima bom ali, ele teve a sorte que eu não tive, apenas esperei até quando pudéssemos sair dali por conta própria.
Estávamos seguindo a viagem de volta e quase chegando em Nova Iorque novamente, foi quando estávamos decididos há passar em algum lugar para almoçar e voltar para casa que sentimos a mudança de ambiente.
Louis já não estava mais animado e estava bem calado.
– O que houve? – Jacob perguntou à Louis que estava quieto em seu colo. – Está tudo bem?
– E minha mãe?
Estávamos andando de volta para o carro depois de almoçar, a pergunta dele nos fez parar.
– O que tem ela, meu amor? — Perguntei gentilmente, aproximando-me dele e acariciando sua bochecha com o polegar.
E quando seus olhos azuis me fitaram lembrei-me de tudo que passei com a mãe dele e como ele era incrivelmente diferente dela.
Louis era doce e cativante. Não tinha como não se apaixonar, forcei-me a lembrar várias vezes de que não importava quem foi a mãe dele, ele não tinha culpa, e em todos esses anos que ele esteve conosco só provou que os avós lhe deram uma boa educação, já que nunca teve uma imagem paterna.
– Porque ela não pode estar comigo?
Paulo estendeu os braços para Louis o qual foi de bom grado para o seu colo.
– Lembra que seus avós explicaram pra você? Sua mãe fez algumas coisas ruins e por isso partiu mais cedo do que devia...
– Ela era malvada? – Perguntou escondendo o rosto no peito de Paulo.
Não sabíamos como explicar para Louis que sua mãe era louca e também não achávamos certo enganá-lo... Uma criança de cinco anos não seria capaz de entender tudo o que aconteceu.
– Hoje é o dia certo em que a morte de Sophia completa cinco anos. — Edward murmurou em meu ouvido. Agnes que estava em meu colo não parecia estar entendendo nada.
Estremeci ao ouvir isso e Paulo me olhou.
– Sua mãe era complicada... Mas se te faz melhor, sempre que quiser posso levar você para visitá-la no cemitério. – Paulo disse e passou os dedos entre os cabelos lisinhos e pretos de Louis.
Os avós dele uma vez mencionaram que o neto às vezes pedia para “Ver” a mãe e não imaginávamos que ele pediria isso tão cedo.
– Podemos ir hoje?
Suspirei e me aproximei dele que ainda estava no colo de Paulo, acariciando suas costas.
– Porque não vamos agora?
Olhei para todos que assentiram com a cabeça. Então entramos e demos partida no carro, seguindo o resto da viagem até que chegássemos ao cemitério.
***
Eu não me incomodava de andar no cemitério, já havia vindo outras vezes e para mim era normal... Porém não hoje.
Assim que passei pelo enorme portal de abertura, um vento correu por minha espinha e comecei a suar frio. Sentia o ar pesado e a sensação de que não era bem vinda ali.
Olhei para Louis e ele andava calmamente pelo gramado ralo, seguindo Edward que o guiava até o túmulo da mãe.
O cemitério apesar de tudo era um local bem cuidado, a grama absurdamente verde e rala, flores brancas estendiam-se por todo o perímetro e misturavam-se com folhas secas das grandes árvores ali, as lapides em mármore claro davam um contraste bonito.
Demos espaço para ele e ficamos um pouco afastados do tumulo. Louis olhava para a lápide de mármore claro e parecia pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo. Ele não chorava e nem se lamentava. Nunca disse que sentia a falta dela... Louis não viveu nem um ano completo com Sophia.
Ele virou para trás a nossa procura e para minha surpresa, chamou-me. Fiquei meio relutante em ir ao seu encontro... Era desconfortável olhar a lápide de uma pessoa que um dia quis me matar.
Eu ainda não sabia como perdoá-la. Eu sabia que ela não era equilibrada mentalmente, porém não conseguia entender como poderia haver pessoas tão más, Sophia além de louca era inteligente e quase teve sucesso em seus planos... Se o seu próprio veneno não virasse contra si mesma, teria dado certo. E quem estaria olhando para uma lápide agora seria Agnes e Edward. Além disso, tentou matar o próprio filho ainda na gravidez, essa criança linda que agora estava a minha frente, fitando-me com seus grandes olhos azuis.
– Bella... Minha mãe não gostava de você? — Ele perguntou com as sobrancelhas arqueadas enquanto fitava a lápide.
– Não, querido... — Esperei ele continuar. Onde queria chegar?
– Mas...Você não é má, tia... Ela era, quando eu crescer serei como ela?
Abracei-o no mesmo instante e enxuguei uma lágrima que descia por sua bochecha.
Eu me sentia cada vez mais enjoada, meu estômago se revirava, eu estava arrepiada... A sensação era horrível.
– Escute, Louis, sua mãe teve alguns problemas e acabou se perdendo neles... Mas isso não tem a ver com você, não será como ela, entendeu? E também nunca estará sozinho... Você tem a todos nós agora, esqueça isso. Você é bom, doce, e puro. Totalmente diferente dela.
Assim que terminei de falar uma tontura me atingiu e comecei a suar. Olhei a lápide e poderia jurar que aquilo só me fez piorar.
Sophia não me queria ali.
– Obrigado. – ele me disse. — Amo todos vocês...
Louis correu para os braços de Paulete.
– Nós também te amamos, Louis. – Edward disse bagunçando seu cabelo, o fazendo rir.
Todos começaram a se retirar, porém continuei agachada olhando para a lápide.
– Espero que tenha encontrado a sua paz Sophia, depois de dar a nossa. Iremos cuidar do seu filho.
Eu me sentia cada vez pior e senti a mão de Edward deslizar por meu braço. Ele me ajudou a levantar e escondi o rosto em seu peito enquanto andávamos.
Nunca mais queria voltar ali. Mas como num ato de curiosidade, olhei pela última vez para trás e pude jurar ter visto uma sombra escura ao lado da lápide de Sophia.
***
Tyrone Wells — This is Beautiful
Naquele fim de tarde decidimos todos ir ao Central Park e aproveitar os últimos raios de sol, andávamos todos juntos, Agnes e Louis a alguns passos na nossa frente, os dois riam e nós riamos involuntariamente por vê-los felizes, a felicidade reinava em todos nós. Sentamos na grama verde.
– Esse lugar é especial, todas as vezes que venho aqui com você. – Edward me disse.
– Para mim também. – respondi. – Me sinto completa, extremamente feliz. – eu disse ao olhar mais a frente todos eles correndo e rindo juntos.
Edward desviou minha atenção ao me beijar, estendendo meu corpo sob a grama, passei os dedos entre seus cabelos. Abri os olhos e ele sorria, então retribui.
– Venha comigo! – ele pôs-se de pé e estendeu a mão para ajudar a me levantar, fomos até onde estavam os outros. – Podem ficar com Agnes alguns minutos? Quero levar Bella a um lugar. – Paulete me encarou com um sorriso pervertido. – Voltaremos logo! – ele afirmou.
– Aonde vamos? – eu lhe perguntei e ele sorriu sem me responder.
Agnes e Louis vieram até nós.
– Acha que ficará bem aqui? Não vamos demorar, eu prometo. – Edward disse a ela.
– Podem ir. – Louis disse. – Meus pais, cuidarão dela.
– É, podem ir. – Agnes concordou mexendo o pezinho e sorrindo pra nós, os beijamos, um em cada lado da bochecha, o riso deles tomou conta do lugar.
– Vão! – Paulete nos disse.
Jacob assentiu com a cabeça e assim então nós seguimos algumas ruas adiante dali, somente eu e Edward, nossos dedos entrelaçados.
– You Are. You Eat? – eu perguntei, não havia voltado naquele lugar desde que fui despedida e sai batendo a porta.
– Foi aqui que tudo começou. – ele me encarou ao dizer as palavras. – Vamos entrar.
Assenti e então fomos para dentro, sentando em uma mesa ao lado do vidro que dava a vista para a rua, a mesma em que atendi Edward pela primeira vez. Rostos conhecidos nos encaravam atrás do balcão sorrindo, então retribui e acenei.
Edward se levantou e foi até lá fazer o pedido, sozinha na mesa reconheci a melodia de “I Won’t Give Up” que começava a tocar ao fundo inflando o lugar.
– Pediu café? – perguntei quando ele voltou à mesa.
– Não. – ele respondeu. – Café aqui só quando era o seu, vou fazer outro pedido.
– Achei que já tivesse feito. – eu apontei para o balcão.
– Estou falando de outra coisa. – ele me disse.
– O quê? – perguntei arqueando as sobrancelhas e franzindo a testa.
– Não desista, não desista nunca, de nós, de tudo o que passamos, você mudou minha vida, me fez encontrar a felicidade e a realização. – ele pegou segurou minhas mãos, meus olhos se encheram de lágrimas.
– Eu não vou desistir! Nunca! – eu disse e curvei para beijá-lo.
– Mesmo que os céus fiquem severos? – ele perguntou junto com um trecho da música.
– Estou te dando todo meu amor. – eu lhe disse. — Você é tudo o que eu sempre quis, e sempre será.
– Eu te amo. – e ele me disse.
– Eu te amo. – afirmei.
E então ali, como há alguns anos atrás o sentimento aflorava mais e mais, levantamos e nos abraçamos, nossos corações batendo juntos em ritmo acelerado, nossos lábios se tocando enquanto nossos corpos se tocavam, com os olhos fechados eu ouvi ao fundo algumas palmas. Toquei seu rosto com as mãos e fitei seus olhos.
Nunca desistiríamos de algo que esperamos a vida toda, e assim então, fez-se a nossa história, onde seguiríamos juntos eternamente, sem desistir.

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