I Wanna be With You.
21 Capítulo 21 - Charlie is Coming!
Notas iniciais
Nove meses. Finalmente tudo terminaria; Desde enjoos matinais a desejos estranhos. Tudo terminaria. Ou ao menos era pra ter terminado a uma semana atrás.
Rachel acordou, mas ainda sem abrir os olhos, passou as mãos na cama, a procura de Quinn que agora morava com ela. Nada. A pequena abriu vagarosamente os olhos, e encontrou a loira sentada na sacada de costas para ela, lendo um livro enquanto era iluminada pela luz do luar e da lâmpada fraca do abajour.
Com um sorriso fraco, ela se levantou e andou até Quinn, abraçando-a por trás. A garota de olhos verdes se sobressaltou quando sentiu os braços da judia se enroscando em seus ombros, mas logo um sorrisinho bobo surgiu em seu rosto quando ela olhou para cima, dando de cara com Rachel.
– Hey! Não consegue dormir? – Indagou a loira. –
– Sua filha não deixa. – Respondeu ela, se abaixando para tomar os lábios da mais alta em um beijo calmo. –
– Oh, é mesmo? – A loira se virou na cadeira, de modo que ficasse de frente para a judia. –
– Hey, baby girl! Você não deixa a mamãe dormir? – Quinn colocou as mãos por cima da barriga saliente de Rachel, sentindo todo o movimento feito pelo serzinho que ali habitava. –
Um sorriso bobo brotou nos lábios de Rachel; Ela sabia que Quinn mimaria Charlie desde o primeiro sorriso que a loira lhe lançou quando soube da gravidez.
– Estava lendo o que? – Indagou ela, alisando os cabelos curtos da loira. –
– As Crônicas de Gelo e Fogo. – Respondeu ela, e a judia franziu o cenho. –
– Game of Thrones. – Explicou, e a pequena assentiu. –
– ... Quinn .. – Disse ela, com seu famoso jeito arrastado. –
– Você tá com desejo de que? – Indagou a loira, em meio ao riso. –
– Pizza de calabresa ... Com sorvete de chocolate. -
– Por quê tudo que você tem desejo envolve sorvete de chocolate? –
– Porque eu gosto. – Respondeu a judia, dando um selinho na loira. –
Quinn se levantou e abraçou Rachel, parando suas mãos no ventre da judia. Charlie se agitava sempre que era ‘tocada’ por Quinn, e Rachel não sabia se sorria ou se sentia incomodada pelos chutes que o bebê dava em sua barriga.
– Bem, agora eu vou comprar a sua pizza estranha ... Se ainda tiver alguma pizzaria aberta. As pizzarias ficam abertas até ... – A loira pegou seu celular para conferir as horas. – Meia noite e meia? –
– Não sei. – A judia deu de ombros. –
– ... Ok! Eu te amo. – Quinn se aproximou da pequena, beijando-a no topo da cabeça. –
– Também te amo. – Ela enroscou os braços em torno do pescoço da loira, dando-a um selinho demorado. –
Assim que a loira se soltou dos braços da judia, ela pegou sua jaqueta no guarda roupa, porém, quando sua mão tocou no metal frio da maçaneta, ela sentiu a mão de Rachel lhe tocar brevemente o ombro.
– Vai querer mais alguma coisa? – Indagou a de olhos verdes, ainda de costas para a judia. –
– Quinn .. – As palavras da judia alcançaram seu ouvido como um gemido. –
A loira tinha um sorrisinho bobo no rosto, que morreu assim que ela se virou. Rachel tinha as mãos na barriga, e aos seus pés havia uma poça de um líquido transparente. Oh não.
Quinn se desesperou; Charlie estava nascendo.
– E-eu ... V-você ... B-Beth! – Disse a loira, e apesar da dor, Rachel conseguiu franzir o cenho a respeito da frase quebrada de Quinn. –
– Oque? – Indagou a judia, franzindo o rosto pela dor das contrações. –
– E-e ... Espere! Eu vou ch ... Chamar Beth! –
Sem esperar uma resposta, a loira saiu correndo em direção a ultima porta do corredor. Ela parou e alisou os cabelos nervosamente, antes de bater na porta de madeira pintada de branco.
– Beth! – Chamou ela, após três batidas na porta. – Beth! Beth! –
Não demorou muito e a porta fora aberta por uma Beth com cara de poucos amigos e os cabelos loiros revoltos. A garota bocejou vagarosamente antes de semiserrar os olhos, encarando uma Quinn agitada a sua frente.
– O que é? – Indagou ela, com toda sua sutileza inexistente. -
– R-Rach .. Parto .. Charlie! – Disse a loira, numa frase quebrada. –
A Corcoran a encarou como se fosse louca, arqueando a sobrancelha e semiserrando ainda mais os olhos verde-claro.
– Fala com a boca. – Ordenou ela ao melhor estilo Santana Lopez. –
Quinn respirou fundo; Sabia que não chegariam a lugar nenhum assim, e deveriam se apressar pois Rachel estava em trabalho de parto no outro quarto.
– Rachel entrou em trabalho de parto! – Disse de uma vez, e a face de Beth congelou. Ok, ela não esperava isso. –
A porta do quarto a frente fora aberta, revelando uma Shelby vestida em um robe de seda com uma ótima aparência, nem parecia que tinha acabado de acordar.
– O que está havendo aqui? – Indagou ela, alternando o olhar entre a nora e a filha mais velha. –
– Rachel entrou em trabalho de parto! – Disseram as loiras, em uníssono. –
A mais velha engoliu em seco e assentiu.
– Ok, eu e Elizabeth a alcançamos no hospital. Vá, leve-a! – Ordenou a Corcoran, adentrando seu quarto, seguida por Beth. –
Quinn assentiu e respirou fundo. Finalmente ela conheceria sua garotinha.
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Quinn ligara para Santana, que ligou para Brittany, que ligou para Kitty, que ligou para o resto. Pouco depois de Quinn adentrar a sala de parto com Rachel, eles chegaram.
Eram uma e vinte e oito da manhã. Santana encarava o relógio a cada cinco segundos, enquanto Brittany estava num estado meio dormindo meio acordada escorada em seu ombro. Marley segurava a mão de Kitty, ambas nervosas com tal situação. Finn observava a parede com sua cara de nada, num estado semelhante a Brittany. Beth estava escorada na parede, um pouco afastada do grupo, observando fixamente a porta dupla. Ryder afagava as costas de Marley, numa tentativa de acalmar a irmã mais nova. Kurt segurava a mão de Shelby, numa tentativa de dizer a tia que estava tudo bem. Já Sam olhava fixamente o chão, pensando na irmã gêmea.
Ali com ele deveria estar Judy. Quando a mãe lhe perguntou o por que de estar saindo de casa as pressas essa hora da noite e ele respondeu que Charlie estava nascendo, a Fabray mais velha simplesmente assentiu e voltou para seu quarto, como se não fosse sua neta que estivesse nascendo.
A latina tamborilou os dedos na perna coberta pela calça jeans desbotada que conseguiu vestir as pressas, e olhou novamente para o relógio; Uma e trinta e dois. Ela bufou, antes de se levantar e quase deixar uma Brittany sonolenta cair no chão.
Todos voltaram a atenção a latina agora em pé.
– Eu ... Vou pegar café. Alguém quer? – Indagou ela. –
– Por favor. – Disseram Shelby, Ryder, Kitty e Beth, em uníssono. –
– Eu vou junto então. – Marley beijou a bochecha de Kitty, antes de se levantar e acompanhar Santana. –
...
– Você acha que está tudo bem? – Indagou Marley, em meio a um bocejo. –
– É só um trabalho de parto. A Hobbit sobrevive. – Respondeu a latina, dando de ombros. –
Após dito isto, um grupo de médicos apressados com vários aparelhos estranhos passaram por elas, dizendo coisas como ‘Ele não vai aguentar’ ou ‘Que Deus nos ajude com isso’. As duas se entreolharam com os olhos arregalados e expressões assustadas.
– ... Não tem haver com elas, tem? – Perguntou Marley.-
– Bah, não, não, bobagem. – Respondeu a latina, sentindo seu estômago embrulhar. –
Logo os mesmos médicos voltaram, empurrando uma maca com um corpo coberto por uma manta branca. As duas suspiraram aliviadas; Ao menos não era Rachel.
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Quinn jurava que perderia a mão depois disso, Rachel estava esmagando seus ossos!
– Eu nunca deveria ter dormido com você, a culpa é sua! Eu ainda mato você e a Kitty por isso! – Gritou a judia, o rosto se franzia a cada contração. –
Quinn poderia até argumentar, mas ela gostava de ter sua cabeça fixa ao pescoço.
O médico maníaco por vaginas que a loira tanto odiava apareceu na sala, ajustando suas luvas de borracha.
– Finalmente chegou o dia, hein? – Indagou ele sorridente, e Rachel se segurou para não o mandar tomar onde o sol não brilha. –
Os gritos da judia ecoavam pelos corredores e também nos timpanos de Quinn, que ela jurava que poderiam explodir a qualquer segundo.
Ele se posicionou entre as pernas da judia, analisando a situação.
– Ok Rachel, a situação está boa. Quando eu disser ‘já’, você empurra. – Ordenou o homem grisalho, e a judia assentiu. –
– Um ... Dois ... Três ... Já! –
A judia gritou, seu útero parecia se rasgar.
– Um ... Dois ... Três ... Já! –
Quinn reprimiu um grito, mordendo a mão que Rachel não esmagava.
– Um ... Dois ... Três ... Já! –
Rachel já estava praticamente esgotada.
– Vamos Rach! Já estamos quase lá! – Incentivou a loira, beijando as costas da mão da judia. –
– Um ... Dois ... Três ... Já! –
E o mundo parou quando Quinn escutou um choro estridente ecoar pela sala. O velho homem tinha em mãos uma coisinha pequena que se debatia aos berros. Ele sorriu, enquanto caminhava até uma Rachel ofegante na cama, com um pequeno embrulho enrolado numa toalha rosa-claro.
– E aqui está nossa garotinha. Pode ir chamar seus amigos quando quiser. – Disse ele, sorridente. –
– Ela é tão pequenininha, Quinn. – Disse a judia, beijando a testa da pequena.-
– Obrigada por sair de mim. –
A loira revirou os olhos e riu, antes de se aproximar da criaturinha nos braços de sua namorada.
– Hey, baby girl! É tão bom poder te ver ... – A loira beijou o mesmo local que Rachel, antes de se virar para a judia, sorridente. Seu coração mal cabia em seu peito. -
– Eu amo vocês. Muito mesmo! – E então finalmente beijou a judia, lhe passando todo seu sentimento. –
– Ok, agora eu vou chamá-los. Eles devem estar enlouquecendo lá! – Disse a loira, sorridente. –
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Todos estavam impacientes. Santana estava quase indo pegar seu quinto copo de café quando a porta dupla fora aberta, revelando uma Quinn sorridente. Todos encararam a loira, a espera de respostas.
– Hah, ela é linda ... – Um vulto loiro correu em sua direção. –
Beth atropelou Finn e Marley, parando em frente a Quinn, segurando-a pelos ombros.
– Como elas estão? – Indagou ela, quase deslocando os ombros da loira. –
– B-bem, estão bem! – Assegurou a Fabray, e em uma ação incomum, Beth a abraçou. –
Ok, aquilo era estranho. Beth não gostava de Quinn e deixava isso claro. A Corcoran soltou a loira, com um meio sorriso no rosto.
– Tá bem, vamos então. – Disse ela, e Quinn assentiu e saiu andando pelo corredor atrás de si, meio atordoada pelo abraço. –
...
– Nants ingonyama bagithi baba! – Cantou a latina, observando Quinn erguer o bebê em suas mãos. –
– É o ciclo sem fim! – Cantarolou Marley. As três já tinham combinado de fazer isso quando Charlie nascesse, afinal, Rei Leão é Rei Leão. –
– Tenho pena de você ... – Sussurrou Beth para a irmã mais nova, arqueando uma sobrancelha. –
– Eu gosto dessas nerdisses dela. –
– Parabéns hein Fabray! A sua unica coisa bem feita! – Disse a latina, passando o dedo na testa de Charlie, que estava no colo de Brittany. –
– Hey, aquela fantasia do Pikachu ainda vai rolar né? – Sussurrou Marley ao ouvido de Quinn. –
– Pode crer. – Respondeu ela, batendo um high five com a morena. –
Aos poucos o grupo foi indo embora. Shelby e Beth foram por ultimo, ambas deixando beijos longos e demorados em Rachel e Charlie e assegurando que estariam lá o mais cedo o possível.
Após Rachel cair no sono, Quinn caminhou até a ala da maternidade para observar Charlie por detrás do vidro; Era fácil reconhecer sua bebê, poucas crianças estavam lá, mas sua filha era única garotinha com uma roupinha do Superman.
– Hey, Char, é bom te ver! Sabe, baby girl, quando a mamãe me disse que estava esperando você, eu não sabia o que fazer. Mas agora que eu te vejo aqui, tudo mudou. Não faz muito tempo que a gente se conhece, mas eu já não consigo me imaginar sem você.
Quero que você saiba que eu te amo, e que mesmo que eu não esteja sempre lá para segurar sua mão e dizer que está tudo bem, eu sempre estarei te apoiando, não importa de onde. Eu vou te ensinar a jogar video-game, puxar seu primeiro dente mole e espantar seu primeiro namoradinho. Mas isso é uma coisa nossa, não conte para a mamãe, ok? – Indagou ela, com a mão por cima do vidro. –
Uma lágrima solitária escorreu de seu rosto. Quinn protegeria aquela garotinha, não importava como nem onde.
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