I Told You So
4 Chapter 3 - Bad news
Notas iniciais
Capítulo 3 – Bad news
[Steve Rogers]
– 1, 2, 3...
Com os punhos fechados, acerto uma seqüência de socos no saco de pancadas a minha frente ao comando de meu mestre, começando com um jab, depois um direto e por fim um cruzado.
– 1, 2, 3...
Repito a mesma seqüência de golpes usando as mãos, enquanto o saco de pancadas era segurado por meu melhor amigo James Barnes, ou como todos o chamam, Bucky.
– Ei cara! – ouço a voz de Barnes chamar minha atenção, mas mesmo assim não paro o meu treino – Soube da festa que vai rolar na casa da Carter esta noite?
– 1,2, 3...
Mais uma vez repito a mesma seqüência.
– Sim, o Tony me falou. – respondo simplesmente.
– Troca! – ouço a ordem e troco de lugar com Bucky, segurando o saco de areia enquanto ele partia pro ataque.
– 1, 2, 3, 4...
Dessa vez fora acrescentado mais um golpe na combinação, e Bucky deferiu contra o saco a seqüência de golpes que o mestre havia pedido. Primeiro o jab, depois um direto, um cruzado e por fim um round kick usando as pernas.
– Você vai a festa não vai? – Bucky questiona após repetir a mesma seqüência.
– Sabe que eu não vou a uma festa desde que... – por mais que eu quisesse, não consegui terminar a frase, sentindo meu peito doer tanto por dentro que fora quase insuportável.
Mas a quem quero enganar? Toda vez que penso nela é insuportável, cada vez que me lembro de tudo que aconteceu entre nós me sinto dessa forma, com uma dor enorme e incessante.
– Eu sei Steve. – Bucky diz já sabendo a quem eu me referia.
– 1, 2, 3, 4...
– Olha cara, você precisa esquecer a Peggy. – ele diz seriamente, e ao ouvir o nome dela, a dor me veio mais uma vez – Caramba! A garota foi embora e você está aí sofrendo por ela, como se nem tivesse uma vida.
– Troca...
– Cala boca Bucky, eu não quero falar disso. – respondo mais uma vez trocando nossas posições.
– 1, 2, 3, 4...
Ouço o comando e começo a aplicar os golpes enquanto Bucky segurava o saco de pancadas firmemente.
– Aposto que ela já deve estar namorando outro cara. – aplico um jab tentando ignorar este comentário que certamente me deixou com raiva – Vai ver até já foi pra cama com ele...
Essa foi à gota d’água. Apliquei o próximo golpe da combinação, mas dessa vez minha intenção não era acertar o saco de pancadas e sim quem o segurava, e foi o que aconteceu. O queixo de Bucky fora atingido fortemente por um direto deferido por mim.
O garoto cambaleou para trás me olhando um pouco assustado, enquanto eu dava alguns passos a frente e ele ficava na defensiva.
– Eu disse pra você calar a boca. – vocifero sentindo meu sangue subir cada vez mais, enquanto tentava acertar um cruzado nele, porém o desgraçado desviou.
– Calma Rogers, eu não queria te deixar irritado, apenas comentei. – ele responde após o desvio.
Preparei-me para acerta-lhe um round kick, mas infelizmente a voz grossa e autoritária do mestre Carter me impediu de fazer isto.
– Posso saber o que está acontecendo aqui? – ele pergunta já entre mim e Bucky, encarando-me com um olhar frio.
Engulo seco, reprimindo toda vontade de dar uma surra em meu melhor amigo.
– Está tudo bem mestre, foi apenas um desentendimento idiota. – respondo simplesmente, e percebi Bucky respirar fundo, talvez aliviado.
– Um desentendimento? – o treinador indaga com a voz um tanto cínica – Pois bem Rogers, a próxima vez que atacar seu parceiro de treino, o seu desentendimento será comigo, decorou? – ele ameaça, apenas assinto com a cabeça indicando que havia entendido. Mestre Carter olha para os demais lutadores que observavam a cena atentamente e lhes lança um olhar autoritário – Pararam de treinar por quê? – rapidamente todos eles voltam a fazer o que antes faziam, e então sinto o olhar do treinador sobre mim – Rogers, está dispensado do treino por hoje.
Respiro fundo, pois nem tive tempo de protestar, e se fizesse isso certamente não seria uma boa idéia. Simplesmente saí do tatame e me dirigi ao meu armário na academia, retirando os equipamentos que havia usado pro treino e os guardando.
[...]
Abro a porta do apartamento em que moro, adentrando a pequena sala de estar, encontrando meu pai que permanecia sentado no sofá assistindo a algum canal na televisão.
Ele não é muito diferente de mim, embora o mesmo diga que eu sou mais a cara da minha mãe. Seus cabelos são castanhos, mas ainda assim claros, e seus olhos são azuis iguais aos meus. Sua aparência é de um adulto de trinta anos, embora ele tenha dez anos a mais acrescentados em sua idade.
– Oi pai. – cumprimento adentrando o cômodo, e então ele me fita com um olhar curioso.
– Filho, o que faz aqui? – ele questiona confuso e um tanto surpreso – Não deveria estar na academia?
Dou de ombros, sentando-me no outro sofá ao lado do que ele estava.
– Fui dispensado mais cedo. – respondo simplesmente, apoiava minha cabeça no encosto do sofá, e só então reparei no terno que ele usava todos os dias para ir trabalhar – Mas e o senhor? Não deveria estar na agência?
Pude perceber então que ele ficara nervoso com minha pergunta, como se estivesse querendo me dizer algo e tive uma leve impressão de que esse algo não era nada bom.
– Sobre isso filho... Ér, eu nem sei como te contar... – ele estava sim, muito nervoso, e então resolvi ajudá-lo.
– O que aconteceu pai? – pergunto curioso para saber o que o estava deixando daquele jeito.
Meu pai suspira, parecendo frustrado ou algo assim, o que já me preocupou bastante.
– Eu fui demitido filho. – e então ele solta a bomba.
Arregalo meus olhos, incrédulo as palavras que meus ouvidos escutavam.
– O que? Por quê? – questiono não entendendo, afinal meu pai é um dos melhores advogados aqui de Nova York, tem muitos clientes e é sempre bem sucedido nos julgamentos e audiências.
Um sorriso fraco toma conta de seus lábios, e pude ouvir sua voz soar um tanto cínica.
– Parece que me substituíram por alguém melhor. – ele responde fazendo-me arquear as sobrancelhas – E foi por uma russa que acabou de se mudar para a cidade.
Eu estava inconformado, até mesmo mais do que ele, pois meu pai com certeza não merecia ser substituído por uma qualquer, não pelos dez anos de trabalho e dedicação a aquela agência de advocacia que a propósito ele ajudou a erguer.
Ótimo, como se não bastasse o meu desentendimento com Bucky na academia, agora recebo a notícia de que meu pai está desempregado e também muito mal por isso.
Será que tem como as coisas piorarem?
– Não se preocupe pai, nós ficaremos bem. – garanto tentando passar confiança a ele.
Observo o mesmo assentir, provavelmente tentando se convencer de que isto realmente era verdade, o que eu já nem tinha certeza.
Nesses últimos dias tudo tem sido mais difícil pra mim do que eu pensei que poderia ser, e o que mais desejo no momento é que as coisas mudem, e dessa vez vai ser pra melhor.
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