I Wont Give Up
11 Desatando Nós.
Notas iniciais
Em um impulso coloquei os braços embaixo de seu corpo e peguei-a no colo, descendo as escadas com cuidado, mas ligeiramente. Bella vendo a cena arregalou os olhos e veio em minha direção.
– O que aconteceu? – ela perguntou aflita.
– Eu não sei, ela não acorda. – respondi indo em direção à porta. – Abra a porta, por favor, Bella. – e assim ela fez. – Pegue nossas coisas e venha para o carro.
– Aonde vai levá-la? – ela perguntou já atrás de mim segurando as chaves e as bolsas.
– Vou levá-la pra clínica, para o centro médico de lá. – Bella abriu a porta traseira do carro e eu ajeitei o corpo de Sophia no banco.
– Ela está morta? – Bella perguntou sem entender completamente o que estava acontecendo.
Hesitei. Peguei no pulso de Sophia, a pulsação era devagar, mas ainda estava lá, havia uma chance então.
– Não, mas temos que correr se quisermos salvá-la. – ela concordou com a cabeça e entrou no banco do passageiro, virei a chaves e acelerei, seguimos de volta ao centro de Nova York na metade do tempo em que viemos para Manhattan.
Estacionei em frente à clínica, eu já sabia o endereço, passava por lá quando ia para a empresa, Bella desceu e me ajudou a retirar Sophia do carro, ainda desacordada. Corri para portaria, uma enfermeira veio ao nosso encontro em passos rápidos.
– Precisam levá-la ao centro médico, eu falei com vocês há alguns minutos por telefone. – eu disse à enfermeira de estatura baixa, magra, de cabelo louro preso num coque com um laço branco, um batom suave nos lábios, algumas rugas em volta dos olhos, imaginei que deveria significar alguns anos de experiência, e que isso ajudasse a salvar Sophia e o bebê.
– Qual é o nome dela? – ela me perguntou numa voz anasalada.
– Sophia. Sophia Dennver – eu lhe respondi.
Ela colocou uma prancheta em cima do sofá branco na sala de espera e deu sinal para outros dois enfermeiros, morenos e robustos que traziam uma maca. Os ajudei a colocá-la ali, e assim eles seguiram para encontrar o médico, não pude acompanhar, e por ali fiquei, sentado e segurando a mão de Bella enquanto esperávamos, duas vidas corriam risco.
Alguns minutos se passaram e a mesma enfermeira cruzou a grande porta de vidro vindo em nossa direção, me pus de pé.
– Como ela está? – perguntei aflito.
– Fizemos os socorros, e um raio-x, teve uma intoxicação de remédios, sabem alguma coisa sobre o ocorrido? – ela perguntou olhando para nós dois.
Bella me encarou e deu sinal para que eu contasse o que havia acontecido.
– Ela tentou se matar, cheguei a tempo e fiz ela vomitar o que havia ingerido, depois recolhi todos os comprimidos e frascos de remédios que ela havia pego. – suspirei passando a mão na testa e limpando gotas de suor.
– Parece que ela tinha alguns reservas então, mas ela está grávida, isso não é comum, sabe o motivo de ela ter feito isso? – ela me perguntou novamente parecendo já saber a resposta ao fitar minha mão segurando a de Bella.
– Não. – eu menti. – Não faço ideia, ela vem tendo um comportamento estranho de uns dias pra cá.
A enfermeira mordeu o lábio e fez algumas anotações em sua prancheta.
– Podemos vê-la? – perguntei.
– Infelizmente não, ela está descansando, o efeito vai demorar um pouco ainda, mas ela está bem, e o bebê também não corre risco, ela ficará sobre nossa observação durante um tempo, como já havíamos tratado, mas fiquem tranquilos que ela passará bem, e liguem sempre que quiserem vê-la, só preciso que assine alguns papéis para a internação, tudo bem?
– Claro. – respondi e peguei sua caneta emprestada assinando meu nome no rodapé das folhas que ela me apresentava.
Bella me abraçou.
– Espero que eles fiquem bem. – ela me disse com um olhar preocupado.
– Vão ficar. – lhe afirmei. – Preciso comunicar aos pais dela sobre o que aconteceu. – tirei o celular do bolso. – Espere aqui, vou ali fora telefonar e já venho te encontrar para irmos para a casa, está bem?
Ela balançou a cabeça e eu lhe beijei.
Sophia pov.
Sentia uma dor latejante em minha cabeça, minha visão se alterava entre a luz e a escuridão enquanto eu tentava abrir os olhos lentamente, minha pupila demorou a se acostumar com o tom claro, onde eu estava? O que havia acontecido?
Senti uma pontada forte em minha cabeça e depois gritei de dor.
Ainda com a visão com pouco embaçada, mas já conseguindo avaliar o local, enxerguei uma mulher de branco parada ao meu lado me observando, as luzes florescentes da sala irritavam meus olhos, eu estava deitada em uma cama, tudo ali era branco demais desde os lençóis até as paredes, no teto uma claraboia que deixava um pouco da luz do sol e o ar entrar, mas era cercada com grades, ao lado da cama havia alguns aparelhos hospitalares.
– Onde eu estou? – perguntei ofegante à mulher de branco parada ali.
– Senhorita Sophia, você está em uma clínica, vai receber tratamento durante um tempo até que melhore, não se preocupe. – ela tentava manter a voz serena enquanto falava.
– Clínica? – eu tentei levantar meus braços enquanto falava, mas não consegui, meus braços estavam presos por uma espécie de cinto ao lado da cama. – SOLTE MEUS BRAÇOS! EU VOU EMBORA DAQUI. – gritei.
– Não posso, não agora. – ela me respondeu na mesma serenidade que já me irritava. – Não será sempre assim, apenas preciso que se mantenha calma enquanto estiver em observação.
– Eu estou grávida. Grávida! – destaquei a palavra ao dizê-la pela segunda vez. – Não podem me manter aqui! – sacudi os braços tentando me soltar dos cintos, mas foi em vão.
Minha cabeça agora pulsava, eu enxergava com mais clareza, olhei o nome do local no uniforme da mulher que ainda me observava sem se mexer, acima do seu nome bordado no jaleco havia o nome de uma clínica psiquiátrica.
Clínica psiquiátrica? Você não é louca, Sophia! Precisa sair daqui. Precisa sair daqui. Você não é louca. Precisa sair daqui.
As mesmas vozes em minha cabeça voltaram a sussurrar, eu concordava com a cabeça ao ouvir as palavras em minha mente e fazia força para tentar me soltar.
– ME TIREM DAQUIIII! – eu dei um grito logo e fino, a enfermeira me encarou com os olhos arregalados, continuei os gritos aumentando o tom e debatendo-me na cama, eu ainda estava presa, e não sabia por quanto tempo.
Você é fraca, Sophia. Vai ficar presa aqui para sempre.
A voz sussurrou em minha mente e eu lhe dei uma resposta imediata.
– NÃO! NÃO! NÃO! – e soltei mais um longo grito, parei quando senti algo me furando, olhei meu braço, a enfermeira estava com me aplicando uma injeção, assisti o líquido terminando na seringa até ela retirá-la.
Eu me sentia fraca, minha visão começou a embaçar novamente.
Te derrotaram mais uma vez.
A voz sussurrou mais uma vez, dessa vez ela estava certa, mas isso não significava que eu aceitaria isso, lágrimas saíram de meus olhos escorrendo pelo rosto até que eu fui levada de novo para meu subconsciente.
Duas semanas depois.
Bella pov.
O sol em minha pele causava uma sensação gostosa. Fechei os olhos aproveitando tal conforto, parando na varanda de casa.
– Aproveitando o tempo, Senhorita Swan? — Edward perguntou.
Eu sorri e abri os olhos lentamente, vendo-o em minha frente, vestido em um terno preto, gravata azul clara e sapatos pretos.
A cada dia que passava ele ficava ainda mais irresistível...
– Exatamente isso, Senhor Cullen.
Ele sorriu e veio até mim, beijando levemente meus lábios.
– Sentirei sua falta hoje. — sussurrou.
– Mas já está na hora do almoço! E logo você estará de volta e eu também...
– Ter você na empresa alegra meu dia e me acalma. — beijou-me e amoleci em seus braços correspondendo avidamente.
Oh Deus... Que lábios.
– DIA LINDO EM NEW YORK! Vocês já estão prontos? Porque eu... Ah! -Paulete que vinha todo animado em nossa direção, pronto pra mais um dia de trabalho, arregalou os olhos e riu. — Isso que eu chamo de amasso!
Me desagarrei de Edward e senti minhas bochechas esquentarem. Ouvi a risada deles e ri junto.
– Então... Acho que está na hora de vocês irem. Não quero atrasá-los.
Paulete riu e veio me abraçar.
– Safada. — sussurrou.
Bati em seu ombro levemente e ri.
– Vá logo. — resmunguei.
Edward beijou minha testa e em seguida arrastou Paulete em direção ao seu carro.
Suspirei e o sol já não me reconfortava mais. Minha tarde seria um pouco diferente longe da empresa, eu iria à clínica, mas não contei para ninguém, não queria preocupá-los.
***
No fim da tarde eu já estava exausta. Acabei parando no centro e comprei algumas roupas. Logo elas seriam necessárias.
Estava me preparando para ligar o carro e ir para casa quando o som do toque do meu celular me assustou.
Olhei o nome no identificador de chamadas e sorri.
– Edward...? – eu atendi com uma voz doce.
– Ah minha Bella... Como eu amo a sua voz. Onde você está?
– Dirigindo, fui até a clínica, mas não se preocupe. – eu disse.
– À clínica? – ele me perguntou surpreso.
– Sim, mas não se preocupe, eu já estava indo para casa agora...
– Não!...Eu estou saindo daqui, achei que poderíamos jantar fora, o que acha?
– Claro! Apenas me diga onde te encontrar.
– Perto do Central Park, te levei lá uma vez, lembra-se?
– Sim. – as lembranças dos nossos momentos lá me inundaram — te encontro lá.
– Então até daqui a pouco.
– Até...
Desligamos e suspirei.
Ah meu Edward... O que fará comigo?
Eu estava ansiosa. Mas não adiantava me lamentar. Agora não tinha mais volta.
***
Quando estacionei, o vi parado do outro lado da calçada me esperando com um sorriso em frente ao restaurante, talvez estivesse ali fora porque dirigi devagar propositalmente. A ansiedade fazia minhas mãos tremerem e me dominava.
– Eu já ia te ligar... – ele sussurrou em meu ouvido ao me abraçar.
– Ah, tinha um pouco de engarrafamento, bem típico, não?
– Verdade. Vamos jantar?
Meu estômago se revirava e aquele simples detalhe me fez suspirar.
O restaurante era uma mistura de comida japonesa, chinesa e coreana. Simplesmente delicioso, eu mal sabia escolher o que comer. Edward me acompanhava na dúvida.
– Se eu ficar gorda, inchada a ponto de você não gostar mais de mim a culpa será toda sua. Isso é maravilhoso! — peguei um rolinho primavera e mergulhei no molho agridoce, comendo em seguida.
– Seremos dois então... — ele riu e eu o acompanhei, levando um guardanapo à boca.
Terminamos o jantar em silêncio, eu estava aflita e pelo que pareceu, ele não havia notado.
Pagamos a conta e Edward começou a caminhar comigo em direção ao Central Park.
Plain White T's — Hey There Delilah
A visão era a coisa mais linda... New York iluminada, assim como o parque. Estava meio vazio e o clima uma maravilha.
– Uma caminhada para gastar calorias? — perguntei brincalhona.
– Claro, já estou com dor na consciência por ter comido tanto...
Rimos e continuamos a andar abraçados.
– Sabe... Ainda é tão estranho como minha vida mudou.
– O que quer dizer? – senti certa aflição em sua voz.
– Apenas que estou feliz, muito feliz. E agradeço por ter você em minha vida. – eu lhe disse parando e olhando no fundo de seus olhos.
– Eu também, Bella, você mudou tudo... Meus conceitos... Me fez perceber muitas coisas, me fez crescer, me fez saber o que é amar de verdade, o que é ser feliz. O que é compartilhar sentimentos, pensamentos e situações. Eu amo cada parte de você... E por isso... E-Eu... — Ele gaguejou e suspirou, em um único movimento ele ajoelhou-se em minha frente e com a caixinha aberta estendida, dentro havia uma linda aliança dourada. Simplesmente perfeita. – Você me daria à honra de ser minha esposa?
Meus olhos se arregalaram e engasguei com a minha própria saliva. Eu não esperava por aquilo!
Meus olhos se encheram de lágrimas e varrendo o local com um rápido olhar lembrei-me que há meses atrás fora exatamente aqui que trocamos nosso primeiro beijo.
– Oh Meu Deus... Eu aceito, nós aceitamos. – Enxuguei as lágrimas com as costas da mão e esperei sua reação.
– Nós? – ele perguntou confuso.
– Estou grávida, Edward. – eu disse e mordi o lábio em seguida. Isso não estava nos planos, o que ele acharia?
– Você... O quê? Grávida... Grávida mesmo?!- ele riu nervoso e podia jurar que via lágrimas em seus olhos.
– Sim... Eu sei que não estava nos planos, mas hoje quando eu disse que fui à clínica, fui fazer o exame. — abaixei a cabeça e torci os dedos uns nos outros.
– Então era isso... – ele me olhou e vi um brilho em seu olhar que jamais havia visto antes.
Arquejei de surpresa quando fui pega em um abraço de urso. E pelo fungar que ouvia, ele estava chorando.
–Obrigado. – ele sussurrou ainda em um abraço protetor. — Não se preocupe, não estava nos planos, mas é muito melhor! Vamos... Vamos ser ótimos pais.
Ele havia gostado!
Eu sorri e o abracei de volta, permitindo que toda a felicidade que fora encoberta com a preocupação viesse à tona. Seriamos pais! Uma vida dependeria totalmente de nós daqui a alguns meses.
– Isso é tão assustador! — eu disse e o apertei mais ainda sorrindo.
– Eu sei! — ele riu. — E maravilhoso!
– Sim, é ótimo.
Ele riu e afastou seu rosto em seguida, olhando em meus olhos por longos minutos.
– Você me faz tão feliz... – ele me beijou e senti-me perdida.
Era isso que sempre quis para minha vida, ter uma família, ser amada por alguém e saber que poderia dar ao meu filho tudo que eu não consegui ter.
– Você também... Eu te amo tanto. — resmunguei e o beijei. – Amo vocês dois. – eu disse levando a mão à barriga, ele colocou sua mão sobre a minha e abriu um sorriso. Depois suas mãos deslizaram por minhas costas e apertaram minha cintura.
– Então quer dizer, que vocês aceitam? — Estendi minha mão direita, Edward calmamente tirou a aliança da caixinha, guardando-a no bolso e finalmente deslizando a linda aliança por meu dedo anelar. Ele olhou minha mão por alguns segundos e beijou-a em seguida, como uma forma de selo de compromisso.
– Sim. Mil vezes sim!
Ele riu e balançou a cabeça, pude ver algumas lágrimas deslizando por sua bochecha novamente.
– Tive medo da minha escolha, sei que não gosta de coisas chamativas.
– Como sempre você acertou em tudo. Ela é perfeita, como você!
Ele riu e apalpou minha barriga de leve mais uma vez.
– Mal posso esperar... – ele disse.
– Eu também.
Rimos e trocamos mais um beijo, começamos a caminhar abraçados de volta para o restaurante, onde estavam os carros.
Edward POV
O sol brilhava intensamente naquela manhã, tudo parecia mais vivo, o mundo todo parecia piscar ao meu redor.
Era incrível como a minha vida tinha mudado desde a manhã em que fui ao You are. You eat. Com a simples intenção de tomar o meu rotineiro café. Naquela manhã, o destino começava a escrever a minha história.
Conhecer Bella foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido e embora tenha tido dias tenebrosos com nuvens negras, ela sempre aparecia como o meu sol particular para tornar tudo melhor. E agora o meu Sol me daria mais um motivo para brilhar... Eu realmente não esperava a notícia da gravidez, estava tão preocupado e tenso com o pedido de casamento que não percebi que ela também estava com sua camada de nervosismo, deveria saber que estava preocupada com algo, escondendo algo.
E então o que eu achava que não poderia ficar melhor após ela dizer o seu “Sim” ficou, recebi a notícia que vem preenchendo o meu coração com um amor incondicional: Bella grávida de um filho meu.
O pensamento pesou em meu coração e a saudade irracional de tê-la em meus braços me fez sair correndo de minha sala a sua procura. Ela estava saindo da sala de Alice com alguns papéis na mão, quando a peguei em meus braços esmagando meus lábios nos dela.
– Já disse que te amo? – sussurrei. Ela riu contra meus lábios e rolou os olhos.
– Só umas mil vezes, mas mesmo assim é sempre bom ouvir. -disse abrindo um lindo sorriso.
– Eu te amo.
– Eu também te amo, Edward. E se todas suas visitas forem assim, pode vir me visitar mais vezes.
Rimos.
– Isabella, você foi fazer essas porras desses papéis ou resolveu... — resmungou Paulo saindo da sala estupefato e se interrompendo ao nos ver. — Pra que papéis quando se tem Edward Cullen nessa empresa?! – ele rolou os olhos ao nos olhar ali abraçados.
– Exatamente. Edward, você deveria colaborar mais conosco, sabe? Afinal, além da empresa nós estamos trabalhando no seu casamento. — disse Alice, saindo de sua sala e passando um braço ao redor dos ombros de Paulo.
– O quê? Trabalhando no meu casamento?
– Sim, estávamos planejando a decoração, o vestido, arranjos... Mas sua presença sempre deixa Bella mole demais, então saia.
– Ah! Sua baixinha implicante, eu já te disse o quanto te amo? –eu disse soltando Bella delicadamente e indo abraçar minha irmã que riu em meus braços.
– Bom, você tem demonstrado pouco o seu amor nessas últimas semanas. — disse Alice fazendo o seu típico beicinho triste.
– Sim, eu sei, me desculpe. Minha cabeça tem estado a mil, mas amanhã eu prometo que teremos nosso momento de irmãos e sairemos juntos, só você e eu. O que acha? — disse segurando suas mãos e sorrindo ao ver o seu rosto se iluminar e seu sorriso caloroso aparecer. Eu sentia falta disso. Alice sempre foi muito alegre e calorosa em tudo o que fazia, raramente a via triste com algo e se a via, logo depois já estava feliz novamente só para ver as pessoas felizes ao seu redor. Era realmente incrível como ela conseguia me alegrar depois de um dia cansativo ou dar conselhos com os problemas que eu tinha. Era uma pessoa que nunca me abandou em nenhum momento de minha vida e que sempre esteve lutando em minhas batalhas junto comigo... Eu agradecia a quem quer que estivesse olhando-nos do céu, por tê-la em minha vida.
– Eu te amo. — a frase saiu repentinamente, enquanto eu olhava para os olhos sempre brilhantes de minha irmã. Meu peito pesou com a saudade imensa que sentia de sua presença em meus dias.
Ela suspirou compreendendo o que minhas palavras ocultavam e concordando com o mesmo.
– Eu te amo. — murmurou me abraçando. O momento apesar de parecer convencional, era tão íntimo que meus olhos arderem com as lágrimas que eu segurava. Eu a estava a agradecendo.
– Ai que brilho! Eles são tão lindos. — disse Paulo agarrado ao braço de Bella fingindo secar lágrimas. Bella concordou com um sorriso ao seu lado. Olhei para Alice e ela pareceu pensar no mesmo que eu.
– Nós também te amamos Paulo, polêmica ambulante! — dissemos rindo e fomos abraçar os dois.
A nova copeira — Claudia – que estava passando e viu a cena nos olhou surpresa.
– Venha Claudia! – Paulo a chamou — Nós também te amamos mesmo que seu café não supere o da Bella. — e rindo nós quatro corremos para abraçar a pobre mulher enquanto ela parecia nada entender. Hoje o dia estava realmente lindo! O amor reinava.
***
Os meses se passaram melhores do que eu poderia imaginar.
Bella — agora de sete meses — irradiava sua alegria aonde quer que passasse. A notícia alegrou a todos e até o Senhor Carlisle Turrão partilhava da mesma alegria e ainda se desculpava conosco por ter nos julgado tanto e acreditado em Sophia. Era irracional não ver o bem que Bella fazia não só a mim, mas também a família que ele tanto amava.
Sophia estava indo bem com a internação, sempre que podíamos íamos visitá-la. Parecia que a breve chegada de seu bebê a animava e a ajudava na recuperação, mesmo que às vezes seus surtos para sair de lá fossem presentes em sua rotina.
Quando a barriga de Bella começou a ser visível, é claro que ela parou de comparecer a clínica – não que Sophia exigisse vê-la, mas era uma vontade de Bella, uma preocupação. — não queríamos correr o risco de ter novamente mais algum ataque de Sophia.
Eu, Bella, Paulo e Jacob estávamos sentados no sofá da nossa sala olhando revistas sobre casamentos e bebês, isso estava se tornando rotina.
– Eu gosto desse, ele é divino. — disse Paulo apontando para algo na revista.
– Não quero nada chamativo, Paulete. O simples me cai bem melhor. — disse Bella, fazendo com que começassem a discussão que vinha tomando conta das últimas semanas: Simples X Glamoroso. Era divertido ver Paulo perder a cabeça com as opções mais simples de Bella, ele realmente é uma figura.
Estava submerso em pensamentos quando ouvi o meu celular tocar. Olhei o endereço da chamada surpreso: era a mãe de Sophia.
– Senhora Dennver?
– Edward! Oh ainda bem que você atendeu o celular! Edward, Sophia está tendo o bebê agora e não para de chamar o seu nome, estamos levando-a para o hospital, por favor, venha para cá!
A notícia me deu um choque e interrompeu o momento.
– Estou a caminho! – respondi após ela me dar o endereço e desliguei.
– O que aconteceu? – Bella perguntou se levantando e pondo-se ao meu lado.
– Sophia vai ter o bebê. – respondi e todos ficaram em silêncio.
Resolvi que seria melhor eu ir sozinho até lá, então dirigi até o hospital onde já estava planejado para Sophia ter o bebê, ela vinha fazendo seu pré-natal na clínica, mas eles não tinham o devido suporte para fazer o parto, então quando chegasse a hora, Sophia iria para o hospital.
Encontrei com os pais de Sophia na recepção e logo fui encaminhado para a sala onde Sophia se encontrava. Ela estava em uma maca com vários médicos e enfermeiros a sua volta. O parto normal estava sendo difícil e seus gritos ecoavam pela sala. Coloquei a roupa e adereços necessários para poder ficar na sala ao seu lado sem lhe oferecer nenhum risco.
– Está tudo bem, Sophia, aguente firme! — estimulei-a ao seu lado. Seus olhos cansativos se viraram lentos e preguiçosamente para me encarar.
Seus cabelos molhados pelo suor e sua face brilhosa, deletavam sua exaustividade. Seus olhos ganharam um brilho estranho ao me ver ali. Sophia agarrou fortemente minha mão e gritou novamente fazendo força. Os médicos lhe gritavam palavras de incentivo e consolo, a sala toda era preenchida pela agitação do parto.
– Vamos Sophia, falta só mais um pouco!
Seu aperto de mão estava ficando cada vez mais fraco e ela respirava com dificuldade. No que pareceu sua última tentativa de esforço, Sophia trincou os dentes, voltou a segurar minha mão firmemente e empurrou mais forte. O choro da criança ecoou pelo quarto e todos suspiraram aliviados.
Olhei maravilhado para cena e não pude deixar de imaginar quando fosse realmente meu filho ali. Meu filho com Bella.
O aperto da mão de Sophia se foi totalmente e agora quem a segurava era apenas eu, seu corpo descansava pelo excesso de esforço, seus olhos estreitamente abertos e o rosto embora brilhoso, me lembravam a velha Sophia que eu conhecia, e não a que voltaria à clínica depois do parto. O problema é que embora parecessem pessoas diferentes, eram a mesma, apenas de personalidade alternativa.
– Você conseguiu, ele é lindo. — sussurrei-lhe.
– Louis. – ela hesitou e soltou um sorriso torto com dificuldade ao olhar o bebê no colo do médico. – Louis Dennver. – depois de dizer o nome de seu filho, eu vi uma lágrima escorrer por seus olhos antes que ela adormecesse.

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