I Wont Give Up
3 Bem-Vinda à rua, posso ajudá-la?
Notas iniciais
Bella POV
Eu estava em êxtase, tudo a minha volta parecia brilhar. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, parecia tudo tão surreal essa noite que eu suspeitava que estivesse sonhando.
Senti Edward congelar ao meu lado quando seu celular tocou de novo, nem fiquei irritada com aquilo, estava feliz demais para me importar com qualquer outra coisa. Olhei-o e ele fitava o celular em sua mão com os olhos petrificados.
–O que foi?
Sem resposta.
–Algum problema?
Nada.
–Edward, quem era? — perguntei desta vez focada em qualquer reação sua.
Ele pareceu acordar de um transe, suspirou e se sentou de frente para mim.
–Edward, o que foi? Aconteceu alguma coisa?
Ele me encarava quieto, tentei ler o que se passava em seus olhos, mas estava tudo confuso que nada consegui descobrir.
–Fale alguma coisa, pelo amor de Deus! — disse parecendo um grito, já que o silêncio entre nós era quase palpável.
–Bella... — ele disse e parecia sentir dor.
–O quê? — eu iria explodir de tanta aflição!
–Acho que não vou conseguir esconder isso por muito mais tempo, e eu me sinto péssimo por já não ter resolvido isso, mas por favor, não pense que eu estava brincando ou algo assim, nunca foi a minha intenção...
–Edward, fale logo! — seu desespero estava quase me matando.
Ele me olhou nos olhos.
–Bella, eu estou noivo.
Congelei.
Aquelas palavras foram como facadas no meu peito, tudo começou a desmoronar na minha frente e eu não sabia o que fazer, não conseguia me mexer ou falar, o que diabos eu estava pensando?! Edward Cullen? É claro que um homem como ele tinha alguém em sua vida! É claro! Como eu fui idiota, burra e imbecil em acreditar que eu poderia ter alguma chance com ele! E ele? Como pôde me beijar e dizer todas aquelas coisas se estava noivo? Noivo! Se não fosse tudo mentira, ele com certeza estava brincando com a garçonete que lhe fazia o seu melhor café! Queria me socar por ter sido tão burra de deixar que o que eu sentia por ele tivesse entrado em meu coração.
–Bella, eu... — balancei as mãos para que ele parasse.
–Você... você estava brincando comigo todo esse tempo? Como pôde? — levantei ofegando.
Ele também se levantou.
–Não Bella, eu não... — o interrompi.
–Você estava noivo e mesmo assim me disse todas essas baboseiras e me beijou? Ai meu Deus, como eu sou idiota! — coloquei as mãos na cabeça atormentada.
–Bella, por favor, me deixe explicar! — pediu em tom de súplica. Olhei para ele e não consegui mais segurar o que estava prestes a explodir dentro de mim, então fugi.
–Bella! — Edward gritou atrás de mim enquanto eu corria.
Não sabia para onde eu estava correndo, a única coisa que queria era ficar longe de Edward Cullen. Tirei os sapatos de salto alto e corri mais rápido, me sentia enganada, traída e... Machucada. Estaquei na calçada quando vi que estava perto da rua, olhei para os lados e vi um táxi vindo, acenei para que parasse.
Ofeguei.
–BELLA! — Edward gritou correndo ao meu encontro.
Olhei desesperada para onde ele estava vindo e o táxi. Edward estava a uns dez metros de mim quando o táxi parou a minha frente e abri a porta em um rompante me socando lá dentro.
–Vai! — gritei para o motorista que mesmo confuso, acelerou.
–Bella! — olhei para trás e vi Edward ofegante parando na calçada que eu estava. Fechei os olhos e encostei a minha cabeça no banco.
O rádio do taxi estava ligado, a sintonia não era muito boa, mas reconheci a melodia de “Two Is Better Than One” quando a música começou a tocar, ainda com a cabeça encostada no banco, fui absorvendo as palavras, eu me via em cada nota, as lágrimas escorriam no meu rosto de maneira desenfreada, e tudo passava em minha cabeça como num filme, mas sem um final feliz.
“Eu me lembro do que você usou no primeiro dia
Você entrou em minha vida
E eu pensei:
"Hey, sabe, isso pode ser alguma coisa"
Porque tudo o que você faz
E palavras que diz
Você sabe que tudo isso leva o meu fôlego
E eu sou deixada com nada
Então, talvez seja verdade
Que eu não posso viver sem você
Talvez dois é melhor do que um
Há muito tempo
Para descobrir o resto da minha vida
E você já me pegou abrangida
Estou pensando dois é melhor do que um
Lembro-me de cada olhar, o seu rosto
O seu jeito de revirar os olhos
O jeito, o sabor
Você torna difícil respirar
Porque quando eu fecho os olhos eu vou longe
Penso em você e tudo fica bem
Percebo agora que você está indo”
Sorte no jogo, azar no amor. O amor é um jogo, do qual um cedo ou tarde, sai machucado.
Passei a ponta dos dedos nos olhos enxugando as lágrimas.
– Por favor, desligue o rádio.
O motorista me olhou pelo retrovisor, não me respondeu, mas abaixou um pouco o volume e logo depois o desligou, o silêncio então ficou abafado, encostei minha testa na janela, e da mesma forma que uma tempestade se formava em minha cabeça, gotas de um chuvisco chicotearam o vidro.
***
Depois de dar o endereço ao motorista que pensou que eu fosse doida, cheguei em casa um caco. Paulete estava acordado e me recebeu todo entusiasmado para saber o que tinha acontecido no encontro.
–Eu deveria ter visto isso antes – suspirou Paulo acariciando meus cabelos que estavam sob seu colo.
–Eu sou uma idiota. — disse chorosa, mais eu não queria chorar, e não ia.
–Eu deveria saber que era ele que estava noivo!
–Você sabia? — disse em tom de acusação me sentando ao seu lado.
–Uma vez eu vi que tinha um noivado na família Cullen, mas não procurei saber quem era, eu deveria saber que era ele que estava noivo, me desculpe. — ele me olhava triste, com pena.
Suspirei.
–Tudo bem – respondi, abraçando-o — Eu que fui uma idiota, na verdade, o idiota é ele, a culpa não é sua. Isso não vai mais acontecer. — murmurei baixo.
***
Depois de um final de semana totalmente falido, eu infelizmente tinha que voltar para o trabalho hoje. Estava parecendo uma múmia andante, mas não me importava.
Estava fazendo o cappuccino de um senhor de costas para a entrada quando ouvi o sino da porta.
–Bella. — a voz familiar soando no meu ouvido fez um arrepio descer toda a minha espinha.
Virei-me sem olhá-lo, e fui até a mesa do senhor com seu pedido. Ele me seguiu.
–Seu pedido. — disse lhe entregando o cappuccino e as rosquinhas.
–Bella, precisamos conversar. — disse Edward sem se importar com o homem à nossa frente.
–Obrigada. — disse o senhor nos olhando.
–De nada, volte sempre. — disse sem entusiasmo e me virei para onde era o balcão.
–Bella, me escute, por favor. — Edward me parou segurando meu braço.
–Desculpe senhor Cullen, mas eu estou trabalhando agora. — disse com a voz morta ainda sem olhá-lo. Ele soltou meu braço relutante. Dirigi-me até o balcão.
–Bella...
–Ângela, você poderia fazer o café do senhor Cullen, por favor? — ela trocou olhares entre mim e Edward indecisa.
–Hmmm...OK. O que vai querer senhor Cullen?
Saí andando para outra mesa.
***
As semanas seguintes passaram em frente aos meus olhos como um borrão. Eu não conseguia parar de pensar em Edward e no nosso encontro mágico que no final das contas fora trágico.
Todo dia Edward ia para a cafeteria, e todos os dias eu achava uma maneira de evitá-lo.
O senhor Mcdonnal chamava a minha atenção várias vezes ao dia e eu temia o pior: perder o meu emprego.
–Bella, você tem que parar com isso! Parece uma múmia ambulante, credo! Saia dessa! Edward Cullen não vale tudo isso... Pensando melhor... Ai caralho ele é um gostoso! — Paulete resmungava tentando me ajudar no estado de melancolia, mas ele não conseguia fazer isso muito bem... Seu lado gay sempre acabava aflorando.
–Paulo, eu preciso ir trabalhar agora, vejo você mais tarde. — disse dando um beijo em seu rosto não ligando para o seu comentário.
–Se anime, mulher! Assim ninguém mais vai querer café! — gritou enquanto eu fechava a porta.
***
Cheguei ao You are. You eat. O senhor Mcdonnal já estava lá.
–Bella, preciso conversar com você, pode me acompanhar?
Engoli em seco.
–Claro. – respondi, seguindo-o para uma mesa no fundo, a cafeteria não havia aberto ainda.
–Bella eu não sei o que anda acontecendo em sua vida pessoal ultimamente, mas isso está interferindo no seu trabalho, então, você entende o que eu estou querendo dizer? — ele me olhou com compaixão.
–Sim, senhor Mcdonnal, eu entendo perfeitamente, mas...
–Você vai ter que dar um tempo, Bella, não posso mais ter você aqui desse jeito...
Agora era oficial. Eu estava literalmente na merda, além de estar um caco por dentro, havia perdido o meu emprego, estava no olho da rua.
O olhei enfurecida – apesar de saber que a culpa era minha – não deveria esperar consideração de ninguém, tirei meu avental e o joguei em cima da mesa, apertando o contra uma pilha de papeis, sem dizer nada além do que meus olhos já gritavam, dei as costas e saí batendo a porta.
Edward POV
Essas últimas semanas tinham sido as piores de toda a minha vida! Bella me evitava toda vez que eu tentava falar com ela sobre o meu noivado com Sophia Dannver. A verdade é que o único motivo por eu estar noivo de Sophia era por causa do título que minha família carregava na mídia. Sophia era de uma família rica e sabia lidar com os holofotes, sempre muito comportada e educada, além de linda, então ela seria a mulher perfeita para mim, nunca senti nada além de atração por Sophia, o que eu sentia por Bella não chegava aos pés da relação que eu tinha com ela. Eu sabia que Sophia seria um problema para mim e para Bella, e eu nunca quis brincar ou magoá-la. Estava tão envolvido, que esquecia todos os problemas que me cercavam. E eu queria explicar tudo isso, mas Bella não me dava chance. Era frustrante não poder conversar com ela sobre isso e a mesma continuar me achando um cafajeste, é claro que eu a entendia e aceitava isso, mas era tão difícil ficar longe...
Mary estava reclamando de novo sobre como eu estava desatento e melancólico, resolvi acabar logo com tudo aquilo. Mesmo que Bella não quisesse falar comigo, eu contaria tudo a ela.
–Chega! Vou falar com Bella! — levantei da minha cadeira batendo na mesa com determinação.
–Até que enfim! Já não era tempo! — Mary disse revirando os olhos.
Determinado a falar com Bella, cheguei ao You are.You eat. Pronto para enfrentar as suas desculpas para não me ouvir. A procurei na cafeteria e não a achei, ela deveria estar dentro da cozinha. Então fui falar com Ângela que passou a me atender nessas últimas semanas.
–Olá Ângela, você sabe onde Bella está?
–Er... Sr. Cullen, a Bella não trabalha mais aqui. Ela foi despedida hoje, desculpe.
–O quê? Como assim despedida?! Não! – Entrei em desespero!
–Desculpe. — disse triste.
–E onde ela está? Você sabe onde ela mora? Por favor, eu preciso muito falar com ela!
–Eu não sei Sr. Cullen, sinto muito, agora se você me der licença, eu preciso atender um cliente. – ela disse em tom de desculpas e saiu.
Eu estava perdido. O que eu faria agora? Como eu iria achar Bella? Droga! Eu não ia desistir dela só porque havia perdido o emprego, mas eu não fazia a mínima ideia de como encontra-la e... Então eu vi o gerente.
–Senhor Mcdonnal! — gritei para ele, correndo ao seu encontro.
–Senhor Cullen? Posso ajudá-lo em alguma coisa?
–Sim! Pode me dizer onde a Bella mora?
–Desculpe Sr. Cullen, mas não posso dar informações pessoais dos funcionários para os clientes.
–Por favor! Eu preciso muito falar com ela!
–Desculpe senhor, mas não posso.
Irritado, lhe dei as costas e voltei à empresa. Talvez Mary fizesse uma de suas mágicas e achasse a Bella.
–Mas já? Caramba achei que fosse demorar um pouco mais...
–Mary, Bella foi despedida e eu não faço a mínima ideia de onde achá-la. — a interrompi.
–Às vezes você não parece muito esperto, Edward. Você sabia que tem uma coisa chamada Internet? Conhece? — ela me disse num tom óbvio. Sorri. Mary saberia como achá-la. Eu esperava por isso.
–Encontre-a, por favor!
–Você é mesmo um lerdo! — bufou, já digitando no computador. Ela rapidamente achou um perfil e escreveu em um papel o endereço. — Agora pare de ser bastardo e vá logo atrás dela!
Ri e saí correndo para o estacionamento para pegar o meu carro. Quando cheguei ao endereço escrito no papel, em frente a um prédio, meu coração se acelerou. Saí do carro e fui até a portaria, o porteiro estava conversando com alguns moradores e não viu quando eu passei despercebidamente para dentro do prédio. Se Bella estivesse em casa e o porteiro me anunciasse, ela não aceitaria falar comigo de novo, então resolvi não arriscar.
Cheguei ao elevador e apertei o único botão que tinha um ‘S’, ele subiu até o seu andar e eu estaquei de frente para a porta de seu apartamento. Respirei fundo e bati. Nada. Bati outra vez. Nada.
–Bella? — chamei detrás da porta. — Bella, sou eu, Edward, abra, por favor.
Nada. Será que ela não estava em casa? Peguei a maçaneta a girando e....
Bella POV
Arrasada por ter perdido o emprego, liguei para Paulete ir me buscar. Como sempre acontecia quando eu estava chateada, ele tentou me animar e fomos ao shopping fazer algumas compras, ver algum filme... Estava exausta no final do dia e tudo o que queria era descansar.
–Por favor Paulete, me diga que você não perdeu a chave de novo.
–Ai, claro que não ISADORAPINTO, não sou tão irresponsável assim. — disse indignado.
–Aham, sei, do jeito que você é, não duvido de nada, PAULETEPURASACANAGEM! – eu ri.
–Ah, para com isso, garota! Você está rabugenta assim, porque faz tempo que não... Isso é falta de sexo! — disse abrindo a porta... que já estava aberta...
–Ei! E depois diz que ainda não é irresponsável! Seu louco! Alguém poderia ter entrado aqui!
Ele estacou na frente da porta aberta com os olhos arregalados... Ai meu Deus! Será que o choque dele era porque havíamos sidos roubados?!
Engoli em seco e fui para a porta perto dele, estaquei ao seu lado ao ver quem estava dentro do nosso apartamento. Meu coração acelerou como em uma montanha-russa, e perdeu os batimentos na descida de adrenalina.
–Oi. — disse Edward levantando-se do sofá e colocando-se em pé alguns passos diante de mim.

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