I Wont Give Up
1 Coffee.
Notas iniciais
Capítulo 1– Coffee.
Eu estava na mesma, como sempre... Ou seja: Na merda.
Parecia que quanto mais o tempo passava, mais entediante minha existência ficava.
Nunca tive ninguém fixo em minha vida, cresci sob os afáveis e responsáveis cuidados da família Swan, porém com apenas cinco anos descobri que fui adotada, isso um ano depois dos meus “pais” morrerem como reféns em um shopping.
Fui jogada em um orfanato qualquer – de novo – e nunca mais fui adotada. Aos dezesseis anos, não havia mais espaço para mim ali e finalmente pude sair daquele lugar, onde todos me olhavam com pena, o que me causava repulsa, um sentimento de horror completo, acho que nunca mais conseguirei pisar ou sequer olhar em direção àquele lugar repugnante, meu purgatório, com toda certeza.
Hoje pelo menos tenho um emprego nessa imensa cidade de Nova Iorque. De segunda à sexta, todas as manhãs, eu sou garçonete em uma cafeteria chamada You Are. You eat.
Aos meus vinte anos, moro em um apartamento com um amigo.
Estava limpando o balcão com um pano, distraidamente por sinal, que eu mesma havia lavado... Quando, de repente, o primeiro cliente entrou, sendo anunciado por um sino na porta. Este me fascinou desde o primeiro instante... O primeiro vislumbre.
Ele entrou, trazendo consigo uma rajada arrepiante de ar frio e todo o encanto que eu podia ter com alguém, não tinha como negar.
De roupa social, tinha um ar de extrema elegância e superioridade, porém com nenhum traço sequer de sutileza ou vestígios de arrogância eminente. Seus passos pareciam meticulosamente calculados, parecia um Deus! E o olhar... Ah esse olhar, que me hipnotizou e me atraiu de cara. Encontrei-me mergulhada nesse mar verde... Sentia-me cada vez mais afundando e...
– Senhorita? Está tudo bem?
Nem percebi que o pano escorregara de minhas mãos suadas e que estava olhando, na verdade, encarando, aquele belo anjo... Este que me fitava com o cenho franzido e um semblante preocupado. Corei violentamente e, me socando mentalmente, percebi que o Deus estava esperando que eu indicasse uma mesa para ele se sentar.
Porém, como minha sorte é extremamente grande, não consegui dar dois passos sem que escorregasse no pano caído no chão.
Droga, droga, droga! Bem minha cara, ser estabanada na frente dele. Oh meu Deus, quando eu deixaria de ter dois pés esquerdos?
Preparei-me para a queda dolorida, que eu sabia que seria logo, e fechei os olhos esperando pela dor... Que não veio!
Ao contrário do que esperava, mãos fortes me seguraram junto a si, colando nossos corpos. Abri os olhos de súbito e deparei-me com pedrinhas verdes olhando-me fixamente. Se antes eu já estava vermelha, agora devo ter ficado roxa, porque ele arregalou os olhos e escovou os dedos longos e macios pela minha bochecha, esperando que a estranha cor sumisse.
– Tem certeza que está bem, senhorita? – aquela voz rouca e melodiosa perguntou outra vez.
Apenas fiz que sim com a cabeça, pois não estava conseguindo processar meus pensamentos direito com aqueles lábios tentadores perto de mim... Se ao menos houvesse...
Tentei afastar esses pensamentos luxuriosos da cabeça e soltei-me dos braços dele – contra minha vontade, tenho que ser sincera- A sensação de ser segurada por aqueles braços era tão boa. Sorri mentalmente. Aquilo parecia com uma cena clichê de filme de domingo à tarde ou de um romance barato que eu pegava lendo enquanto me jogava no sofá em meus dias de folga.
– Estou ótima. — Respondi tentando firmar a voz.
Ele arqueou uma sobrancelha e sentou-se na mesa que indiquei ainda meio desastrada.
Deixei o cardápio a sua frente e percebi de esgueira que ele olhava o relógio.
– Obrigado.
Afastei-me e fui cuidar das coisas pendentes no caixa da cafeteria.
Percebi os olhares de minhas colegas de trabalho em mim, alguns de raiva e outros do tipo “Me conte tudo depois”. Como se houvesse algo para ser contado, apenas eu uma garota distraída caindo na frente de uma cliente incrivelmente lindo.
Seus olhos varreram a cafeteria e quando nossos olhares se encontraram eu quase me perdi naquela imensidão verde novamente.
Sua mão se levantou rapidamente, minha deixa.
– Escolheu seu pedido... Senhor? — Era estranho chamá-lo de senhor, vendo um homem forte e jovem, de olhos maravilhosos e cabelos bronze desgrenhados.
– Um café expresso grande e waffer com mel, está ótimo.- Disse de maneira educada e sorrindo de leve em seguida.
Senti minhas bochechas esquentando e logo tratei de preparar seu pedido.
Eu havia chegado atrasada hoje e Cintia, havia feito o café, o qual era meu trabalho todos os dias.
Com seu pedido completo, levei até a mesa. Onde ele agradeceu e deu atenção ao iPhone na sua frente.
Todos os outros clientes estavam nas mãos de minhas colegas, por isso, me permiti ficar parada na frente do balcão, apenas observando-o.
Senti-me suspirar quando seus lábios, fizeram um biquinho para sugar o líquido da xícara. O que me surpreendeu foi sua expressão logo em seguida. Estava nítido que ele não havia gostado do café. Sua cabeça virou-se na direção que eu estava, procurando-me e acenando educadamente quando me achou.
Apenas tomei coragem e me conduzi a sua mesa, aquele homem era um pecado!
– Senhorita... Desculpe, mas esse café está horrível. Frio e totalmente aguado. — Sua expressão era dura e ao mesmo tempo culpada, ele deveria achar que fui eu quem fiz.
– Sinto muito... Cintia, hm... Não tem muita habilidade com café, eu mesma cuidarei disso para o senhor, volto já.
– Obrigado, senhorita. — Disse sorrindo gentil em seguida.
Edward pov.
Sim, eu estava atrasado, mas precisava de um bom café da manhã o qual não pude ter em casa. Tentei ser gentil ao reclamar do café para a garçonete-absurdamente-linda que me atendia. Trabalho muito, e por isso tenho um vício grande em cafeína. Não sei viver sem e muito menos com um ruim. A garçonete não se demorou muito e com um sorriso gentil, logo trouxe um novo café para mim.
Meu iPhone apitou, eu estava atrasado para a reunião. Mesmo assim não consegui pensar nisso, não com aqueles olhos chocolates me fitando. Cabelos marrons arruivados emoldurando seu rosto, pele branca e lisa, corpo pequeno e cheio de curvas há minha frente... Uma bela mulher.
Consegui desviar meu olhar dela e com um pouco de receio bebericar o café que havia me trazido.
Aquilo... Aquilo era café! Na verdade, o segundo melhor café que já bebi em minha vida, o gosto era maravilhoso e tem algo ali, que me fez lembrar de casa e das tardes frias quando era pequeno e minha mãe fazia a bebida. O cheiro impregnava-se na casa.
Olhei para senhorita com espanto.
– Você mesmo o fez?! – perguntei.
– Sim... Está ruim também?
– Não... Está maravilhoso! Obrigada, era isso que eu precisava, hm... Seria estranho chamá-la de garçonete... — Eu, bem, não sabia como me dirigir a ela.
– Bella. Obrigada senhor. – agradeceu.
– Edward. “Senhor” faz-me sentir que sou velho. — falei rindo.
Bella riu comigo e o som de sua risada me encheu com uma alegria estranha. Eu tinha vontade de sorrir instantaneamente.
Meu celular tocou de novo e rolei os olhos, deveria ser a senhorita Mary, minha secretária, querendo uma satisfação de onde eu estava a essa hora.
– Bella... Pode me trazer a conta? Estou atrasado. — sorri gentilmente.
– C-claro, já volto. — ela gaguejou entre as palavras.
Suspirei alto e atendi o telefone gritante.
– Senhor-Atrasado-Cullen! Posso saber onde diabos você está? Os clientes chineses já estão aqui! — Mary ralhou no telefone.
Mary era praticamente minha irmã, quando começou a trabalhar na empresa, logo se destacou e foi indicada para ser minha secretaria, já que, eu não tinha uma e estava precisando.
Minha família a idolatra, a verdade é que Mary é a única mulher além de minha mãe e minha irmã que verdadeiramente gosto. Ela cuida de mim e eu dela, o elo simplesmente surgiu.
– Fique calma, eu precisava de um café decente ou ia enlouquecer! Já chego, Mary, estou na cafeteria nova, esquina da empresa. Enrole-os.
– Caralho, Edward! Eu lá sei falar chinês, homem?! Como vou entretê-los? Vai foder com a vida de outro, garoto! Venha logo, ou quem fode com sua life, honey, sou eu.
Eu ri, sabia que aquilo só iria irritá-la mais.
– Seja profissional, Mary, salve seu chefe, enrole-os — Repeti e desliguei.
Bella voltou à minha mesa e com pressa paguei a conta, porém, eu queria ficar e apenas vê-la trabalhar. Não podia, é claro.
– Obrigada pelo café, Bella. Salvou minha manhã.
– Imagine. — ela riu constrangida — Nada como café fresco.
Neguei com a cabeça e sorri.
– Nada mesmo! – Saí pela porta deixando-a ali com um sorriso doce nos lábios.
***
Mary estava insuportável, eu queria apenas cortar a língua dela fora! Porra! Precisava falar tanto no meu ouvido?
– Cale a boca um pouco, Mary! Faça esse favor aos meus ouvidos, ou melhor! À minha sanidade!
– Urgh! Você é um grosso, Edward! Isso pra mim é tensão sexual reprimida! Escute o que estou te dizendo, pois não vou repetir!
E voltou a tagarelar sobre o que aconteceria em uma entrevista da empresa hoje à tarde.
Estávamos lucrando absurdamente de uns tempos para cá e propostas de vários países choviam em nós. Minha empresa fornecia nada menos que roupas, sapatos e maquiagem à maioria das mulheres de Nova Iorque, o sucesso era tanto que logo propostas começaram a surgir, fazendo assim, criar-me várias afiliais pelo mundo e muito dinheiro.
Minha irmã, Alice, era responsável por todo o setor dos produtos, sem ela nada disso funcionaria, muito menos existiria.
Aos meus 24 anos, trabalho dia e noite com as finanças, contratos e tantas outras coisas para que a empresa possa crescer cada vez mais.
Eu devia tudo a Alice, ela havia tido esta ideia,- a qual meus pais apoiaram- e insistira para que eu fosse junto e eu realmente acabei tomando gosto pela coisa.
– Edward Masen Caralho Cullen! — Mary gritou a beira de histeria. – Você ouviu a porra de uma palavra que eu disse?
Levantei meus olhos para ela.
– Sabe, seu vocabulário está cada dia melhor, sua boca suja, Dona Esme teria vergonha de você.
– Esme me ama! — mandou um beijinho no ar — e você também. Agora escute, nesses próximos dois meses não podemos ter um escândalo negativo, está entendendo?! Chegou aos meus ouvidos que estamos sendo observados pelo oriente e logo um bom contrato deve estar chegando nas nossas mãos.
– E eu já lá fui motivo de escândalos? — perguntei mal humorado.
– Não, mas é um aviso para que não venha a ser. E temos um pequeno problema, Jessica está prestes a entrar em licença maternidade, precisamos de um novo gerente de design além de Alice.
E lá foi Mary com sua tagarelice outra vez, às vezes ela era pior que Alice.
Tapei meus ouvidos e suspirei, eu precisava de um café.
– Tá, tá, tá, fazemos o seguinte, pergunte à Alice quem seria apropriado para o novo cargo até a senhorita Jessica voltar e depois me informe, aproveite e me traga um café, pelo amor de Deus! E dessa vez coloque açúcar, quase me matou com seu último “café salgado”!
– Ainda vai se afogar em um copinho de café! Viciado do caralho. — ralhou. – E não menospreze o meu café! Foi um erro... Um pouco salgado...
– Boca suja! — Gritei para Mary que já estava saindo de minha sala. Ouvi um xingamento ao longe e gargalhei.
Mary animava meu dia.
Meu celular tocou e rejeitei a chamada ao ver quem era, aguentar mais uma em meu ouvido agora não dava.
Suspirei alto e tentei me concentrar nos documentos em minha frente, café, café...Onde estava meu café?
Trabalhei e trabalhei, claro, com um mau humor do cão, nem eu estava me aguentando.
Por quê? A porra do café do escritório estava horrível, não salgado, mas horrível. Era um completo insulto beber aquilo, depois de ingerir o delicioso café de Bella de manhã.
Bella pov.
No dia seguinte, quase cai para trás ao ver Edward aqui novamente, meu pai do céu!
Estava chovendo e ele entrou balançando o cabelo, eliminando algumas gotas. Seus lábios estavam em um bico involuntário e seus olhos verdes esmeraldas completamente hipnotizantes.
Devo ter babado, por favor! Quem não o faria?
– Bom dia! — ouvi sua voz rouca a minha frente.
Meu corpo estremeceu e eu congelei. Tê-lo perto era no mínimo perturbador...Seu hálito de menta me enlouqueceu e sua respiração me causou mais arrepios.
– Bom dia... — respondi com a voz baixa.
Edward sentou-se ao balcão, deixando sua maleta ao lado.
– Por favor...Me diga que você quem fez o café hoje!
Eu ri e concordei balançando a cabeça.
– Para sua sorte, sim! – brinquei.
– Você não imagina o quanto! — rolou os olhos e sorriu. – Estou perdido se me acostumar com isso...
– É só vir aqui... — falei e peguei a maior xícara de café havia ali, logo em seguida, despejando o líquido quente e escuro dentro.
– Acredite, isso vai acontecer bastante daqui pra frente.
***
E duas semanas se passaram, eu já estava acostumada a vê-lo passar na porta em um determinado horário em busca do meu café e talvez de nossas conversas, que ficavam cada vez melhores.
Edward já sabia bastante coisa sobre mim e depois de um tempo, comecei a me tocar de quem ele era. Claro! O mais novo e famoso empresário do século! A propaganda de “The Cullens” estava em todos os jornais e revistas.
Fiquei impressionada em o quanto ele parecia simples ao conversar comigo, o quanto ríamos e perdíamos a hora. Eu o atrasava quase todos os dias e sua secretaria Mary — que estava louca para me conhecer — queria arrancar minha cabeça.
Confesso, ele também me atrapalhava, levar esporros de meu chefe, virara rotina. Porém a verdade é que não controlávamos isso... Parecia tão certo os momentos que passávamos juntos, os risos e situações engraçadas e as tantas coisas que contávamos um ao outro.
Isso me preocupava para falar a verdade...Ele sabia muito mais de mim, do que eu dele e eu me recusei há procurar informações em tabloides, preferia que me contasse.
Edward estava ocupando um lugar em minha rotina e em meus pensamentos quase sempre... Era estranho e sonhador demais, pegava-me sonhando acordada...Em um dia beijar aqueles lábios, passar as mãos por aquele cabelo desgrenhado e lindo. Eu era uma tola. E tinha que parar.
Eu sabia que devia... Devia me privar de esperanças, mas era quase impossível, eu já estava tomada! E tem alguém perto de mim que ama incentivar todos esses pensamentos loucos.
Cheguei a porta de meu pequeno apartamento e ri alto ao constatar a música que estava tocando — “Call Me Maybe”– e a voz de fundo era ainda melhor. Paulete não cantava, ele gritava.
– Paulooooooooo. — Gritei fechando a porta em minhas costas.
– Isadorapinto! Finalmente garota! — Ouvi seu grito antes de conseguir localizá-lo.
Paulete saiu da cozinha apenas de camiseta — com uma foto do Taylor Lautner sem camisa estampada — e boxer branca, já balançando seus braços sorrindo, vindo me abraçar.
Rolei os olhos para o apelido idiota que ele havia me arrumado.
Paulo e eu somos amigos há anos! Ele morava no orfanato também e sempre fomos colados, eu, ele, e Jacob, que não víamos há milênios.
Paulete sempre foi meio doido e quando era pequeno tinha certos problemas para gravar nomes, assim o meu apelido foi dado. Ao invés de Isabella, ele me chamava de Isadora, e como amava me sacanear me obrigava a aguentar seus trocadilhos. Obviamente eu odiava aquele apelido. Pelo menos, quando estávamos em público, não me chamava assim, há não ser que quisesse ser um melhor-amigo-gay-morto.
Ele foi o segundo de nós três há ser adotado e há alguns anos ele me localizou, e claro, não o deixei sair de perto de mim.
– Paulete, seu louco! Temos vizinhos! Estou cansada da Dona Gilda me olhando feio todas as manhãs por conta de suas bagunças. — botei a mãos na cintura.
– Aquela velha dos infernos, pensa que me engana, escuto gemidos todo dia a tarde, ela tem estoque de filme pornô! Tarada profissional!
– Pare com isso! Deixe a coitada em paz, ela nem deve ter mais esse tesão todo...Tem o que? Setenta anos?
Paulete riu jogando a cabeça para trás e voltando para a cozinha, chamando-me com um aceno.
– Setenta o escambau, se tiver oitenta é pouco.
– Você é mau. — ri.
– Não, meu bem, sou uma pessoa da luz, bom... E puro. Talvez um pouco realista demais.
– Há-há — Ri exageradamente pegando uma colher de pau e batendo em sua bunda.
– Ai, vaca doida! — Gritou e tapou onde eu havia batido.
– Pauletepurasacanagem, você é a pessoa mais tarada que eu conheço.
Ele deu uma reboladinha e piscou para mim, começando a fazer algo no fogão.
– Sei o que é bom na vida, honey, você deveria também, se fosse eu, já tinha dado para Edward Cullen há muuuuuito tempo!
– Paulete! Controle-se, por favor... — Gritei repreende-o que só riu histericamente e negou com a cabeça. – Qual o cardápio de hoje?! – Perguntei. Paulete era bom cozinheiro...
– Macarrão instantâneo, aprendi com você que devemos apreciar as coisas "mais simples da vida", vale pra cozinha também, certo? – ele disse num tom irônico.
...Quando não era preguiçoso.
– Você é o amigo mais abusado do mundo, tem o tempo livre, pare de preguiça!
– Falando em comida... E Edward Cullen, ein? O que rolou hoje? — o empurrei pro lado, assumindo o fogão e mexendo a panela.
– Comida e Edward... Não vou nem perguntar. Nada demais Paulete... Conversamos, rimos, falamos besteiras e eu quase escorreguei em minha própria baba. O de sempre.
– Faz essa porra direito, Bella! Não esculacha. – Reclamou olhando para a panela com água onde eu remexia o macarrão.
– Deixa de ser pentelho e não se intrometa! — resmunguei.
– Pentelho, queridinha, eu nem vou te dizer o que é... Agora DESLIGA ESSE FOGO! — Gritou a última parte e riu histericamente com a careta que ele fez. – Sua anta, queimou!
– Você que botou pouca água.
Admito, eu havia conseguido queimar algo tão simples, como nunca havia feito antes, eu deveria chamar isso de “O Efeito Cullen”, mas preferi acreditar que era só a minha desatenção e cansaço.
– Não existe nada mais fácil do que preparar isso, e-você-queimou! – ele fez questão de destacar as últimas palavras novamente.
– Existe sim, você é fácil também. – zombei dele esperando por um xingamento.
Sua boca se abriu como se estivesse chocado, levantou o dedo antes de responder.
– Vou fingir que não ouvi isso, apesar de concordar em partes...
– Partes? Admita! – o estimulei.
– Ok, vou preparar a porcaria toda de novo.
– Aproveite e me sirva, chefe excepcional de cozinha. — zombei e dei um gole numa garrafa d'água que havia pegado na geladeira enquanto discutíamos sadiamente.
– Escute aqui, sua vadia, está mais que na hora de investir em Edward, — engasguei com a água ao perceber que o rumo da conversa havia mudado — Você pensa nele o tempo todo, ri do nada perdida em lembranças das conversas que compartilha com ele... As vezes penso que você está ficando esclerosada... Mas relevo, porque, ele é gostoso pra caralho, então caia matando! — Paulete disse de uma vez, respirando fundo em seguida para tomar fôlego.
Engasguei novamente quando ele terminou de falar, surpresa, então segurei a vontade de rir que não demorou a passar. Eu não podia ser tola de começar a nutrir sentimentos por ele, tínhamos vidas completamente opostas e eu praticamente não sabia nada dele. Além de que, não combina, um poderoso empresário com uma simples garçonete de uma cafeteria.
– Eu sei o que você está pensando e não ouse se desmerecer! Você é a garota mais forte que já conheci.
– Não posso... Simplesmente deixá-lo entrar na minha vida assim e nem sair me metendo na dele. Somos diferentes e duvido que ele me veja dessa forma.
– Você não se enxerga com clareza, Bella, não sei mais o que fazer para te ajudar. Só te digo uma coisa; Ás vezes não temos escolha do que acontecerá e mesmo não entendendo de início...Pode ser a melhor coisa que vai acontecer na sua vida.
– Pode até ser, mas não nesse caso, tudo que vou conseguir é sair machucada.
– Se acreditar nisso para o resto da sua vida, vai sim, e pior, vai ficar igual essa puta velha aí do lado, vendo filme pornô toda tarde, sem ninguém para cuidar do seu fogo.
– Fogo a gente joga água! — respondi beirando ao mau humor.
– Acredite, querida, esse fogo aí só se apaga com Edward Cullen! Vai por mim, prepare-se, garota, tua vida vai mudar.

Fale com o autor