I Remember You Part 2
11 Eileen
Notas iniciais
7:02 p.m.
Rachel cuidava de Rose na sala. Ela era a única que não o tirava do sério. Ficara chateado com os amigos.
Mas logo passaria, como sempre.
Rose brincava com a caneta e o papel fornecidos por Rachel. Sorria para ele nos instantes que o olhava. Era esperta, uma criança super-dotada, como falavam.
Rachel se lembrou do recado de Axl, que esquecera de dar. Mas esperaria os pais da menina saírem do quarto.
Scotti, Rob e Dave haviam ido embora. Cada um deles tinha um motivo para ir, um alguém esperando. Já ele, não tinha. Não mais.
Depois que Bárbara o deixou, não sabia mais o que era voltar pra casa e sentir o calor de um beijo. Sua mágoa voltava ao pensar nela.
Tinha conhecimento de que fora sua culpa, por seu excesso de bebidas alcoólicas . Ainda a amava, mas não podia procurá-la. Não enquanto a ferida ainda estava dolorida.
Só não sentia-se sozinho quando ia para a casa de Sebastian.
Sabia que podia, mas não tinha cabeça para procurar outra.
Mary e Seb inromperam sala a dentro e sentaram-se no sofá.
Dois cheiros adentraram as narinas de Rachel. Um aroma cítrico e uma fragrância leve, que percebeu ser os perfumes de ambos.
Recordou do recado de Axl.
Rachel — O Axl queria falar com vocês.
Sebastian- o que ele queria?
Rachel — ele falou pra você ligar pra ele.
Sebastian — urgente?
Rachel — nem tanto.
Sebastian — então converso com ele depois...
8:46 p.m. 3 de Novembro.
Samuel já tinha tudo em mente para tirar Mary de Sebastian. Mesmo cansado, não conseguiu pegar no sono , e ficou pensando a noite inteira. Sim, aquilo era infantil e cretino, mas anciava por ter Mary de novo. Não tirava ela da cabeça um segundo sequer.
Estava sem vontade de ir para o trabalho. Seu corpo parecia teimar em sair do sofá. A noite anterior fora muito cansativa e repleta de cenas que se recusava a Lembrar, mas vinham em sua mente. Observou-os todo o tempo e sua raiva aumentava cada vez mais. Sentiu o gosto amargo do ciúme e do ódio em sua boca. Sebastian era nojento. Nunca iria expor Mary daquela forma, se fosse sua.
Se fizesse algo, teria de ser rápido. Ouvira falar que o Skid Row abriria alguns shows do Guns n Roses. Ou talvez não fizesse nada.
Poderia esperar essa semana passar e abordá-la quando Sebastian fosse embora.
Fechou os olhos por alguns segundos. Imaginou-a em seus braços. Sorriu. Ergueu um pouco o corpo para mexer nos cabelos escuros e lisos. Fazia um bom tempo que não o cortava e estavam num comprimento admirável. Isso o incomodava.
Enrolou os fios sedosos e prendeu-os com um elástico que deixava em seu pulso.
Voltou a deitar-se e continuou com os olhos cerrados.
Um flashback curto, sobre ele e Mary o pegara repentinamente.
FLASHBACK ON — SAMUEL ( P.V)
Mary estava um pouco atrasada para o horário que marcamos. A esperava no mesmo local de sempre. Atrás de sua escola.
Olhei o relógio e balancei a cabeça. Ela nunca demorara nos nossos encontros. Só podiam ter descoberto alguma coisa.
Estava para ir embora quando percebi que ela vinha correndo.
`Chegou até mim e abraçou-me. O coração acelerado, o rosto vermelho e molhado pelas lágrimas, não enganou-me. Algo havia acontecido.
- O que Houve, Mary?! — falei, afagando seus cabelos, e a abraçando forte.
Ela resmungou algo que não consegui ouvir.
Se livrou dos meus braços e olhou-me.Observei aquele rostinho alvo, molhado por lágrimas das quais eu queria muito saber o motivo.
Com a ponta do meu dedo indicador, sequei uma das gotas que se desprendera de seus lindos olhos azuis-claros.
- O Nuno... — disse, em soluços.
- O que tem ele?
- Ele descobriu tudo...disse que vai contar... — mais lágrimas rolaram por seu rosto.
A envolvi novamente em meus braços. Como era boba. Não iria acontecer nada. Mesmo que aquele babaca contasse, ninguém acreditaria. Aliás, nunca nos viram juntos, como namorados.
- Mantener la calma, cariño mio... — falei em meu idioma original, sabendo que ela gostava.
FLASHBACK OFF
Fazia muito tempo que não falava em espanhol. Saíra da Espanha com 10 anos de idade e em nenhum momento sentira vontade de voltar.
Amava quando conversava com Mary em outro idioma.
Abriu os olhos acinzentados, e foi tirado de seus pensamentos ao ouvir um pequeno barulho.
Daniel entrou no apartamento e encontrou Samuel deitado no sofá. Com certeza estava pensando na loira.
Daniel — tá pensando nela ainda, cara? — sorriu.
Samuel — não consigo parar... — levantou-se.
Daniel — você precisa de outra mulher, Sam.
Samuel — não. Já tenho uma.
Daniel surpreendeu-se. Não era normal de Samuel estar com uma mulher e pensar em outra. E o amigo falava na maior naturalidade, com feições calmas.
Daniel — com quem você tá namorando, e não me contou nada?
Samuel — não estou namorando. Mary é a mulher da minha vida. Não quero outra.
Daniel — ah claro... como não desconfiei... — revirou os olhos.
Ele percebeu o descaso de Daniel. O amigo sempre dizia para ele arrumar outra, que morreria esperando Mary, mas, não conseguia amar outra.
Tivera muitas mulheres, amou fisicamente cada uma delas, mas nenhuma ganhara seu amor. Mary havia trancado seu coração e levado a chave consigo.
Daniel — vai trabalhar hoje? — indagou, querendo sair daquele assunto.
Samuel — não estou com a mínima vontade. — fez uma careta e balançou a cabeça negativamente. — você vai?
Daniel — não.
Samuel — que milagre.
Ficaram calados por alguns segundos. Daniel observou o amigo. Estava estranho. Talvez fosse pelo cabelo preso.
Samuel precisava sair... tomar um ar... há tempos não saia. Só trabalhava e voltava para casa.
Samuel — vamos dar umas voltas?
Daniel — tá.
Samuel foi para o quarto trocar-se. Daniel ficou à porta, esperando-o. Estava começando à se preocupar com Samuel e o amor que sentia por Mary.
Sam, como já estava de calça, colocou somente uma camiseta e uma jaqueta jeans. Calçou as botas e desamarrou os cabelos, deixando os longos fios caírem levemente por seus ombros e costas.
Encontrou-se com Daniel na porta e saíram sem destino.
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