I Will Remember
4 I’m afraid of
Notas iniciais
Beijar Felicity Smoak era como provar do mais doce dos manjares que os deuses Gregos poderiam providenciar. Era como se entregar a um abismo sem fim sem qualquer equipamento de segurança! O beijo dela era doce, lento, envolvente, algo imensurável! Nenhuma palavra no mundo, nenhuma ação na Terra, ou fora dela, descreveria o ato de beijá-la.
O casal separou-se assim que o ar lhes foi necessário.
Oliver tinha um sorriso bobo estampado no rosto. Mal podia acreditar que tinha demorado tanto pra provar o melhor beijo de sua vida! E olhe, não foram poucos que ele provara. Suas testas ainda estavam coladas, e a moça estava ofegante, com bochechas vermelhas... o homem não podia lembrar de uma visão mais atraente do que àquela.
– Oliver... – ela tentou iniciar uma frase, mas ele a cortou.
– Não diga nada... – ele sussurrou. – nós poderíamos só aproveitar esse momento agora? – ele pediu com um pequeno sorriso brincando em seus lábios.
Inesperadamente ele sentiu-se ser abraçado por ela. Felicity pendurou-se no pescoço dele e aspirou seu perfume amadeirado. Ele por outro lado, segurou sua cintura, e a outra mão ficou apoiada na cabeça da mulher. Ficaram assim pelo que pareceu um bom tempo para ambos.
Era tudo muito novo, muito estranho. Felicity tinha vontade de chorar naquele momento. Chorar por ser tão fraca e ter caído na lábia, nas atitudes de Oliver. “ele é um cretino fodidamente gostoso que só quer te comer, você seria uma idiota se não saísse dessa casa agora!” era o que a inner da moça lhe falava na cabeça, uma espécie de mantra que ela queria muito ignorar, mas sabia ser a verdade! Uma doída verdade! Oliver era um cafajeste e ela seria só mais um passatempo pra ele! Não importava se ele tivesse voltado de três anos no exército, no inferno, ou dos caralhos, ele era um mulherengo datado pela mídia e por todos os que o conheciam e ele não ia mudar! Pelo menos não por causa dela! E... helloooo?! Fora só um beijo! Um beijo putamente maravilhoso, mas um beijo! Ela era Felicity Smoak a garota do TI que não chegava nem aos pés das modelos gatíssimas as quais ele estava acostumado a sair! Ou seja, você iria esquentar a cama dele e depois ser jogada fora! Simples! “agora, seja uma boa garota e SAIA CORRENDO DAÍ!”.
E foi exatamente isso que ela fez!
Quando ela findou o abraço, Oliver pensou que poderiam repetir o beijo, conversar, se entender, ele pensou muitas coisas, mas ficou sem ação quando ela largou a garrafa de cerveja no chão do corredor e saiu apressadamente escada abaixo.
Por um milésimo de segundo ele ficou sem reação, esperava que uma câmera saísse de um das portas do corredor e filmasse sua cara de otário a vendo ir embora, como se fosse uma pegadinha daquelas de TV; ela voltaria e eles poderiam ficar juntos por mais tempo, mas nada disso aconteceu...
Ele estava ali sozinho.
***
Quando Felicity despertou na manhã seguinte ao beijo, sentiu-se dopada, bêbada, e ela nem havia terminado sua garrafa de cerveja na noite anterior. Aquela sensação era incômoda, não queria sentir-se culpada por ter saído da mansão daquela forma, e sabia que ela não estava errada, ela não queria mais estar ali e não ficara e pronto! Então, por que a atitude que tomara na noite passada a perturbava tanto? Por que parecia a coisa mais erronia que já fizera em toda sua vida? Por que diabos não ter continuado aos beijos com Oliver Queen lhe pareceu tão perturbadoramente idiota?
Enquanto isso na mansão Queen o filho mais velho saia de dentro de casa para a area da piscina.
Oliver avistou sua irmã tomando sol em uma espreguiçadeira e foi sentar-se ao lado dela.
– Bom dia Ollie! – disse ela quando percebeu o irmão ao seu lado.
– Nada de bom nesse dia Speed – o loiro balbuciou.
– O que aconteceu? – ela tirou os óculos de sol e o fitou.
– Eu sou um idiota! – ele exclamou deitando.
– Bem, isso não é nenhuma novidade, lamento que só tenha descoberto agora! – a morena brincou, porém quando viu que seu irmão parecia realmente desapontado, desfez o sorriso e o encarou preocupada. – o que aconteceu Oliver? – ela voltou a indagar.
– Felicity... – ele pausou a fala, como se lembrasse do que aconteceu na noite anterior. – eu a beijei, na verdade ela me correspondeu, depois me abraçou... – ele suspirou – eu pensei que poderíamos nos dar bem e então ela foi embora!
– Você é um mané! – ela exclamou. – bem que não vi ela indo embora ou algo assim! – ela encarou Oliver que parecia pior depois do “elogio” da mais nova. – olha Ollie, eu sei como é difícil controlar os impulsos masculinos e tudo o mais, só que você tem que entender, talvez ela só queira sua amizade, ou pense que está cedo demais pra algo assim!
– Mas, foi só um beijo! – justificou.
– Pra você foi só um beijo! – ela enfatizou o “você”.
O loiro ficou sem fala. A irmã estava certa, embora ele nunca fosse admitir isso em voz alta.
– Oliver! A Felicity não é idiota! Ela sabe do seu histórico de mulheres pela vida! Você não gosta de compromissos e provavelmente ela sabia que ia ser só mais uma na sua cama! Eu não tiro a razão dela ter fugido! – Thea dizia encarando profundamente o irmão.
– Valeu Thea! Se sua intenção era me deixar pior do que já estou, você está conseguindo! – ele ironizou com um falso sorriso.
– Ahhh Oliver seu idiota! Eu te amo você sabe! Mas, às vezes precisa ouvir os conselhos amorosos da sua maninha aqui! A final de contas eu sou mulher, sei como ela se sente! – a menina justificou-se. – você com todo charme, e lábia, quando ela percebeu no que estava caindo foi embora! Você age desse jeito cafajeste com todas!
– Thea! – ele exclamou um tanto nervoso com a irmã. – Felicity é diferente!
– É! Realmente, ela não é modelo, ou atriz, ou uma mulher burra! Como as quais você está acostumado! – a mais nova bufou.
– Thea Queen! – ele disse seu nome a fim de fazê-la se calar. – eu sei como me sinto sobre ela! Felicity é diferente! Ela é única! Essa mulher me desperta meu lado idiota, que não vejo desde o colegial, quando era apaixonado por Lauriel! – ele pausou a fala e olhou pra piscina, como se de lá pudesse tirar sentido para as coisas que dizia. – Thea... eu acho que estou apaixonado por ela! Eu sei que parece cedo pra dizer, mas quando a Felicity está comigo é como se ela fosse meu mundo! E eu não consigo encontrar uma palavra, frase, texto que descreva ela ou o que estou sentindo! – ele disse tudo de uma vez com um bobo sorriso estampado nos lábios.
– E você por acaso já falou isso com ela? Foi atrás dela? – a menina perguntou, ainda surpresa com as falas do irmão. Nunca o tinha visto falar algo do gênero, Oliver sempre fora muito prático, quando queria companhia feminina ele só precisava sorrir, ou usar o sobrenome, mas agora ela podia sentir veracidade nas palavras que ele disse.
– Ainda não! Eu respeitei o espaço dela! E agora não sei o que fazer...
– Já ligou?
– Deixei emails e tudo, mas nenhuma resposta!
– Ora, seu grande idiota! Vá até a casa dela! – Thea exclamou como se fosse óbvio, e realmente era!
E foi o que o Queen fez. Ele saiu correndo para dentro da mansão a fim de trocar de roupas e rumar para a casa da loira.
***
Enquanto fazia seu precioso café, líquido que a deixava ligada em tudo o que fosse fazer, Felicity ouviu a campainha, o que achou estranho. Não havia escutado o interfone. Deduziu ser um vizinho a fim de pedir algum favor, bufou com a possibilidade. Gostava de ajudar o próximo, mas ela não estava num bom dia. Quando abriu a porta quase gritou em surpresa por ver Oliver Queen ali.
– O que tá fazendo aqui? – ela foi direta. Quando percebeu o que falou tentou concertar. – não que você não possa estar aqui no prédio, mas quero dizer... você não tem algo o que fazer aqui, tem? Não que seja do meu interesse, ou... – ela bufou mais uma vez naquela manhã, perdendo a paciência consigo mesma por se confundir tanto em suas falas.
– Precisamos conversar – ele disse simplesmente.
– Okay – ela pensou um pouco antes de dar passagem ao homem. – que café?
– Não, obrigado – ele estava de frente pra ela.
– Tudo bem, diga Oliver.
– Eu não consigo esquecer o beijo de antes! – ele se aproximou dela. – Felicity, você desperta tudo o que há de bom em mim, não é muito, mas com você... eu me sinto um adolescente de novo! – ele jogou as palavras na esperança que ela as compreendesse.
– E isso é bom? – ela indagou um pouco confusa, se afastando dele alguns passos.
Ele sorriu levemente se aproximando dela mais um pouco.
– Fe-li-ci-ty... – ela adorava quando ele proferia seu nome assim, e ele adorava fazê-lo. – você é uma das mulheres mais incríveis que já conheci, me chame de louco, apressado, retardado, qualquer coisa, mas só depois que você ouvir o que eu tenho a lhe dizer!
– Oliver! – ela exclamou, dando a volta nele, a fim de se afastar do loiro. – eu não quero ouvir essa baboseira que você tem a me dizer! Sinceramente, deve ser um discurso decorado, para toda mulher que você quer levar pra cama! Conheço sua fama Oliver, aliás, quem não conhece?! – ela dizia com os olhos um pouco embaçados. Seriam aquilo lágrimas? Pensou consigo mesma. – eu sei que estou sendo injusta em falar de você assim, mas é o que eu sei sobre você Oliver! E pra ser franca, eu não quero ficar nesse meio! Eu tenho muito mais com o que me preocupar! – ela estava sendo extremamente dura.
– Felicit... – ele tentou argumentar contra, mas ela o interrompeu.
– Se não há nada mais que queira me dizer, por favor... – ela foi até a porta e abriu. – pode ir embora? – ela não o encarava, não conseguia.
A mesma voz irritante que estava em sua cabeça ontem à noite agora gritava desesperadamente pra ela fechar a maldita porta e pular nos braços do homem ali presente, mesmo que fosse uma cilada. Mas, desta vez, ela não escutou sua inner.
Oliver respirou fundo. Antes de perguntar:
– É isso mesmo que você quer?
As palavras dele soavam como ago doido. No fundo ela sabia que aquilo o estava destruindo, tanto quanto à ela. De repente, as palavras não saiam, estava tudo entalado em sua garganta, como um grande bolo. Ela sentia os olhos vermelhos... maldita a hora que fora naquela boate e malditos todos os dias que se seguiram desde então!
Os olhos estavam inundados com as lágrimas salgadas, que ela sabia, não iriam demorar a escorrer. Felicity só conseguiu assentir, respondendo assim à pergunta de Oliver.
Quando ele saiu em disparada dali, ela bateu a porta e chorou; soluçou como uma criança machucada. Estava destruída, pelo orgulho, pelo medo, ela não sabia ao certo, mas o sofrimento era palpável.
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