Notas iniciais
Niall aparecendo kk

-Mãe, ele é inútil! – eu estava na recepção do psicólogo, tentando convencer minha mãe de que ele não me ajudava em nada, estava falhando e eu continuaria louca.

- Camila? — o careca, Carlos era o nome dele, me chamou, com aquele sorriso falso que me irritava.

- Estou indo — suspirei e entrei na sala dele. Tinha cheiro de mofo, com sofás de couro, quadros de diplomas e retratos dele e da família. Tudo com cara de "você não é normal e por isso esta aqui".

- Pode sentar-se — ele falou, ainda com o sorriso na cara, analisando cada movimento que eu fazia, cada passo que eu dava.

Sentei-me no sofá e esperei a seção de perguntas irritantes começarem.

- Como foi sua semana? — ele perguntou.

- Normal. – respondi sem interesse nenhum.

- Hum... — ele fez anotações na prancheta velha e continuou — Fez novos amigos?

- Um cara me assediou — falei olhando pra minha unha e me lembrando daquele Harry, o otário. Ele levantou os olhos com espanto — brincadeirinha — dei um sorriso amarelo, tentando convencê-lo de que eu tinha bum humor e já podia ser liberada.

- Ótimo, sua primeira piada desde a morte...

Parei de ouvir e entrei no meu próprio mundo. Por alguns minutos podia jurar que ouvia a voz de Niall em minha cabeça, quase como um pedido de “comporte-se”, mas era só mais uma prova de que estava louca.

- Camila? — ele me chamou, me tirando dos devaneios.

Olhei pra ele e esperei.

- Você me odeia não é? — Continuei em silêncio. Que bom que ele tinha percebido — Bom, você também não é minha melhor paciente, então se você pudesse se concentrar em viver e esquecê-lo, iria ser mais fácil pra nós dois.

Olhei pra ele incrédula. Não podia ser verdade. Exigiu esforço da minha parte para não pular em cima dele. Carlos falava como se fosse fácil esquecer parte da sua vida, esquecer que Ele morreu na minha frente, que o garoto que o tinha socado só foi visto por mim, e mesmo assim, eu não havia visto o rosto, o que fazia com que ele poderia continuar por aí, empurrando pessoas no mar, que ninguém o prenderia.

- Então, o que me diz? Vai tentar ser normal? — Ele sorriu.

Me levantei do sofá e me preparei pra gritar e estapeá-lo, quando ouvi a voz Dele, dessa vez claramente"não faça nada".Fiquei parada e o encarei.

- Você ta brincando comigo? – perguntei, imediatamente relaxada por ouvir sua voz. Procurei de onde vinha.

- Do que ta falando? — ele olhou pros lados, seguindo meu olhar. Aparentemente nenhum de nós achou nada.

- Nada — respondi. Se eu mesma tinha me assustado, imagine ele, que já me acha louca. Sentei-me novamente e esperei a voz voltar.

- Bom... — Carlos parecia ter se sentido mal, olhou para o ar condicionado — frio aqui né?

Pensei a respeito, pra mim estava mais quente que o normal. Estranho.

- Você já pode ir, Camila. Só lembre-se de que tem que deixar isso de lado.

Ignorei o velho e saí. Minha mãe se levantou, mas eu passei direto, indo ao banheiro. Me olhei no espelho mas não vi nada. Suspirei, sabendo que estava me iludindo. Niall tinha morrido, era impossível eu vê-lo ou ouvi-lo novamente. Respirei fundo e saí do banheiro. A volta pra casa foi normal, ou seja, silenciosa. Cheguei e me tranquei no quarto, ansiosa para minha “seção masoquismo”. Tirei a caixa da gaveta e a abri, mas não achei a pulseira dele. Senti a raiva subir.

- MÃÃÃÃÃE!!!!! — gritei, sem conseguir me controlar.

Ela subiu correndo, assustada com meu grito.

- O que foi, filha?

- MINHA CAIXA!!! VOCÊ MEXEU!!

- Que caixa? — Joguei a caixa no chão, quase atingindo o pé dela. Ela me encarou, talvez com medo. — Eu nem sabia da existência disso.

- E O LUCAS?

- Ele dormiu na casa do amigo dele ontem.

- E CADÊ SEU MARIDO? — perguntei, sabendo que logo ganharia um tapa se não parasse de gritar.

- Seu PAI está trabalhando, e provavelmente não sabe dessa caixa também. Agora, se me der licença, eu tenho que terminar o jantar — Ela saiu do quarto, me deixando sozinha.

Deitei na cama e chorei de raiva. Como eles podiam ser tão idiotas assim? Pegar minhas coisas e ainda negar!"Não foram eles"ouvi a voz novamente. Com toda a certeza era ele, e aquilo estava me assustando. Coloquei um travesseiro na cabeça e fiquei por um bom tempo assim, tentando ignorar o mundo inteiro.

- Camila? — Niall apareceu em meu quarto de repente, usando somente uma camiseta branca e uma calça preta.

- Niall! — Me levantei da cama e pulei nele, o abraçando e tentando sentir o máximo de seu corpo — como que...?

- Não temos muito tempo, na verdade eu nem sei como consegui isso, mas escuta: Faz um mês, e você não melhorou nada. O que o Carlos disso é verdade, você tem que seguir sua vida, parar de pensar em mim.

- Mas eu não consigo – senti as lágrimas vindo. Segurei sua nuca e me aproximei de seu rosto, pronta para beijá-lo — Vou te amar pra sempre, e você sabe disso.

- Eu também te amo — ele se afastou, olhando para cima, como se sentisse medo de algo quebrar o teto e o puxar para lá — mas você tem que me esquecer, tem que viver sua vida!

- Por que?

- Porque quanto mais você pensar em mim, mas eu me transformo.

- Transforma no que?

Ele pareceu sumir, como fumaça, se desfazendo. Ele fazia uma cara de dor, tinha dito algo mas eu não entendi. Corri até ele, porém não tinha mais nada.

-NIALL!!!! — gritei, com todas as minhas forças, implorando pra ele voltar.

- Filha? — minha mãe estava na porta do quarto, me encarando — Por que o grito?

Olhei para ela confusa. Será que ele tinha passado por ela sem sua autorização?

- O Niall, ele tava aqui – sorri, decidindo falar pra ela sobre sua visita, antes que as coisas ficassem evidentes. Passei as mãos no braço, tentando sentir seu toque novamente.

- Você sonhou, meu amor.

- Não mãe, a gente conversou e...

- Filha.

- Eu sei que ele ta morto, mas ele tava aqui mãe, eu juro! Só não sei como...

- O jantar fica pronto em 2 minutos — ela sai do quarto, me deixando com meus pensamentos.

Me levantei da cama, incapaz de acreditar que tivesse sido um sonho. Olhei pra minha caixinha, que ainda estava no chão, a pulseira estava ali agora. Peguei e a observei: perfeita, como eu havia deixado antes de sumir. A coloquei em meu pulso e sorri. Conseguia ouvir a conversa da minha mãe no telefone, ela falava que eu tinha piorada, que agora esta ficando mais preocupante. Eu não me importei, sabia que não era um sonho.

Notas finais
Olá amiguinhas :) Estou com 8 leitoras por enquanto... E 3 reviews. Algo errado não acham? kk