I Told You So
3 Chapter 2 - Unknown hero
Notas iniciais
Chapter 2 – Unknown hero
Eu estava apavorada. Mas afinal, quem não fica assim quando tem uma faca enorme quase arrancando seu pescoço fora?
Lágrimas já escorriam de meus olhos enquanto o ladrão me olhava com raiva, pronto para aprofundar a lâmina de seu objeto afiado em minha garganta. Medo, era tudo que eu sentia. E quando realmente pensei que fosse morrer, minhas preces foram atendidas.
Nocauteado pelas costas, o bandido cambaleou um pouco para o lado, me soltando, e senti meu corpo despencar sobre o chão, caindo de busto. Levanto meus olhos e avisto um garoto alto, forte e loiro deferir dois socos contra o rosto do homem que caiu no chão quase inconsciente e sangrando.
– Você está bem? – o garoto pergunta se aproximando de mim e me ajudando a levantar.
Ainda olhando para o bandido espatifado no chão, completamente em choque, consegui responder com a voz falha.
– A-acho que sim.
Viro meu rosto, e como que num impacto profundo, senti-me hipnotizada pelos olhos azuis mais lindos que já vi em toda minha vida. Seria um sonho?
– Tem certeza? – a voz do garoto a minha frente pergunta.
Abro a boca, mas as palavras simplesmente não saem, e uma tontura repentina se apodera de mim, fazendo tudo a minha volta girar, enquanto lentamente eu ia perdendo os sentidos do meu corpo, me desequilibrando e caindo.
Mas antes que eu chegasse ao chão, sou segurada por braços fortes e firmes, avistando o azul penetrante de duas íris antes de fechar meus olhos e mergulhar na inconsciência.
[...]
– Natasha. – o eco de uma voz distante chega aos meus ouvidos, mas tudo o que vejo é a escuridão. Não há ninguém, somente o vazio – Natasha. – ouço novamente, e dessa vez pude reconhecer a voz de meu pai.
Eu estava em pé, em um lugar sem luz alguma, era o mais puro negrume, enquanto corria meus olhos por todos os lados à procura do dono daquela voz que eu tanto conhecia e sentia falta.
– Pai, é você? – indago ao nada.
De repente consigo ver algo surgir a minha frente, uma luz que foi crescendo cada vez mais, fazendo meus olhos arderem com a intensidade.
– Natasha!
Num ímpeto meus olhos se abrem, dando de cara com o teto acima de mim, e não demorei a perceber que estava em meu quarto, deitada em minha cama. Viro meu rosto um pouco mais para o lado e encontro minha mãe sentada em uma cadeira perto de onde estou, me fitando fixamente.
– O-o que aconteceu? – pergunto com a voz falha, e logo sinto uma dor de cabeça repentina, o que fez soltar um leve gemido de dor.
– Você foi assaltada. – ela responde na maior seriedade. Então me lembro de tudo que aconteceu, e automaticamente sinto um frio percorrer minha espinha, pois se minha mãe sabe do que aconteceu, vou ter que enfrentar a morte pela segunda vez – Onde é que você estava com cabeça ao sair correndo atrás de um ladrão, Natasha?
Respiro fundo, me preparando para o surto que certamente vai durar por pelo menos uma meia hora.
– Eu só quis recuperar minha bolsa. – respondo como se fosse óbvio, e na verdade era bem óbvio.
Incredulidade, era tudo que sua expressão transmitia, além de uma leve irritação que eu percebi no tom de sua voz.
– Será possível que eu vou ter que te levar a um psiquiatra? – ela exclama visivelmente alterada – Não se corre atrás de um ladrão quando se é assaltado, você ficou maluca?
– Por um milagre ainda não. – murmuro com um pouco de sarcasmo presente no tom de minha voz, e antes que minha mãe pudesse continuar com o surto dela, resolvo perguntar – Como você ficou sabendo de tudo isso? – eu estava bastante curiosa pra saber como ela soube que fui assaltada.
– Recebi uma ligação de um hospital qualquer da cidade. – ela me responde, e parecia irritada – Parece que alguém te salvou. – com essa afirmação, não pude evitar me lembrar do garoto loiro de braços fortes de olhos azuis penetrantes, pelos quais me senti encantada a primeira vista. Ele me salvou, não foi um sonho – Sabia que tive que sair no meio de uma entrevista muito importante de emprego por causa da sua irresponsabilidade?
Arqueio as sobrancelhas, e por mais que as palavras pronunciadas pelos lábios de minha própria mãe doessem dentro de mim, tentei me manter indiferente o máximo que pude.
Entendo a irritação dela agora. Não foi por eu quase ter morrido e sim porque que ela perdeu a porcaria de entrevista de emprego.
– Será que você podia ir embora? – pergunto a olhando seriamente – Já cumpriu o seu papel de mãe preocupada por hoje. – e completo com certa ironia em minha voz.
Ela revira os olhos e se retira do quarto batendo a porta com força, e assim que o fez, senti uma raiva se apoderar de mim, e num ato de frustração e ódio, chutei as cobertas que me cobriam com violência, debatendo meus pés freneticamente e segurando os gritos que insistiam em querer escapar de meus lábios.
Passo a mão por meus cabelos e bufo. Não acredito que tenho uma mãe tão insensível e fria, que só se importa consigo mesma quando deveria se importar com sua única filha.
Levanto da cama e ando até o espelho preso a parede ao lado do guarda-roupa, vendo o reflexo de todo meu corpo já que o espelho era grande o suficiente para eu caber por inteira nele.
Avisto algo diferente em mim, e levo a mão ao pescoço, onde um curativo branco agora manchado estancava o sangue do corte da faca do assaltante, e com toque senti uma leve dor no local.
Mais uma vez a imagem do rosto do garoto que me salvou invadiu a minha mente, uma expressão preocupada podia ser notada de longe enquanto o mesmo se aproximava de mim, que estava fraca e totalmente vulnerável deitada sobre o chão.
De maneira involuntária um sorriso se formou em meus lábios enquanto me lembrava da cor dos olhos do meu “herói desconhecido”, quais a minha mente havia gravado de forma quase perfeita.
– Eu vou encontrar você, loiro. – pronuncio ainda de frente ao espelho, com uma expressão convicta em minha face.
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