I Wanna Lay Beside You
1 Depois do acidente
Notas iniciais
"Niall se aproxima de mim e sussurra no meu ouvido 'não seria perfeito fazer amor
nesse navio?' Eu sorrio pra ele, vendo o quanto ele estava bêbado pra falar coisas desse tipo. Penso em responder beijando-o mas alguém o atinge com um soco. Ele cai imediamente,xingando a mãe do cara que fez isso. Eu grito de horror quando ele levanta a
cabeça pois seu nariz e sua cabeça estão sangrando. Corro pra ajudá-lo mas ele
me empurra, provavelmente sem noção da força que tinha. Niall vai até o cara que
tinha dado o soco, tenta revidar mas o homem é mais rápido e empurra no mar.
Me apooi na beirada do navio, gritando e me preparando pra pular em socorro dele, mas me seguram e me levam pra longe."
–Filha? – Minha mãe entrou no quarto com seu roupão e cara de sono, embora preocupada. Isso já era rotina desde a morte dele. Olhei pro travesseiro e vi uma poça de água, não sabia se era suor ou lágrimas, como sempre.
– Eu to bem mãe, pode voltar a dormir –respirei fundo, tentando me convencer que eu estava bem mesmo, ou que ao menos ficaria.
Ela me olhou por um tempo, tentando ver se eu mentia ou não. Não sei se ela percebeu e resolveu me deixar em paz com meus próprios pesadelos ou se eu a tinha enganado, mas ela me deu um beijo e saiu do quarto.
Esperei ela fechar a porta e me levantei. Fui até o banheiro, lavei o rosto e me olhei no espelho, não queria ver minha aparência, queria ver os olhos dele, daquele azul profundo, me observando. Loucura? Eu sei, mas com toda a certeza eu não era mais normal.
Decidi que não dormiria mais, logo eu teria mesmo que “acordar” pra escola. Sentei-me na cadeira do computador e procurei por minha caixinha em uma das gavetas, sempre a escondia na última gaveta, embaixo de todos os meus exames, que tive que fazer depois do acidente (ao que parecia eu estava louca, ou perturbada se quiser um termo mais bonito, e por isso precisava ir ao psicólogo e fazer exames frequentes). A caixa era do mesmo tom dos olhos dele, e tinha seu perfume. Segurei as lágrimas que eu sabia que viriam e a abri. Encontrei nosso primeiro ingresso de cinema; o cachecol que eu tinha roubado dele, ainda com seu cheiro e uma de suas pulseiras. Talvez fosse masoquismo, mas me ajudava a matar a saudades. Fiquei ali, encostada na cadeira relembrando nosso tempo até o despertador tocar.
Tudo o que eu mais queria era faltar. O acidente tinha sido há um mês, antes das férias, ou seja que agora todos me olhariam e perguntariam “como está?" ou “precisa de ajuda? Vou estar aqui ok?” Malditos mentirosos! A única pessoa que eu confiava no mundo agora era Beatriz, mas pra completar minha sorte, ela tinha se mudado de escola.
Minha mãe bateu na porta (habito que ela pegou depois do acidente, pois sabia que se abrisse do nada e me visse chorando eu poderia ter um ataque), era um sinal de que estava na hora de eu ir. Respirei fundo, tentando reprimir outra onda de nostalgia. “Ano passado, no primeiro dia de aula eu tinha ficado com ele”. Ignorei o pensamento e entrei no carro. Meu irmão mais novo, Lucas, me olhava como se eu fosse doente, e aquilo me causava repulsa. Eu e ele andávamos brigando muito, isso enlouquecia todos da casa, mas eu não me importava mais.
Mamãe dirigiu o caminho todo em silêncio. Ela pôs na minha antiga rádio favorita, talvez na esperança de me ouvir cantar. Em vão.
– Bom primeiro dia, Camila – ela sorriu e acenou para mim.
Desci do carro e olhei ao redor. A mesma coisa de antes: grupo de popular, de nerd, os excluídos, os góticos e os novatos. Evitei todos, e fui direto ao banheiro. Minha rotina
de olhar pro espelho procurando os olhos dele era meio assustadora até pra mim, mas de algum modo eu ainda sentia sua presença e acreditava fielmente que talvez ele aparecesse pra mim. “Bobagem, espíritos não tem reflexos” Uma voz ecoou em minha mente. Olhei para os lados e não vi ninguém. Talvez eu precisasse mesmo do psicólogo.
O sinal bateu e eu peguei meus horários na secretaria. A moça me repreendeu por “chegar atrasada na primeira aula”. Mandei um foda-se mentalmente para ela e continuei meu
caminho. Subi as escadas e quando cheguei em minha sala, pude sentir os olhares de pena. Tentei ignorar tudo aquilo. Sentei-me na última cadeira da fileira, abri o fichário, coloquei o celular no meio e pus o fone.
– Oi – um garoto com cara de galinha colocou os cotovelos na minha mesa e sorriu – Sou Harry.
Ignorei e me concentrei na música, pedindo mentalmente pra ele se afastar.
– Que falta de educação – ele insistiu.
Tirei meus fones e o olhei nos olhos, me aproximei.
– Sabe o que é falta de educação amorzinho?
– O que, gata?
– A sua mãe ter te posto no mundo – mostrei o dedo pra ele e voltei a por os fones. Ele pareceu constrangido e se retirou. Revirei os olhos. Não entendia como uma pessoa em
perfeito estado consegue ser tão idiota assim.
O resto do dia passou tranquilo, na medida do possível. As vezes o tal garoto que encarava, mas era normal, afinal todos estavam fazendo isso. Os professores nem se importavam com meu comportamento, provavelmente a diretora devia ter falado que eu tinha transtornos.
Quando finalmente deu meu horario de ir embora, peguei minhas coisas depressa e saí. Vi algumas pessoas tentando me seguir, talvez pra fazer as perguntas que eu havia previsto, mas eu as despistei.
No portão da escola recebi uma mensagem da Bia: “sentiu minha falta?” Sorri e ela mandou outra “Já ouviu falar de ficar atrás da moita? kk” Procurei por arbustos e vi o cabelo loiro dela.
Olhei pro céu e fiz um agradecimento por ela ter voltado. Ela correu pra me abraçar. Ela parecia a mesma de sempre: loira, baixa e magrinha, com seus olhos castanhos brilhantes.
– Achei que tinha se mudado – falei com os olhos cheios de lágrimas.
– Sua mãe...
– Pediu pra você voltar? – perguntei descrente.
– E pediu pra eu não falar, então já sabe né. – Ela respondeu sorrindo, como se quisesse se desculpar.
– Não acredito nisso! Bia, pode voltar pra merdinha da sua escola, eu não ligo – larguei ela e fui pro ponto de ônibus. Estava brava com o mundo todo: com minha mãe por te-la
obrigado a voltar, com ela por voltar só por isso, com meu irmão, com o tal Harry, com as pessoas.
– Ei – ela correu atrás de mim e me segurou pelo braço – eu voltei porque te amo ok?
A encarei, tentando detectar mentiras, mas por fim percebi que ela falava a verdade.
– Obrigada – sussurrei.
– Ônibus? – ela perguntou confusa vendo o caminho que eu ia fazer.
– Não quero nem ver minha mãe!
– Mas você não tem psicólogo hoje?
– Agora é minha enfermeira? – perguntei irritada.
– Desculpa – ela sorriu.
Esperamos o ônibus juntas, eu ouvia tudo o que ela falava da cidade onde tinha ido, mas quando chegou minha vez de falar, eu percebi que não tinha nada. Não queria falar dele, ou das brigas, ou dos meus sentimentos.
Notas finais
Reviews e por favor, adoraria que vcs indicassem a fic kk.
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