I Never Can Say Goodbye
55 Deep down we both know it wasn't supposed to end like this.
Notas iniciais
UPDATE 2|08|15 *
Bom galera, escrevi uma one-shot sobre amizade, perdas, e amor entre amigos — que é uma das coisas mais fortes que existem no universo.
Se voce curte minhas fics, e um bom drama, creio que vai gostar. São apenas 2.050 palavras, mas o significado é muito especial.
https://fanfiction.com.br/historia/636501/Helena/
Leiam Helena ♥ Prometo que vai valer a pena!
Não esqueçam de comentar o que acharam :)
Agora vamos voltar a fic!
Beijos.
....
–Will – murmurei seu nome.
Ele se virou, e me encarou correndo até onde eu estava. Assim que nossos corpos se encontraram a mesma sensação de tranquilidade me atingiu, e de uma maneira ainda mais forte.
Soltei o ar enquanto o abraçava.
Ele continuava o mesmo garoto de cinco anos atrás, e mesmo depois de todas essas burradas que fez, continua sendo o cara por quem sou apaixonada desde criança.
–Vai ficar tudo bem. – sussurrei em seu ouvido.
Eu sabia que ficaria.
(...)
P.O.V Leo

–Hey, vem tomar um café com a gente — Fred colocou a mão em meu ombro. Seu toque me fez voltar a realidade.
Depois de receber a notícia de minha mãe, não consegui fazer mais nada. Eu parei. Sentei em uma das cadeiras na sala de espera, coloquei as mãos na cabeça, e chorei. Minha cabeça latejava, e se não conhecesse os sintomas diria que estava prestes a desabar. Nada daquilo parecia ser real.
Não podia ser.
Eu estive com ela não faz nem quatro horas. Nós conversamos, e senti que ela se arrepiou com meu toque — como aconteceu comigo -, e eu tinha certeza de que ao leva-la para casa nos beijaríamos. Não dá mais pra negar que existe alguma coisa entre nós, e ela pode fingir que não está sentindo nada, mas seu corpo não mente. Meu toque mostra a verdade.
E agora ela é um 7.
Maldito número.
–Você não pode ficar assim, Leo. — voltou a falar comigo. O fitei, ele não merecia estar ali, não hoje.
–Pegue Lauren e volte a comemorar — me encarou — Hoje é um dia especial, você conseguiu o que sempre quis, e merece celebrar isso com as pessoas que ama. — Lauren deu um meio sorriso.
–Por isso vou ficar aqui, com você. — seus olhos estavam marejados — Eu vi isso acontecer uma vez, Leo, e não vou te deixar sozinho. Nunca o fiz, e não o farei agora. Sei que Anna é importante pra você, e se é ela a garota que você quer passar o resto da sua vida, tudo bem. É meu dever como futuro padrinho de casamento ficar ao lado de vocês, aconteça o que acontecer — o abracei com força.
Não conseguia dizer nada.
Minha visão estava embaçada devido as lágrimas, mas senti Lauren afagando minhas costas também.
Lembrei de uma coisa que li em algum lugar, que dizia mais ou menos assim: é nos momentos difíceis e complicados que sabemos os amigos que temos, as verdadeiras pessoas que estão conosco, e o mais importante, o quão precioso é quem está do nosso lado.
–Obrigado — tentei agradecer, mas saiu inaudível. Me afastei deles, notando que Fred limpava o óculos — De verdade, vocês dois não precisam ficar aqui — fitei o relógio, já estava bem tarde — não há nada que possamos fazer — ele tentou argumentar, mas o interrompi — Alguém tem que comemorar nossa conquista, sabe disso. — sorri fraco — Parabéns, irmão. Faça isso por mim. — fitei Lauren.
–Tudo bem, Leo. — ela pegou a mão de Fred o puxando — Nos mantenha informados, por favor. Voltaremos em breve — me deu um abraço de leve — Fique bem.
Assenti. Queria que isso acontecesse. De verdade.
Fred saiu de lá contrariado.
–Porque estamos indo? — eles já estavam virando o corredor.
–Ele quer ficar sozinho. Vamos respeitar isso. — Sussurrou, mas consegui ouvi-la. Agradeci mentalmente, era verdade.
Levantei da cadeira em que estive sentado por um tempo, e notei que apenas Jill e Charles estavam ali. Os dois estavam com os olhos fechados, possivelmente dormindo por conta da exaustão.
Andei um pouco pelos corredores, pensando no café que Fred falou. Precisava dele agora. Me dirigi até a recepção, não encontrando ninguém pelo caminho. O hospital estava pouco movimentado para um sábado a noite, e já era madrugada, mas mesmo assim, os índices de entrada no final de semana são os maiores.
Assim que virei o corredor me deparei com um casal se abraçando. Eu conhecia aquele cabelo vermelho.
Era Lilá e... Will?
Mas o que diabos ele tava fazendo nos braços dela?
–O que você tá fazendo? — me aproximei dos dois. Minha voz saiu mais alta que o normal, eu estava irritado, não consegui controlar.
–Eu é que te pergunto o que você tá fazendo aqui? — Will se levantou.
–Parem, por favor. — Lilá tentou intervir ficando no meio de nós dois.
–Eu to aqui por causa da Anna, diferente de você que não está lá com a SUA namorada. Por que você tá aqui com a Lilá?
–O que você tem a ver com isso? — Franziu o cenho.
–Talvez porque eu saiba que você é um baita cuzão indeciso — balancei a cabeça — Como você pode ser tão babaca assim com as duas? — Ele trincou os dentes.
–E o que você quer que eu faça? — Gritou.
Senti o sangue subindo em meu corpo.
Respirei fundo.
–De algum apoio a ela! Isso seria ótimo vindo do NAMORADO dela — ele se aproximou mais.
–Não podemos fazer nada, tá legal? Ela ta em coma. Em.coma. — balançou a cabeça — Nem sabemos se ela vai acordar..
Quando dei por mim meu punho estava em seu rosto branco e perfeito. Era magnético, e assim que minha mão latejou — tamanha força — não me arrependi.
Fraco.
–Leo! — Lilá se ajoelhou ficando ao lado dele, que agora estava no chão — e com um olho roxo.
–Ela não precisa de pessoas como você na vida dela, ta legal?! — dois seguranças vieram até onde eu estava, mas Jess fez sinal para que eles se afastassem. Não precisava de ninguém para me controlar, já tinha feito o estrago — Se você não acredita na recuperação dela, porque ela acreditaria? Não. Você deve apoia-la, não sair do lado dela um minuto. É isso o que namorados fazem, se apoiam, cuidam um do outro. Você não fez nada disso até hoje — balancei a cabeça — Quantas vezes você veio ve-la nesses cinco anos? — O fitei.
–Leo.. — Lilá implorou para que eu parasse.
–Não precisa falar nada.
Virei as costas e saí dali.
I want to go back, forget that it's over
Paint it in black, when you left me alone
I never knew, she was kissing next door
The kid I grew up with
And I can't go back to her anymore, no more
You tell me you were happier with him
But you want me to stay
And you tell me that you needed time but you push me away
And when you try to take me back
My heavy heart just breaks
No I can't lift the weight
Put you in the past, try to forget you cause it's over
And every time you ask I'll pretend I'm okay
In the middle of the night when I don't feel right
I dream I can hold you
And I can't go back to you anymore.
–Hey — alguém segurou forte meu braço, me fazendo parar. O quanto eu tinha andado? Nem sei mais em que lugar do hospital eu estava — Jess já me informou o que aconteceu na recepção. — Stabler me encarou — Você não pode perder a cabeça desse jeito, Leo. Se acalme, tudo vai ficar bem.
–Bem? — Franzi o cenho — Você disse isso mesmo? — balancei a cabeça indignado — Ela tá em coma!
–Mas não está morta! — Me aproximei dele, sentindo meu punho se fechando.
Não havia ninguém no corredor, só nós dois.
–Você realmente quer fazer isso, Leo? — Fitou minha mão. Relaxei meu corpo me encostando na parede — Eu sou médico há mais de vinte anos, sei do que estou falando. Ela vai se recuperar, é só uma questão de tempo.
–Tempo. — bufei — Claro, o que são cinco anos..
–Hey — ele colocou a mão em meu ombro — Não vamos ser assim tão pessimistas — seu olhar era solidário — Ela é um 7, mas que está virando um 8, digamos assim — o encarei confuso — Tentei te procurar antes, mas você não estava mais na sala de espera. Os pais dela já a viram por alguns minutos, e posso tentar te levar, se quiser.. — Sorri fraco. Por favor, faça isso. — Me acompanhe.
O segui até o elevador, onde ele apertou o 4º andar. Nunca tinha ido até lá, então tentei me preparar psicologicamente para o que viria em seguida.
–Você não é parente dela, e tecnicamente isso é ilegal.. — parou em frente a uma porta branca.
–Obrigado, Stabler. — ele ficou meio sem jeito, mas continuou a digitar sua senha — Me desculpe mais uma vez por ter estragado a noite de vocês dois. Sei o quanto minha mãe, hum, aprecia sua companhia.
–Esse é meu trabalho, filho. — sorriu — E continuo passando a noite com sua mãe — o encarei — no bom sentido, claro. — riu nervoso — Ela é uma companhia agradável, não tem como negar.
Sorri.
Minha mãe é uma mulher incrível, e sei que vai cuidar bem do caso de Anna.
–Você já veio aqui antes? — Neguei com a cabeça — Vou te explicar como funciona — abriu a porta — Você não pode entrar, só observa-la pelo vidro, tudo bem?
Não escutei mais nada do que ele estava falando, meus olhos e sentidos, estavam focados em outro lugar.
A espaço era médio, com capacidade para dois pacientes, um lado estava vazio, já o outro possuía um tipo de redoma de vidro que protegia Anna do outro lado. Ela continuava pálida, seus cabelos estavam soltos, e aquela mesma roupa azul estava em seu corpo.
Senti uma tontura, e me segurei na parede.
Há quase cinco anos atrás ela estava desse mesmo jeito. Cheia de fios e tubos transpassando em seu rosto, os bips dos aparelhos continuavam altos, e o peito subindo e descendo devagar.
–Leo? — Stabler me amparou — Pensei que não passasse mal.
–Com ela é diferente, Stabler — Virei para o outro lado, sem encara-lo.
–Sei o quanto ela é importante pra você.
Uma lágrima teimou em escorrer pelo meu rosto.
Não. Se controla.
Ela precisa de você, e você não vai abandona-la.
–Não vou abandona-la — sussurrei afirmando.
–O que disse?
–Posso ficar um pouco com ela.. sozinho? — O fitei. Ele franziu o cenho, contorcendo a boca em uma careta esquisita.
–Tudo bem, você tem alguns minutos — Sorriu fraco me deixando lá.
Me aproximei do vidro, tentando chegar o mais próximo possível dela.
Respirei fundo.
Por nenhum momento desisti que ela fosse acordar, e sempre esperei por ela. Sei que ela vai ser minha — não de um jeito machista e egocêntrico, mas como minha outra metade — um dia, pode demorar o tempo que for, mas sempre vou esperar. Sorri fraco lembrando que Lilá falou que ela pediu por mim antes de desmaiar.
Ela sabe.
Ela sempre soube.
E agora cá estamos nós, mais uma vez, separados pelo destino.
Não era pra estar desse jeito, ta tudo errado.
I'd like to say I'm okay, but I'm not
I try, but I fall
Close my mind, turn it off
But I can't be sober, I cannot sleep
You got your peace now, but what about me?
I thought we had the time, had our lives
Now you never get older, older
Didn't say goodbye, now I'm frozen in time
Getting colder, colder
One last word, one last moment, to ask you why
You left me here behind
You said you'd grow old with me.
Ela estava tão serena, e seu semblante era tranquilo, como se ela estivesse dormindo.
–Ela parece a Bela Adormecida mesmo. — olhei para o lado levando um susto.
–Como você entrou aqui?
–Gostaria de pensar que bolei um plano mirabolante, driblando a segurança, e tudo mais, mas não. Foi por pena mesmo. Eles sabem que eu to morrendo, e não vão negar o que pode ser meu “último pedido”. — riu sarcástica, mas senti uma pontinha de tristeza em sua voz.
–Alissa.. — Ela me fitou.
–Sinto muito por Anna — encarou o chão sem me olhar, ela estava chorando.
–Hey, calma. — a abracei. Ela era tão magrinha que parecia que eu estava quebrando seus ossos ao aperta-la.
–Ela estava tão otimista aquele dia quando vieram nos visitar, e o que me disse mudou o jeito que penso, de verdade — Seus olhos estavam marejados — Ela não merece passar por isso de novo, nenhum de vocês. — Voltou a fungar em meu peito.
–Eu sei, Ali. Mas infelizmente ainda não temos a explicação do por que coisas ruins acontecem com pessoas boas. Nunca saberemos o por que. Talvez seja para manter o equilibrio das coisas, ou mostrar um novo caminho, não sei.
–Ela já passou por isso, podia ser outra pessoa agora. — Afaguei suas costas.
–Talvez porque ela seja forte, e vai passar por isso de novo. Ela conseguiu uma vez, duas é moleza — Ri fraco tentando acreditar em minhas próprias palavras.
–Espero que sim, de verdade. — me soltou, voltando a encarar o vidro — Ela é tão bonita.
–É sim, a mais linda de todas — Sorri encarando o vidro. Mesmo em uma situação como essa, Anna continuava brilhando.
–Pode parar de babar, tá? — Alissa riu, e eu fiz uma careta — Vocês são namorados mesmo?
–Não.
–Ainda não são namorados?! — mostrou os dentes.
–Isso! — sorri — É complicado, coisa de gente grande.
–Nossa, falou o adulto. — revirou os olhos.
–Na verdade, tudo começou quando nós tínhamos a sua idade, 12 anos.
–Voce gosta dela desde os 12 anos? — arregalou os olhos — Uou! Foi a primeira vista?
–Não — achei graça — Nós nos odiávamos.
–Eu não to entendendo.
–Chegou um momento em que eu percebi que brigar com ela era a melhor parte do meu dia, e eu esperava ansiosa para ve-la de manhã, zombar do cabelo dela, ou dos desenhos horríveis que ela fazia, mas que na verdade são incríveis, e não sei, comecei a ficar nervoso perto dela, não sabia direito o que dizer, então só falava merda. — Ela riu — Quando ela sofreu o acidente, eu pensei que minha vida fosse acabar. Eu queria ter dito a ela que gostava dela, e não a odiava. Que tudo aquilo era fingimento, e eu só o fazia para ficar perto dela. Minha mãe cuidou do caso dela no início, e eu lembro de perguntar todos os dias sobre ela, como ela estava, essas coisas. Ela foi piorando cada vez mais, até que não apresentou melhora alguma. Aí sim, percebi que estava gostando dela de verdade. Eu precisava ver como ela estava, falar com ela — Ali prestava atenção em cada palavra, como se eu estivesse contando um segredo — Então comecei a acompanhar minha mãe todas as quartas feiras no hospital, foi então que conheci voces. — sorri — Depois de passar um tempo com vocês, subia até o quarto dela. Contava tudo que estava acontecendo, o quanto sentia sua falta.. E lá se foram quatro anos.
–Eu ainda não acredito que vocês não estão juntos, quer dizer, ela gosta de você, e você gosta dela.. Por que complicar tanto? — a fitei. Se até ela conseguia perceber isso, como Anna não conseguia? Talvez ela não quisesse ver.
–Já te falei, é complicado.. — Voltei a fita-la pelo vidro.
–Quando ela acordar, vou ter uma conversinha com ela — Sorri.
–Obrigado, Ali.
–Disponha — Ela gargalhou.
A porta voltou a se abrir, nos fazendo voltar a atenção para a entrada.
–Desculpe, garotos. — Stabler fez uma careta. O tempo tinha se esgotado.
A olhei mais uma vez.
–Até breve — falei sincero — Vamos. — ajudei Ali a chegar até a porta — Obrigado, Stabler — Ele estendeu a mão na esperança que eu a apertasse, mas não o fiz. O abracei. Ele foi muito gente boa comigo, e sempre foi com minha mãe. Merece um voto de confiança.
Ali continuou ao meu lado, sua mãos batendo em sua perna.
–Qual é o lance entre o Stabler e sua mãe? — A encarei — Ué, esse hospital é melhor que novela, todo mundo sabe das fofocas.
–Bem, eu acho que os dois estão... namorando. — Por incrível que pareça, essa palavra não soou tão estranha.
–Serio? Yey! — bateu uma mão na outra — Ele é um gato, combina com sua mãe. — a encarei de novo abismado — Ué!
–Tudo bem — falei rindo segurando a porta do elevador para ela — Está na sua hora, mocinha.
–Eu não queria te deixar sozinho — sorri.
–Não precisa se preocupar comigo, vou ficar bem. E você? Consegue ir até seu quarto sozinha? — fez uma careta irritada.
–Eu to doente, não inválida! — A abracei de leve, me despedindo.
–Prometo que vou visita-los em uma hora melhor — fitei o corredor — Agora não é um bom momento.
–Eu sei — sorriu — Já sabe o caminho.
–Pode deixar — ela acenou se despedindo.
A porta do elevador se fechou, me levando de volta ao primeiro andar. Andei até a metade do corredor, mais precisamente até a entrada do refeitório. Uma máquina de café ficava alojada lá dentro, sei disso porque uma enfermeira me contou uma vez. A uso desde então, mas ninguém sabe.
Apertei o botão, e o liquido quente aqueceu minha mão gelada. O gosto forte e amargo me ajudaram a manter meus olhos abertos.
Fechei a porta com cuidado, observando se alguém estava por perto, e me dirigi até o elevador, voltando a sala de espera.
Lilá estava sentada em uma das cadeiras, o cabelo preso desarrumado, e as mãos se mexendo freneticamente. Assim que escutou o barulho dos meus passos, ergueu a cabeça me fitando.
–Nós precisamos conversar.
Assenti que sim, me sentando ao seu lado.
Segurei suas mãos que não paravam de tremer, notando o gelo em que elas se encontravam. Fitei seus olhos verdes, que agora se misturavam a um vermelho.
Ela estava destruída.
A abracei.
Ela não tinha culpa.
Nenhum de nós teve.
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