Notas iniciais
Só pra ter um começo. Isso é em um show qualquer um pouco antes da metade de 2007.
Frank's POV. Espero que gostem! *rói as unhas*

Eu adoro isso. Ver todas as cabecinhas e os braços para cima na platéia, ouvir a música tão alta que mal sinto meu corpo, saber que eu faço parte daquilo.

Cara, eu realmente adoro isso.

Íamos começar “Prison” agora. Gerard falava com o público, mas eu não prestava muita atenção, já que ele geralmente é bem aleatório nessa hora.

Então ele começou a gemer. Eu sorri enquanto o ouvia e continuava a estender o início da música. Depois da primeira vez que Gerard gemeu no palco — o que quase fez com que eu e Ray parássemos de tocar de tanto rir, saindo das luzes para isso — e depois de zoá-lo por horas, eu o disse que, na verdade, fora bem sexy. “Foi mesmo?” ele perguntou, parecendo uma criança recebendo um elogio. “Claro que foi, Gee, você não viu como eles ficaram?”. E aí ele nunca mais parou.

Eu ainda falava toda vez, depois do show, que seus gemidos foram sexy, quando ele os fazia, claro. Ele já esperava que eu falasse. Por isso, agora, eu dava um pouco de atenção, e ele estava bem animado. A platéia estava aos delírios quando ele finalmente começou a cantar.

Concentrei-me na guitarra e voltei a imergir no show. Gerard andava de um lado para o outro, Mikey ficava no seu cantinho e Ray se aproximou em um momento para tocarmos juntos. Às vezes eu ficava com dó de como Bob ficava excluído lá atrás da bateria.

No segundo refrão, Gerard veio até mim e puxou meus cabelos, forçando minha cabeça para trás, sem parar de cantar, “Well I can, yeah”. Eu quis perguntar quem ele pensava que era para achar que podia fazer isso, mas ele saiu de perto. Esperei alguns segundos e me aproximei dele, no fim do refrão, para ficar na ponta dos pés e lamber seu rosto rapidamente.

Adorávamos essas imbecilidades que fazíamos no palco, e sabíamos que os fãs também. E sempre foram isso: imbecilidades entre amigos imbecis.

Mas, porra, eu não esperava por aquilo. No fim, bem no finalzinho da música, Gerard apareceu do nada na minha frente, segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou.

Meu primeiro pensamento foi “O que diabos esse idiota acha que está fazendo?”. Nosso beijo foi visto por todos, mas apenas por um segundo, pois as luzes se apagaram. Só quem continuou sabendo dele no segundo seguinte foi eu e Gerard.

E foi rápido, tão rápido que pareceu acontecer em slow-motion, se isso faz algum sentido. Eu congelei, mas, depois do choque inicial, senti meu corpo relaxar em um arrepio que percorreu toda a minha espinha. Percebi os lábios de Gerard pela primeira vez, e eram... pegajosos*. Meus braços formigaram e quiseram se levantar e abraçá-lo, mas de repente não existia mais Gerard na minha frente.

As luzes voltaram. Mikey, Ray e Bob pareciam não ter visto nada demais, e Gerard já estava longe de mim. Os únicos que pareciam ter notado o que acontecera foi a platéia, que parecia estar em êxtase, e eu, que devia estar com uma cara ridícula, com direito a boca aberta. Mas consegui me recuperar logo; o show não acabara.

Continuamos a tocar. Gerard se aproximou mais algumas vezes, e a cada vez eu sentia meu coração acelerar numa mistura de medo e expectativa, e eu não sabia porquê. Meu coração é meio estúpido. De qualquer jeito, não fizemos mais nada. Demos adeus e saímos do palco normalmente; exceto pelo fato de eu parecer uma múmia.

Todos comentavam, riam e se espreguiçavam, e estávamos cercados pelo pessoal da equipe, produção e coisa e tal. Demoraram alguns minutos para perceber que eu estava calado.

— Você tá bem, Frank? — Bob perguntou.

Eu olhei para ele meio atordoado por um momento. Estava sentindo coisas estranhas e tendo pensamentos mais estranhos ainda. Todos me observavam, e quando passei os olhos por Gerard, me forcei a abrir o meu melhor sorriso.

— Ah, sim, só cansado. Preciso de uma cama urgentemente.

— Sério? — Ray perguntou, decepcionado. — Você não vai pra festa?

— Ahn, é, acho que não — não acredito que realmente me esqueci. Eu nunca perco uma festa pós-show.

— Você nunca perde uma festa pós-show — Ray repetiu meus pensamentos.

— Há uma primeira vez para tudo — falei, meus olhos tentando ir na direção de Gerard, mas eu não os permiti.

— Ok, então... Te encontramos no hotel quando chegarmos — Gerard falou. — Vamos ter que dar alguns autógrafos, os fãs vão sentir sua falta.

— Ah, eles vão sobreviver. Peçam desculpas por mim — comecei a me afastar, a máscara de naturalidade no meu rosto estava começando a pesar muito. — E juízo, vocês, hein?

Eu fui para o hotel em que estávamos hospedados enquanto eles iam para festa, com a minha cabeça latejando. O que estava acontecendo comigo? Que merda era essa que doía no meu peito, o que era esse aperto ao mesmo tempo ruim e prazeroso? O que eu tenho aqui dentro para fazer isso?

Ah, é. O meu coração estúpido.

Notas finais
*A melhor tradução que eu achei para "slimey" (por causa disso aqui: http://www.youtube.com/watch?v=i6XMf8zPDSI)
Eu não sei qual foi o primeiro beijo de verdade dos dois,já que os videos que eu acho no Youtube estão sempre com datas trocadas (foi o do Download Festival? Não, né? *bóia*), então para efeito de fic agora é esse -q
O que acharam? Estou nervoso, é.