I Will Remember
6 My life is in your hands
Notas iniciais
Quando senti o maravilhoso cheiro de café não perdi tempo em descer as escadas. Quase tropecei numa caixa qualquer no meio da sala. Estar de mudança era algo estranho. Passei a vida inteira numa mansão, ou de base em base do exército. De qualquer forma, era bom ter um novo lar. Não me referia a casa. Felicity era meu lar.
– Bom dia meu amor! – ela exclamou quando eu entrei na cozinha.
Surpreendeu-me com vários beijos por meu rosto, ela fazia isso sempre, todas as manhãs, mas eu era sempre pego de surpresa. Embora fosse sempre o mesmo gesto carinhoso, com o mesmo amor e devoção, eu me apaixonava por ela a cada dia. Um ciclo infindável.
– Bom dia meu amor. – repeti suas palavras retribuindo os beijos à altura.
Éramos um feliz e harmonioso casal afinal.
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16 de Janeiro de 2015 – Dias Atuais
Suspirei olhando o nada. Era quase noite quando terminei de relatar como foram as coisas até nosso “namoro” a data oficial fora do dia 21 de Novembro de 2013. Respirei sem saber mais o que dizer.
Durante toda a sessão eu havia controlado minhas emoções, embora parecesse impossível em alguns momentos, embora quando estivesse descrevendo meu grande amor; tudo o que eu falava viesse a minha cabeça e eu quase desmoronasse...
Anna parecia nunca se abalar com o que eu falava. Não a julgava, era o trabalho dela e embora eu julgasse minha história uma desgraça, uma tragédia, — e realmente era -, eu sabia que existiam casos tão ou mais tristes que o meu, mas cada um sabe de sua dor e a minha parecia maior do que eu podia carregar.
– Você quer terminar por hoje? – ela inquiriu e eu a encarei, depois de muito tempo encarando a fina chuva do lado de fora do consultório. – você pode terminar de me contar amanhã... – ela tinha um sorriso compreensivo nos lábios.
– Se eu sair por àquela porta... – virei minha cabeça para a saída da sala. – eu não voltarei amanhã...
– Tudo bem. – ela disse por fim. – quando se sentir à vontade pode prosseguir.
Quase ri de sua fala. Eu nunca me sentiria à vontade pra falar da morte de Felicity. Eu fazia aquilo, o teatro de me sentar fronte a uma psiquiatra pelo simples fato de poder trazer alguma tranquilidade aos meus amigos e minha família. Pensava comigo mesmo, se eu não poderia aliviar minhas dores, não causaria mais a eles além de tentar mantê-los mais aliviados.
– Acho que já posso continuar... – disse eu me ajeitando no divã e olhando pra cima, a fim de tentar reviver o que contaria.
*****
9 de Fevereiro de 2014
O loiro estava uma pilha naquela manhã. Tão carregado que nem dormira na casa de Felicity noite passada.
– Oliver! – ouviu sua irmã exclamar enquanto descia as escadas. – por que você deixa o celular desligado seu imbecil? – ela indagou furiosa, indo até ele.
– Bom dia pra você também Speed! – cumprimentei, logo dirigindo-se à mesa do café com ela em seu encalço.
– Felicity está me mandando mensagens desesperada atrás de você! Ela disse que só não vem aqui por que você combinou de passar na casa dela pra irem até a QC, mas acontece que ela está atrasada! – ela enfatizou o “desesperada”. – me diz por que não ligou pra sua namorada ainda?
– Não é preciso, estou indo me encontrar com ela! – disse pegando uma maçã na mesa e rumando em direção porta de entrada da mansão.
– O-li-ver! – Thea puxou o braço do irmão, então o homem a encarou. – eu adoro a Felicity, e você a ama, eu sei, mas você está estranho! “não é preciso” – ela repetiu a fala de minutos antes. – desde quando você fala algo assim em relação à Fel? – ela quis saber insegura.
– Thea! Como você mesma lembrou-me, ela está atrasada, se não tiver mais nada pra me falar... – disse Oliver evitando encará-la.
Ela suspirou e soltou o braço do loiro, o deixando ir.
***
Felicity já estava com os pés, adornados pelos salto agulha, cansados de tanto esperar o namorado na portaria do prédio em que morava. Quando avistou o porshe que Oliver, orgulhosamente, pilotava, desceu as poucas escadas da entrada e esperou ele estacionar o carro. Adentrou o mesmo e logo sentiu o carro andar. Depois do procedimento de colocar o cinto e ajeitar a bolsa no colo, virou-se pro amado.
– Bom dia Sr. Queen! – ela disse um pouco alto demais. – ou devo dizer: Sr. Esqueci-que-tenho-uma-namorada-que-está-atrasada. – a loira ironizou.
Esperou uma risada, um sorriso, ou um cumprimento, ao menos. Nada veio. Oliver estava seco, como se estivesse em piloto automático.
– Oliver? – ela chamou. Só obteve um momentâneo olhar dele, enquanto paravam no semáforo. – o que tá acontecendo? – nada. – merda Oliver! – ela olhou pra frente, fingindo uma concentração no trânsito de Starling; estava disposta a não lhe dirigir nenhuma palavra sequer. Ele queria joguinho do silêncio, pois o teria.
Quando o veículo estacionou novamente, agora no subterrâneo da Queen Consolidated, ela saiu do carro com uma cara de poucos amigos e bateu a porta do automóvel com uma força maior que o necessário. Pura birra, ela sabia, tinha sido infantil, mas fora Oliver quem começou.
Entrou no elevador, ele fez o mesmo. Merda! Seriam doze andares de silencio. Um gritante silencio.
Era estranho não ter os barcos dele envolta de si, ou as mãos dele roçando suas costas, ou dadas com as mãos dela, numa das poucas vezes que tinham a oportunidade de ficar sozinhos no elevador ele agia como um imbecil e estragava tudo. Ela bufou em impaciência. Assim que seu andar chegou, ela quase suspirou de alivio. Ficar no mesmo ambiente fechado em que Oliver estava sem nem encará-lo, sem poder beijá-lo... era torturante! Saiu da caixa de metal e antes que as portas se fechassem o encarou com um semblante triste. Por que ele estava fazendo isso consigo?
Quando as portas de fecharam ele respirou fundo. Faltava-lhe fôlego perto dela e sem poder tocá-la, ou beijá-la a situação só piorava. Não que ele não pudesse fazer isso, ele podia, e como podia, mas ele tinha um objetivo naquele dia e só sairia do jeito que planejava se ele a tratasse como apenas conhecida.
Chegou ao andar da presidência e foi direto pra sala do pai.
– Bom dia Oliver! – o mais velho o saudou.
– Bom dia pai. – ele disse e sentou-se fronte ao pai. – sabe pai, estou pra tomar uma grande decisão hoje, algo que vai mudar minha vida.
– E isso tem a ver com Felicity, estou certo? – Robert encarou o filho sentado a sua frente.
– Sim, está... eu nunca pensei que diria isso mas, estou inseguro.
– Bem, se for o que estou pensando, entendo seus motivos, mas saiba de uma coisa Oliver... vou lhe apoiar em qualquer coisa que vá fazer. Não se esqueça disso.
– Obrigado pai. – ambos sorriram. – eu precisava disso.
– É só isso? – Robert já levantava de sua cadeira.
– Na verdade não... o que você e mamãe vão fazer hoje a noite?
***
O dia passou uma droga! Ainda mais quando lá pelas onze a loira recebeu uma mensagem de Oliver dizendo que queria que ela fosse a sua casa hoje à noite.
“Preciso que vá até minha casa depois do expediente – Oliver”
Ainda mandara o nome! Babaca! Como se Felicity não tivesse seu número nos favoritos, como primeiro número na discagem rápida e primeiro nome da lista do WhatsApp! Mas, com essa mudança escrota de humor, a mulher pretendia mudar de favoritos pra lista negra!
Ao fim do dia, ela saia da QC, a procura de um táxi, mas seu amado sogro baixou o vidro do carro e pediu para que a mesma entrasse. Ela o fez, no banco traseiro. Cumprimentou Diggle que guiava o veículo e depois Robert, que sorria pra ela.
– Aonde quer ficar? – Sr. Queen inquiriu.
– Na verdade, vou pra casa... – ela repensou. – sua casa! Oliver precisa falar comigo... – deixei a frase morrer.
– Tudo bem. – ele disse por fim.
Quando o carro parou na frente da mansão, Diggle abriu a porta pra mulher, que esperou Robert pra entrar na casa.
Eles adentraram a mansão. Tudo estava apagado, de repente Robert Queen não estava mais ao seu lado, ela foi em direção ao interruptor na tentativa falha de acendê-lo. Luzes queimadas, ou sei lá. Desde quando uma mansão tinha luzes queimadas? Luzes do hall queimadas! Felicity começou a achar aquilo tudo muito estranho, pra não dizer suspeito.
– Oliver? – ela chamou. – Thea? – ela andou até a sala de estar. As luzes que vinham no lado de fora iluminavam um pouco a casa por dentro. – alguém?
– Felicity! – ela pode ouvir Oliver chamar por ela de repente. Ela deu um salto e soltou um gritinho.
– Oliver! Seu maldito! Que susto! – ela tinha uma das mãos no peito.
Ele soltou uma risada abafada e logo sorriu pra ela. A momentânea raiva que sentiu de Oliver passou assim que ela viu os dentes perfeitamente alinhados, formando o sorriso mais lindo que ela conhecia.
Da mesma forma que Robert sumira minutos antes, num rompante as luzes acenderam e ela viu a sala de estar dos Queen cheia de pessoas, muitas ela pode identificar como: Thea, Roy, Moira, Diggle, Sara, até Tommy e Lauriel. Havia muita gente que ela não conhecia também, claro.
– Felicity. Meu amor – Oliver chamou minha atenção. – eu peço desculpas por como agi hoje durante o dia, mas eu estava tão ansioso que se conversasse com você, eu faria o que estou prestes a fazer antes da hora. – ele sorriu e pode se ouvir alguns risos contidos no local. – querida, você sabe, que o começo foi inseguro pra nós, acho que é assim pra todo mundo, mas você era e continua sendo, muito cabeça dura! – a mulher riu e ele lhe sorriu. – nós estamos há quase quatro meses juntos e tenho que lhe dizer que são os melhores da minha vida! Com você ao meu lado, o Sol brilha mais reluzente quando você acorda comigo, a comida tem outro sabor quando eu estou contigo... – ele a encarava profundamente, olhos brilhando, sorrisos brincando nos lábios – o mundo é mais bonito com você! Eu quero ver esse mundo pra sempre, com você ao meu lado então, meu amor... – ele riu e ajoelhou-se perante a ela. – minha querida Felicity Smoak, aceita se casar comigo?
A Terra tinha parado naquele instante. Felicity tinha uma das mãos na boca, uma espécie de careta de espanto podia ser vista em seu rosto, juntas a olhos marejados. Careta tornou-se um imenso sorriso. E ela estava plena. Sentia-se imensamente feliz, nem toda mansão Queen poderia se encher de sua felicidade e ela sorriu olhou pro alto e exclamou um apaixonado...
– Sim! Eu aceito! – Oliver levantou-se, encaixou o anel no anelar direito da moça e deixou que ela pulasse em seu pescoço, o beijando em seguida.
Aplausos se seguiram por algum tempo até que eles se separaram um pouco relutantes, para receber os cumprimentos dos ali presentes.
Please, remember
My life is in your hands
And woman
Hold me close to your heart
Por favor, lembre-se
Minha vida está em suas mãos
E mulher
Tenha-me perto do seu coração
John Lennon — Woman
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