Eu estava caída na areia da praia, usava um vestido preto que até seria muito belo se não fosse pelos rasgos e arranhões, minha maquiagem borrada escorria pelo meu rosto se misturando as lágrimas. A maré estava cheia, podia sentir a fria água salgada bater nos meus pés, era uma sensação boa se não estivesse misturada com a angústia que sentia naquele momento. O céu estava sem estrelas e a lua não aparecia, sua cor se misturava com a do mar que só estavam separados por uma linha. Olhando para o horizonte podia se perceber o quão era infinito o mar. Queria sorri, ou quem sabe apenas sair correndo dali, mas estava cambaleando de tanto chorar, tentei me levantar umas duas vezes mais caí então depois das tentativas consecutivas sem sucesso desisti e fiquei ali parada chorando e olhando para o céu.

Resolvi deitar olhando para o céu ainda só que agora de um ponto de vista diferente tentei me lembrar do motivo pelo qual eu estava ali, chorando, o que teria me feito ficar nessa situação? Procurando por uma resposta em minhas memórias senti algo gelado tocar meus cabelos e tentar levá-lo para baixo. Quando virei minha cabeça para o lado vi que o mar havia avançado e agora alcançava meus cabelos. O silêncio tomava conta da noite, só se ouvi os ecos dos ruídos das corujas que deviam estar longe dali.

Algo ou alguém me espera e era só disso que eu tinha certeza naquele momento. Não sabia o que nem quem, mas algo iria acontecer, mudanças, mas seriam para melhor ou para pior? Vamos tentar não nos apressar no tempo com perguntar difíceis. Mas minha vontade era me levantar e sair correndo praia afora. De repente meus pensamentos, sentimentos e vontades foram interrompidos por uma voz me chamando, a voz apenas disse num tom triste e desapontado, “Anna?”.

O mais estranho foi minha reação, eu sabia quem era pela voz, mas eu não o conhecia, e ao invés de virar o rosto e ver a face dele me levantei muito repentinamente e sai correndo pela beira do mar, na direção oposta em que a voz se encontrava, enquanto corria sentia a água do mar que ainda estava fria tocar aos meus pés e podia ouvir claramente a voz conhecida desconhecidamente chamar-me por meu nome.

Minha curiosidade era tamanha, mas eu não conseguia me controlar, queria parar, voltar e ver quem me chamava, porém ainda continuava correndo pela praia e agora mais lágrimas corriam pelo meu rosto. Avistei de longe uma casa de madeira na areia longe do mar, no começo da praia, parecia antiga, nunca havia visto nada parecido antes apenas em fotos antigas em museus e coisas assim, corri agora mais rápido ainda, e em direção daquela casa, o que era estranho, porque eu ia em direção á uma casa pela qual eu não conhecia nem ela nem o dono?!

Depois da longa corrida finalmente cheguei em frente a casa. A porta não estava trancada estava apenas encostada, então abri a porta e entrei, parecia-me que eu conhecia aquela casa, pois fui direto para a cozinha e abri a terceira porta do armário que fica encima da pia, e peguei um copo e então virei-me para a direita e fui em direção à geladeira, abri sua porta e peguei a jarra de água que estava na primeira prateleira e enchi o copo que havia pegado de água, depois retorneia à geladeira e guardei a jarra no mesmo lugar de onde havia pegado. Estava colocando o copo em minha boca para beber quando alguém entra na cozinha e fala apenas “Pequena?!”. Neste momento o copo escorrega de minha mãe e cai ao chão se quebrando em mil pedaços e derrubando a água que estava nele, e eu desmaio.


Notas finais
Obrigada por ler, postarei mais um em breve.Espero que tenham gostado.