I Told You So
7 Chapter 6 - The blond of penetrating eyes.
Notas iniciais
Chapter 6 – The blond of penetrating eyes
Olho meu reflexo no espelho, analisando minha roupa de maneira detalhada, tentando descobrir se fiz ou não uma boa escolha.
Um vestido preto de alcinhas, com a barra da saia a dois dedos acima do joelho, tendo na cintura um cinto de cor vermelha sem qualquer enfeite ou desenho. Em meus pés uma sandália preta de salto alto deixava-me um pouco mais alta, embora eu estivesse com medo do salto quebrar por ser um tanto fino demais.
Solto um longo e demorado suspiro. Espero que não esteja errando ao sair de casa a essa hora da noite para uma festa sem que minha mãe saiba. Mas pensando bem, mesmo que eu quisesse pedir a permissão dela, não poderia, afinal a mesma nem chegou em casa ainda, e aposto que não chegará tão cedo.
Dou uma leve retocada em minha maquiagem, decidindo por deixar minhas madeixas ruivas e curtas, totalmente soltas, logo em seguida pegando minha bolsa, segurando firme em minhas mãos o papel com o endereço do local da festa.
– Coragem Natasha. – falo pra mim mesma com os olhos fechados – Você precisa viver um pouco mais.
Levanto as pálpebras, e respiro fundo, saindo do quarto e fechando a porta... Partiu festa!
[...]
– Moço, é aqui. – aviso ao taxista, que rapidamente para o carro.
Desembarco do veículo, levando a mão a minha bolsa, pegando o dinheiro e entregando ao senhor de uns cinquenta e poucos anos que me trouxera até aqui.
Observo o taxi dar partida, se misturando aos outros veículos que circulavam pela rua. Viro meu corpo, encontrando uma grande mansão por detrás dos portões de ferro exageradamente altos.
Era notável que aquele era o local da festa, deduzi isso ao perceber os carros estacionados, a movimentação de pessoas saindo e entrando, sem falar no som bastante audível de alguma música tocando lá dentro.
– Natasha. – ouço alguém me chamar, e de imediato procuro a dona da voz, encontrando a loira que me fizera vir até aqui... Bárbara se não me engano – Que bom que você veio, mas está atrasada. – ela completa, fitando-me com uma expressão engraçada, fingindo dar uma bronca.
Engulo seco, antes de responder...
– Desculpe, mas só estou aqui por que você praticamente me obrigou a vir... É Bárbara, né? – questiono meio em dúvida, a fazendo soltar uma leve risada divertida.
– Sim, mas pode me chamar de Bobbi, eu prefiro assim. – assinto com a resposta, e novamente a loira se pronuncia – O que acha de entrarmos?
– Acho que eu não tenho muito escolha. – respondo meio irônica, fazendo com que a loira esboçasse um sorriso torto enquanto revirava os olhos.
Começamos a andar em direção a grande mansão, e confesso, eu estava um pouco nervosa. Essa é a primeira vez que eu vou participar de uma festa na casa de alguém que nem conheço com várias pessoas da minha idade, e não um bando de velhos e senhoras como nas festas que minha mãe me obrigava a ir, na agencia qual ela trabalhava.
A distância do portão até a casa deveria ser no mínimo uns cinco metros. O barulho que exalava de dentro da casa ficava mais alto a cada passo que eu dava. Embora a festa estivesse rolando lá dentro, consegui avistar algumas pessoas do lado de fora, principalmente alguns casais que aproveitavam a noite com amassos e beijos um tanto exóticos pra mim.
– É, parece que a Carter gastou toda a mesada nessa festa. – o comentário de Bobbi me desperta, e percebo que já havíamos entrado na mansão.
Se olhando por fora ela já parecia grande, imagine por dentro. O lugar sem dúvida era gigantesco e muito espaçoso, não é a toa que toda aquela gente havia sido convidada. Deviam ter no mínimo umas cem pessoas naquela casa.
– Esse lugar é enorme. – comento um tanto abismada.
– Por que acha que a Sharon é tão arrogante com as pessoas? – a loira questiona, e eu simplesmente dou de ombros, indicando que não sabia a resposta – Porque ela tem o que ostentar e adora fazer isso.
Repentinamente algo chama tanto a minha atenção quanto a de Bárbara. A certa distância de onde estávamos um grande tumulto se formava perto do balcão das bebidas, e não demorei a perceber que a causa de tudo aquilo era uma briga entre duas garotas.
– Natasha, é a Sharon... Ela está brigando com a... Juliana?! – Bobbi diz um tanto espantada, enquanto eu observava as duas garotas caídas no chão, batendo uma na outra.
Devo ressaltar que Sharon estava levando uma grande surra da morena, podia ver isso ao observar as mãos da garota com um maço de cabelos loiros que certamente ela havia arrancado à força.E era realmente surpreendente a forma como a garota, mesmo bêbada (pelo que aparentava), conseguia bater em Sharon como se a mesma fosse um simples saco de pancada. Uma cena um tanto cômica, qual certamente será motivo de piada amanhã.
E embora a briga estivesse bastante interessante, um detalhe no meio das pessoas em roda das duas malucas que se estapeavam me chamou a atenção. Não pude deixar de arregalar meus olhos e arfar em espanto ao ver quem estava ali, diante dos meus olhos.
Era ele, o loiro que me salvara naquele beco... Eu não tinha dúvidas disso.
– Natasha, o que foi? – a voz de Bobbi me faz fitá-la, e percebo a mesma olhar-me um tanto preocupada.
Acho que minha expressão deve tê-la deixado preocupada. Eu certamente deveria estar pálida, enquanto minha boca permanecia aberta em um grande e redondo “O”. Mas me recomponho antes de responder...
– Nada. Eu só preciso fazer uma coisa.
Sem dar mais explicações, começo a andar na direção em que tinha avistado o garoto loiro, porém ele não estava mais lá.
Apresso meus passos, infiltrando-me no meio dos indivíduos que assistiam a briga da dona da festa com a garota morena e gritavam freneticamente, botando lenha na fogueira. Enfim chego ao local em que o loiro antes estava, e corro meus olhos em volta, a tempo de ver a silhueta do mesmo ultrapassar a porta aos fundos da casa.
Não perco tempo, e mesmo com um salto quase agulha em meus pés, corri o mais rápido que pude atrás do meu salvador. Não conseguiria voltar pra casa sem antes falar com ele e agradecê-lo pelo que ele fez.
Finalmente chego à porta dos fundos, e a abro um tanto afoita, dando de cara com um grande jardim repleto de flores e um labirinto de arbustos. Só que mais uma vez havia perdido o loiro de vista.
Bufo, em grande frustração.
Olho a minha volta, na esperança de encontrar quem procuro, e como obra do destino, avisto um pedaço de cabelo loiro por entre os arbustos que se movia normalmente. Dou longos e rápidos passos em direção aquele labirinto de paredes verdes composta por folhas, tentando alcançar o garoto, mas parecia que quanto mais eu andava, mais eu me afastava dele, até que me vi perdida no meio daqueles vários caminhos.
– Droga! – murmuro pra mim mesma, dando alguns passos e me aproximando da fonte que deveria ficar no centro do labirinto.
Alguns segundos se passam, e eu me xingava mentalmente por ter perdido aquele loiro de vista, quando de repente, o som de passos se aproximando me deixaram alerta.
– Posso saber por que você está me seguindo? – uma voz masculina, grossa e um tanto firme adentra meus ouvidos de forma repentina, causando-me arrepios.
Viro meu corpo para trás, a fim de fitar quem me questionara, e não deixo de arregalar os olhos ao avistar, a poucos metros de mim, quem eu estava procurando.
Era ele, o garoto de olhos azuis penetrantes que me salvou. Eu tinha certeza disso, jamais poderia esquecer e muito menos confundir aqueles olhos encantadores.
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