I Want To Be Your Girlfriend

9 Even when you look away I know you think of me


–Olá, meninos! – Melissa chegou na sala de Roy, onde ele e todos os outros rapazes tratavam detalhes do casamento – Estão dando uma festa e não me chamaram? No que estão pensando?

–Não seria uma festa sem a sua presença, Mellie – disse Havoc, ao que Roy respondeu com um chute na canela embaixo da mesa – Quer dizer, senhorita Mustang. Estamos combinando coisas sobre a cerimônia de casamento do Roy – ele deu uma piscadinha, e Mellie acenou com a cabeça, cúmplice – Sabe, detalhes técnicos como tipo de flores, bebidas na festa, fotos...

–Se tivesses se casado na praia, como eu sugeri, teria cortado metade das despesas e dos aborrecimentos, mas quem precisa dar atenção para a irmãzinha caçula doente e frágil, não é? – disse ela, ácida, tomando o catálogo com os arranjos de flores – Deixe-me ver isso aqui. Não acredito que vai colocar flores amarelas! São ridículas, cara, use flores cor de champanhe que são muito mais discretas e elegantes.

–É claro que não... fiz o pedido de flores brancas e cor de champanhe, mas preciso escolher uma segunda opção, caso não tenham as que eu pedi – explicou Roy. Ele estava pálido, o rosto mais magro que o normal, e olheiras enormes se insinuavam sob os olhos – E então, Mellie, quer ou não ser a madrinha? Preciso dar os nomes até hoje a noite.

–Sim, mas só porque você está à beira de um ataque de nervos – respondeu ela – Aliás, você sabe a minha opinião sobre esse casamento desde o começo. E então, preciso levar alguém em especial?

–Isso fica a seu critério. Chamei o Arthur, também, mas pelo amor de Deus, convença-o a não vestir nada laranja ou verde-limão ou roxo! – disse ele – E como está a festa, rapazes?

–Cada vez melhor – respondeu Maes, eficiente – Alugamos o melhor salão da cidade, contratamos um ótimo bufê, a decoração é linda, a banda é incrível... Vai ser uma festa para ficar na história.

–Pena que a noiva seja uma porta – bufou Melissa – Ela não gosta de mim. Acho que foi ela que armou aquela história das baratas para mim.

–Por que ela faria isso? – retrucou Roy, entediado – Ela seria incapaz de fazer mal a uma mosca!

A verdade é que Melissa ficara em choque com a “surpresinha” preparada para ela, e estava louquinha para pegar o infeliz que teve aquela idéia estúpida. Roy pensava que, de alguma forma, ela sabia quem era, mas sempre que perguntava ela fazia cara de inocente e dava de ombros. E ele também sabia que ela desaprovava aquele casamento e que não gostava de Trista.

–Ah, fiquei sabendo que o Arthur está querendo ir com a Riza – disse Fuery, inocentemente. Roy não viu, mas podia sentir no ar que havia um tipo de plano superior de comunicação entre os presentes, pois todos se agitaram – E ela tá parecendo animada, viu? No fim de semana, eu a vi escolhendo um vestido longo e tudo o mais.

–Ela disse que não queria ser madrinha! – Roy disse, mais para se convencer do que para que os outros o ouvissem – Disse que ficava péssima de vestido longo e tudo o mais... A coisa entre eles tá cada vez mais séria, hein?

–É bom para o seu irmão – argumentou Falman, com um tom de quem já havia visto muito da vida e tinha experiência nessas coisas – Riza é responsável, talvez bote um pouco de juízo na cabeça dele e o faça tirar aquele brinquinho da orelha – ele lançou um olhar rápido a Mellie – Quem sabe eles até não acabem se casando? Riza ficará na família de vocês!

–É... – ele deu uma risadinha amarela – Seria ótimo...

Depois, saiu da sala, para tomar um pouco de ar fresco. Sempre que ouvia alguém falar sobre o namoro de Riza com Arthur, ele se sentia mal. Oficialmente, não podia ter nada contra aquele relacionamento, afinal os dois eram adultos e donos de suas vidas. Além do mais, ela era responsável e sabia conciliar vida pessoal e trabalho, e ele, mesmo sendo um tanto espalhafatoso, respeitava-a muito. E, por mais difícil que fosse admitir aquilo, eles formavam um lindo casal, que sabia aproveitar os pequenos momentos. Sempre que ele a visitava no quartel, os dois riam e conversavam muito, sem nunca perder o decoro no ambiente de trabalho. Ele também os vira passeando com freqüência. Resumindo, aquela parecia ser a solução dos problemas dos dois, mas porque algo parecia tão errado?

“Porque talvez o Mustang ao lado dela seja o errado, só isso...”, ele pensou, mas quase se deu um soco por pensar assim. Não! Tudo estava no seu devido lugar, o irmão estava feliz, ela estava feliz, e ele... ele... ele... Bem, Roy tentou dizer “E eu estou feliz também”, mas por mais que tentasse, aquilo nunca soava verdadeiro. Sentiu um monstrinho pulando dentro do seu estômago, um monstrinho redondo e peludo, com dois pezinhos almofadados e grandes olhos verdes e maldosos que ficava rindo dele o tempo todo.

“O tipo de monstrinho que aparece quando a gente tá com ci... DROGA DE MALDITA PALAVRA COM C! Ah, já sei, sempre que eu pensar nessa palavra com C eu vou pensar em outra que também começa com C e que é inocente... Ah, sim! Centopéia!” E passou o dia todo pensando na tal centopéia, para se acalmar. Sempre que pensava no monstrinho pulando em sua barriga, desviava sua atenção para a centopéia de tecido e areia com carinha sorridente que alguém trouxe (com certeza achando que era uma peça de decoração muito bonita) para usar como peso de porta e agora o encarava marotamente.

–O que é que você tá olhando? – ele disse, mas ela não respondeu. (Nota da autora: Ia ser bem legal se um belo dia aquele peso de porta em forma de tartaruga ou de cobrinha resolvesse começar a falar com você, não é?). Roy percebeu que a centopéia não queria papo com ele e resolveu não insistir.

Resolveu ir para o pátio, certo de que ali ninguém o incomodaria. Mas qual não foi a sua surpresa ao ver que, bem ali, no portão, estava justamente ela, a pessoa que o estava levando à loucura naqueles últimos dias. Primeiro, ela surta com Havoc. Dias depois, surge totalmente transformada, e mais linda do que nunca. E depois, arruma um namorado que, por coincidência, é irmão dele. Como ele não pensara nisso antes? Claro, estava ficando tudo muito claro!

“Como não pensei nisso ainda?”, ele quase bateu a cabeça na primeira árvore que visse pelo caminho. “Isso é um plano, sim... É um plano! Ela está fazendo isso para testar se eu sou um bom coronel e se sei manter fidelidade à minha noiva... E, se eu falhar, ela vai reportar tudo isso ao Marechal, que vai me botar pra correr... sim, Riza, você é inteligente, mas eu sou...”

“O cara mais burro da face da terra, isso sim!”, disse uma voz em off.

“Quê? Quem falou aí?”, ele olhou em volta, mas não encontrou ninguém. “Apareça, espertinho, ou eu te acho e te encho de pancadas”.

“Acha mesmo que ela tá ligando pra sua noiva, seu pastel?”, disse a voz em off, como se achasse muita graça na (diga-se de passagem, extremamente besta) teoria de Roy. “O caso aqui não é ela, é você, que está perdendo a cabeça por causa dela. Aliás, ela está muito bem, por sinal, com o seu irmão”.

“Eu tô noivo, tá bem?”, disse Roy, tentando se convencer disso. “E... bem, gosto muito da minha noiva e não pretendo ser infiel a ela”.

“Você disse que gosta muito dela, mas não disse que a ama”, observou a voz. “Se bem o conheço, você é o tipo de cara que só vai dizer eu te amo para uma pessoa durante toda a sua vida, e essa pessoa não é a Trista McLamure. Pense nisso...”

“Do que é que você tá falando? Responda!”, ele chamou a voz várias vezes, mas ela não voltou, e o deixou lá, cheio de dúvidas, assistindo a Riza, linda e perfeita com o sol batendo no cabelo. Ele pensou seriamente em ir até ela, mas antes que desse o segundo passo uma figura vestida de azul e amarelo. Assim que ele parou, os dois se abraçaram. Era Arthur, vestido como um ovo de páscoa outra vez, mas que parecia grave.

Eles conversaram um pouco, no portão. Roy não conseguia ouvir muito bem, mas percebeu que, lentamente, o sorriso no rosto dela sumia. Ele ouviu alguma coisa parecida com “não é você, sou eu”, e a viu virar o rosto, como se tentasse esconder lágrimas. Arthur suspirou, pediu desculpas e disse algo que soou como “queria que tudo fosse diferente”. Riza deu as costas e entrou, arrasada, no prédio do Quartel. Roy teve uma vontade irresistível de sair correndo atrás dela, mas suas pernas pareciam chumbo, e lá ficaram, fincadas no chão.

“Se ele a tiver magoado, juro que parto a cara dele ao meio!”, pensou, com fúria, enquanto tentava andar na direção dela. Agora, precisava deixar de ser covarde e tentar falar com ela o quanto antes, pedir desculpas pela burrice de Arthur e dizer que ele a apoiava, e que queria muito consolá-la e beijá-la, e... “NÃO! NÃO ESSA ÚLTIMA PARTE!”, ele berrou mentalmente ao ver que seus pensamentos avançaram o sinal vermelho. “ELA PRECISA DE UM AMIGO, E NÃO DE UM PRETENDENTE QUE, DIGA-SE DE PASSAGEM, NÃO PODE TER ABSOLUTAMENTE NADA COM ELA!”.

Resolveu esperar até a hora da saída, ignorando pensamentos confusos sobre centopéias e monstrinhos e vozes e ovos de páscoa com a cara de seu irmão. Ele não a viu pelo resto do dia: ela estava em sua sala, preparando relatórios, e não saiu de lá. Ao fim do expediente, ele dispensou todos rapidamente e esperou na porta da sala dela. Riza saiu, os olhos um pouco vermelhos e a expressão facial de tristeza e abatimento.

–Tenente Hawkeye, o que houve? – ele perguntou, com o máximo de delicadeza que pôde.

–Não, não é nada – ela tentou sorrir – Meus olhos estão ardendo um pouco porque forcei muito a vista com aquelas letrinhas miúdas daqueles relatórios.

–Ri, você não me engana – ele só a chamava por aquele apelido quando havia algo sério – Aconteceu alguma coisa na qual eu possa ajudar?

–Ajudar mesmo o senhor não pode, mas vai ser bom conversar com uma pessoa confiável – ela concordou – Eu e o Arthur terminamos. Ele disse que nossas personalidades não batem, ele é muito expansivo e eu sou muito calada, esse tipo de coisa. Por um momento delirante, cheguei a acreditar que nós tínhamos futuro juntos, mas não dá pra querer tudo, não é? – ela deu um sorriso triste, que partiu o coração de Roy.

–Que espécie de idiota o Arthur é, afinal? – disse ele, exasperado – Quem ele pensa que é para deixar alguém assim como você?

–Alguém assim... como eu? – ela se surpreendeu com a frase.

–É, assim como você! – disse ele – Você é inteligente, doce, meiga, compreensiva, tem um coração do tamanho do mundo... isso sem nem citar o quanto é linda! Ele é um cabeça de jaca para jogar tudo isso fora desse jeito!

Ela sorriu, o rosto se iluminando de repente. Ele olhou em volta. Não havia ninguém ali. E cruzou o olhar dela. Aconteceu algo tão parecido naquele dia, no karaokê... Ele sentiu quase uma hipnose ao mergulhar no castanho-avermelhado dos olhos dela, mas parecia que nunca mais queria despertar. Não precisava. Ela também parecia ter saído do ar, perdida, fitando os olhos escuros dele mesmo. Ele percebeu que estava próximo demais dela, mas não queria se afastar. Na verdade, não queria mais nada, queria que o mundo sumisse, que o tempo parasse, que aquele momento se tornasse eterno e único. Ele não percebeu, mas muito lentamente foi se aproximando dela, sem que ela impusesse resistência.

Depois disso, tudo aconteceu sem que houvesse controle de nenhum dos dois. Seus lábios, timidamente, tocaram os dela, e ela, com uma mistura de medo e surpresa, acabou correspondendo ao beijo. Roy se orgulhava de ter o beijo mais famoso e mais inesquecível da Cidade Central, mas por alguma razão ele se sentia tímido, assustado, como se aquele fosse o seu primeiro. Ela também não parecia saber muito bem o que fazer. Mas foi a experiência mais incrível pela qual ele passou. Ele fechou os olhos, totalmente entregue ao momento, e uma energia mais poderosa do que qualquer corrente elétrica partiu de sua boca e se irradiou para cada célula do corpo, renovando-a, dando a ela uma energia totalmente nova. Ele sentia os cabelos dela, tão macios, tão perfumados, uma fragrância interessante de morango silvestre, e a pele dela tinha um toque muito suave, como pêssego. Seu beijo tinha gosto de chocolate com menta, doce, mas ainda assim refrescante e relaxante. Não precisava ver: os outros quatro sentidos trabalhavam por ele, intensamente, apaixonadamente.

Então, de supetão, ela o empurrou. O rosto estava violentamente vermelho, e ela parecia envergonhadíssima. Sem saber onde esconder o rosto, ela disse:

–Coronel, isso aqui é o nosso local de trabalho! Além do mais o senhor está noivo!

Mas naquela hora nada mais importava. Em seus olhos, havia uma certeza, mais absoluta do que qualquer outra que ele já tivera em sua vida. Aquele momento de irresponsabilidade tirou da frente dele uma venda que o impedia de ver quem estava ali do lado dele. Ele a observou com olhos totalmente diferentes, e viu-a de um jeito novo, mais belo e real do que nunca. Lembrou-se do que a voz em off havia dito a ele: “você é o tipo de cara que só vai dizer eu te amo para uma pessoa durante toda a sua vida, e essa pessoa não é a Trista McLamure”. Ele só amaria uma pessoa em toda a sua vida, e por essa pessoa seria capaz de ir ao inferno e voltar arrastando o diabo pelos chifres. Se ela não o quisesse, ele aceitaria, e respeitaria, mesmo sabendo que provavelmente ficaria com o coração partido para o resto da vida. Aquele era o jeito de ser dos Mustang: eles podem até gostar de poucas pessoas no mundo, mas quando gostam de verdade de alguém são capazes de matar e de morrer por essa pessoa.

–Riza... – ele disse, num tom de voz diferente. Não era o tom mole que usava para conquistar as mulheres bonitas da cidade. Este era respeitoso, quase reverente, baixo e claro – Tenho que te dizer uma coisa. Fui um cego por todo esse tempo, mas agora eu vejo tudo muito claramente. Eu te amo, Riza. Te amo mais do que tudo nesse mundo, e tentei fazer de conta que não percebia, mas a verdade é que esse beijo abriu uma porta no meu coração e me permitiu ver algumas coisas. E você, Ri, é a pessoa a quem eu escolhi para dizer “eu te amo”.

Quando ele pronunciou essas palavras, elas lhe pareceram estranhas. Era a primeira vez que as dizia, e elas soavam distantes, como se fossem belas demais para serem humanas. Na certa, a primeira pessoa que disse isso no mundo deve ter sido a mais abençoada das criaturas, ele pensou.

–O senhor disse o quê? – ela abriu a boca, chocada.

–Se você não me quiser, vou entender – ele continuou, querendo dizer tudo o que precisava antes que sua coragem acabasse – Mas quero que pense.

–E o senhor, o que vai fazer? Desmanchar o seu noivado? – ela disse, muito confusa.

–Não sei, ainda – respondeu ele – Na verdade, não tenho a menor idéia do próximo passo que vou dar, mas... – segurou a mão dela – Só queria que você soubesse o que eu sinto. Preciso ir embora, tenho montes de papéis a assinar, ainda. Até mais.

Ele foi, a respiração descompassada, o coração parecendo um tambor. Ela não ficou indiferente. Quando a beijou, sentiu que ela também sentia algo profundo por ele. Assim que saiu da vista da primeira-tenente, sentou-se num banco, espantado com o que acabara de fazer. Agora era impossível esconder. Passara tanto tempo mentindo para si mesmo, mas a máscara veio ao chão naquele momento. Ele só torcia para que, se ela não correspondesse ao sentimento dele, pelo menos não o odiasse pelo atrevimento.

Foi para casa e enfiou a cabeça sob o chuveiro frio, ainda sem acreditar no que havia acabado de fazer. Estava tão confuso... não sabia como Trista reagiria se, uma semana antes do casamento, ele tentasse romper. No fundo, torcia para que Riza o dispensasse. Seria tudo tão mais fácil, tudo tão mais simples... Mesmo que fosse doloroso ouvir um não vindo dela, seria o melhor para todos. O outro dia traria as respostas que ele precisava ouvir, e depois delas ele pautaria o seu destino todo.

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Quando Roy deu as costas, Riza só não deu um duplo twist carpado ali mesmo no corredor porque os saltos dos sapatos não permitiam. Então, o plano havia dado certo! A última fase era decisiva. Ela finalmente havia beijado Roy Mustang, e havia amado. Naquele momento, ela ficou com medo de entregar tudo para ele, de gritar que também o queria, que também o amava, porque sabia que, mais do que ela, ele precisava de um tempo para colocar as coisas no lugar.

Durante aquelas três semanas, Arthur havia provado porque escolhera a carreira de ator. Em alguns momentos, ela chegou a se convencer de que ele era mesmo seu namorado. Nesse meio-tempo, os dois ficaram muito amigos, e ela tornou-se uma espécie de confidente. Ele apresentou a ela sua verdadeira namorada, uma moça meiga e muito risonha, bem parecida com Arthur, que ficou conhecendo o plano. Apesar de não poder ajudar muito, ela se comprometeu a guardar segredo. E eles haviam combinado como seria o dia da separação. Ela sabia que se Roy não visse, alguém do quartel provavelmente teria visto e iria correndo contar para ele.

Agora, faltava a segunda parte, fazê-lo desacreditar Trista totalmente. Graças à pesquisa de Sciezka, que conferira desde carteiras de vacinação a boletins escolares, os conspiradores descobriram um ex-namorado dela dos tempos de escola, Percival Fleming. Ele havia se tornado bonito, inteligente e, o mais importante de tudo, muito rico. Com alguns argumentos fáceis, conseguiram convencê-lo a fazer, digamos, algumas visitas a Trista, quando a dona Odete não estivesse no quarto de hotel.

O estranho era que, em três semanas, a Bruxa Malvada não se manifestou nenhuma vez. Riza preferia acreditar que ela havia amarelado, mas sabia que não era assim que as coisas funcionavam. Ela devia estar na espreita, esperando o melhor momento para atacar. Mas em breve, muito em breve, seria tarde demais...

Naquela noite, o grupo de conspiradores marcou uma reunião no alojamento de Melissa. Arthur foi parabenizado pela atuação digna de Oscar, e riu quando Riza contou que o irmão o havia chamado de cabeça de jaca. Percival também estava presente, e Maes cobrou um relatório da situação dele.

–Tudo fácil. Aposto que, se eu for lá mais uma vez, ela entrega os pontos – ele deu um sorriso típico de galã de novela mexicana – Ela está se lembrando dos velhos tempos muito bem.

–Quatro fases do plano estão concluídas, mas a quinta é decisiva – disse Riza – É por isso que preciso que vocês continuem falando mal dela. Lancem a desconfiança. Digam que viram ela passeando com um cara desconhecido, sei lá, usem a criatividade. Com um pouquinho de sorte, ela vai rodar antes do casamento.

–É com isso que estamos contando, Ri – disse Sciezka – Fiz tudo o que podia fazer, agora é só com vocês. E isso inclui você, Mellie. Quanto a você, Arthur, acho que uma coisa inteligente a se fazer é não aparecer na frente do Roy tão cedo.

–Acha que eu não sei? – disse ele, com uma risadinha – Adivinha em quem ele testou aquelas luvas primeiro? Em mim! A idéia dele era pôr fogo nos cabelos da Mellie, mas ela mordeu a mão dele antes. Então, sobrou pra mim, o saco de pancadas secundário.

–Todos vocês estão agindo muito bem – disse a primeira-tenente. E então, num tom de confidência, disse – Ele me beijou hoje à tarde.

–O QUÊ? – todo mundo berrou, aparvalhado.

–É, gente, e disse na minha cara que me amava – concordou ela, com um sorriso apaixonado no rosto – Ele foi tão perfeito... tão doce e meigo... mas eu fiquei com medo de dizer que eu aceitava, e preferi pedir um tempo para pensar. Ele disse tanta coisa bonita que fiquei sem ar.

–Estou adorando essa história cada vez mais! – suspirou Fuery – O amor, o perigo, a dúvida... Cara, isso seria um ótimo roteiro para filme!

–Ou um livro – sugeriu Havoc.

–Ou talvez uma novela, que tal? – manifestou-se Falman.

–Ou, quem sabe, um seriado – argumentou Maes.

–Ou então uma fanfiction! – disse Sciezka, animada. Todas a encararam com pena, e ela deu de ombros, se explicando – Gente, quanta ignorância! Vocês não sabem o que é uma fanfiction?

Não, a gente não sabe – disseram os outros quatro ao mesmo tempo.

–Então se virem, pesquisem e descubram sozinhos! – respondeu ela, fazendo um beicinho.

(Havoc, Maes, Fuery e Falman: O.O’)

(Autora: Citando uma frase que eu assisti em um episódio do Pica-pau... “Eu só faço o show, não explico as piadas!”)

–Vamos nos concentrar? – Melissa se aborreceu – Lembrem-se que agora, nada pode dar errado. A gente tem uma semana. O casamento será nesse sábado, e se alguém pisar no tomate vai se ver comigo – o olhar dela era ameaçador e não dava margem para discussão – Tô com um péssimo pressentimento, então nada de deslizes!

–Calma. A essa hora, é muito difícil alguma coisa dar errado – Maes a tranqüilizou – Além do mais, todo mundo tá fazendo tudo direitinho. Agora a gente precisa se acalmar, isso sim.

–Tá certo – ela concordou – É que, de uns tempos para cá, estou dando de cara com a porta da Trista mais vezes do que eu gostaria, e isso me deixa louca. Quero me livrar dela logo. Agora, é melhor vocês irem embora, ou alguém vai perceber.

Todos foram embora. O mau pressentimento ficava cada vez mais forte, como se a maior das ameaças estivesse muito próxima, mas Mellie não era vidente, e teve que deixar as coisas acontecerem. O pior é que Riza também sentia que alguma coisa iria acontecer logo, e que se ela não a impedisse, o plano iria por água abaixo. Do mesmo jeito, ela teve que se controlar e torcer para que o melhor acontecesse.

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–E então, Percy? Conseguiu o que eu queria? – naquela noite, logo depois da reunião, Percival foi direto ao hotel falar não com Trista, mas com Odete.

–Sim, está tudo aqui – ele entregou um gravador de voz a ela – Gravei tudo o que eles disseram. É uma confissão completa, eles falaram do tal plano tantas vezes. Tem também outras gravações aí, que talvez interessem.

–Está ótimo – Odete riu – É o bastante. Amanhã precisarei fazer uma visitinha ao meu filho. Será um dia bastante movimentado no quartel, pois se bem conheço aquele lugar as terças-feiras são os dias mais cheios de trabalho. Todos estarão lá, todos os tais... como se chamam mesmo?

–Conspiradores – respondeu Percival.

–Sim, conspiradores, e todos verão a ruína do plano deles – ela deu uma risada – Garanto que, depois de amanhã, Roy não vai querer saber de nenhum deles nunca mais...