I Want You Back
2 The passage.
Meu coração estava disparado, tentei abrir meus olhos mais tive aquela sensação de quando se acaba de acordar e parece que seus olhos queimam, então abri eles bem de vagarosamente. Sentei na cama, levei um tempo até perceber que aquilo fora um sonho, e talvez um dos mais malucos que já tive. Minha mãe entrou no quarto com o telefone na mão, e foi pelo barulho que ela fez ao telefone que eu acordei, posso dizer que minha mãe não é muito discreta.
Mesmo ela estando ali, parada na porta do meu quarto ao telefone, provavelmente com alguém importante, não consigo parar de pensar no sonho que tive, ora, eu nunca conheci alguém que me chamasse de Pequena, e muito menos reconheci a voz que chamou meu nome.
Minha mãe se despediu da pessoa com quem conversava no telefone e desligou. Ela veio em minha direção e parou em frente à cama, arrastou a coberta para o lado e se sentou. Ela olhou dentro dos meus olhos e abriu a boca começando a falar:
– Filha, era da faculdade de Filideos em Londres – sabia que era sobre a bolsa que eu pedi no começo do ano, conseguia ver que ela sorria, mesmo querendo ela não conseguia guardar suas emoções, sabia que o que ela iria me falar seria algo que ela queria ouvir, ou que eu também quisesse ouvir- Eles conseguiram uma bolsa pra você!
Quando ela terminou a frase soltou um imenso sorriso no rosto, seus olhos brilhavam e me olhava como se esperasse que eu sorrisse junto dela.
– Você não está feliz? – perguntou-me.
– Como posso estar feliz se ele se foi? – apesar de eu estar falando sobre outro assunto completamente diferente, minha cabeça se recusava a pensar em outra coisa se não o sonho.
– Você está falando do Gustavo? Filha; esqueça isso, você já terminou o ensino médio há um mês e meio, e ele já se mudou há dois meses. Você tem coisas mais importantes para pensar agora, como...
Não a deixei terminar, num ato simples e rápido, me intrometi e terminei a frase por ela, em um tom irônico e debochado:
– Como no meu futuro? E se talvez ele fizesse parte desse futuro mãe?
– Filha...
– Não precisa nem terminar, já falamos sobre isso, não quero voltar nesse assunto. – tentei mudar de assunto, já que ainda era o sonho que estava em minha cabeça, pensei até em falar sobre isso, mas me lembrei de algo importante – Eles já mandaram minha passagem?
Minha mãe parece mais empolgada agora do que antes, acho que porque eu entrei no assunto da mudança então ela deve pensar que estou no mínimo interessada no assunto, apesar de eu não ter demonstrado muita emoção em minha fala.
– Sim – Disse ela em um tom de empolgação.
– E quando eu embarco?
– Deixe-me ver... – Disse ela tirando a passagem de dentro do envelope que ela segurava em sua mão esquerda com todos os papeis e informações da faculdade. Ela forçou o olho contra a passagem, penso que foi para ver melhor, depois conferiu umas duas vezes, e olhou para mim – Amanhã!
– Como assim amanhã?! – Perguntei a ela, num tom de voz mais alto, não pude evitar, fiquei um tanto espantada com a data.
– Sim, amanhã, você tem que começar a arrumar suas coisas...
– Mãe... – Tentei dizer da maneira mais gentil possível – Eu preciso de um tempo só, preciso pensar, eu arrumo minhas coisas até às 18 horas, ok? Então vamos para o hotel e amanhã cedo para o aeroporto, tudo bem?
– Ok, então se precisar estarei na sala ou na cozinha, você me acha. – Ela me deu um beijo na testa e foi em direção à porta, que depois de sair, fechou-a.
Eu realmente não sei no que penso, minha cabeça estava totalmente voltada pra essa viagem e então tenho esse sonho, que por alguma razão meche comigo, e se não bastasse isso, minha mãe ainda vem me lembrar dele... E agora tenho que arrumar as malas até à tarde para embarcar amanhã e ficar longe do Brasil, da minha casa, da minha mãe por um bom tempo.
Deito em minha cama, só então percebo que a luz está acesa, levanto-me novamente e vou em direção à luz para apagá-la, quando estou quase apagando olho em direção ao meu mural, de fotos, na parede direita a cama. São tantas lembranças, eu e minhas amigas Brasileiras, eu era tão novinha, eu e a Cher, minhas amigas Britânicas... Épocas tão boas, risos que ecoam na eternidade das memórias. Começo a olhar para aquelas fotos e me lembrar do dia que cada uma foi tirada, apesar de muitas delas eu não me lembrar por ser nova demais. Talvez tudo que eu precise agora seja uma mudança, talvez seja um empurrãozinho do universo me ajudando a achar a felicidade. E num ato repentino pego todas as fotos e coloco dentro de uma caixa que está sobre a escrivaninha. Deixo a caixa encima da cama com as fotos dentro e abro as portas do guarda-roupa e pego da prateleira mais alta a minha mala, seguro-a pela alsa e a coloco encima da cama ao lado da caixa com as fotos.
Depois de deixá-la lá, pego a caixa e coloco dentro da mala, e em seguida volta em direção ao guarda-roupa, onde as portas ainda estão abertas como e as havia deixado, e começo a tirar as roupas dos cabides e prateleiras e colocá-las na mal. Está resolvido, eu vou.
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