I Will Remember
5 Give Love a Try
Notas iniciais
Depois do fatídico dia em que o que nem começou já havia terminado; Felicity se entregava de todo seu ser ao trabalho. Não que não o fizesse antes, mas isso a tirava, pelo menos por algum tempo, a imagem de Oliver indo embora.
O que mais lhe assombrava, no entanto, era aquela ligação que ambos, de repente, tinham criado. Eles tinham conversado muito durante o tempo que estavam na companhia um do outro, porém mesmo que se identificassem em muitas coisas, por incrível que parecesse, não era como se um namoro de anos tivesse terminado!
Smoak não conseguia conceber o porquê de ter naquele momento um coração tão despedaçado... ela e Oliver não tinha NADA! Meu Deus! Isso era algo óbvio que o cérebro dela já processara várias vezes, mas que o coração se recusava a aceitar! E quando o via com uma montanha de mulheres que ele estava saindo nas semanas que se seguiram...
Felicity suspirou.
– Smoak?! – seu supervisor a chamou na porta de sua sala.
– Sim? – ela tirou os olhos do computador e encarou o homem à sua frente.
– O C.E.O lhe aguarda na sala da presidência. – ele disse simplesmente.
– Do que se trata? Por que estou no meio de uma invasão bem perigosa de sistema, se erro isso, vai levar meses pra fazer um firewall tão bom quanto! – ela justificou. Mas, na verdade só queria não ter de ir à sala presidencial. Sabia que Robert Queen estava de férias e quem estava ocupando seu cargo era Oliver.
– O Sr. Queen exigiu sua presença Srta. Smoak!
Ela encarou o chefe e depois seu tablet sobre a mesa em que trabalhava. Esperava do fundo da alma que só fosse um assunto de trabalho. Não sabia se poderia aguentar Oliver e seu charme por muito tempo.
Ao chegar ao andar da presidência foi surpreendida quando viu um homem no lugar antes ocupado pela secretária do Sr.Queen.
– Pode entrar assim que ele terminar a ligação. – o homem disse. Ele era alto, negro, e apesar da voz firme tinha um rosto bem pacifico. Ele parecia mais um segurança aos olhos de Felicity. – deve estar se perguntando por que estou aqui não é? – ele riu. – sou o motorista, segurança, amigo de longa data.
– Hum... – ela balbuciou parecendo não muito interessada.
– Você é Felicity Smoak? – o homem a sua frente inquiriu.
A moça assentiu em confirmação.
– Prazer, sou John Diggle! – ele lhe sorriu ela fez o mesmo.
No instante seguinte Oliver abriu a porta de sua sala a fim de chamar por Felicity.
– Bom dia Srta. Smoak. – ele a cumprimentou formalmente, como se ambos nunca tivessem trocado mais que um simples saudar.
– Bom dia Mr. Queen. – ela o respondeu cortês; pura educação; queria mesmo sair correndo dali. O desconforto já a fazia sentir náuseas. – em que posso ajudá-lo?
Diggle encarava toda a situação com uma cara estranha. Ele não sentia ali uma relação empregado/patrão, muito pelo contrário! Oliver lhe tinha mencionado uma mulher loira que o havia tirado as estribeiras apenas com um beijo e agora, vendo o jeito forçado como o casal se tratava, poderia jurar que a tal “loira de olhos tão azuis quanto o mar do Caribe” ela Felicity Smoak.
Quando observou novamente o casal, eles já se encontravam dentro da sala do herdeiro Queen. Só lhe restou sentar à mesa, como estava posteriormente e acompanhar tudo pelas paredes de vidro nada privativas.
Felicity sentia-se estranha, pra dizer o mínimo. Nunca fora tão difícil pra ela ficar próxima a alguém como estava sendo naquele momento, e/ou por aqueles dias. Foi dispersa de seus devaneios quando Oliver chamou sua atenção.
– Srta. Smoak? – ele a encarou sério. – compreendeu o que lhe pedi? Preciso acessar essas contas, e me parece que foram bloqueadas – ele suspirou, virando-se pra sua mesa e andando até lá. – no momento, estou sem secretária, o RH tem me enrolado com isso, preciso que faça isso pra mim, posso contar com você?
– Sempre que precisar Sr. Queen. – ela disse simplesmente.
Oliver sentiu algo diferente naquelas palavras. Mesmo sabendo que elas eram referidas aos serviços que ela prestaria. O loiro sentia-se nervoso, no mínimo. Ter Felicity ali, o tratando tão formalmente, sem nenhuma emoção ou confusão enquanto lhe falava era... frustrante!
– Quando pretende fazer esses acessos pra mim? – quis ele saber.
– Depois do expediente Sr. Queen. – respondeu. – espero que não se importe, mas o TI realmente precisa muito da minha atenção durante o dia de hoje.
Sabe quem precisa de sua atenção hoje? Eu! Internamente Oliver guardava essa frase, mas não a soltou.
– Lhe encontro depois das seis então Srta. Smoak. – ele disse e por fim sentou-se em sua cadeira. Logo depois ouviu a porta da sala sendo aberta. Era o sinal que ela havia deixado o lugar, porém o perfume dela permanecera ali e Oliver sorriu com isso. O dia parecia-lhe menos pesado agora.
***
Exatamente às seis horas Oliver saiu do elevador no andar do Departamento de TI. Estava ansioso. Ele havia ponderado uma decisão durante todo o dia. Iria conquistar Felicity Smoak. Poderia levar uma vida, ou duas, ele não se importava. Poderia não dar certo, poderia haver corações partidos, não importava! Ele queria ter uma chance com ela, tinha que tê-la em seus braços novamente e ele não descansaria antes de conseguir isso!
Sabia que ela tinha receio de ficar com ele pelo simples fato dele ser um puto mulherengo e ele tinha imensa vergonha de não ter ficado trancafiado dentro de casa nas últimas semanas! Por que raios ele inventou de a cada dia estar numa boate diferente com uma mulher diferente? Grande idiota ele era!
Antes de ir até a sala dela passou na frente de um espelho que existia pelos corredores do Departamento, a fim de ver se estava apresentável ou não. Claro que estaria! Ele era Oliver Queen afinal de contar! Sempre parecendo com um modelo das mais famosas revistas! Palavras das mulheres a sua volta. Porém com Felicity ele sentia-se um grande bocó! Um adolescente inexperiente.
Rumou sem mais interrupções para a ala dela. Somente bateu a porta e escutou um baixo “entre”. Escutar aquela voz o fez sorrir e foi assim que adentrou a sala da mulher.
– Sr. Queen... – ela balbuciou quando ele entrou.
– Acho que podemos nos tratar pelo primeiro nome, a final, o expediente já terminou Felicity. – ele lhe sorriu educado e foi sentar-se na cadeira ao lado dela.
– Claro, Oliver. – ela lhe deu um fraco sorriso. – eu consegui tempo pra entrar nas contas que você pediu. – ela o encarou, ele estava perigosamente perto. – enfim, nada de anormal, deve haver algum erro nesses acessos, eu fui a única que tocou nela nos últimos três meses... – ela virou-se pra ele de novo... mais perto, perigosamente perto.
– Eu já sabia disso – ele sorriu vitorioso. – Felicity a realidade me bateu a porta hoje quando acordei.
– E o que ela lhe disse? – ela indagou. Não queria ter feito isso, não queria ter puxado um assunto, que não fosse estreitamente profissional, com ele, porém as palavras saíram de sua boca antes que pudesse as controlar.
– Me disse que sou um homem de 27 anos infeliz. Também fez o favor de mostrar a imagem que revela minha felicidade. – ele disse apoiando uma das mãos no ombro dela. Ao contrário do que ele pensou, ela não se afastou. – e sabe que imagem é essa? – ela negou com a cabeça. – esse sonho, toque de realidade me mostrou você! Mostrou seu lindo rosto! Eu acordei com seus olhos na cabeça e quando eu te chamei na minha sala hoje eu tinha tudo em mente! – ele sorriu abertamente pra ela. A encarava profundamente. – e... Fe-li-ci-ty! – ele molhou os lábios. – eu quero tentar! Sei que com você vou ser feliz... eu só peço uma chance.
Se alguém dissesse a Oliver Queen que ele estaria implorando pra namorar uma garota há três anos ele, no mínimo, riria abertamente deste ser mortal. Um Queen nunca implorava nada! Doce engano! O Queen que dissera isso nunca sonhou em conhecer alguém que ao menos lembrasse Felicity Smoak.
Seu sorriso doce, que poderia iluminar toda Starling City, seus olhos profundos cheios de segredos, mas ao mesmo tempo tão transparentes em mostrar o lhe passava à cabeça, as curvas, que ele notara dias atrás, o cabelo sedoso, o bom caráter, simpatia, a confusão em falar algumas coisas, que era extremamente divertido, pelo menos pra ele; as bochechas rosadas naturalmente... tudo nela combinava, tudo nela era perfeito! O mais perfeito quebra-cabeça criado pelos Deuses.
– Oliver... eu sinceramente não sei o que dizer, ou como agir – ela suspirou levantando-se da cadeira e quebrando o contato entre eles. – tem tanta coisa em jogo aqui Oliver! – ela colocou as mãos na cintura.
– Eu abandonaria qualquer jogo, qualquer barco, por você! Felicity! Eu não sei como aconteceu, acho que foi naquele beijo, quando eu te vi indo embora, meu mundo caiu, não existia chão, parede, ou algo que me sustentasse! – ele se aproximou dela. Pousou suas mãos aos lados da cabeça da moça, fazendo assim que ela o encarasse. – eu estou perdidamente apaixonado por você! Não importa quantos “nãos” você diga pra mim!
– Oliver... – ela tentou iniciar outra frase, provavelmente tentando bater os argumentos do loiro, mas quando ele a encarou e viu os olhos dela vermelhos, começando a lacrimejar, ele sorriu de orelha a orelha. Aquilo era um sinal, ele podia sentir, ela seria sua.
Ele juntou mais seus corpos e lhe beijou a testa de forma carinhosa, aproveitando pra aspirar ao odor floral que o cabelo dela possuía, depois desceu o beijo pra ponta do nariz e mais um pouco até alcançar os lábios dela com os seus.
Não existia nada urgente naquele momento. Tudo era lento. Parecia que a Terra havia parado, não estavam mais na QC, nada importava agora senão os dois ali compartilhando daquele momento. As línguas tinham uma dança rítmica e lenta, somente provando da boca alheia sem nenhuma pressa. Ele findou o ato mordendo o lábio inferior dela, embora as bocas não estivessem mais unidas, seus corpos permaneciam colados, mesclando o calor do momento, das declarações. Só havia uma palavra que descrevesse o que acontecia ali: inexplicável.
You might think that i’m a fool for falling over you
So tell me what can I do to prove to you
That it’s no hard to do
Give love a try, one more time
‘Cause you know that I’m on your side
Give love a try, one more time
Você deve pensar que eu sou um tolo por me apaixonar por você
Então, me diga o que posso fazer pra te provar
Que isso não é difícil de acontecer
Dê uma chance ao amor, só mais uma vez
Por que você sabe que estou ao seu lado
Dê uma chance ao amor, mais uma vez
Give Love a try – Jonas Brothers
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