I Want You
1 Um: Num dia frio.
Notas iniciais
Espero que ela goste.
Sim triangulo amoroso, quase quadrado... 'o' É eu sou louca!
Espero que os convertidos a ler Unohana com Zaraki venham aqui ler!
Beijos e Boa Leitura.
“Minh'alma de sonhar-te anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
Posto que és já toda a minha vida.”
Um: Num dia frio.
Chovia intensamente naquela manhã, tudo tornava-se nebuloso e gelado, o céu cinzento parecia derramar seu próprio pranto, e ela se continha para que não derramasse o dela. Suspirou ao puxar o haori de capitã um pouco mais para cima, estava um tempo frio nos últimos dias. As gotas grossas aumentavam seu ritmo deixando a grama bem aparada muito mais escorregadia e pegajosa, seu jardim precisaria de cuidados tão breve a chuva desse uma trégua.
Unohana Retsu apenas observava as coisas entrarem nos eixos. Em breve todos os Bantais teriam novamente seus capitães e tudo teria um ar de normalidade, mas não para ela. Cuidara pessoalmente de muitos feridos, mas nenhum causou tanto quanto aquele homem. Bebericou o chá. Ele havia entrado em sua vida de uma forma tão marcante, e ela o havia arrancado como se arranca uma erva daninha, mas teimoso como ela sabia, esperava o dia em que ele faria uma comoção e tentaria novamente invadir o jardim bem cuidado de Unohana.
Pelo que ela conhecia, era apenas questão de tempo.
O vento golpeava forte a cortina clara a balançando em um ritmo contido. Levou a mão assentando um fio de cabelo que se rebelou contra seu rosto. Havia uma leve movimentação do lado de fora de sua porta, porém nada que não fosse completamente normal. Ela suspirou, havia um bom par de meses que não o via e aquilo a inquietava. A capitã do quarto levou a mão aos lábios e sorriu com a imagem que em sua cabeça se formara.
Sua porta sendo arrancada à força, aqueles dois metros de homem entrando sem nenhuma cerimônia em sua sala e ela ali, sentada esperando tranquilamente.
Batidas à porta chamaram a sua atenção de volta a realidade, ele não a procuraria, somente porque estava no mundo real. E mesmo que o fizesse, eles haviam rompido. Este era o mantra que rondava-a durante todas aquelas semanas.
- Entre Isane. – Cantou após reconhecer as batidas espalmadas.
Aquilo ainda intrigava a jovem Tenente, que com um sorriso transversal adentrou o recinto e parou exatamente ao lado direito de sua capitã. O orgulho por ser Tenente daquela mulher cravado em cada partícula de seu ser.
- Unohana Taichou, aqui está o quadro de melhoras do paciente sete.
- Obrigada Isane. – disse ao pegar a prancheta das mãos da tenente. — Algo a mais que eu deva saber Isane?
- O paciente ingeriu um pouco de comida de um outro paciente, senhora.
Unohana levou os dedos às têmporas e suspirou profundamente, batidas a porta foram ouvidas e fora Isane quem ordenara a entrada.
Ukitake Juushirou adentrou o recinto com um breve sorriso nos lábios, os olhos fechados como sempre ele fazia ao sorrir.
- Retsu...
- Ele precisa expelir qualquer comida que não seja a dele Isane. Aplique um pouco de solução Emética para isso!
Isane concordou com a capitã e saiu deixando os dois a sós sem poder disfarçar a vermelhidão de sua face.
- Bom dia Juushirou, no que posso ser útil. – lhe disse com um sorriso encantador.
Era mesmo difícil de acreditar que uma mulher pudesse controlar tanto seus sentimentos como Unohana, Ukitake notava, ela estava preocupada e arriscaria nervosa, porém, ela controlava todas aquelas emoções e conseguia sorrir de uma maneira tão singular.
- Estou me sentindo bem hoje Retsu...
- Isso é ótimo Juushirou, fico feliz que o tratamento desta vez esteja surtindo um efeito maior.
- ... e gostaria de convidá-la para dar uma volta pela Seireitei, tomar um chá, talvez.
Unohana entrelaçou os dedos e observou Ukitake com seu olhar clinico. Realmente ele parecia melhor esses dias.
- Sinto falta de você Retsu, há algum tempo que vem me negligenciando como seu.
A isso ela respirou fundo e recostou na cadeira. Aquilo era uma cobrança, ela sabia, desde que se envolvera com Zaraki, seu tempo ficara escasso, ou era isso que andava dizendo a si mesma, porque o real era que ela estava evitando ver Ukitake, unicamente para tentar esquecer que aquele capitão arrogante também já fizera parte de sua vida.
Recostou-se na cadeira e acenou para que ele sentasse. Teria de se explicar de alguma maneira e ao abrir a boca, seu cérebro a guiara para um outro local e uma resposta diferente saíra de seus lábios rosados.
- Claro, vamos dar uma volta, conversaremos melhor em um local diferente deste. – lhe sorriu.
- Realmente não me dou muito bem com hospitais. – disse ele ao abrir a porta para ela.
- Para alguém que não lida muito bem com hospitais, relaciona-se com a pessoa errada! – respondeu ela mordaz.
Ukitake fechou a porta atrás de si e seguia Unohana tranquilamente como sempre faziam, era do conhecimento de todos, o interesse que capitão do décimo terceiro tinha pela capitã do quarto. E que este era demasiado impaciente, sendo a capitã uma pessoa regrada e shinigami modelo, sabia esperar as coisas na hora certa.
Não havia uma única alma que os olhasse e julgasse um mau casal, haviam de ter sido feitos um para o outro.
Longe dos ouvidos alheios Unohana seguia a frente, sempre mantendo aquele conhecido pudor, e mentalmente censurada, por ser tão contrária quando a sós com um bruto capitão, forçou-se a parar de pensar nele, aquilo ainda a levaria a insanidade. Sabia ela que aquilo não era nada certo, enganar quem se diz amar não é o certo a se fazer, porém, quem teria alguma sensatez com Zaraki Kenpachi aparecendo nu em pelo em seu quarto tarde da noite? E Unohana continuava a manter-se distante dele, porém era como ele havia dito, ela não é uma mulher de esperar, e Ukitake não a podia saciar tendo a saúde tão debilitada.
- Um centavo por seus pensamentos!
- Acho que eles valem mais que isso Juushirou! – ela disse ao indicar com a mão uma sakura em flor.
Ukitake, o cavaleiro que era. Retirou o seu haori de capitão e o forrou para sentarem. Unohana ainda certificou-se de que ele estaria bem confortável recostado no tronco da árvore e sentou-se a seu lado tendo suas mãos tomadas por ele.
- Retsu, eu sinto a sua falta...
- A recíproca é verdadeira Juushirou...
E ela se mortificava cada vez mais, sentia mesmo muito carinho por ele, sentia falta dele, porém não era ele quem ansiava por ver. Kenpachi era uma droga, e ela buscava a desintoxicação.
E estava inadvertidamente viciada por ele. Sentiu os dedos de Ukitake percorrer por seus cabelos, segurar seu queixo e no segundo que antecedia o beijo uma pequena estridente apareceu.
- Re-chan! Yo! – sorria a pequena Yachiru. – Voltamos!
Unohana riu, a garota era mesmo uma doçura, porém completamente inconveniente.
- Olá Yachiru, como foi no mundo real?
- Re-chan o Ken-chan comprou doces para mim! – e retirou um pacotinho de balas de goma do bolso. – Quer?
Ofereceu para Ukitake.
- Obrigado Yachiru. – Juushirou respondeu corado.
- Tavam namorando? – perguntou ela jogando-se entre os dois. – Ken-chan num vai...
- Yachiru? – chamou a voz irritadiça de Zaraki.
- Bye! – disse correndo dali.
Ukitake olhava para Unohana como se a questionasse de tudo o que acontecera ali, ela sorriu e o sorriso dela dissolvia qualquer duvida. Levou novamente a mão ao rosto dela e desta vez a beijou, tocando de leve os lábios dela, sentindo a textura aveludada.
Unohana o retribuía, porém sentia falta de algo, toda vez que Zaraki a beijava ela sentia a mão possessiva dele percorrendo o corpo dela, sentia o peso daquele corpo pecaminoso sobre o dela. Ukitake era comedido demais.
Ele então procurou a orelha dela, mordiscando levemente.
- Retsu...
Unohana apoiou suas mãos firmes nos ombros de Ukitake, afastando-o de seu ouvido. Sorriu para ele resoluta e afagou-lhe a face rubra.
- Tenha paciência. Sua saúde...
- Eu tenho paciência demais Retsu, este é o problema...
Unohana levantou-se e em seguida o homem fez o mesmo. Ela o estendeu sua mão, ele a segurou, mas não levantou-se e sim a puxou para ele, abraçando-a pela cintura, enfiando o rosto na curva do pescoço dela. Ele ouviu um gemido estrangulado, a algum tempo notara que ela gostava de ser surpreendida e ele observara muito seu amigo Kyouraku. Percorreu com a língua a pele já arrepiada e mordeu levemente a carne do pescoço. Ela era adorável.
- Shirou... — ela gemeu. — ...não aqui.
Isto sim surtiu efeito, logo ambos estavam de pé e caminhando novamente para os domínios da Yon. Andavam com menos distancia entre os corpos, os dedos se entrelaçavam vez ou outra, somente uma pessoa que prestasse muita atenção perceberia qualquer coisa.
“Não sei porque insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim o que bem quer
Se ao teu lado sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei quem você é.”
Acariciava aqueles cabelos que tão deliciosamente percorreram por seu corpo ha algum tempo. Ela adormecida era quase surreal, uma madona, aquela beleza lhe fazia perder o folego, e ele não conseguia mais ver a vida sem aquela mulher, ela era única, perfeita, mesmo tendo dos seus defeitos e das suas maninas. Mas ele perdoava tudo, porque vivia em função dela e mesmo que achasse aquilo um pouco egoísta, ele sabia que ela também vivia em sua função. Percorreu com os dedos a curva do queixo que ele adorava, somente porque a completava.
Encontrou os olhos azuis dela, sempre calmos o fitando, a quanto tempo os dois tinham aquela cumplicidade? Ela sempre lhe beijava o queixo depois que faziam amor e depois do beijo lhe mordiscava a orelha para pedir mais em uma voz manhosa. E ele adorava as marcas que ela deixava nas suas costas, quando se segurava com força por ser levada para o nirvana que ele a oferecia.
Aninhada no peito dele ela brincava com uma mecha de cabelo branco percorrendo-os pelo rosto bonito do capitão. Os cabelos dela estavam sempre espalhados pela cama desfeita e eram tão negros que absorviam toda a luz. Retsu era uma mulher surpreendente.
- Tudo bem? — ela perguntou sorrindo.
Sempre cuidando dele, sem folga, sem reclamações. Ela era paciente, ele via nos olhares doces que ela lhe lançava. Juushirou sorriu e afirmou, como não estaria bem, ele estava nos braços da mulher que amava. Estava tudo perfeitamente bem, sempre se sentia bem ao lado dela.
Ela sentou-se e a cascata negra de seus cabelos lhe cobriram os seios, Juushirou achou aquilo mais belo ainda. Adorava aquele sinal que ela tinha sob o seio direito, próximo as costelas, não resistiu em beijar.
Ela riu e aquele riso encheu o local onde estavam.
- Retsu eu... — o que quer que ele ia lhe dizer, desistiu porque aqueles olhos azuis eram sua redenção.
- Algum problema Shirou? — ela citou preocupada, pondo uma mecha de cabelo dele atrás da orelha.
- Não. — e virou-se sobre ela, beijando-lhe os lábios como sabia que era do agrado daquela mulher, apertando a cintura dela até ouvir um gemido baixo, como ele adorava os gemidos de Unohana Retsu.
“E como prêmio, eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo tão antigo
E fecho os olhos para todos os teus passos
Me enganando, só assim somos amigos.”
A chuva ainda caia fina, causando um pequeno nevoeiro na Seireitei, não haviam shinigamis andando a esmo, cada qual cuidava de sua respectiva vida. Unohana sentada ao lado de Isane bebericava um chá verde, seu preferido. Ela tinha a cabeça longe, vaga. Ponderava ente duas vertentes. Encarou a Fukutaichou e sorriu, aquela menina era tão meiga.
- Diga-me Isane, gostas de estar aqui na Yon?
Isane adquiriu um tom inédito de vermelho para Unohana, a menina olhou para a própria xícara de sorriu, é claro que gostava de estar na Yon, adorava dividir sua vida com aquela mulher que tanto admirava.
- Sua irmã gosta da Juusan. — ela comentou com a voz cantada.- Juushirou é um excelente homem, não acha?
Isane olhou para a capitã, Unohana tinha o olhar longe, perdido na mesa entre elas, alguma coisa acontecia no intimo dela. Isane sabia do envolvimento que Unohana tinha com Ukitake, mas como a própria capitã era reservada, ela nada comentava, nem quando via o capitão saindo dos aposentos particulares de sua capitã. O respeito que tinha por ela era maior que qualquer outro pudesse ter.
- Ukitake Taichou é um ótimo homem. — respondeu. — Kiyone sempre fala boas coisas dele.
Unohana se abraçou, detestava quando seu corpo pedia por outro que não o dele. Juushirou era tão nobre, tão educado e romântico. Ele era todo seu, mas o que queria para si nunca de fato o seria, Porque aquele capitão nunca estaria para ela como Juushirou estava.
- E o que acha de mim? — a capitã encarava os olhos da mais nova.
- Unohana Taichou, a senhora... bem, — ela abaixou a cabeça e olhou novamente para a xícara.
- Entendo Isane. — respondeu Unohana olhando para o rosto juvenil que sua tenente exibia, sempre com um sorriso moderado, assim como o seu próprio.
“Por quantas vezes me dá raiva te querer
Em concordar com tudo o que você me faz
Já fiz de tudo pra tentar te esquecer
Falta coragem para dizer que nunca mais.”
Ele olhava para a garoa que cobria a relva, sentia-se como um meio homem, não era capaz de ser pleno para ela como era com suas palavras. E sabia que o que faltava ela procurava em outro.
Aceitava sua condição frágil e por isto entendia o que acontecia, mas entender não fazia doer menos. Ele ainda era o traído da questão. E o pior era ver ela se controlar pra não citar o nome do outro enquanto estavam juntos. Quem era ele, Ukitake não sabia, mas tinha certeza de que lutaria contra aquele fantasma que invadia seu mundo tomando a sua mulher.
- Ah Retsu.
Fechou os olhos e sofreu em silencio, porque era a única coisa que podia fazer no momento. Agradecia por ter melhorado bastante nestes últimos dias, mas somente porque queria voltar a estar com ela como ela merecia, como necessitava.
“Nós somos cúmplices, nós dois somos culpados
No mesmo instante em que seu corpo toca o meu
Já não existe nem o certo nem o errado
Só o amor que por encanto aconteceu.”
- Algum problema Shirou? — a voz pesada encheu o ambiente.
- Alguns poucos.
- Dai-senpai?
- Não consigo esconder nada de você não é Shunsui?
O Capitão da Hachi riu um riso contido, não era típico dele. Sentou-se ao lado do amigo e ficou ali, somente como companhia, se o outro precisasse de algo, ele ajudaria como tantas vezes aconteceu com ele.
- Sabe Shirou, eu confio que ela seja uma mulher honrada.
Ukitake virou-se para Shunsui e ergueu uma sobrancelha.
- As pessoas podem até falar dela, mas eu continuo confiando... — e o capitão da Hachi sorriu do seu jeito único. — Nanao-chan.
Ukitake sabia que aquele nome não era sobre qual Shunsui falava, mas cabia também naquela história afinal a Ise-san era caluniada na Seireitei e aquilo nunca afetou nem Shunsui nem a própria menina.
- Entendo.
- Mas sei também que ainda assim me sinto com o pé atrás, mas prefiro confiar nela.
Juushirou sorriu, era bom conversar com Shunsui porque o moreno podia até parecer um boêmio, e o era, mas ele tinha tanta sabedoria quando Yamamoto idade.
Ficaram sentados lado a lado, olhando a chuva que começava a engrossar novamente. Shunsui perdido em seu mundo brilhante onde o astro que o regia era a menina Ise, e Juushirou em um mundo escuro, onde a sombra de outro astro cobria o seu sol particular.
Mas ele perdoava qualquer dos deslizes da mulher que amava, ainda mais quando sabia que ela tinha rompido o que quer que tinha com aquele homem que não passava de sombra agora, lutaria então, porque ele a amava com cada uma das fibras do seu coração, e todas as batidas do órgão cardíaco eram dedicados exclusivamente a ela.
- Vou deixar o convite sobre a mesa. — Shunsui falou. — Vai levar mesmo a Dai-senpai?
- Sempre. — ele sorriu pequeno. — Quem vai levar desta vez?
- Estive convencendo Nanao-chan de ir comigo.
- E ela?
- Não conseguiu argumentos contra. — ele coçou a cabeça. — Afinal, ela só precisa assumir para si mesma que me quer.
- Porque lhe convém.
Shunsui saiu com seu riso trovejante, torcendo para que o amigo e a mulher que também considerava como amiga se acertassem o mais rápido e voltassem a ser o casal mais bonito do Gotei 13.
“E é só assim que eu perdoo os teus deslizes
E é assim o nosso jeito de viver
E em outros braços tu resolves tuas crises
Em outras bocas não consigo te esquecer.”
Notas finais
A música que aparece ao longo da história chama-se Deslizes. Achei perfeita.
Beijos, Beijinhos e Beijões.
Se não mandarem reviews mando o Kenpachi fazer uma vizitinha assassina... kkkkkkkk
Até a próxima.
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