I Told You So
2 Chapter 1 - From front to death
Notas iniciais
Chapter 1 — From front to death
Abro a porta revelando um quarto não muito grande e nem muito pequeno, o tamanho era apropriado pra mim, com uma cama de solteiro no meio, um criado mudo ao lado esquerdo próximo a janela e do lado direito a parede com um guarda-roupa branco.
Olho para as pareces, que sustentavam uma cor clara, um tom de bege um tanto diferente. Meu novo quarto em minha nova casa, um apartamento imobilizado pelo qual minha mãe irá pagar por mês um valor “x”, qual eu nem me interessei em perguntar.
Solto um suspiro, adentrando o cômodo segurando firmemente a caixa em minhas mãos, logo a colocando em cima da cama.
Como não tinha nada pra fazer, decidi abrir a caixa e começar a organizar minhas coisas. Quadros para pendurar na parede, alguns pôsteres das minhas bandas favoritas, objetos de uso pessoal e algumas coisinhas a mais.
Enquanto retira tudo que estava dentro da caixa, algo em especial chamou a minha atenção, era porta-retrato que continha uma foto de um casal abraçado a uma garotinha de cabelos ruivos e olhinhos verdes. Sorrio enquanto observava a foto que tirei com meus pais na única vez que fomos a um parque de diversão, eu tinha em torno de sete ou oito anos de idade.
Seguro as lágrimas ao me lembrar do tempo em que meu pai ainda estava vivo, e automaticamente coloco o porta-retrato sobre cama, virado pra baixo.
– Natasha. – dou um pequeno salto da cama devido ao susto que levei com a voz que adentrou meus ouvidos repentinamente. Olho para porta, encontrando minha mãe me fitando estranhamente
– O que está fazendo?
Engulo seco, fechando os olhos fortemente e depois os abrindo.
– Nada. – respondo simplesmente.
Ela me fita desconfiada, mas resolve não insistir e então dá de ombros.
– Eu vou sair, tenho que acertar algumas coisas no novo empregado e só vou estar em casa à noite. – ela avisa fazendo-me internamente bufar. Não acredito que ela vai me deixar sozinha nesse apartamento pra arrumar tudo – E não durma tarde, amanhã começa a sua aula na academia de balett.
Apenas assinto, notando quão direta e precisa ela é ao falar comigo, o tom rigoroso e exigente de quem sempre espera mais de mim.
E sem nem ao menos dizer um “tchau” ou “até mais tarde” ela se retirou, deixando-me sozinha no quarto com expressão indignada.
E eu nem sei por que estava tão surpresa, já devia ter me acostumado com isso, afinal não é de agora que ela me trata dessa forma, isso já tem anos.
Respiro fundo, passando a mão por meus cabelos, pensando no que iria fazer durante uma tarde inteira que passarei sozinha.
[...]
O barulho dos carros circulando pelas ruas, buzinando freneticamente, me deixava com um pouco de dor de cabeça.
E mentalmente me xingo por mentalmente por ter escolhido dar uma volta pela cidade ao invés de ficar em casa no bom e tranqüilo silêncio. E isso é definitivamente o que não vou encontrar nesta cidade, afinal a maneira como a chamam já diz tudo... A cidade que nunca dorme! Que beleza.
Continuo a andar pela calçada, observando os enormes prédios espalhados por toda Manhattan, alguns alojamentos e lugares de comércio, sem dúvidas é bem diferente da minha cidade natal.
E distraída com tudo que meus olhos observavam, senti alguém passar correndo por mim, me empurrando bruscamente e arrancando a bolsa que estava pendurada em meu ombro.
Olho para trás, vendo um cara com um capuz continuar a correr se afastando. Sinto meu sangue ferver, e em um ato maluco começo a correr atrás do ladrãozinho que estava levando minha bolsa com todos os meus pertences.
As pessoas na calçada se assustavam com o ladrão que corria apressado, derrubando pelo caminho latas de lixo, barraquinhas de frutas e várias outras coisas, mas eu nem sequer pensei em parar de persegui-lo, enquanto gritava bem alto: “pega ladrão!”, porém estava sendo inútil, pois parece que nessa droga de cidade ninguém se importa em ajudar alguém que precisa.
Depois de alguns metros correndo atrás do cara, o avistei entrar em um beco, e não hesitei em ir atrás dele. Eu tinha que recuperar a minha bolsa, dentro dela está objetos de grande valor pra mim.
Assim que adentro o beco, encontro o cara parado em frente a uma parede impressionantemente alta, que o impedia de fugir, o deixando completamente sem saída.
Aproximo-me, e se antes a minha dor de cabeça já havia me deixado irritada, agora eu estava no cume da impaciência.
– Devolve a minha bolsa. – peço autoritária, encarando o bandido de frente.
Ele solta uma gargalhada, e me fita com descrença.
– E o que você vai fazer bonequinha? – ele questiona sarcástico, debochando descaradamente da minha cara.
E a ultima dose de paciência que me restava se esgotou, e senti a raiva crescer. Eu podia estar maluca ao fazer isso, mas ninguém me subestima e fica por isso mesmo. Esse cara resolveu roubar a pessoa errada.
Fecho meus punhos, e movimentando um de meus braços rapidamente, acerto um soco violento em seu rosto, provavelmente quebrando seu nariz que começou a sangrar.
Enquanto ele se preocupava em gritar de dor e estancar o sangue de suas narinas, aproveito para pegar a minha bolsa, a puxando bruscamente de sua mão e virando as costas para sair dali antes que esse maluco resolva fazer algo contra mim.
Bom, era tarde demais. Sinto meu corpo ser prensado contra a parede, e senti minhas costas doerem fortemente devido ao impacto, enquanto o bandido a minha frente retirava do bolso uma faca, a tangenciando em meu pescoço, e senti o objeto entrar alguns centímetros em minha pele, fazendo provavelmente escorrer um pouco de sangue.
– Você vai morrer agora sua desgraçada. – ele pragueja totalmente irado.
Podia sentir a raiva presente em seus olhos, e o medo começava a me dominar. Onde é que eu estava com a cabeça ao decidir perseguir um ladrão que certamente não iria roubar algo se não estivesse armado?
Mas que droga! Detesto quando cometo atos malucos sem pensar, de maneira impulsiva, quase que involuntária, pois é algo que não consigo controlar.
Se eu sou corajosa? É óbvio que sim, mas confesso que nesse momento, de frente para a morte, toda a minha coragem se tornou poeira diante do medo que agora me dominava por inteira, e eu mentalmente implorava por um milagre.
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